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Bruno
Ceccon, especial para GE.Net
Foram anos longe
dos holofotes até o Porto voltar a ser grande. Desacreditado
no início da Copa dos Campeões de 2004, a equipe
se superou e levantou o cobiçado troféu. O Campeonato
Nacional e o título mundial completaram a temporada
perfeita. O polêmico José Mourinho guiou a vitoriosa
equipe com mãos de ferro. Nos momentos de nervosismo,
ele olhava para o gramado em busca de seu camisa 10. Um dos
jogadores mais queridos pela torcida, Deco foi negociado com
o Barcelona e deixou os lusitanos abandonados.
Nada melhor do que outro brasileiro para preencher o lugar
do antigo ídolo. O escolhido pela diretoria foi o talentoso
Diego, que parecia feito sob medida para envergar a camisa
deixada pelo compatriota. Apesar dos títulos logo de
cara, o meia ainda não conseguiu render o que se esperava
na nova equipe. Na última temporada, o Porto
sofreu muitas mudanças e isso acabou provocando alguns
problemas de entrosamento, explicou.
Completamente adaptado ao clube, ele começa neste
final de semana uma temporada decisiva para não repetir
o fracasso de Luís Fabiano, que chegou ao estádio
do Dragão com fama de goleador e hoje corre atrás
do tempo perdido no Sevilla. O primeiro ano depois de
uma transferência é sempre o mais complicado
e acho que consegui passar pelo teste maior. Estou preparado
para superar todo e qualquer tipo de problema que aparecer,
avisou Diego, audacioso.
Recentemente operado de uma lesão no pé esquerdo,
o meia ainda luta para conquistar uma vaga no time titular
e brigar por seu lugar na seleção brasileira.
Ele já está preparado para receber o amigo Robinho
de braços abertos na Europa. Eu tenho conversado
com ele nos últimos tempos, agora vamos estar mais
próximos. Fico muito feliz pelo Robinho, que está
realizando o sonho dele de jogar no Real Madrid. Ele ainda
está ajudando o Santos e tem jogado bem. No final das
contas, as coisas terminaram de uma forma positiva.
| Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press |
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GE.Net Você está completando um ano
na Europa. Fazendo um balanço da temporada no Porto,
acha que já rendeu o que pode ou ainda está
devendo?
Diego - Não acho que ainda estou devendo, de forma
alguma. Mas com o passar do tempo, a tendência é
sempre melhorar. Na última temporada, o Porto sofreu
muitas mudanças e isso acabou provocando alguns problemas
de entrosamento. O primeiro ano é sempre o mais difícil.
Fazendo um balanço, acho que foi uma boa temporada.
Conquistamos dois títulos, um deles o Mundial de Clubes,
e conseguimos classificar o time para a Copa dos Campeões,
uma competição muito importante e que todos
querem participar.
GE.Net Os europeus não valorizam o Mundial
como os sul-americanos. Você ficou surpreso com isso?
Diego - Eles dão uma importância um pouco
menor ao Mundial de Clubes, mas isso não tira a importância
desse título. O clube até mandou uma fazer uma
faixa para colocar no estádio escrito campeão
mundial de clubes. Isso mostra que o Porto e os jogadores
também têm muito orgulho desse título.
Foi uma conquista importante para o clube e para todos os
atletas.
GE.Net A última temporada foi muito atípica
para o Porto, que trocou de técnico três vezes.
Você acha que isso também dificultou a sua performance?
Diego - É claro que isso atrasa um pouco o entrosamento
entre a equipe. Os técnicos que passaram por aqui ficaram
durante apenas três meses. Cada treinador tem a sua
filosofia e sempre demora um certo tempo para implantar essas
novas idéias no elenco. Mesmo assim, o Porto terminou
bem a última temporada, passando por cima de todos
esses problemas. Agora, temos um técnico competente.
GE.Net Você chegou ao Porto para assumir
o lugar do Deco, um grande ídolo da torcida. Você
sofreu muitas comparações com ele? Como é
o seu relacionamento com os torcedores?
