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19/08/2005
 

Bruno Ceccon, especial para GE.Net

Foram anos longe dos holofotes até o Porto voltar a ser grande. Desacreditado no início da Copa dos Campeões de 2004, a equipe se superou e levantou o cobiçado troféu. O Campeonato Nacional e o título mundial completaram a temporada perfeita. O polêmico José Mourinho guiou a vitoriosa equipe com mãos de ferro. Nos momentos de nervosismo, ele olhava para o gramado em busca de seu camisa 10. Um dos jogadores mais queridos pela torcida, Deco foi negociado com o Barcelona e deixou os lusitanos abandonados.

Nada melhor do que outro brasileiro para preencher o lugar do antigo ídolo. O escolhido pela diretoria foi o talentoso Diego, que parecia feito sob medida para envergar a camisa deixada pelo compatriota. Apesar dos títulos logo de cara, o meia ainda não conseguiu render o que se esperava na nova equipe. “Na última temporada, o Porto sofreu muitas mudanças e isso acabou provocando alguns problemas de entrosamento”, explicou.

Completamente adaptado ao clube, ele começa neste final de semana uma temporada decisiva para não repetir o fracasso de Luís Fabiano, que chegou ao estádio do Dragão com fama de goleador e hoje corre atrás do tempo perdido no Sevilla. “O primeiro ano depois de uma transferência é sempre o mais complicado e acho que consegui passar pelo teste maior. Estou preparado para superar todo e qualquer tipo de problema que aparecer”, avisou Diego, audacioso.

Recentemente operado de uma lesão no pé esquerdo, o meia ainda luta para conquistar uma vaga no time titular e brigar por seu lugar na seleção brasileira. Ele já está preparado para receber o amigo Robinho de braços abertos na Europa. “Eu tenho conversado com ele nos últimos tempos, agora vamos estar mais próximos. Fico muito feliz pelo Robinho, que está realizando o sonho dele de jogar no Real Madrid. Ele ainda está ajudando o Santos e tem jogado bem. No final das contas, as coisas terminaram de uma forma positiva”.

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

GE.Net – Você está completando um ano na Europa. Fazendo um balanço da temporada no Porto, acha que já rendeu o que pode ou ainda está devendo?
Diego -
Não acho que ainda estou devendo, de forma alguma. Mas com o passar do tempo, a tendência é sempre melhorar. Na última temporada, o Porto sofreu muitas mudanças e isso acabou provocando alguns problemas de entrosamento. O primeiro ano é sempre o mais difícil. Fazendo um balanço, acho que foi uma boa temporada. Conquistamos dois títulos, um deles o Mundial de Clubes, e conseguimos classificar o time para a Copa dos Campeões, uma competição muito importante e que todos querem participar.

GE.Net – Os europeus não valorizam o Mundial como os sul-americanos. Você ficou surpreso com isso?
Diego -
Eles dão uma importância um pouco menor ao Mundial de Clubes, mas isso não tira a importância desse título. O clube até mandou uma fazer uma faixa para colocar no estádio escrito “campeão mundial de clubes”. Isso mostra que o Porto e os jogadores também têm muito orgulho desse título. Foi uma conquista importante para o clube e para todos os atletas.

GE.Net – A última temporada foi muito atípica para o Porto, que trocou de técnico três vezes. Você acha que isso também dificultou a sua performance?
Diego -
É claro que isso atrasa um pouco o entrosamento entre a equipe. Os técnicos que passaram por aqui ficaram durante apenas três meses. Cada treinador tem a sua filosofia e sempre demora um certo tempo para implantar essas novas idéias no elenco. Mesmo assim, o Porto terminou bem a última temporada, passando por cima de todos esses problemas. Agora, temos um técnico competente.

