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09/05/2005

Presidente do Fortaleza sonha em manter clube na elite

Marcos Denner, André, Aluspah, Genilson, Giba, Márcio Goiano, Igor, Marquinhos, Paulo Isidoro... Desde janeiro o Fortaleza contrata jogadores visando a disputa do Campeonato Brasileiro. A competição, enfim, já começou, mas o presidente Ribamar Bezerra promete mais caras novas no Tricolor de Aço.

Durante a semana que antecedeu a partida do Leão contra o São Caetano (dia oito), a delegação do Fortaleza se concentrou em um hotel-estância na cidade de Jarinu, interior de São Paulo. O presidente, então, recebeu a reportagem da GE.Net e concedeu uma entrevista exclusiva, contando todos os planos do único representante do Nordeste no Campeonato Brasileiro da Série A.

Apesar de elogiar o grupo que o técnico Vágner Benazzi tem em mãos, Ribamar Bezerra reconheceu que ainda poderá contratar mais reforços, se achar necessário. O presidente admitiu estar disposto a fazer tudo o que for necessário para manter o time na primeira divisão.

Qual o objetivo do Fortaleza no Campeonato Brasileiro?
O objetivo é o de permanecer na primeira divisão. Para isso, não basta apenas ter vontade, é preciso também ter força de vontade, que é mais difícil. Nós temos essa força de vontade e temos trabalhado com ela. Trouxemos o time para fazer um período de preparação de quase dez dias aqui em Jarinu (SP), que serão importantes para a preparação, vai fortalecer a qualidade do grupo. Estamos dando todas as condições aos jogadores, em termos de salário em dia e preparação de time grande. Além disso, queremos manter o ambiente de trabalho agradável.

Depois de ser vice-campeão da Série B em 2002, o Fortaleza subiu para a primeira divisão, mas caiu logo em 2003. O que fazer para não repetir a mesma história este ano?
Faltou ousadia naquela ocasião. Era preciso contratar melhor e não se preocupar tanto com o aspecto financeiro. O clube não ousou para fazer contratações. Acho que pela continuidade na primeira divisão, vale até terminar o ano devendo. Para nós, é mais do que um objetivo se manter este ano, é um compromisso.

Então o Fortaleza pode contratar mais jogadores durante o Brasileirão?
Se o time não render o esperado, vai justificar a contratação de mais! gente até chegar ao ponto que esperamos. Queremos ter um time de primeira.

Mas não existe o risco de contratar demais e acabar atrasando os salários?
De pagar em dia ninguém abre mão. O que eu digo é fazer empréstimos e gerar um passivo (dívida) para 2006, se for necessário. O importante agora é pensar em ficar na primeira divisão, mesmo se tivermos que procurar recursos em bancos. Só não podemos atrasar salários.

O Fortaleza sofre muita pressão por ser o único time do Nordeste na Série A do Brasileirão?
Estamos vivendo uma situação paradoxal. Temos o bônus de ser o único representante do Nordeste, mas isso gera uma c! obrança que não se satisfaz com nada. Tudo que se faz é pouco. Estamos com uma responsabilidade acima do normal. Com certeza, se tivesse outro time do Nordeste no Brasileiro, essa pressão seria menor. A vaidade do torcedor é muito grande e ele cobra bastante, mas estamos satisfeitos. Afinal, temos o bônus de ser o único time da região.

O Fortaleza tem potencial para chegar longe no Brasileirão?
A imprensa do Sudeste vê o Fortaleza como visitante no Brasileirão. Eles acham que nós viemos para a primeira divisão para passear este ano e depois voltar para a Série B. Pelo que nosso time mostrou até agora, eu até concordo. Mas o pessoal do Sudeste ainda não tem a visão geral do Fortaleza, por desconhecer o nosso potencial. Aos poucos a gente fará todo mundo mudar de idéia.

Como o time está sendo montado para não decepcionar o torcedor?
Estamos fazendo um time mesclando jovens e experientes jogadores. Muitos que estão em nosso elenco já são consagrados na região, como o Bosco, por exemplo. O time tem que ter força. Precisamos ter três ou quatro jogadores diferenciados, mas também temos de contar com operários. Acredito que pelo tamanho do campeonato, 60% do time precisa ser de força.

O Brasileirão está sendo mais disputado do que o senhor esperava?
Existe uma média na qualidade, com algumas exceções, como São Paulo, Corinthians e Santos. O campeonato está muito nivelado porque uns clubes cresceram e outros se descuidaram. Por isso, o futebol ficou tudo na mesma média. O aspecto financeiro é fundamental nesse campeonato. O futebol é um produto caro. Nosso orçamento para este ano é de R$ 10 milhões e um clube não consegue ter receita oriunda do próprio time que cubra esse valor.

Na sua opinião, quais são os favoritos ao título?
Corinthians, São Paulo e Santos são os teóricos favoritos. Competência com dinheiro fica mais fácil. Se eu tivesse condições de ter um custo mensal de dois ou três milhões de reais eu faria um Corinthians. Mas aqui no Fortaleza o nosso orçamento mensal é de R$ 800 mil, e nem temos um quadro societário. No Clube dos 13* recebemos R$ 2,6 milhões por ano, que é o valor mais baixo dentre as equipes da primeira divisão. (* Corinthians, Flamengo, Palmeiras, São Paulo e Vasco recebem a maior cota, que é de R$ 21 milhões anuais).

Existe dificuldade para reforçar o Fortaleza?
Jogadores que estão aqui em times medianos, ganhando salários baixos, tentam se valorizar para jogar no Nordeste só porque é longe. Para jogar lá, eles querem aumentar o salário, quase dobrar. As exceções são os que vão para lá em fim de carreira.

Como o senhor avalia o trabalho do técnico Vágner Benazzi à frente do Fortaleza?
Ele é um treinador experimentado. Tem uma vivência muito grande nas Séries A e B do futebol paulista, que é dificílimo. Ele fez também trabalhos vitoriosos no Brasileirão com Criciúma, Figueirense e Paysandu. Além disso, o Benazzi está compatível com a realidade financeira do clube.

O senhor tem acompanhado a Série B? Qual a diferença do ano passado para este?
Permanecer na primeira divisão é muito difícil para times do nível do Fortaleza. Mas subir da Série B é quase impossível. O ano passado foi mais fácil.

Os dois primeiros jogos do Fortaleza no Brasileirão foram com portões fechados (contra o Coritiba, em casa, e Vasco, fora). O senhor concorda com essas penas impostas pelo STJD?
Contra o Coritiba ficou provado que a ausência de torcida influi no resultado. Como o Fortaleza é um time de massa, a ausência do torcedor faz uma falta muito grande. Tivemos uma renda média de 25 mil pessoas no ano passado. Temos de amenizar os atos de alguns torcedores, mas acho essa lei dura demais, tira a essência do futebol, que é justamente o torcedor. A gente faz futebol para as pessoas. Com os portões fechados, o futebol deixa de ser um produto quente para ser frio.

O Fortaleza ainda tem mais uma partida em casa com portões fechados (contra a Ponte Preta). O que esperar desse confronto sem torcida?
Perdemos quatro mandos porque um torcedor invadiu o campo no ano passado (duas partidas foram cumpridas em 2004). O invasor foi preso e identificado, mas mesmo assim temos que cumprir os dois outros jogos este ano (contra Coritiba e Ponte Preta). Normalmente, a torcida é nosso 12º jogador, mas às vezes é o primeiro.

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