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Do correspondente Claudio Brasil
Porto Alegre (RS) - A vitória do Grêmio sobre o Santa
Cruz não ficará apenas registrada na memória dos torcedores
gremistas que foram ao estádio Olímpico, ou que assistiram
à partida pela TV. Ela é o marco inicial para a produção cinematográfica
comandada pelo diretor inglês James Andrew Grayson, um fanático
por futebol. O documentário The day Of The Match (O
Dia do Jogo) tem como principal objetivo retratar a paixão
da torcida por seus clubes, principalmente aqueles que não
têm sobre si as luzes da mídia internacional.
Neste contexto entra o Grêmio e sua luta para voltar à elite
do futebol brasileiro - basta um empate nesta sexta-feira,
contra o Vila Nova, para a equipe chegar à fase final. Durante
o confronto do último dia 13 de agosto, que será a introdução
para o documentário, foram utilizadas três câmaras digitais
na captação de imagens, num trabalho que envolveu mais de
50 pessoas, entre equipe de produção, pessoal de figuração
e elenco.
O diretor Grayson escolheu, entre tantos, apenas o Tricolor
na América do Sul para fazer parte de seu projeto que mostrará
a realidade de equipes desconhecidas de países sem tradição
futebolística - como o Fuglafjordur, das Ilhas Faroe (Europa),
e o King Faisal Babies, de Gana. Além destes, um time da Oceania,
um de Cuba e um da Ásia também serão mostrados no projeto.
Em maio, o diretor parte para o Vietnã para dar continuidade
a seu trabalho.A previsão é que o projeto seja finalizado
em novembro de 2006.
Por que a escolha pelo Grêmio?
A escolha do Grêmio ocorreu em razão do pai de minha esposa,
Marisa, ser gremista (o diretor e a gaúcha são casados há
sete anos). Eu quis homenageá-lo. Outra razão é que meu time
na Inglaterra, o Sheffield Wednesday, tem as mesmas cores
do Grêmio na camiseta. Além disso, o Grêmio é um time grande
que, apesar de não estar bem agora, com certeza voltará para
o topo.
E por que justamento em um dos piores anos da história
do time, justamente na disputa da Série B?
É uma boa história falar de um clube que já foi campeão do
mundo tendo de buscar novamente um lugar na elite. Na Inglaterra
não é uma catástrofe cair para a Segunda Divisão. Meu time
também está na segundona.
Qual é a importância de mostrar a realidade de times
que estão fora do centro do futebol mundial?
Newport, minha cidade na Inglaterra, está longe de Londres.
Ela fica ao norte. Nós somos ignorados (risos). Por isso,
tenho simpatia por times que estão fora do centro, aqueles
que não têm muito espaço na mídia. Na Inglaterra os times
brasileiros conhecidos são Flamengo, o São Paulo, e o Santos.
Qual o objetivo do filme?
O filme terá o ponto de vista dos torcedores e sua paixão
por suas equipes. Neste contexto pode aparecer algo sobre
a história do time. Para o Grêmio, por exemplo, selecionamos
alguns fanáticos que conhecem a história do clube. Por isso
uma das câmeras estará sempre na arquibancada. A história
começa com a chegada de Gerrard, meu amigo torcedor do Ewerton.
Aí eu o convido para assistir ao jogo. Assim apresento o futebol
brasileiro a meu amigo.
Quais foram os critérios para as escolhas das equipes que
participarão do documentário?
Não há um critério único. Às vezes é por um nome legal,
ou porque o time é de cidades onde eu sempre quis ir. As cores
da camisa importaram, às vezes. Escolhi times de lugares onde
as pessoas não esperam que se pratique futebol.
Você se considera gremista?
Eu sou gremista. Tenho camisas, canetas, livros, tapetinhos,
todo tipo de lembrança do Grêmio. Mas eu não sou daqueles
que torcem contra o Inter. Eu apenas ignoro as outras equipes.
Conheço a história do Grêmio, visitei o museu. Conheci os
títulos como a Copa do Brasil e o Mundial, e ídolos como Renato
e Jardel.
Algum destaque da equipe atual do Grêmio?
Dos atletas atuais acho o zagueiro Pereira um bom jogador,
gosto muito dele. Gosto também do goleiro Galatto.
Apesar da boa relação com o futebol brasileiro, ficou alguma
mágoa pela desclassificação da Inglaterra pela seleção brasileira
na Copa de 2002 com o gol do ex-gremista Ronaldinho Gaúcho?
Eu estava torcendo para a Inglaterra, mas não liguei muito.
Já esperava que o Brasil vencesse. Participei de uma aposta
e joguei no Brasil. Não há motivo para mágoas.
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