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25/08/05
Por Paulo Amaral

Uma das grandes dificuldades do técnico Carlos Alberto Parreira para montar o meio-campo da seleção, de um modo que agrade à crítica e seja eficiente, é encontrar um segundo volante que saiba jogar e também proteger a zaga. Como Kléberson e Gilberto Silva têm mais moral com Felipão, o técnico do penta, o Brasil vem sofrendo para encontrar um jogador destas características.

Se Parreira resolver olhar para o leste europeu, no entanto, encontrará um jogador revelado pelo modesto Vitória, da Bahia, mas que vem se destacando e encaixa perfeitamente no perfil citado: Dudu Cearense. Na tarde desta sexta, o jogador do CSKA, da Rússia, poderá mostrar a ele e ao mundo se está em boa fase, pois terá pela frente o poderoso Liverpool, na decisão da Supercopa da Europa, em Mônaco.

Com contrato até 2009 com o time de Moscou, Dudu, que tem como companheiros Vagner Love e Daniel Carvalho, ainda tem passagens pelo futebol do Japão e da França. Em entrevista exclusiva para a GE.Net, o jogador confessou que sonha em disputar a Copa de 2006, falou sobre a experiência de jogar na Rússia, apontou seu favorito ao título brasileiro e, claro, sobre a expectativa para decidir um título de tanta importância.

GE.Net - Quais as principais diferenças entre o futebol russo e o brasileiro? O clima atrapalha demais?
Dudu Cearense -
Tem uma grande diferença, principalmente no número de equipes que disputam o título. Na verdade, só existem quatro equipes que lutam pela taça, mas o nível técnico está crescendo muito devido ao investimento que eles estão fazendo. Acredito que em poucos anos a Rússia possa virar uma potência. Com relação ao clima, depois do verão atrapalha sim, pois o frio é intenso, tanto que o campeonato é paralisado durante o inverno.

GE.Net - O que tem a dizer sobre sua passagem pelo futebol japonês?
DC - Foi uma grande experiência. Amadureci muito como jogador, tenho boas lembranças e espero que um dia possa se tornar uma grande potência do futebol e eu volte a jogar lá.

GE.Net - Você passou por momentos difíceis, com a contusão e a adaptação. Como superou tudo isso?
DC - Sobre a contusão, tive uma lesão grave, que me deixou cinco meses inativo. Sofri muito, porque foi a primeira vez que passei por isso, mas superei tudo com a forca de Deus e o apoio de toda minha família. Com relação à adaptação, não tive nenhum problema.

GE.Net - Você saiu do Vitória para o Japão e depois para a França e Rússia. Não se sente frustrado por não ter defendido nenhum clube de maior projeção no país?
DC - Não vejo dessa forma, pelo contrário. O fato de ter chegado à seleção brasileira jogando pelo Vitória é motivo de orgulho para mim. Também fui convocado atuando pelo Kashiwa e pelo Rennes, equipes que não são consideradas grandes no Japão e na França, respectivamente.

GE.Net - O CSKA é a vitrine ideal para defender um clube maior na Europa no futuro?
DC - Estou na Europa e numa grande equipe, que é o CSKA , último campeão da Copa UEFA. Quero ir mais longe ainda, mas deixo meu futuro nas mãos de Deus, porque minha parte, dentro de campo, eu vou fazer.

GE.Net - Qual sua expectativa para a decisão da Supercopa da Europa, em que o CSKA enfrenta o Liverpool em Mônaco?
DC - Minha expectativa é a melhor possível. Vamos enfrentar o vencedor da Liga dos Campeões e esperamos surpreendê-los em Mônaco. A Supercopa é uma competição tradicional e, conquistando o título, todos os jogadores do CSKA ganharão uma projeção muito maior.

GE.Net - Dá para sonhar com seleção jogando em um futebol que não tem tanta mídia no Brasil? Pensa na Copa de 2006?
DC - Claro que pensarei na seleção e em disputar uma Copa do Mundo até o fim da minha carreira. Mas é claro também que o futebol russo não dá tanta projeção. Por outro lado, acredito que o jogador que está em boa fase sempre tem boas chances de ser lembrado a qualquer momento pelo professor Parreira.

GE.Net - O futebol brasileiro se ressente de um segundo volante que saiba sair jogando. Você acha que se encaixa nesse perfil?
DC - Modéstia à parte, sim. Cheguei à Seleção com essas características e hoje em dia sempre esperam muito isso de mim nos clubes que defendo.

GE.Net - Quando pretende voltar ao futebol brasileiro?
DC - Claro que quero ficar na Europa por mais tempo. Quem sabe no final do contrato com o CSKA, ou um pouco antes, eu possa voltar a jogar no Brasil.

GE.Net - Ter o Daniel Carvalho e o Love no grupo facilitou sua vida?
DC - Com certeza. Eles me ajudaram muito, foram peças fundamentais para o meu crescimento aqui na Rússia.

GE.Net - Afinal de contas, qual a verdade sobre Vagner Love? Ele vem para o Corinthians ou não?
DC - Tenho uma grande amizade com o Vagner, mas essa pergunta só ele mesmo pode responder. Evitamos comentar sobre esses assuntos quando estamos juntos.

GE.Net - Tem acompanhado o Brasileirão? Quem é o grande favorito?
DC - Sim, todos os domingos eu assisto jogos do Brasileiro pela TV. Acho que ainda não há um favorito destacado, mas posso apontar o Corinthians como um time que leva certa vantagem pelo grande plantel que tem.

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