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Presidente do Fortaleza sonha em
manter clube na elite
Marcos Denner, André, Aluspah, Genilson, Giba, Márcio
Goiano, Igor, Marquinhos, Paulo Isidoro... Desde janeiro o
Fortaleza contrata jogadores visando a disputa do Campeonato
Brasileiro. A competição, enfim, já começou,
mas o presidente Ribamar Bezerra promete mais caras novas
no Tricolor de Aço.
Durante a semana que antecedeu a partida do Leão contra
o São Caetano (dia oito), a delegação
do Fortaleza se concentrou em um hotel-estância na cidade
de Jarinu, interior de São Paulo. O presidente, então,
recebeu a reportagem da GE.Net e concedeu uma entrevista
exclusiva, contando todos os planos do único representante
do Nordeste no Campeonato Brasileiro da Série A.
Apesar de elogiar o grupo que o técnico Vágner
Benazzi tem em mãos, Ribamar Bezerra reconheceu que
ainda poderá contratar mais reforços, se achar
necessário. O presidente admitiu estar disposto a fazer
tudo o que for necessário para manter o time na primeira
divisão.
Qual o objetivo do Fortaleza no Campeonato Brasileiro?
O objetivo é o de permanecer na primeira divisão.
Para isso, não basta apenas ter vontade, é preciso
também ter força de vontade, que é mais
difícil. Nós temos essa força de vontade
e temos trabalhado com ela. Trouxemos o time para fazer um
período de preparação de quase dez dias
aqui em Jarinu (SP), que serão importantes para a preparação,
vai fortalecer a qualidade do grupo. Estamos dando todas as
condições aos jogadores, em termos de salário
em dia e preparação de time grande. Além
disso, queremos manter o ambiente de trabalho agradável.
Depois de ser vice-campeão da Série B em
2002, o Fortaleza subiu para a primeira divisão, mas
caiu logo em 2003. O que fazer para não repetir a mesma
história este ano?
Faltou ousadia naquela ocasião. Era preciso contratar
melhor e não se preocupar tanto com o aspecto financeiro.
O clube não ousou para fazer contratações.
Acho que pela continuidade na primeira divisão, vale
até terminar o ano devendo. Para nós, é
mais do que um objetivo se manter este ano, é um compromisso.
Então o Fortaleza pode contratar mais jogadores
durante o Brasileirão?
Se o time não render o esperado, vai justificar a contratação
de mais! gente até chegar ao ponto que esperamos. Queremos
ter um time de primeira.
Mas não existe o risco de contratar demais e acabar
atrasando os salários?
De pagar em dia ninguém abre mão. O que eu digo
é fazer empréstimos e gerar um passivo (dívida)
para 2006, se for necessário. O importante agora é
pensar em ficar na primeira divisão, mesmo se tivermos
que procurar recursos em bancos. Só não podemos
atrasar salários.
O Fortaleza sofre muita pressão por ser o único
time do Nordeste na Série A do Brasileirão?
Estamos vivendo uma situação paradoxal. Temos
o bônus de ser o único representante do Nordeste,
mas isso gera uma c! obrança que não se satisfaz
com nada. Tudo que se faz é pouco. Estamos com uma
responsabilidade acima do normal. Com certeza, se tivesse
outro time do Nordeste no Brasileiro, essa pressão
seria menor. A vaidade do torcedor é muito grande e
ele cobra bastante, mas estamos satisfeitos. Afinal, temos
o bônus de ser o único time da região.
O Fortaleza tem potencial para chegar longe no Brasileirão?
A imprensa do Sudeste vê o Fortaleza como visitante
no Brasileirão. Eles acham que nós viemos para
a primeira divisão para passear este ano e depois voltar
para a Série B. Pelo que nosso time mostrou até
agora, eu até concordo. Mas o pessoal do Sudeste ainda
não tem a visão geral do Fortaleza, por desconhecer
o nosso potencial. Aos poucos a gente fará todo mundo
mudar de idéia.
