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06/08/2005
montagem sobre foto de Fernando Pilatos/Gazeta Press

Por Bruno Ceccon, especial para a GE.Net

Além de lamentar a freqüente saída de seus ídolos para o futebol do exterior, nesta temporada o torcedor brasileiro está sendo obrigado a se acostumar com a idéia de perder também os técnicos durante a disputa do Campeonato Nacional. Oswaldo Alvarez, Paulo Campos e Ivo Wortmann são exemplos desta nova realidade. O fenômeno abre espaço para uma nova geração de treinadores. Contratado para assumir o lugar Vadão na Ponte Preta, Zetti é um símbolo deste grupo.

“Está surgindo uma nova safra de treinadores e isso é muito interessante. São todos técnicos jovens, que estão sendo ousados e tendo condições muito boas de mostrar um grande trabalho. Você não precisa ter 20 anos de profissão para conquistar um título. Com muita sabedoria, é possível mostrar um bom trabalho em pouco tempo”, argumenta Zetti, que construiu a carreira no Brasil e jamais atuou no exterior durante toda a carreira de goleiro.

Como o Corinthians caiu diante do São Caetano, o técnico tem a oportunidade de retomar a liderança do Campeonato Brasileiro com a Ponte Preta logo em sua estréia. “Nós temos que correr atrás do primeiro lugar, esse time vai brigar para estar sempre na parte de cima da tabela de classificação. São essas coisas que eu estou procurando passar para os atletas”, contou Zetti, que precisa vencer o Coritiba no Majestoso para desbancar o Timão.

O desafio do treinador em Campinas é imprimir a sua filosofia sem desprezar o trabalho eficiente feito pelo técnico Vadão. “É bem melhor chegar numa equipe que já tem conjunto, estrutura e planejamento do que chegar num time que ainda precisa se programar. Vou procurar separar o que esse time de melhor e acrescentar algumas coisas que eu julgo que podem ajudar dentro do futebol”, explicou Zetti, antes de admitir. “É sempre difícil substituir um treinador nesta situação”.

Foto Djalma Vassão/Gazeta PressGE.Net – Ao invés de pegar um time em crise após a demissão um treinador, como acontece normalmente, você está chegando numa equipe em alta, que briga pela primeira colocação. Qual situação você prefere?
Zetti –
A diferença é muito grande. É bem melhor chegar numa equipe que já tem conjunto, estrutura e planejamento do que chegar num time que ainda precisa se programar. Estou satisfeito de receber este convite para treinar a Ponte na situação que ela está hoje. O clube conta com pessoas trabalhadoras, profissionais que vêm se destacando. Espero retribuir essa confiança com o time para toda a torcida e a única maneira de fazer isso é continuar conseguindo vitórias.

GE.Net – Por outro lado, o seu trabalho vai sofrer muitas comparações com o do Vadão. Você tem algum receio neste sentido?
Zetti –
Isso é uma coisa que eu não posso evitar. Ele foi um treinador que sempre deixou sua marca em todas as vezes que passou pela Ponte Preta e também por outros clubes. O Vadão saiu daqui vitorioso, deixando o time na melhor condição possível. É sempre difícil substituir um técnico nesta situação. Temos que dar seqüência no trabalho e tentar fazer o melhor. Vou procurar separar o que esse time de melhor e acrescentar algumas coisas que eu julgo que podem ajudar dentro do futebol.

GE.Net – O Nenê Santana dirigiu o time como interino antes da sua chegada. Como foi a conversa com ele?
Zetti –
Nós tivemos uma conversa boa sobre todo o conhecimento que ele tem do clube. A gente está junto na situação de tentar dar continuidade a boa fase que a Ponte Preta está vivendo. Temos que seguir buscando os resultados, principalmente dentro de casa. Ainda estou conhecendo melhor cada jogador, vendo o perfil e a capacidade do grupo. Mas esse elenco já demonstrou que tem uma qualidade muito boa e isso tem que ser explorado durante competição.

GE.Net – Antes do primeiro treinamento, você conversou longamente com os atletas no centro do gramado. O que você está procurando passar a eles nestes contatos iniciais?
Zetti –
Nós temos que correr atrás do primeiro lugar, esse time vai brigar para estar sempre na parte de cima da tabela de classificação. São essas coisas que eu estou procurando passar para os atletas. É claro que é um objetivo difícil de ser alcançado. O campeonato é longo e agora vamos ter uma seqüência de jogos muito complicada. Mas quando você solta a bola para os 90 minutos, não existe nada de muito diferente. O time que tem mais competência e equilíbrio acaba vencendo.

