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16/08/2005

Por Luiz Ricardo Fini, especial para a GE.Net

Alvo de muitas críticas neste primeiro turno do Campeonato Brasileiro, a arbitragem teve um evento especial nesta manha desta terça-feira. Por um videoconferência, para vários estados e com a participação dos 635 juízes do País, o presidente da Comissão Nacional de Arbitragem comentou as novas regulamentações da Fifa sobre carrinho e impedimento que entraram em vigor no dia 1º de julho.

Entretanto, Armando Marques não se registrou apenas às orientações. O ex-árbitro mandou um recado aos homens do apito e avisou que as más atuações mandarão os responsáveis para a geladeira.

“Vai para geladeira (quem falhar muito). Pode comprar um casaco de pele porque vai para geladeira. Tem um que vai invernar um pouquinho essa semana”, prometeu o cartola, sem citar o nome da pessoa.

Armando Marques ainda criticou a omissão de alguns juízes no momento de punir atletas que exageram das faltas para matar a jogada e alertou estar atento ao desempenho de cada profissional.

“Tem jogador que faz três ou quatro faltas e não há nenhuma punição a isso, continuam em campo. É preciso punir com cartão amarelo. Vamos começar observar quem não cumpre isso. Na última rodada, teve duas partidas em que jogadores fizeram cinco faltas e levaram o amarelo. Mas continuaram fazendo faltas e não levaram o vermelho. Não aceitaremos mais isso”, afirmou.

Segundo o dirigente, os árbitros serão avaliados também fora de campo de acordo com o preenchimento das súmulas. “Têm relatórios escritos com três letras distintas. Tem de ser escrito de próprio punho, e não delegado a alguém. Já aconteceu de um árbitro ter ido muito bem em campo, mas foi punido por não ter preenchido da maneira correta”, concluiu.

Mas o principal assunto da videoconferência foram os carrinhos, nova coqueluche das arbitragens. Armando Marques confirma que é preciso haver rigor na punição desta infração, mas teme também pela banalização. “Estão achando que qualquer carrinho, seja de frente, de lado ou de bananeira, é para ser punido com expulsão. Não é verdade. Quando o jogador vai visando a bola e sem dar perigo ao adversário, é permitido. Mas, quando não for assim, tem de ser punido com o vermelho, independente se tem amarelo”, afirmou.

O ex-árbitro ressaltou que não só carrinho violento deve ser punido com expulsão, mas sim qualquer jogada desleal. Segundo o presidente da comissão, lances classificados como ‘jogo brusco grave’ (termo criado pela Fifa) devem ser inibidos com o cartão vermelho.

“Não precisa ser um carrinho pelo chão. Se for um lance por cima, pelo alto, e que atinge o adversário, também é enquadrado como ‘jogo brusco grave’”, esclareceu. Durante a videoconferência, os árbitros ainda puderam assistir a um vídeo com diversos carrinhos passíveis de punição com cartão vermelho.

Além de explicar as punições cabíveis às jogadas violentas, Armando Marques também abordou a outra alteração que entrou em vigor em julho, que se refere à marcação do impedimento.

“Não basta estar em posição (irregular), é preciso que o jogador tire vantagem disso. Quando ele interfere no jogo, no adversário ou leva alguma vantagem no lance, tem de ser punido (com a marcação do impedimento)”, afirmou.

Na verdade, a regra do impedimento continua a mesma, sendo que a única alteração foi em sua aplicação. Antes de julho, os árbitros eram orientados a pararem a jogada logo no momento do lançamento. Agora, os assistentes são orientados a aguardarem a jogada acontecer antes de apontarem a infração. Apesar de reconhecer que a nova recomendação possa criar algum tipo de confusão, Marques prefere não criticar a decisão da entidade máxima do futebol.

“É uma temeridade, mas a Fifa pede assim. Ela quer controlar os braços nervosos: sempre que a bola partia, o assistente já levantava a bandeira. (...) É preciso ter mais paciência agora. O assistente precisa ter um controle emocional para só levantar a bandeira quando o jogador (impedido) levar vantagem”, afirmou.

Também participou da videoconferência o diretor do Conselho Nacional de Arbitragem, Edson Resende de Oliveira, que explicou sobre as punições que o atleta merece em caso de comemorações de gol exageradas. Diferentemente do que muitos juízes têm seguido, os atletas que tiram a camisa durante a festa não devem receber cartão vermelho.

“Se o jogador sobe no alambrado ou provoca a torcida adversária, deve receber o amarelo. Tirar a camisa e cobrir o rosto são atos anti-desportivo e também merecem amarelo. Só é permitido levantar a camisa até o peito, mantendo o dorso coberto”, esclareceu.

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