Exemplo
da palestra, Sálvio destaca conscientização dos atletas
Por determinação da Fifa, desde julho deste ano os jogadores
que acertarem seus adversários com carrinho devem ser punidos
com o cartão vermelho. O árbitro Sálvio Spíndola Fagundes
Filho (Fifa-SP) ficou marcado no Brasil como o primeiro
juiz a adotar a medida.
No clássico entre Santos e São Paulo, dia 17 do mês passado,
ele aplicou o cartão vermelho ao zagueiro tricolor Flávio
logo no primeiro minuto de jogo, devido a um carrinho nas
pernas do lateral adversário Carlinhos. Na mesma partida,
o santista Ávalos também foi expulso por jogada violenta.
O desempenho do paulista no clássico foi elogiado pelo
presidente do Comitê Nacional de Arbitragem, Armando Marques,
que nesta terça-feira utilizou imagens do clássico para
ilustrar jogadas violentas passíveis de punição com o vermelho.
Sálvio Spíndola, porém, acredita que não foi o pioneiro
em aplicar a nova recomendação da Fifa.
“Ficou rotulado que fui eu porque o carrinho foi dado
no primeiro minuto em um clássico e estava sendo transmitido
pela televisão, o que dá mais repercussão. Mas antes disso
já estavam aplicando a regra”, afirmou.
O árbitro ainda explicou que os jogadores estão mais conscientes
de que não devem dar carrinho e citou como exemplo o atacante
André Dias, do Paraná, que foi expulso por Sálvio na partida
contra o Atlético-PR, dia 23 de julho, e concordou com a
decisão.
“Os próprios jogadores passaram a entender pela integridade
física deles. Há uma conscientização. No jogo do Paraná,
expulsei um atleta aos 20 minutos e ele admitiu: ‘fui alertado
para não dar carrinho, mas dei’”, revelou.
O experiente Paulo César de Oliveira (Fifa-SP) também
acredita que os atletas estão entendendo melhor as regras
e revelou que alguns até pedem conselhos do que não devem
fazer.
“A imprensa está divulgando bastante as mudanças e essa
massificação ajuda. Alguns jogadores chegam antes da partida
e até falam: ‘professor, se tiver algum problema, pode avisar’.
Eles esperam uma arbitragem preventiva da nossa parte”,
afirmou.