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22/08/2005

Fábio Mello, especial para a GE.Net

Revelado pelo América-MG e eleito a revelação do Campeonato Mineiro de 2001, o meia Fabrício precisou de quatro anos para enfim confirmar a fama de craque e se firmar em um clube de ponta do Brasil. No Atlético Paranaense desde 2002, o jogador, hoje com 25 anos, foi um dos destaques da campanha que levou o Furacão ao vice-campeonato da Libertadores e foi apontado como uma das revelações do primeiro turno do Campeonato Brasileiro .

No entanto, o São Paulo ficará marcado negativamente na carreira do jogador por duas situações. Primeiro, na grande decisão da Libertadores no Morumbi, Fabrício foi o protagonista de um lance que poderia mudar todo o panorama daquela final. No último minuto do primeiro tempo, quando o São Paulo vencia por 1 a 0, o meia atleticano teve a chance de empatar numa cobrança de pênalti, mas chutou na trave. “Às vezes eu fico lembrando do lance e imaginando como deveria bater”, revela o jogador.

36 dias depois, no reencontro das duas equipes na Arena da Baixada, desta vez pelo Campeonato Brasileiro, Fabrício sofreu uma lesão no joelho após uma dividida com o zagueiro Alex e terá que ficar dois meses sem jogar. E a contusão aconteceu justamente quando Fabrício já tinha feito as pazes com a torcida rubro-negra e aparecia como uma das principais figuras da reação do Atlético Paranaense no Campeonato Brasileiro.

Casado há três anos e pai de Maria Eduarda, de apenas dois anos, Fabrício se apóia na família para superar momentos difíceis como esse e outros, como o empréstimo ao Brasiliense em 2004. O craque atleticano planeja ainda ajudar o clube na reta final do Brasileiro, mas não descarta uma transferência para o exterior no próximo ano e se aproximar do sonho de defender a seleção brasileira. “Nunca participei da seleção brasileira e esse é um dos meus objetivos”, completa Fabrício.

GE.Net: Agora que você estava talvez no melhor momento de sua carreira, terá que ficar dois meses sem jogar. Como você vai superar este momento?
Fabrício: Fé em Deus e ajuda da família. Mas não tem jeito. Eu acho que aconteceu porque tinha que acontecer, não adianta ficar lamentando. Mas pelas dores que eu senti pensei que poderia ser até pior.

GE.Net: Você acha que você pode ter sido uma vítima do clima de guerra em que o jogo entre São Paulo e Atlético Paranaense se transformou?
Fabrício: Talvez sim, mas eu não entendi porque o São Paulo estava tão nervoso em campo. O Atlético Paranaense não criou nenhum clima de guerra. Eles que chegaram aqui esperando esse clima e se prepararam para uma guerra.

GE.Net: Se realmente a recuperação demorar os dois meses previstos, você só estará pronto no final de outubro. Você já está pensando no próximo ano ou deseja voltar ainda neste Campeonato Brasileiro.
Fabrício: Vou voltar com tudo ainda neste ano. Vou trabalhar forte para estar pronto ainda neste Campeonato Brasileiro.

GazetaEsportiva.Net: Mas esse não será a primeira dificuldade que você terá que enfrentar. Em 2001, você foi apontado como a revelação do Campeonato Mineiro. Hoje, quatro anos depois, você enfim se firmou num grande clube do Brasil. Por que demorou tanto tempo para isso acontecer?
Fabrício: Logo que eu cheguei aqui no Atlético Paranaense, eu não tive uma seqüência boa de jogos. Minha carreira começou a crescer a partir do Brasiliense. Lá eu fiz um bom campeonato, fomos campeões e consegui me destacar.

GE.Net: Você chegou ao Furacão logo depois da conquista do Campeonato Brasileiro de 2001. Você acha que por isso a cobrança foi maior em cima de você?
Fabrício: Contribuiu bastante. A cobrança era maior para repetirmos a campanha do ano passado. E nós não conseguíamos fazer boas partidas, fomos eliminados na primeira fase da Libertadores e no Brasileiro não fomos bem. Com a falta de seqüência, as comparações eram inevitáveis.

GE.Net: Além disso, você foi apontado como o sucessor do Souza. Houve muita comparação?
Fabrício: Até que isso não. Foi a falta de seqüência mesmo. Nunca joguei mais do que três partidas seguidas como titular e isso prejudica bastante. Não tem como conseguir aquela confiança para jogar.

GE.Net: Como você reagiu ao empréstimo ao Brasiliense no último ano (2004)? Pensou que talvez seria o fim da sua carreira no Atlético?
Fabrício: Talvez sim, mas eu apostei em mim. Já tinha saído da mídia e estava precisando disputar mais partidas Eu confiei em mim e acabou dando certo.

GE.Net: É muito diferente disputar a série B do Campeonato Brasileiro? O que te acrescentou para a sua volta ao Atlético?
Fabrício: É um pouco diferente na maneira de jogar. É um estilo mais pegado. Na série A o jogo é mais cadenciado. Então eu precisei correr mais para acompanhar o ritmo e com certeza isso foi bom para a minha volta para o Atlético. Eu aprendi a buscar mais o jogo.

