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Por Bruno Ceccon, especial para a GE.Net
Além de lamentar a freqüente saída de
seus ídolos para o futebol do exterior, nesta temporada
o torcedor brasileiro está sendo obrigado a se acostumar
com a idéia de perder também os técnicos
durante a disputa do Campeonato Nacional. Oswaldo Alvarez,
Paulo Campos e Ivo Wortmann são exemplos desta nova
realidade. O fenômeno abre espaço para uma nova
geração de treinadores. Contratado para assumir
o lugar Vadão na Ponte Preta, Zetti é um símbolo
deste grupo.
Está surgindo uma nova safra de treinadores
e isso é muito interessante. São todos técnicos
jovens, que estão sendo ousados e tendo condições
muito boas de mostrar um grande trabalho. Você não
precisa ter 20 anos de profissão para conquistar um
título. Com muita sabedoria, é possível
mostrar um bom trabalho em pouco tempo, argumenta Zetti,
que construiu a carreira no Brasil e jamais atuou no exterior
durante toda a carreira de goleiro.
Como o Corinthians caiu diante do São Caetano, o técnico
tem a oportunidade de retomar a liderança do Campeonato
Brasileiro com a Ponte Preta logo em sua estréia. Nós
temos que correr atrás do primeiro lugar, esse time
vai brigar para estar sempre na parte de cima da tabela de
classificação. São essas coisas que eu
estou procurando passar para os atletas, contou Zetti,
que precisa vencer o Coritiba no Majestoso para desbancar
o Timão.
O desafio do treinador em Campinas é imprimir a sua
filosofia sem desprezar o trabalho eficiente feito pelo técnico
Vadão. É bem melhor chegar numa equipe
que já tem conjunto, estrutura e planejamento do que
chegar num time que ainda precisa se programar. Vou procurar
separar o que esse time de melhor e acrescentar algumas coisas
que eu julgo que podem ajudar dentro do futebol, explicou
Zetti, antes de admitir. É sempre difícil
substituir um treinador nesta situação.
GE.Net
Ao invés de pegar um time em crise após
a demissão um treinador, como acontece normalmente,
você está chegando numa equipe em alta, que briga
pela primeira colocação. Qual situação
você prefere?
Zetti A diferença é muito grande.
É bem melhor chegar numa equipe que já tem conjunto,
estrutura e planejamento do que chegar num time que ainda
precisa se programar. Estou satisfeito de receber este convite
para treinar a Ponte na situação que ela está
hoje. O clube conta com pessoas trabalhadoras, profissionais
que vêm se destacando. Espero retribuir essa confiança
com o time para toda a torcida e a única maneira de
fazer isso é continuar conseguindo vitórias.
GE.Net Por outro lado, o seu trabalho vai sofrer
muitas comparações com o do Vadão. Você
tem algum receio neste sentido?
Zetti Isso é uma coisa que eu não
posso evitar. Ele foi um treinador que sempre deixou sua marca
em todas as vezes que passou pela Ponte Preta e também
por outros clubes. O Vadão saiu daqui vitorioso, deixando
o time na melhor condição possível. É
sempre difícil substituir um técnico nesta situação.
Temos que dar seqüência no trabalho e tentar fazer
o melhor. Vou procurar separar o que esse time de melhor e
acrescentar algumas coisas que eu julgo que podem ajudar dentro
do futebol.
GE.Net O Nenê Santana dirigiu o time como
interino antes da sua chegada. Como foi a conversa com ele?
Zetti Nós tivemos uma conversa boa sobre
todo o conhecimento que ele tem do clube. A gente está
junto na situação de tentar dar continuidade
a boa fase que a Ponte Preta está vivendo. Temos que
seguir buscando os resultados, principalmente dentro de casa.
Ainda estou conhecendo melhor cada jogador, vendo o perfil
e a capacidade do grupo. Mas esse elenco já demonstrou
que tem uma qualidade muito boa e isso tem que ser explorado
durante competição.
GE.Net Antes do primeiro treinamento, você
conversou longamente com os atletas no centro do gramado.
O que você está procurando passar a eles nestes
contatos iniciais?
Zetti Nós temos que correr atrás
do primeiro lugar, esse time vai brigar para estar sempre
na parte de cima da tabela de classificação.
São essas coisas que eu estou procurando passar para
os atletas. É claro que é um objetivo difícil
de ser alcançado. O campeonato é longo e agora
vamos ter uma seqüência de jogos muito complicada.
Mas quando você solta a bola para os 90 minutos, não
existe nada de muito diferente. O time que tem mais competência
e equilíbrio acaba vencendo.
GE.Net A Ponte chega ao final do primeiro turno
na luta pela ponta, mas tem uma seqüência dura
de jogos contra Palmeiras e Corinthians. Você teme que
a equipe sofra um baque neste momento?
