Por Fernando
Narazaki
O franzino atacante
revelado na quadra dos Portuários, que encantou a torcida
brasileira e protagonizou uma das maiores transações da
história do futebol dá adeus neste domingo à torcida do
Santos e à Vila Belmiro.
Com 21 anos, o jovem Robinho nem de longe lembra o menino
que recebeu elogios de Pelé e chegou a ser chamado de “foca
amestrada” pelos críticos. O driblador deu lugar ao atleta
maduro, objetivo e artilheiro. Um jogador que tem praticamente
a certeza da convocação para a Copa do Mundo de 2006, e
o apoio de setores da imprensa para ser titular.
Quando entrar em campo às 18h10, o atacante sabe que estará
encerrando um capítulo especial de sua história. Foi na
Vila que Robinho estreou como profissional em 24 de março
de 2002, quando entrou aos 41 minutos do segundo tempo na
vitória sobre o Guarani por 2 a 0, pelo Torneio Rio-São
Paulo.
Foi na Vila que o atacante chamou a atenção de boa parte
da torcida, ao se destacar em um amistoso contra o Corinthians
em 27 de julho, a poucos dias do início do Brasileiro. Foi
na Vila que Robinho imitou os socos de Pelé, foi reverenciado
pela torcida e convenceu até os maiores ferozes de seus
críticos.
Foi também no estádio santista que o atacante enfrentou
manifestações contrárias da maior torcida uniformizada,
que o ignorou após fechar sua transferência para o Real
Madrid e retornar ao Peixe para disputar mais sete partidas.
A penúltima será neste domingo.
Agora, Robinho vive os momentos derradeiros de uma trajetória
que recolocou o Santos entre as maiores forças do país.
Com o atacante, o alvinegro conquistou os seus dois títulos
brasileiros (2002 e 2004), foi vice na Libertadores (2003)
e no Brasileiro (2003). A saída do camisa sete encerra também
um ciclo, já que não sobrará nenhum bicampeão brasileiro
pela equipe no elenco.
Badalado, o atacante cancelou praticamente todas as entrevistas
nesta semana, mas não conseguiu driblar a GE Net,
que conversou de forma exclusiva com o atleta que levou
o Real Madrid a desembolsar US$ 30 milhões.
Minutos após desembarcar da Croácia, onde defendeu a seleção
brasileira, Robinho atendeu rapidamente a reportagem e falou
sobre o início da carreira no Peixe e a despedida do palco
que chama de sua segunda casa. Através da assessoria
de imprensa do clube, o atacante comunicou que só dará novas
declarações depois da despedida na Vila, neste domingo.
| Foto: Djalma Vassão/Gazeta
Press |
Em
188 jogos no Santos, Robinho marcou 79 gols e
tornou-se um dos ídolos do clube |
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Gazeta Esportiva Net: Robinho, acho que a pergunta
não poderia ser outra. O que a torcida pode esperar de você
no domingo?
Robinho: É um jogo especial para mim. Vou me preparar
e procurar ajudar o Santos da melhor forma. Espero fazer
uma excelente apresentação e um gol seria ótimo. É a forma
de encerrar da melhor maneira.
GE Net: Você já tem idéia do que irá passar em sua
cabeça, quando pisar no gramado da Vila, às 18h10 de domingo?
Robinho: Cara, vai ser difícil controlar. Vai passar
uma lembrança de tudo que fiz, todas as alegrias que tive.
Já estou sentindo saudades, é claro, e prefiro nem pensar
muito no domingo. Só sei que será difícil.
GE Net: Robinho, você estreou na Vila em 24 de março
de 2002, quando disputou sua primeira partida pelo Santos
no jogo com o Guarani. Qual a lembrança que tem daquele
compromisso?
Robinho: Cara, você está bem informado, andou estudando
minha vida, foi? (risos). Foi um jogo especial para mim.
Tive minha chance. Para mim, tudo que passei no Santos foi
um sonho realizado, uma coisa que não imaginava ser. Desde
o começo, eu pude realizar o que sempre desejei. Na Vila,
fui muito feliz, passei muita coisa e sempre soube suportar
tudo. Saio com a sensação de dever cumprido.
GE Net: Você e uma série de garotos foram lançados ao
mesmo tempo pelo técnico Leão. Vendo agora, você estava
pronto para aquela situação?
Robinho: Sim. Lógico que a pressão era muita naquele
momento, o time vinha de um bom tempo sem ganhar títulos
(a última conquista fora o Paulista de 1984) e resolveram
investir na gente. Lembro que muita gente contestou, mas
aos poucos mostramos nosso valor. O Leão também me ajudou
muito no início. Foi como um pai e espero um dia ter o prazer
de trabalhar com ele novamente.
GE Net: Nos três anos de Santos, qual será a lembrança
mais marcante?
Robinho: Sem dúvida serão os dois títulos brasileiros,
mais especialmente o primeiro por causa de todo este tabu.
Aquela final de 2002 (quando deu as pedaladas no lateral
Rogério) vai ficar marcada para sempre.
GE Net: E qual foi o momento mais complicado, aquele
que você pensou em largar tudo?
Robinho: Jamais desisti. Mas, com certeza, o mais
difícil foi o problema com a minha mãe (ficou seqüestrada
por 41 dias, entre novembro e dezembro de 2004). É uma coisa
que mexe muito comigo, o lado da família é muito importante
para mim. E tudo que aconteceu, você sabe que ajudou muito
na decisão que tomei agora (pedir a transferência para o
Real Madrid).
GE Net: O que a Vila Belmiro, estádio onde se despede
neste domingo, representa para você? Qual a importância
da Vila na sua história?
Robinho: Total. É uma alegria enorme jogar no time
onde atuou o Rei Pelé, no campo em que ele jogou. A Vila
é algo muito importante para mim, não posso descrever em
palavras, e espero um dia voltar a jogar na minha segunda
casa. Vou embora agora, será a última desta vez, mas espero
retornar. Devo muito ao Santos, sou grato demais ao clube
e tudo que o Robinho é hoje deve aos companheiros e ao Santos.
GE Net: E após esta despedida, o Robinho está pronto
para encarar o futebol espanhol no badalado Real Madrid?
Robinho: É um time de estrelas e a vontade de jogar
será muita. Espero buscar meu espaço aos poucos. Sei que
preciso de uma adaptação, mas penso que não irá demorar
muito tempo. Valeu?