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Bruno Ceccon, especial para o GE.Net
O vermelho vibrante das camisetas ainda é o mesmo,
mas muita coisa mudou dentro do Beira-Rio desde o histórico
tricampeonato de Ênio Andrade na década de 70.
A alma castelhana de ícones como Falcão, Tesourinha
e Valdomiro perdeu um pouco de seu espaço e, desde
2001, na gestão do presidente Fernando Miranda, o clube
aposta nos "forasteiros". Prova disso é a
solidão de Rafael Sóbis, um dos únicos
jogadores do time atual formado nas categorias de base, na
equipe que jogou contra o Paraná Clube, pela 15ª
rodada do Brasileirão.
Paulista de Santos, o jovem Élder Granja é um
símbolo da nova filosofia do Internacional. Com passagens
pelo Corinthians de Alagoas e Portuguesa, o garoto precisou
suar muito para exterminar a desconfiança da torcida
colorada. A torcida é muito preconceituosa em
relação aos jogadores que vêm de fora.
No começo, eu tive problemas com essas coisas. Sofri
bastante com as vaias no início, mas hoje consegui
conquistar a confiança de todos.
Versátil, Granja abandonou a meia direita e achou seu
lugar na lateral para cair nas graças do exigente Muricy
Ramalho. A boa fase do Inter no Campeonato Brasileiro anima
o jogador, que já pensa em vôos mais altos. A
torcida colorada é muito carente de títulos
de expressão internacional. Até pelo fato de
o Grêmio já ter conquistado a Libertadores, a
torcida do Inter também tem muita vontade de ver o
time campeão.
Aos 23 anos, Granja mostra personalidade no momento de falar
sobre o futuro. Não tenho receio de sair e não
dar certo. Muitas vezes, o brasileiro percebe que está
crescendo e assume uma postura acomodada. Isso atrapalha e
desvaloriza o jogador nacional no exterior, diz o atleta,
que tem contrato até 2007 com o time gaúcho.
No final, um recado para o arqui-rival. O Grêmio
tem que seguir o caminho dele. Quem sabe assim, poderemos
ter um Gre-Nal ano que vem.
| Fotos: Djalma
Vassao/Gazeta Press |
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GE.Net Mesmo sendo um jogador de fora, você
acumula mais de 100 partidas pelo Inter e participou do tricampeonato
gaúcho. Como foi sua adaptação ao clube?
Élder Granja - Eu tive uma adaptação
muito rápida no Sul. Contei com o apoio de todo mundo
desde o início, especialmente da diretoria e do Muricy.
A torcida é muito preconceituosa em relação
aos jogadores que vêm de fora. No começo, eu
tive problemas com essas coisas. Sofri bastante com as vaias
no início, mas hoje consegui conquistar a confiança
dos colorados.
GE.Net Você tem se destacado como um jogador
eficiente nas assistências. Só neste ano, já
foram oito. Você procura trabalhar este fundamento?
Élder Granja - Eu comecei jogando na meia e depois
passei para a lateral com o professor Muricy Ramalho. Atuando
nessa função, tenho a oportunidade de cair pelo
meio e chegar mais perto do gol para deixar meus companheiros
em condições de marcar. Eu tenho essa facilidade.
Treino bastante durante os trabalhos diários e tem
dado certo durante os jogos.
GE.Net Como foi essa troca de posição?
Onde você se sente mais a vontade para jogar?
Élder Granja - Troquei de posição
com o Muricy em 2003. Ele não tinha ninguém
para escalar na ala direita e resolveu me improvisar nesse
setor. Hoje eu não considero mais a possibilidade de
jogar na meia, sou um lateral-direito. No esquema 3-5-2, você
acaba ficando mais a vontade para atacar, porque sabe que
sempre tem a segurança da cobertura para evitar o contra-ataque.
GE.Net Mesmo com o assédio de clubes de todo
o Brasil, o Muricy continua no Inter. Como é a relação
dele com os jogadores?
Élder Granja - A gente chegou ao Internacional
mais ou menos na mesma época, em 2003. O professor
Muricy é um grande treinador. Ele é um técnico
daqueles bem chatos, que cobra muito de cada jogador. Para
ele, nada nunca está bom. Mas fora de campo, ele é
muito amigo de todos os atletas. Se o time está vivendo
essa boa fase hoje, pode ter certeza que ele tem uma boa parcela
nisso.