Zetti Eu penso no próximo jogo, agora estou
pensando no Coritiba. Nós vamos ter que enfrentar todos
esses adversários, não tem jeito. Mas neste
momento, minha meta e minha preocupação é
o Coritiba. Estou completamente voltado para esta partida,
tentando passar aos atletas todos os detalhes sobre o adversário.
Trabalho sem ter essa preocupação lá
na frente. Se eu ficar pensando nos próximos jogos,
isso pode prejudicar o meu trabalho.
GE.Net Pelo nível que você atingiu
como goleiro durante a carreira de atleta, o Lauro pode esperar
algum tipo de cobrança especial?
Zetti Não tem nada disso. Hoje, eu encaro
esse lado de uma forma bem diferente. Sou muito observador
e posso orientar passando algumas informações.
Mas o João Brigatti é o treinador de goleiros
e tem toda a liberdade para fazer o seu trabalho. É
claro que se eu puder ajudar em alguns detalhes, vou orientar
e cobrar talvez um pouco mais neste aspecto. Mas não
tem influencia direta do Zetti na posição de
goleiro. Ele tem que agarrar bem e o Brigatti é o responsável
por isso.
GE.Net Mas o próprio Lauro disse que antes
de você chegar, dava para enganar os outros treinadores
em alguns lances...
Zetti Isso não tem nada a ver. Quando eu
era atleta, trabalhei com o Leão. Ele nunca interferia,
apenas dava dicas positivas em relação à
posição. Às vezes, têm jogadas
que você pode orientar melhor. O Lauro vai ter toda
a liberdade para jogar o que ele vem jogando. Ele é
um grande goleiro, que tem tudo para se tornar um atleta marcante
na história da Ponte. Fazendo grandes defesas, ele
pode até chegar à seleção brasileira,
tem que ter esse objetivo.
GE.Net Você chegou para assumir a vaga do
Vadão, negociado com o futebol japonês. O Ivo
Wortmann deixou o Juventude para trabalhar na Rússia
e o Luxemburgo está fazendo sucesso no Real Madrid,
assim como o Felipão em Portugal. Como você enxerga
essa abertura de mercado para os técnicos brasileiros
no exterior?
Zetti Isso vem acontecendo pelo trabalho que é
desenvolvido no Brasil, um país que já tem tradição
de revelar grandes jogadores, grandes talentos. O Wanderley
Luxemburgo hoje ocupa um patamar acima, ele está elevando
cada vez mais o nome dos técnicos brasileiros no exterior.
O Luiz Felipe Scolari começou essa onda, mas já
tínhamos outros profissionais como o Paulo Autuori
e o Sebastião Lazaroni. A escola brasileira é
muito boa, por isso somos pentacampeões do mundo. Trabalhando
no Brasil, você aprende muito com o nosso futebol e
com os treinadores que estão aqui.
GE.Net Essa saída de técnicos para
o exterior acaba abrindo espaços para a nova geração.
Treinadores como você, o Gallo e o Márcio Bittencourt
ganham cada vez mais espaço no cenário nacional.
Zetti Está surgindo uma nova safra de treinadores,
que é de uma geração um pouco diferente
e pegou uma formação diferente dentro do futebol.
Esse grupo viveu o tetracampeonato de 1994 e toda a década
de 90. Isso é muito interessante. São todos
técnicos jovens, que estão sendo ousados e tendo
condições muito boas de mostrar um grande trabalho.
Isso é bom. Você não precisa ter 20 anos
de profissão, dizer que é experiente, para conquistar
um título. Com muita sabedoria, é possível
mostrar um bom trabalho em pouco tempo e isso vem acontecendo.
GE.Net Você já fez grandes trabalhos
em equipes como Paulista e Fortaleza. O próximo passo
da sua carreira é finalmente assumir um clube grande
do futebol brasileiro?
Zetti O meu próximo passo é a Ponte
Preta. Quero ficar aqui bastante tempo e tomara que isso aconteça.
Tenho contrato até dezembro e gostaria de fazer um
trabalho a longo prazo. A gente sabe que a carreira de treinador
é difícil dentro do futebol, mas o que eu penso
mesmo neste momento é ficar algum tempo na Ponte e
poder fazer um trabalho com muito sucesso.
GE.Net Mas você é uma pessoa que gosta
de trabalhar com planos e objetivos. Quais são os próximos?
Zetti Não penso muito no futuro, gosto de
deixar as coisas acontecerem. Mas é claro que eu tenho
metas, a minha meta, não posso deixar de dizer, é
que um dia gostaria muito de estar na seleção
brasileira. E para isso acontecer, tenho que aprender bastante
e trabalhar muito também.
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