Por Luiz Ricardo
Fini, especial para a GE.Net
Alvo de muitas críticas neste primeiro turno do Campeonato
Brasileiro, a arbitragem teve um evento especial nesta manha
desta terça-feira. Por um videoconferência, para vários
estados e com a participação dos 635 juízes do País, o presidente
da Comissão Nacional de Arbitragem comentou as novas regulamentações
da Fifa sobre carrinho e impedimento que entraram em vigor
no dia 1º de julho.
Entretanto, Armando Marques não se registrou apenas às
orientações. O ex-árbitro mandou um recado aos homens do
apito e avisou que as más atuações mandarão os responsáveis
para a geladeira.
“Vai para geladeira (quem falhar muito). Pode comprar
um casaco de pele porque vai para geladeira. Tem um que
vai invernar um pouquinho essa semana”, prometeu o cartola,
sem citar o nome da pessoa.
Armando Marques ainda criticou a omissão de alguns juízes
no momento de punir atletas que exageram das faltas para
matar a jogada e alertou estar atento ao desempenho de cada
profissional.
“Tem jogador que faz três ou quatro faltas e não há nenhuma
punição a isso, continuam em campo. É preciso punir com
cartão amarelo. Vamos começar observar quem não cumpre isso.
Na última rodada, teve duas partidas em que jogadores fizeram
cinco faltas e levaram o amarelo. Mas continuaram fazendo
faltas e não levaram o vermelho. Não aceitaremos mais isso”,
afirmou.
Segundo o dirigente, os árbitros serão avaliados também
fora de campo de acordo com o preenchimento das súmulas.
“Têm relatórios escritos com três letras distintas. Tem
de ser escrito de próprio punho, e não delegado a alguém.
Já aconteceu de um árbitro ter ido muito bem em campo, mas
foi punido por não ter preenchido da maneira correta”, concluiu.
Mas o principal assunto da videoconferência foram os carrinhos,
nova coqueluche das arbitragens. Armando Marques confirma
que é preciso haver rigor na punição desta infração, mas
teme também pela banalização. “Estão achando que qualquer
carrinho, seja de frente, de lado ou de bananeira, é para
ser punido com expulsão. Não é verdade. Quando o jogador
vai visando a bola e sem dar perigo ao adversário, é permitido.
Mas, quando não for assim, tem de ser punido com o vermelho,
independente se tem amarelo”, afirmou.
O ex-árbitro ressaltou que não só carrinho violento deve
ser punido com expulsão, mas sim qualquer jogada desleal.
Segundo o presidente da comissão, lances classificados como
‘jogo brusco grave’ (termo criado pela Fifa) devem ser inibidos
com o cartão vermelho.
“Não precisa ser um carrinho pelo chão. Se for um lance
por cima, pelo alto, e que atinge o adversário, também é
enquadrado como ‘jogo brusco grave’”, esclareceu. Durante
a videoconferência, os árbitros ainda puderam assistir a
um vídeo com diversos carrinhos passíveis de punição com
cartão vermelho.
Além de explicar as punições cabíveis às jogadas violentas,
Armando Marques também abordou a outra alteração que entrou
em vigor em julho, que se refere à marcação do impedimento.
“Não basta estar em posição (irregular), é preciso que
o jogador tire vantagem disso. Quando ele interfere no jogo,
no adversário ou leva alguma vantagem no lance, tem de ser
punido (com a marcação do impedimento)”, afirmou.
Na verdade, a regra do impedimento continua a mesma, sendo
que a única alteração foi em sua aplicação. Antes de julho,
os árbitros eram orientados a pararem a jogada logo no momento
do lançamento. Agora, os assistentes são orientados a aguardarem
a jogada acontecer antes de apontarem a infração. Apesar
de reconhecer que a nova recomendação possa criar algum
tipo de confusão, Marques prefere não criticar a decisão
da entidade máxima do futebol.
“É uma temeridade, mas a Fifa pede assim. Ela quer controlar
os braços nervosos: sempre que a bola partia, o assistente
já levantava a bandeira. (...) É preciso ter mais paciência
agora. O assistente precisa ter um controle emocional para
só levantar a bandeira quando o jogador (impedido) levar
vantagem”, afirmou.
Também participou da videoconferência o diretor do Conselho
Nacional de Arbitragem, Edson Resende de Oliveira, que explicou
sobre as punições que o atleta merece em caso de comemorações
de gol exageradas. Diferentemente do que muitos juízes têm
seguido, os atletas que tiram a camisa durante a festa não
devem receber cartão vermelho.
“Se o jogador sobe no alambrado ou provoca a torcida adversária,
deve receber o amarelo. Tirar a camisa e cobrir o rosto
são atos anti-desportivo e também merecem amarelo. Só é
permitido levantar a camisa até o peito, mantendo o dorso
coberto”, esclareceu.