Como o time está sendo montado para não
decepcionar o torcedor?
Estamos fazendo um time mesclando jovens e experientes jogadores.
Muitos que estão em nosso elenco já são
consagrados na região, como o Bosco, por exemplo. O
time tem que ter força. Precisamos ter três ou
quatro jogadores diferenciados, mas também temos de
contar com operários. Acredito que pelo tamanho do
campeonato, 60% do time precisa ser de força.
O Brasileirão está sendo mais disputado
do que o senhor esperava?
Existe uma média na qualidade, com algumas exceções,
como São Paulo, Corinthians e Santos. O campeonato
está muito nivelado porque uns clubes cresceram e outros
se descuidaram. Por isso, o futebol ficou tudo na mesma média.
O aspecto financeiro é fundamental nesse campeonato.
O futebol é um produto caro. Nosso orçamento
para este ano é de R$ 10 milhões e um clube
não consegue ter receita oriunda do próprio
time que cubra esse valor.
Na sua opinião, quais são os favoritos ao
título?
Corinthians, São Paulo e Santos são os teóricos
favoritos. Competência com dinheiro fica mais fácil.
Se eu tivesse condições de ter um custo mensal
de dois ou três milhões de reais eu faria um
Corinthians. Mas aqui no Fortaleza o nosso orçamento
mensal é de R$ 800 mil, e nem temos um quadro societário.
No Clube dos 13* recebemos R$ 2,6 milhões por ano,
que é o valor mais baixo dentre as equipes da primeira
divisão. (* Corinthians, Flamengo, Palmeiras, São
Paulo e Vasco recebem a maior cota, que é de R$ 21
milhões anuais).
Existe dificuldade para reforçar o Fortaleza?
Jogadores que estão aqui em times medianos, ganhando
salários baixos, tentam se valorizar para jogar no
Nordeste só porque é longe. Para jogar lá,
eles querem aumentar o salário, quase dobrar. As exceções
são os que vão para lá em fim de carreira.
Como o senhor avalia o trabalho do técnico Vágner
Benazzi à frente do Fortaleza?
Ele é um treinador experimentado. Tem uma vivência
muito grande nas Séries A e B do futebol paulista,
que é dificílimo. Ele fez também trabalhos
vitoriosos no Brasileirão com Criciúma, Figueirense
e Paysandu. Além disso, o Benazzi está compatível
com a realidade financeira do clube.
O senhor tem acompanhado a Série B? Qual a diferença
do ano passado para este?
Permanecer na primeira divisão é muito difícil
para times do nível do Fortaleza. Mas subir da Série
B é quase impossível. O ano passado foi mais
fácil.
Os dois primeiros jogos do Fortaleza no Brasileirão
foram com portões fechados (contra o Coritiba, em casa,
e Vasco, fora). O senhor concorda com essas penas impostas
pelo STJD?
Contra o Coritiba ficou provado que a ausência de torcida
influi no resultado. Como o Fortaleza é um time de
massa, a ausência do torcedor faz uma falta muito grande.
Tivemos uma renda média de 25 mil pessoas no ano passado.
Temos de amenizar os atos de alguns torcedores, mas acho essa
lei dura demais, tira a essência do futebol, que é
justamente o torcedor. A gente faz futebol para as pessoas.
Com os portões fechados, o futebol deixa de ser um
produto quente para ser frio.
O Fortaleza ainda tem mais uma partida em casa com portões
fechados (contra a Ponte Preta). O que esperar desse confronto
sem torcida?
Perdemos quatro mandos porque um torcedor invadiu o campo
no ano passado (duas partidas foram cumpridas em 2004). O
invasor foi preso e identificado, mas mesmo assim temos que
cumprir os dois outros jogos este ano (contra Coritiba e Ponte
Preta). Normalmente, a torcida é nosso 12º jogador,
mas às vezes é o primeiro.
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