GE.Net O Inter vem fazendo uma boa temporada. Depois
do título estadual, o time estava bem na Copa do Brasil.
Já deu para engolir aquela eliminação
contra o Paulista nos pênaltis?*
Élder Granja - É claro que é impossível
engolir uma eliminação como aquela. Mas a gente
tem que tentar esquecer tudo aquilo que aconteceu e pensar
no Campeonato Brasileiro, onde temos boas possibilidades de
vencer. No momento, ficamos com muita raiva e não conseguíamos
aceitar a decisão do juiz de forma alguma. Enfim, são
coisas que acontecem no futebol.
* Na decisão de uma vaga nas quartas-de-final
da Copa do Brasil, o árbitro Djalma Beltrami anulou
um gol legal de Perdigão nas cobranças de pênalti
e deu a vaga ao Paulista, futuro campeão.
GE.Net Pelo bom começo no Brasileiro, muitos
apontam o Inter como favorito. Até onde você
acha que a equipe pode chegar?
Élder Granja - Acredito que temos todas as condições
de brigar pelo título. Contamos com um elenco muito
bem qualificado. Se mantivermos esse ritmo, podemos chegar
longe. Mas não podemos falar em favoritismo. O Campeonato
Brasileiro é muito nivelado. Ninguém esperava
que a gente fosse perder de 2 a 0 para o Paraná, por
exemplo. Num torneio como esse, é complicado falar
em favoritismo.
GE.Net Na Sul-americana do ano passado, deu para
ver como a torcida gosta de competições deste
nível...
Élder Granja - A torcida colorada é muito
carente de títulos de expressão internacional.
No ano passado, fizemos uma grande campanha na Sul-americana.
Levamos quase cinco mil torcedores à Bombonera na final
contra o Boca e o Beira-Rio tinha mais de 60 mil pessoas no
primeiro jogo. Até pelo fato de o Grêmio já
ter conquistado a Libertadores, a torcida do Inter também
tem muita vontade de ver o time campeão.
GE.Net Como está sendo disputar o Brasileiro
com o Grêmio na Segunda Divisão. Mudou alguma
coisa para vocês?
Élder Granja - O clássico Gre-Nal é
uma partida muito especial, que pára o Rio Grande do
Sul. O jogo entre os dois rivais é como se fosse uma
competição à parte. Mas agora, a gente
tem que seguir nosso caminho na Série A e eles têm
que correr atrás na Segunda Divisão. Quem sabe
assim, poderemos disputar um Gre-Nal na próxima temporada.
Cada um tem que lutar pelos seus objetivos.
GE.Net De alguma maneira, a cobrança em cima
do Internacional aumentou com essa situação?
Élder Granja - É complicado ter um campeão
do mundo disputando a Segunda Divisão. Acho que a cobrança
fica mais em cima deles mesmo. Se eu disser que estou torcendo
para eles voltarem, é claro que vão querer me
matar depois. Mas jogar um Gre-Nal é realmente uma
coisa muito especial. O Grêmio tem que seguir o caminho
dele. Tenho visto alguns jogos e acho que eles conseguem a
classificação entre os oito. Mas a nossa torcida
está adorando, principalmente se eles não conseguirem
subir.
GE.Net Seu nome foi vinculado ao Sporting de Lisboa
no começo do mês. Teve alguma coisa de verdade
nesse suposto interesse?
Élder Granja - Tudo não passou de mera especulação.
Para mim, ninguém falou nada. Vontade de sair, todo
mundo tem. Mas o Inter está vivendo um momento bom
e eu também atravesso uma boa fase no clube, acho que
não é a hora de sair. Minha cabeça está
totalmente voltada para o Inter. Se aparecer alguma coisa,
vou deixar a cargo do meu empresário e do presidente.
GE.Net Muitos jovens como você deixam o Brasil
e fracassam no exterior. Você tem esse tipo de receio?
Élder Granja - Muitas vezes, o brasileiro acaba
fazendo as coisas erradas. O atleta percebe que está
crescendo e assume uma postura acomodada. Isso atrapalha e
desvaloriza o jogador nacional no exterior. Os argentinos,
por exemplo, não costumam fazer esse tipo de coisa.
Eu não tenho esse receio de sair e não dar certo.
Se acontecer uma eventual negociação, vou continuar
dando o meu máximo.
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