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12/04/2005

Luiz Ricardo Fini, especial para GE.Net

O empresário Manoel da Lupa assumiu uma grande responsabilidade no começo do ano: tirar do buraco um dos mais tradicionais clubes da capital paulista. Com dívida de R$ 160 milhões, a Portuguesa luta para se recuperar dentro de campo da crise em que mergulhou quando foi rebaixada à Série B do Campeonato Brasileiro, em 2002.

Apesar de estar melhorando sua imagem ao pagar em dia os salários dos atletas, a situação da Lusa nos gramados continua complicada. O time corre sério risco de ser rebaixado para a Série A-2 do Campeonato Paulista e já se prepara para a disputa da Série B do Brasileiro.

No entanto, Da Lupa demonstra não ter se arrependido em ter assumido o clube e continua confiante em tirar o clube da atual situação. Em entrevista por telefone concedida à reportagem da GE.Net, o presidente da Portuguesa falou dos problemas no Paulista e dos planos para a próxima competição.

Como o senhor analisa o atual time da Portuguesa?
Apesar de montada em apenas 60 dias, temos uma equipe rápida, que começou a se acertar agora. Apesar da situação em que está, o time não é ruim.

A Lusa vai conseguir escapar do rebaixamento no Paulistão?
Não estamos totalmente fora da zona de rebaixamento. Independente do nosso planejamento para o Brasileiro, a situação no Paulista ainda está aflitante. Temos pequena vantagem sobre a zona de rebaixamento, não podemos vacilar. Esperamos sair da situação em que estamos.

Se o time é bom, qual é o problema nesse campeonato?
Na minha opinião, o grande problema do time foi a falta de confiança. Eu percebi uma certa intranqüilidade dos jogadores no começo, além da falta de entrosamento.

Antes do Giba, Zé Teodoro (demitido) e Gallo (transferido para o Santos) comandaram a Portuguesa. A troca de técnicos complicou o trabalho do time?
O Gallo deu uma “senhora” pisada na bola com a gente. Ele não pode falar nada de ética do Leão porque ele não teve aqui. Ele ainda tem a receber (salário). Só estamos esperando ele enviar a documentação fiscal para pagarmos o que devemos para ele. Não vamos ficar devendo. Não teremos a mesma falta de ética dele.

Os salários dos jogadores estão sendo cumpridos?
Pagamos os salários todos em dia. Isso é o importante. Estamos pagando tanto os jogadores como os funcionários do clube, não devemos nada.

A Portuguesa tem uma dívida de R$ 160 milhões. Como fazer para sanar uma dívida desse montante?
Estamos pagando aos poucos, devagar. Não adianta cantar de galo e se mostrar. Começamos pelas dívidas trabalhistas menores. Mais para frente, vamos pagar as trabalhistas maiores. Estamos montando um time competitivo para voltar à primeira divisão. Cabe ao clube honrar seus compromissos. Hoje, o dia a dia está difícil. Mas espero um pouco de consciência dos credores e um voto de confiança. Se a gente subir, a cota (de televisão) será maior e teremos mais condições de pagar. Mas não dá para negociar tudo de uma vez, temos de manter os pés no chão.

Como está sendo a preparação para a Série B do Brasileiro?
Estamos atrás de jogadores e queremos manter o grupo que já temos. Vai ser muito difícil tirar alguém daqui. O atleta recebe em dia e não falta mais material. Ninguém vai querer sair daqui hoje, mas claro que não posso falar com 100% de certeza. Da nossa parte, estamos fazendo o possível para cumprir o combinado. Não queremos oferecer muito dinheiro para alguém e depois só pagar o primeiro mês.

Quais são as chances da Portuguesa na Série B?
Temos a consciência de que precisamos melhorar o time. Sair da situação em que estamos no Paulistão já servirá de motivação. Vamos manter o mesmo elenco e ainda contratar mais quatro ou cinco jogadores. Não posso dizer que seremos campeões (Série B), mas estou confiante de que vamos chegar lá na frente. A idéia é voltar para a primeira divisão. Claro que vamos jogar contra time tradicionais como Grêmio, Bahia e Vitória, mas são todos iguais a nós.

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