GE.Net – Você chegou ao Porto para assumir o lugar do Deco, um grande ídolo da torcida. Você sofreu muitas comparações com ele? Como é o seu relacionamento com os torcedores?
Diego –
Nosso relacionamento é muito bom, estou totalmente satisfeito neste sentido. Eu entrei nos últimos dois jogos e a torcida me aplaudiu bastante. É sempre bom quando você conta com a confiança do torcedor. Quanto ao Deco, houve uma comparação inevitável apenas por parte da imprensa. Ele é um atleta excelente, que marcou época com a camisa do Porto. Nós somos jogadores diferentes, mas eu quero seguir o mesmo caminho de glórias e conquistas dele. 

GE.Net – Por tudo que você viveu desde que chegou ao clube, acha que essa é a temporada para dar certo e mostrar o seu verdadeiro futebol?
Diego –
O primeiro ano depois de uma transferência é sempre o mais complicado e acho que consegui passar pelo teste maior. Essa temporada tem tudo para ser ainda melhor. Você está mais adaptado e as pessoas já conhecem o seu futebol. Estou preparado para superar todo e qualquer tipo de problema que aparecer. Mas é lógico que os campeonatos continuam sendo difíceis.

GE.Net – Você sofreu uma lesão no pé esquerdo no final da temporada e foi submetido a uma cirurgia. Já está totalmente recuperado?
Diego –
No momento, já estou 100% recuperado. Passei três meses em recuperação. É sempre ruim sofrer uma lesão, mas acho que ela aconteceu num momento que não era tão importante. Perdi apenas o meu mês de férias e uma parte do período de preparação. A volta é um momento delicado. Você retorna logo num campeonato difícil e ainda tem aquele receio, tem que jogar em cima daquela dorzinha.

GE.Net – Você está brigando por uma vaga no time titular com o Helder Postiga, um jogador da seleção portuguesa. Como está essa disputa?
Diego –
Encaro isso com naturalidade, até porque num time grande ninguém tem vida fácil. Meu pensamento é conquistar a posição de titular e ajudar o Porto a vencer o Campeonato Português para voltar à seleção brasileira. Quando entro em campo, penso em jogar bem para deixar o treinador com aquela dúvida sobre quem escalar. A tarefa de decidir quem joga é dele e de mais ninguém.

GE.Net – Você tem conversado com o Robinho? O que você achou da maneira pela qual ele deixou o Santos?
Diego –
Eu tenho conversado com ele nos últimos tempos, agora vamos estar mais próximos. Fico muito feliz pelo Robinho, que está realizando o sonho dele de jogar no Real Madrid. A saída dele do Santos é uma situação muito particular. O presidente Marcelo Teixeira sabe que o Robinho é uma peça muito importante e tentou segurá-lo, mas chegou a hora dele. Ele ainda está ajudando o Santos e tem jogado bem. No final das contas, as coisas terminaram de uma forma positiva.

GE.Net – Estamos a menos de um ano da Copa do Mundo. Como está sua expectativa em relação ao Mundial?
Diego –
Pelas passagens e vitórias que tive pelo Brasil, tenho muita vontade e confiança para defender o meu país durante a Copa do Mundo. Acho perfeitamente possível minha presença na seleção, apesar da concorrência e da disputa ser muito grande, talvez a maior do planeta. A Copa está perto, mas, ao mesmo tempo, ainda falta muita coisa para acontecer até o Mundial.

GE.Net – Os técnicos brasileiros ganham cada vez mais espaço na Europa. Como os portugueses tratam o trabalho do Felipão na seleção?
Diego –
Ele conta com o respeito de todos os portugueses, principalmente pelo que fez na Eurocopa ao dirigir a seleção até a final. O Felipão costuma receber muitos elogios por aqui. O trabalho desenvolvido pelo Luxemburgo na Espanha também é bastante comentado.

GE.Net – Além da parte profissional, como está sendo sua estadia na Europa no aspecto cultural?
Diego –
Esta parte também tem sido muito proveitosa. A Cidade do Porto é muito boa, você tem uma alta qualidade de vida. A comida também é boa e as pessoas te tratam de uma maneira excepcional. Neste momento, não penso em sair do Porto. A única coisa que gostaria de fazer é encerrar a carreira no Brasil.

 
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