Diego Nosso relacionamento é muito bom,
estou totalmente satisfeito neste sentido. Eu entrei nos últimos
dois jogos e a torcida me aplaudiu bastante. É sempre
bom quando você conta com a confiança do torcedor.
Quanto ao Deco, houve uma comparação inevitável
apenas por parte da imprensa. Ele é um atleta excelente,
que marcou época com a camisa do Porto. Nós
somos jogadores diferentes, mas eu quero seguir o mesmo caminho
de glórias e conquistas dele.
GE.Net Por tudo que você viveu desde que
chegou ao clube, acha que essa é a temporada para dar
certo e mostrar o seu verdadeiro futebol?
Diego O primeiro ano depois de uma transferência
é sempre o mais complicado e acho que consegui passar
pelo teste maior. Essa temporada tem tudo para ser ainda melhor.
Você está mais adaptado e as pessoas já
conhecem o seu futebol. Estou preparado para superar todo
e qualquer tipo de problema que aparecer. Mas é lógico
que os campeonatos continuam sendo difíceis.
GE.Net Você sofreu uma lesão no pé
esquerdo no final da temporada e foi submetido a uma cirurgia.
Já está totalmente recuperado?
Diego No momento, já estou 100% recuperado.
Passei três meses em recuperação. É
sempre ruim sofrer uma lesão, mas acho que ela aconteceu
num momento que não era tão importante. Perdi
apenas o meu mês de férias e uma parte do período
de preparação. A volta é um momento delicado.
Você retorna logo num campeonato difícil e ainda
tem aquele receio, tem que jogar em cima daquela dorzinha.
GE.Net Você está brigando por uma
vaga no time titular com o Helder Postiga, um jogador da seleção
portuguesa. Como está essa disputa?
Diego Encaro isso com naturalidade, até
porque num time grande ninguém tem vida fácil.
Meu pensamento é conquistar a posição
de titular e ajudar o Porto a vencer o Campeonato Português
para voltar à seleção brasileira. Quando
entro em campo, penso em jogar bem para deixar o treinador
com aquela dúvida sobre quem escalar. A tarefa de decidir
quem joga é dele e de mais ninguém.
GE.Net Você tem conversado com o Robinho?
O que você achou da maneira pela qual ele deixou o Santos?
Diego Eu tenho conversado com ele nos últimos
tempos, agora vamos estar mais próximos. Fico muito
feliz pelo Robinho, que está realizando o sonho dele
de jogar no Real Madrid. A saída dele do Santos é
uma situação muito particular. O presidente
Marcelo Teixeira sabe que o Robinho é uma peça
muito importante e tentou segurá-lo, mas chegou a hora
dele. Ele ainda está ajudando o Santos e tem jogado
bem. No final das contas, as coisas terminaram de uma forma
positiva.
GE.Net Estamos a menos de um ano da Copa do Mundo.
Como está sua expectativa em relação
ao Mundial?
Diego Pelas passagens e vitórias que tive
pelo Brasil, tenho muita vontade e confiança para defender
o meu país durante a Copa do Mundo. Acho perfeitamente
possível minha presença na seleção,
apesar da concorrência e da disputa ser muito grande,
talvez a maior do planeta. A Copa está perto, mas,
ao mesmo tempo, ainda falta muita coisa para acontecer até
o Mundial.
GE.Net Os técnicos brasileiros ganham cada
vez mais espaço na Europa. Como os portugueses tratam
o trabalho do Felipão na seleção?
Diego Ele conta com o respeito de todos os portugueses,
principalmente pelo que fez na Eurocopa ao dirigir a seleção
até a final. O Felipão costuma receber muitos
elogios por aqui. O trabalho desenvolvido pelo Luxemburgo
na Espanha também é bastante comentado.
GE.Net Além da parte profissional, como
está sendo sua estadia na Europa no aspecto cultural?
Diego Esta parte também tem sido muito proveitosa.
A Cidade do Porto é muito boa, você tem uma alta
qualidade de vida. A comida também é boa e as
pessoas te tratam de uma maneira excepcional. Neste momento,
não penso em sair do Porto. A única coisa que
gostaria de fazer é encerrar a carreira no Brasil. |