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15/04/2005

Grande culpado pelo rebaixamento para muitas pessoas de dentro da Inter de Limeira, o presidente João Júnior pede calma, não se abala e avalia: “não é o final do mundo”. O dirigente reconhece que errou em alguns pontos de sua administração, como por exemplo atrasar os salários, mas garante que muita coisa que divulgaram a respeito do clube - e dele próprio - são
inverdades.

Nesta entrevista por telefone à Gazeta Esportiva.net, Júnior desconversa sobre valores e promete acertar os salários atrasados com os jogadores até a última partida da Inter no Paulistão, dia 15 de maio contra o América, quando o clube terá apenas 14 atletas para ser relacionado, a maioria juniores.

Júnior aproveitou também para esclarecer a estranha história de suborno e propina de um provável favorecimento ao União São João. A história, divulgada de maneira imprópria, é confirmada pelo presidente, que elogia a hombridade de seus atletas.

Gazeta Esportiva.net – Por que os salários da Internacional estão atrasados?
João Júnior –
Por falta de dinheiro (risos). Nós confiamos na palavra da gestão anterior de que havia dinheiro em caixa e quando assumimos não encontramos os valores divulgados. Além disso, perdemos um grande patrocínio de camisa, que certamente nos ajudaria muito na manutenção do elenco.

GE.net – Houve o polêmico empréstimo da FPF no valor de R$ 300 mil?
Júnior –
Não, pelo menos na minha gestão. A única quantia que pegamos foi de R$ 51 mil, que tínhamos direito, para correr atrás de fazer o pagamento aos atletas.

GE.net – E essa história do despejo do hotel e corte na alimentação dos atletas?
Júnior –
É tudo boato. O que acontece é que temos um diretor, dono de uma escola aqui em Limeira, e ele mandou os jogadores comerem lá, para ajudar na economia. Eu mesmo sou cliente dele, pois ele fornece comida para minha empresa. Já no hotel, eu tirei os jogadores de onde eles estavam hospedados, pois era desvantagem economicamente falando. Agora eles estão em um flat, “chique”, com tudo pago do meu bolso.

GE.net – Afinal, a Inter recebeu proposta de suborno do União São João, como foi falado?
Júnior -
Recebeu sim, mas meus jogadores se sentiram ofendidos e não aceitaram. Daí ganhamos e começaram a falar um monte de coisa. Em várias partidas tentamos e a bola não entrou e daí, o União não jogou nada.

GE.net – Surgiram vários boatos de uma possível renúncia. Ela vai acontecer?
Júnior –
Não sei. Vamos nos reunir com os conselheiros após a partida de domingo e dependendo do que ficar acertado, saio sem problemas. Vamos aproveitar esse encontro para decidir os rumos que a Inter vai tomar. É provável que fechamos as portas até o ano que vem.

GE.net – Falando com o elenco, todos são unânimes em apontar o atraso dos salários como culpado pelo rebaixamento. O senhor concorda com essa afirmação?
Júnior –
Não. Até 20 de fevereiro, não devíamos nada para ninguém e disputamos oito jogos, conquistando apenas sete pontos de 24 disputados. Não adianta querer ficar achando culpados. Todo mundo lá de dentro tem uma colaboração nisso. Vamos parar de procurar pêlo em ovo. Ano passado tivemos a felicidade de subir, esse ano caímos. É natural do futebol.

GE.net – A receita mensal da Inter é insuficiente para a montagem de uma equipe competitiva ou o dinheiro foi mal usado?
Júnior -
Uma cidade que não tem renda, não tem apoio não vai ter um time forte. Vamos ter problemas, pois assim que acabar o patrocínio (com a empresa Lexmarx) ficaremos sem receita alguma, com os diretores sustentando o clube.

GE.net – Conversando com os atletas é nítida a insatisfação com a ausência dos diretores no dia-a-dia do clube e a cobrança excessiva nos jogos. O que fazer?
Júnior –
Diretoria não tem a função de ficar todo dia no clube. É claro que temos que cuidar para não acontecer o que acontece - salários atrasados e coisas do tipo - mas quem tem que ir trabalhar lá todo dia é a comissão técnica. Os diretores têm outras ocupações na vida particular, não ganham para isso.

GE.net – O Alexandre Gama falou que é costume na Inter os diretores invadirem o vestiário para ofender os atletas. Isso realmente acontece?
Júnior –
Aconteceu apenas no dia da demissão dele, quando houve algumas desavenças. Veja bem, a Inter é um time de garra, não de ficar passando a mão na cabeça quando fazem alguma coisa errada.

GE.net – E o futuro da equipe?
Júnior –
Tem que pensar com calma. Temos as categorias de base, sub-15, sub-17, sub-2o e certamente estaremos competindo nelas. Quanto à Copa FPF, vamos analisar com calma, mas é improvável disputarmos ela. Vamos repousar
para entrar com fôlego na disputa da A-2 em 2006.

GE.net – Os salários serão quitados?
Júnior –
Estou correndo contra o tempo e até o jogo de domingo, contra o América, vamos acertar tudo.

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