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20/08/2005
 

Por Fernando Narazaki

O franzino atacante revelado na quadra dos Portuários, que encantou a torcida brasileira e protagonizou uma das maiores transações da história do futebol dá adeus neste domingo à torcida do Santos e à Vila Belmiro.

Com 21 anos, o jovem Robinho nem de longe lembra o menino que recebeu elogios de Pelé e chegou a ser chamado de “foca amestrada” pelos críticos. O driblador deu lugar ao atleta maduro, objetivo e artilheiro. Um jogador que tem praticamente a certeza da convocação para a Copa do Mundo de 2006, e o apoio de setores da imprensa para ser titular.

Quando entrar em campo às 18h10, o atacante sabe que estará encerrando um capítulo especial de sua história. Foi na Vila que Robinho estreou como profissional em 24 de março de 2002, quando entrou aos 41 minutos do segundo tempo na vitória sobre o Guarani por 2 a 0, pelo Torneio Rio-São Paulo.

Foi na Vila que o atacante chamou a atenção de boa parte da torcida, ao se destacar em um amistoso contra o Corinthians em 27 de julho, a poucos dias do início do Brasileiro. Foi na Vila que Robinho imitou os socos de Pelé, foi reverenciado pela torcida e convenceu até os maiores ferozes de seus críticos.

Foi também no estádio santista que o atacante enfrentou manifestações contrárias da maior torcida uniformizada, que o ignorou após fechar sua transferência para o Real Madrid e retornar ao Peixe para disputar mais sete partidas. A penúltima será neste domingo.

Agora, Robinho vive os momentos derradeiros de uma trajetória que recolocou o Santos entre as maiores forças do país. Com o atacante, o alvinegro conquistou os seus dois títulos brasileiros (2002 e 2004), foi vice na Libertadores (2003) e no Brasileiro (2003). A saída do camisa sete encerra também um ciclo, já que não sobrará nenhum bicampeão brasileiro pela equipe no elenco.

Badalado, o atacante cancelou praticamente todas as entrevistas nesta semana, mas não conseguiu driblar a GE Net, que conversou de forma exclusiva com o atleta que levou o Real Madrid a desembolsar US$ 30 milhões.

Minutos após desembarcar da Croácia, onde defendeu a seleção brasileira, Robinho atendeu rapidamente a reportagem e falou sobre o início da carreira no Peixe e a despedida do palco que chama de sua segunda casa. Através da assessoria de imprensa do clube, o atacante comunicou que só dará novas declarações depois da despedida na Vila, neste domingo.

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press
Em 188 jogos no Santos, Robinho marcou 79 gols e tornou-se um dos ídolos do clube
Gazeta Esportiva Net: Robinho, acho que a pergunta não poderia ser outra. O que a torcida pode esperar de você no domingo?
Robinho: É um jogo especial para mim. Vou me preparar e procurar ajudar o Santos da melhor forma. Espero fazer uma excelente apresentação e um gol seria ótimo. É a forma de encerrar da melhor maneira.

GE Net: Você já tem idéia do que irá passar em sua cabeça, quando pisar no gramado da Vila, às 18h10 de domingo?
Robinho: Cara, vai ser difícil controlar. Vai passar uma lembrança de tudo que fiz, todas as alegrias que tive. Já estou sentindo saudades, é claro, e prefiro nem pensar muito no domingo. Só sei que será difícil.

GE Net: Robinho, você estreou na Vila em 24 de março de 2002, quando disputou sua primeira partida pelo Santos no jogo com o Guarani. Qual a lembrança que tem daquele compromisso?
Robinho: Cara, você está bem informado, andou estudando minha vida, foi? (risos). Foi um jogo especial para mim. Tive minha chance. Para mim, tudo que passei no Santos foi um sonho realizado, uma coisa que não imaginava ser. Desde o começo, eu pude realizar o que sempre desejei. Na Vila, fui muito feliz, passei muita coisa e sempre soube suportar tudo. Saio com a sensação de dever cumprido.

GE Net: Você e uma série de garotos foram lançados ao mesmo tempo pelo técnico Leão. Vendo agora, você estava pronto para aquela situação?
Robinho: Sim. Lógico que a pressão era muita naquele momento, o time vinha de um bom tempo sem ganhar títulos (a última conquista fora o Paulista de 1984) e resolveram investir na gente. Lembro que muita gente contestou, mas aos poucos mostramos nosso valor. O Leão também me ajudou muito no início. Foi como um pai e espero um dia ter o prazer de trabalhar com ele novamente.

GE Net: Nos três anos de Santos, qual será a lembrança mais marcante?
Robinho: Sem dúvida serão os dois títulos brasileiros, mais especialmente o primeiro por causa de todo este tabu. Aquela final de 2002 (quando deu as pedaladas no lateral Rogério) vai ficar marcada para sempre.

GE Net: E qual foi o momento mais complicado, aquele que você pensou em largar tudo?
Robinho: Jamais desisti. Mas, com certeza, o mais difícil foi o problema com a minha mãe (ficou seqüestrada por 41 dias, entre novembro e dezembro de 2004). É uma coisa que mexe muito comigo, o lado da família é muito importante para mim. E tudo que aconteceu, você sabe que ajudou muito na decisão que tomei agora (pedir a transferência para o Real Madrid).

GE Net: O que a Vila Belmiro, estádio onde se despede neste domingo, representa para você? Qual a importância da Vila na sua história?
Robinho: Total. É uma alegria enorme jogar no time onde atuou o Rei Pelé, no campo em que ele jogou. A Vila é algo muito importante para mim, não posso descrever em palavras, e espero um dia voltar a jogar na minha segunda casa. Vou embora agora, será a última desta vez, mas espero retornar. Devo muito ao Santos, sou grato demais ao clube e tudo que o Robinho é hoje deve aos companheiros e ao Santos.

GE Net: E após esta despedida, o Robinho está pronto para encarar o futebol espanhol no badalado Real Madrid?
Robinho: É um time de estrelas e a vontade de jogar será muita. Espero buscar meu espaço aos poucos. Sei que preciso de uma adaptação, mas penso que não irá demorar muito tempo. Valeu?

 
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