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Autor de 14 gols pelo Nacional-SP no Paulista da Série
A-2 de 2004, o atacante Kahê ganhou a esperada oportunidade
de vestir a camisa de um time grande. Mas não deu certo
no Palmeiras. Alguns meses depois, foi liberado para a Ponte
Preta. Seria o início de uma decadência?
Kahê não pensa assim. Com a alegria de volta,
o jogador está mostrando todo o seu futebol no Moisés
Lucarelli. Atualmente, é o vice-artilheiro da competição
nacional, com seis gols. Além disso, a Macaca ocupa
a liderança do Brasileirão com 20 pontos.
Em entrevista exclusiva para a GE.Net, Kahê deixa
claro que sonha com a artilharia do Campeonato Brasileiro
e em colocar a Ponte Preta na briga pelas primeiras colocações
da competição. Feliz com a volta da boa fase,
o jogador também fala que tem como objetivo o retorno
ao Palmeiras para se tornar um atleta de ponta do futebol
brasileiro.
Por Marcelo Belpiede
GE.Net Qual o segredo da Ponte Preta que lidera o Campeonato
Brasileiro?
K - Um segredo é o professor Vadão (técnico
Osvaldo Alvarez). No começo do campeonato, ele passou
que tínhamos que correr atrás de mini-metas.
Deveríamos somar, assim, mais de 50% dos pontos. Nos
quatro últimos anos, quem fez isso brigou pela vaga
na Sul-americana. Já quem ganhou 70% dos pontos, ficou
na briga pela Libertadores e o título. Essas mini-metas
acontecem a cada três jogos. Temos que ganhar, no mínimo,
cinco pontos. Não pensamos tanto na frente. Isso deixa
o grupo mais motivado.
GE.Net Muitos achavam que a Ponte Preta ia cair com
a saída do Roger. Essa liderança é a
prova de que o time tem um ótimo conjunto?
K - Sim, temos um grande conjunto. Mas a diretoria também
se empenhou por causa da perda de jogadores. Além do
Roger, ficamos sem o Harison. Vieram jogadores como o Frontini,
o Evando. O professor Vadão também soube montar
o time. Cada jogador já sabe o que tem que fazer, com
determinação, que é o nosso diferencial.
GE.Net O que mudou tanto do Campeonato Paulista, quando
a Ponte brigou contra o rebaixamento, para o Campeonato Brasileiro?
K - No Paulista, o único jogador do grupo que tinha
jogado em 2004 era o Lauro (goleiro). A diretoria contratou
muita gente, que não chegou em forma. O professor Vadão
não teve tempo de trabalhar. Só que fizemos
uma mini pré-temporada em Itu. Agora nosso diferencial
é a parte física. Em cada jogo você conversa
com os atletas dos outros times que falam da dificuldade em
entrar na nossa zaga.
GE.Net A Ponte Preta pode brigar até o final
pelo título?
K - Pensar no título agora é difícil.
Mas as mini-metas que foram traçadas trazem motivação
a mais para continuarmos lutando.
GE.Net Você acha que tem fôlego para brigar
por essa artilharia? Quem seria o maior concorrente?
K - Acho que posso brigar, sim, porque a equipe está
bem e me ajuda. Como concorrentes coloco o Robgol, Deivid,
Fred e Fernandão. Temos vários jogadores de
qualidade nesta competição.
GE.Net Como tem sido sua vida em Campinas?
K - Eu me adaptei rápido à cidade. Na minha
chegada, já procurei um lugar para morar. Estou em
um bairro muito bom. Com a torcida, também fui muito
bem recebido. Posso dizer que estou muito feliz na Ponte Preta.
GE.Net Porque o Kahê voltou a mostrar o futebol
da época do Nacional, que o levou ao Palmeiras?
K - Acho que é a confiança. Quando o Roger
saiu, o Vadão falou comigo e disse que eu era titular
e contava com total apoio. E logo na estréia eu já
marquei um gol, o que deu muita confiança. Agora é
conseqüência. Quero treinar bastante, aprimorar
as finalizações para melhorar.
GE.Net Você sonha voltar um dia ao Palmeiras?
K - Eu tenho contrato com a Ponte Preta até final
do ano. Espero fazer uma boa campanha aqui. Ano que vem penso
em voltar ao Palmeiras. Quero voltar por cima, com reconhecimento,
com moral.
GE.Net Porque você não vingou na primeira
passagem pelo Palmeiras?
K - Tive muitos problemas. Cheguei do Nacional, na Série
A-2 do Paulista, e precisava ser preparado. Mas com as contusões
do Muñoz, do Adriano Chuva, e a saída do Vágner,
surgiu essa oportunidade de jogar. Até fui bem nos
primeiros jogos. Mas tive um problema na Justiça e
fiquei dois meses parado. Foi aí que perdi espaço.
GE.Net Você estava no Palmeiras há pouco
tempo: como explicar essa instabilidade?
K - É a falta de entrosamento. Com o pessoal que
chegou agora, com certeza o Palmeiras vai brigar pela Libertadores
e o título.
GE.Net O que você pensa para o futuro da sua carreira?
K - Agora meu objetivo principal é ser artilheiro
e conquistar algo para a Ponte Preta. Depois disso, sei que
vão vir coisas boas, propostas ou até a chance
de voltar ao Palmeiras.
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