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08/08/2005


Por Luiz Ricardo Fini, especial para a GE.Net

O técnico Luiz Felipe Scolari é bem conhecido por ser teimoso em todas as equipes em que trabalha. Nas vésperas da Copa do Mundo de 2002, uma das teimosias do treinador era um volante que se destacava no Atlético-MG. O sucesso no Mundial mostrou que Felipão estava certo em apostar no futebol do até então desconhecido Gilberto Silva.

Com a lesão do titular Emerson antes da estréia na competição, o jogador ganhou a oportunidade de atuar na formação principal e não decepcionou a torcida verde-amarela. O bom desempenho com a camisa canarinho rendeu a Gilberto Silva propostas de clubes da Europa.

Ainda em 2002, o volante deixou o Galo para defender um dos mais poderosos times da Inglaterra, o Arsenal. O brasileiro se adaptou ao Velho Continente e continuou ganhando chances na seleção, agora com Carlos Alberto Parreira.

Nesta entrevista concedida à reportagem da GE.Net, direto de Londres, Gilberto falou se sua carreira na Europa e do desejo de disputar a Copa do Mundo da Alemanha, em 2006.

Você tem sido convocado com freqüência pelo técnico Carlos Alberto Parreira e já é apontado como nome certo para a Copa do Mundo da Alemanha. Você acha que tem vaga assegurada no Mundial?
No momento, eu ainda acho cedo porque tem muito tempo até lá. Teoricamente, um ano passa rápido, mas muita coisa pode mudar nesse período. Espero que eu seja um dos escolhidos, que seja um nome certo mesmo. Vou continuar batalhando bastante no Arsenal, que vai passar por um ano importante, e agradar também o Parreira.

Quais são seus principais concorrentes pelas vagas de volante na equipe de Parreira?
Todos os convocados para essa posição têm chances. Mas é uma disputa saudável, com todo mundo querendo sair na frente. Há o respeito, mas todos querem jogar. Ainda pode aparecer alguém e eu falo isso pelo meu próprio exemplo. Menos de um ano antes da Copa ninguém falava de mim. Mas cheguei no final das Eliminatórias, fui para Copa e acabei jogando. No futebol acontece de tudo. Vou fazer minha parte para estar na lista.

Como sempre, a Copa da Alemanha será disputada no período de férias dos clubes europeus. Pelo fato de a maior parte da seleção estar no exterior, você acha que o desgaste pode prejudicar o Brasil?
O desgaste realmente preocupa, mas vai acontecer com as outras seleções também. Todos estarão no final da temporada. O que não podemos é ficar preso ao desgaste e usar isso como uma desculpa.

Quais serão os principais rivais do Brasil na Copa do Mundo de 2006?
Quando se trata de Brasil, todo mundo é rival e quer tirar uma casquinha do pentacampeão. Mas não dá para fugir que França, Alemanha, Argentina e Inglaterra são fortes e têm grandes jogadores. Em casa, a Alemanha tem de ser considera uma das favoritas. Mas não podemos fugir que nós também somos favoritos. Temos de seguir o exemplo da Copa das Confederações, quando assumimos o favoritismo, jogamos com tranqüilidade e fomos campeões.


Depois de três anos no Arsenal, você já está totalmente adaptado ao futebol europeu?
Estou tranqüilo, completamente adaptado. Tive uma adaptação bastante rápida, já no primeiro ano eu consegui ficar legal. Nos outros dois anos eu só dei continuidade e melhorei. A tendência é essa: a cada temporada ficar melhor ainda.


Seu contrato com o Arsenal acaba quando? Você tem planos de jogar em outro time europeu?
Vence em agosto de 2006. Estou supertranqüilo e feliz com a possibilidade de renovar o contrato. Vamos sentar e conversar para eu ficar. Só deixo o Arsenal se aparecer uma oportunidade maravilhosa para sair daqui. Estou à vontade no clube, conheço bem o pessoal e já construí uma história aqui.


Você pensa em voltar a jogar no Brasil quando estiver próximo de encerrar a carreira?
Não sei ainda o que fazer. De repente, posso voltar ao Brasil. O importante é lembrar que eu estarei com uma idade diferente da de quando eu saí. Mas ainda não penso em aposentadoria. Ontem mesmo (dia três de agosto) eu vi a despedida do Maurício, do vôlei, e sei como deve ser difícil para um jogador parar. Vou deixar acontecer e, na época certa, eu tomo a decisão.


A rivalidade do Arsenal contra o Chelsea aumentou bastante devido à postura polêmica de José Mourinho. Você acha que o treinador português exagera ao exaltar a superioridade do Chelsea?
Ele tem de fazer o papel dele como treinador. Pode até ter exagerado um pouco em alguns momentos. Mas temos de manter nossa preocupação em fazer nossa parte e ver dentro de campo quem é melhor. Não adianta ficar concentrado nas coisas que ele fala.

O Arsenal pode fazer frente ao Chelsea nesta temporada?
Foi um pouco decepcionante (a temporada passada). O problema foi o distanciamento do número de pontos para o Chelsea (12). Vamos fazer diferente esse ano. Nosso objetivo é fazer uma temporada muito boa e brigar pelo título da Liga (Campeonato Inglês). Vamos brigar também pelo nosso sonho de consumo, que é a Copa dos Campeões.


Recentemente, vários jogadores foram vítimas de racismo na Europa. Você sofreu algum tipo de preconceito?
O único episódio que passamos foi na Holanda (em 2002, contra o PSV). Nunca tive problemas individuais comigo. Alguns jogadores do Arsenal tiveram problemas em suas seleções, como o Ashley Cole, o Campbell, o Thierry (Henry). É um fato chato, uma situação difícil, que a Fifa e a Uefa estão batalhando para terminar. Até agora, eles não têm conseguido conter de tudo, mas está todo mundo se unindo e acredito que dará certo. Há uma mobilização muito grande.

Você teve uma passagem de destaque pelo Atlético-MG. No entanto, o time passa por um período difícil em 2005 e corre o risco de ser rebaixado no Campeonato Brasileiro. Como você analisa a situação do Galo?
Acompanho sempre o futebol brasileiro. Estou vendo que o Atlético está penando um pouco nesse início de campeonato e lembro que também terminou de forma complicada no ano passado. O campeonato está chegando à metade e o time não engrenou ainda. Não pode chegar ao segundo turno nessa situação.

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