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Por Luiz Ricardo
Fini, especial para a GE.Net
O técnico
Luiz Felipe Scolari é bem conhecido por ser teimoso
em todas as equipes em que trabalha. Nas vésperas
da Copa do Mundo de 2002, uma das teimosias do treinador
era um volante que se destacava no Atlético-MG. O
sucesso no Mundial mostrou que Felipão estava certo
em apostar no futebol do até então desconhecido
Gilberto Silva.
Com a lesão
do titular Emerson antes da estréia na competição,
o jogador ganhou a oportunidade de atuar na formação
principal e não decepcionou a torcida verde-amarela.
O bom desempenho com a camisa canarinho rendeu a Gilberto
Silva propostas de clubes da Europa.
Ainda em 2002, o
volante deixou o Galo para defender um dos mais poderosos
times da Inglaterra, o Arsenal. O brasileiro se adaptou ao
Velho Continente e continuou ganhando chances na seleção,
agora com Carlos Alberto Parreira.
Nesta entrevista
concedida à reportagem da GE.Net,
direto de Londres, Gilberto falou se sua carreira na Europa
e do desejo de disputar a Copa do Mundo da Alemanha, em 2006.
Você tem
sido convocado com freqüência pelo técnico
Carlos Alberto Parreira e já é apontado como
nome certo para a Copa do Mundo da Alemanha. Você acha
que tem vaga assegurada no Mundial?
No momento, eu ainda acho cedo porque tem muito tempo até
lá. Teoricamente, um ano passa rápido, mas muita
coisa pode mudar nesse período. Espero que eu seja
um dos escolhidos, que seja um nome certo mesmo. Vou continuar
batalhando bastante no Arsenal, que vai passar por um ano
importante, e agradar também o Parreira.
Quais são seus principais concorrentes
pelas vagas de volante na equipe de Parreira?
Todos os convocados para essa posição
têm chances. Mas é uma disputa saudável,
com todo mundo querendo sair na frente. Há o respeito,
mas todos querem jogar. Ainda pode aparecer alguém
e eu falo isso pelo meu próprio exemplo. Menos de um
ano antes da Copa ninguém falava de mim. Mas cheguei
no final das Eliminatórias, fui para Copa e acabei
jogando. No futebol acontece de tudo. Vou fazer minha parte
para estar na lista.
Como sempre, a Copa da Alemanha será
disputada no período de férias dos clubes europeus.
Pelo fato de a maior parte da seleção estar
no exterior, você acha que o desgaste pode prejudicar
o Brasil?
O desgaste realmente preocupa, mas vai acontecer
com as outras seleções também. Todos
estarão no final da temporada. O que não podemos
é ficar preso ao desgaste e usar isso como uma desculpa.
Quais serão os principais rivais
do Brasil na Copa do Mundo de 2006?
Quando se trata de Brasil, todo mundo é rival
e quer tirar uma casquinha do pentacampeão. Mas não
dá para fugir que França, Alemanha, Argentina
e Inglaterra são fortes e têm grandes jogadores.
Em casa, a Alemanha tem de ser considera uma das favoritas.
Mas não podemos fugir que nós também
somos favoritos. Temos de seguir o exemplo da Copa das Confederações,
quando assumimos o favoritismo, jogamos com tranqüilidade
e fomos campeões.
Depois de três anos no Arsenal, você já
está totalmente adaptado ao futebol europeu?
Estou tranqüilo, completamente adaptado. Tive
uma adaptação bastante rápida, já
no primeiro ano eu consegui ficar legal. Nos outros dois anos
eu só dei continuidade e melhorei. A tendência
é essa: a cada temporada ficar melhor ainda.
Seu contrato com o Arsenal acaba quando? Você
tem planos de jogar em outro time europeu?
Vence em agosto de 2006. Estou supertranqüilo
e feliz com a possibilidade de renovar o contrato. Vamos sentar
e conversar para eu ficar. Só deixo o Arsenal se aparecer
uma oportunidade maravilhosa para sair daqui. Estou à
vontade no clube, conheço bem o pessoal e já
construí uma história aqui.
Você pensa em voltar a jogar no Brasil quando
estiver próximo de encerrar a carreira?
Não sei ainda o que fazer. De repente, posso
voltar ao Brasil. O importante é lembrar que eu estarei
com uma idade diferente da de quando eu saí. Mas ainda
não penso em aposentadoria. Ontem mesmo (dia três
de agosto) eu vi a despedida do Maurício, do vôlei,
e sei como deve ser difícil para um jogador parar.
Vou deixar acontecer e, na época certa, eu tomo a decisão.
A rivalidade do Arsenal contra o Chelsea aumentou
bastante devido à postura polêmica de José
Mourinho. Você acha que o treinador português
exagera ao exaltar a superioridade do Chelsea?
Ele tem de fazer o papel dele como treinador. Pode
até ter exagerado um pouco em alguns momentos. Mas
temos de manter nossa preocupação em fazer nossa
parte e ver dentro de campo quem é melhor. Não
adianta ficar concentrado nas coisas que ele fala.
O Arsenal pode fazer frente ao Chelsea
nesta temporada?
Foi um pouco decepcionante (a temporada passada).
O problema foi o distanciamento do número de pontos
para o Chelsea (12). Vamos fazer diferente esse ano. Nosso
objetivo é fazer uma temporada muito boa e brigar pelo
título da Liga (Campeonato Inglês). Vamos brigar
também pelo nosso sonho de consumo, que é a
Copa dos Campeões.
Recentemente, vários jogadores foram vítimas
de racismo na Europa. Você sofreu algum tipo de preconceito?
O único episódio que passamos foi na
Holanda (em 2002, contra o PSV). Nunca tive problemas individuais
comigo. Alguns jogadores do Arsenal tiveram problemas em suas
seleções, como o Ashley Cole, o Campbell, o
Thierry (Henry). É um fato chato, uma situação
difícil, que a Fifa e a Uefa estão batalhando
para terminar. Até agora, eles não têm
conseguido conter de tudo, mas está todo mundo se unindo
e acredito que dará certo. Há uma mobilização
muito grande.
Você teve uma passagem de destaque
pelo Atlético-MG. No entanto, o time passa por um período
difícil em 2005 e corre o risco de ser rebaixado no
Campeonato Brasileiro. Como você analisa a situação
do Galo?
Acompanho sempre o futebol brasileiro. Estou vendo
que o Atlético está penando um pouco nesse início
de campeonato e lembro que também terminou de forma
complicada no ano passado. O campeonato está chegando
à metade e o time não engrenou ainda. Não
pode chegar ao segundo turno nessa situação. |