GE.Net – A Ponte chega ao final do primeiro turno na luta pela ponta, mas tem uma seqüência dura de jogos contra Palmeiras e Corinthians. Você teme que a equipe sofra um baque neste momento?
Zetti –
Eu penso no próximo jogo, agora estou pensando no Coritiba. Nós vamos ter que enfrentar todos esses adversários, não tem jeito. Mas neste momento, minha meta e minha preocupação é o Coritiba. Estou completamente voltado para esta partida, tentando passar aos atletas todos os detalhes sobre o adversário. Trabalho sem ter essa preocupação lá na frente. Se eu ficar pensando nos próximos jogos, isso pode prejudicar o meu trabalho.

GE.Net – Pelo nível que você atingiu como goleiro durante a carreira de atleta, o Lauro pode esperar algum tipo de cobrança especial?
Zetti –
Não tem nada disso. Hoje, eu encaro esse lado de uma forma bem diferente. Sou muito observador e posso orientar passando algumas informações. Mas o João Brigatti é o treinador de goleiros e tem toda a liberdade para fazer o seu trabalho. É claro que se eu puder ajudar em alguns detalhes, vou orientar e cobrar talvez um pouco mais neste aspecto. Mas não tem influencia direta do Zetti na posição de goleiro. Ele tem que agarrar bem e o Brigatti é o responsável por isso.

GE.Net – Mas o próprio Lauro disse que antes de você chegar, dava para enganar os outros treinadores em alguns lances...
Zetti –
Isso não tem nada a ver. Quando eu era atleta, trabalhei com o Leão. Ele nunca interferia, apenas dava dicas positivas em relação à posição. Às vezes, têm jogadas que você pode orientar melhor. O Lauro vai ter toda a liberdade para jogar o que ele vem jogando. Ele é um grande goleiro, que tem tudo para se tornar um atleta marcante na história da Ponte. Fazendo grandes defesas, ele pode até chegar à seleção brasileira, tem que ter esse objetivo.

GE.Net – Você chegou para assumir a vaga do Vadão, negociado com o futebol japonês. O Ivo Wortmann deixou o Juventude para trabalhar na Rússia e o Luxemburgo está fazendo sucesso no Real Madrid, assim como o Felipão em Portugal. Como você enxerga essa abertura de mercado para os técnicos brasileiros no exterior?
Zetti –
Isso vem acontecendo pelo trabalho que é desenvolvido no Brasil, um país que já tem tradição de revelar grandes jogadores, grandes talentos. O Wanderley Luxemburgo hoje ocupa um patamar acima, ele está elevando cada vez mais o nome dos técnicos brasileiros no exterior. O Luiz Felipe Scolari começou essa onda, mas já tínhamos outros profissionais como o Paulo Autuori e o Sebastião Lazaroni. A escola brasileira é muito boa, por isso somos pentacampeões do mundo. Trabalhando no Brasil, você aprende muito com o nosso futebol e com os treinadores que estão aqui.

GE.Net – Essa saída de técnicos para o exterior acaba abrindo espaços para a nova geração. Treinadores como você, o Gallo e o Márcio Bittencourt ganham cada vez mais espaço no cenário nacional.
Zetti –
Está surgindo uma nova safra de treinadores, que é de uma geração um pouco diferente e pegou uma formação diferente dentro do futebol. Esse grupo viveu o tetracampeonato de 1994 e toda a década de 90. Isso é muito interessante. São todos técnicos jovens, que estão sendo ousados e tendo condições muito boas de mostrar um grande trabalho. Isso é bom. Você não precisa ter 20 anos de profissão, dizer que é experiente, para conquistar um título. Com muita sabedoria, é possível mostrar um bom trabalho em pouco tempo e isso vem acontecendo.

GE.Net – Você já fez grandes trabalhos em equipes como Paulista e Fortaleza. O próximo passo da sua carreira é finalmente assumir um clube grande do futebol brasileiro?
Zetti –
O meu próximo passo é a Ponte Preta. Quero ficar aqui bastante tempo e tomara que isso aconteça. Tenho contrato até dezembro e gostaria de fazer um trabalho a longo prazo. A gente sabe que a carreira de treinador é difícil dentro do futebol, mas o que eu penso mesmo neste momento é ficar algum tempo na Ponte e poder fazer um trabalho com muito sucesso.

GE.Net – Mas você é uma pessoa que gosta de trabalhar com planos e objetivos. Quais são os próximos?
Zetti –
Não penso muito no futuro, gosto de deixar as coisas acontecerem. Mas é claro que eu tenho metas, a minha meta, não posso deixar de dizer, é que um dia gostaria muito de estar na seleção brasileira. E para isso acontecer, tenho que aprender bastante e trabalhar muito também.

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