GE.Net: Você considera o primeiro semestre de 2005 como o melhor momento de sua carreira?
Fabrício: Posso considerar sim. Foi um bom momento. Este ano finalmente eu tive uma seqüência como titular do Atlético e tenho marcado gols.

GE.Net: E também conquistou o título do Campeonato Paranaense
Fabrício: Sim, é verdade. Foi meu primeiro título jogando com regularidade no Atlético. Em 2002 eu também fui campeão paranaense, mas é diferente você comemorar apenas como coadjuvante. Mas eu já também fui campeão do Campeonato Mineiro e da Copa Sul-Minas (pelo América Mineiro).

GE.Net: E você acha que o pênalti perdido na final pode ter tirado um pouco do brilho deste momento?
Fabrício: Não, pelo contrário. Depois da final da Libertadores comentaram (os companheiros do Furacão) que o meu futebol até melhorou. E eu acho que realmente foi o que aconteceu.

GE.Net: Mas depois do pênalti, você achou que poderia haver uma maior cobrança em cima de você, assim como aconteceu na sua primeira passagem pelo Atlético?
Fabrício: Confesso que sim. Eu fiquei um pouco preocupado com a reação da torcida. Tinha a impressão de que poderia ser escolhido como o grande responsável pela perda do título. Mas logo na partida seguinte eu fiz o gol da vitória contra o Atlético Mineiro, o que devolveu a confiança para a torcida.

GE.Net: Mas você ainda pensa muito nele?
Fabrício: Penso. Às vezes eu fico lembrando do lance e imaginando como deveria bater, se mudaria de canto, essas coisas. Na verdade eu penso direto, mas aos poucos tenho certeza que esquecerei.

GE.Net: E quem te ajudou a superar esse momento?
Fabrício: Meus companheiros e minha família acima de tudo. O técnico Antonio Lopes também me ajudou bastante. Eu acho que todos os que citei foram fundamentais para a volta por cima. Eles falaram para seguir em frente e esquecer o que aconteceu.

GE.Net: E a torcida? A reação dela foi como você esperava?
Fabrício: Bem diferente do que eu imaginava. Mas isso foi facilitado pelo time, que reagiu bem ao vice-campeonato. Eu também tive boas atuações na Arena e isso faz a torcida me apoiar.

GE.Net: E a campanha na Libertadores? Como você analisa?
Fabrício: Eu acho que o time tinha condições de ficar com o título, apesar de poucos acreditarem que tínhamos potencial para chegar até a final. Mas é claro que nós ficamos pouco chateados.

GE.Net: Depois de um mês, você acha que o Atlético Paranaense cumpriu sua missão ou a falta do título estragou toda a campanha?
Fabrício: Continuamos decepcionados. Sabemos que foi a primeira vez que o clube chegou tão longe na competição e tiveram pessoas que até comemoram o vice. Mas para os jogadores e grande parte dos torcedores o que interessa é o título e não temos como comemorar um segundo lugar.

GE.Net: Projetando o segundo turno do Campeonato Brasileiro, o Furacão pode chegar até aonde?
Fabrício: Nós estamos bem e vamos melhorar nossa situação. Vamos buscar uma vaga na Copa Sul-americana e quem sabe um lugar na Libertadores.

GE.Net: E título? O Atlético não pensa mais?
Fabrício: Precisamos ir passo a passo. Primeiramente temos que sair da zona de rebaixamento, depois pensar na Copa Sul-americana e assim por diante.

GE.Net: Qual o papel do Antonio Lopes na evolução da equipe?
Fabrício: Ele passou tranqüilidade e exigiu mais de cada um. Com ele, todos os jogadores têm que correr e marcar.

GE.Net: Inclusive você?
Fabrício: Sim. Eu tenho uma função defensiva além de ter que armar as jogadas e chegar junto com os atacantes.

GE.Net: Se o Atlético não tivesse priorizado a Libertadores, a situação seria diferente no Campeonato Brasileiro?
Fabrício: Não tenho dúvidas disso. A partir do final da Libertadores vencemos a maioria das partidas e subimos na tabela. Se desde o começo jogássemos o Brasileiro da mesma forma que agora, poderíamos estar brigando pela ponta.

GE.Net: E quanto ao seu futuro? Você tem planos de jogar no exterior?
Fabrício: Eu tive propostas de clubes da Europa e da Arábia após a Libertadores, mas decidi ficar no Atlético e aproveitar este momento. Minha intenção é ficar até pelo menos o final do ano. Depois eu penso em mudar para o exterior se chegarem propostas de fora boas não só para mim, mas para o Atlético .

GE.Net: E você acha que essa possível transferência poderia lhe dar a oportunidade de jogar na seleção?
Fabrício: A maioria dos jogadores que são convocados joga lá fora e eu ainda tenho esse sonho. Nunca participei da seleção brasileira e esse é um dos meus objetivos

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