Por
Paulo Amaral
Uma das grandes dificuldades do técnico Carlos Alberto
Parreira para montar o meio-campo da seleção,
de um modo que agrade à crítica e seja eficiente,
é encontrar um segundo volante que saiba jogar e também
proteger a zaga. Como Kléberson e Gilberto Silva têm
mais moral com Felipão, o técnico do penta, o
Brasil vem sofrendo para encontrar um jogador destas características.
Se Parreira resolver olhar para o leste europeu, no entanto,
encontrará um jogador revelado pelo modesto Vitória,
da Bahia, mas que vem se destacando e encaixa perfeitamente
no perfil citado: Dudu Cearense. Na tarde desta sexta, o jogador
do CSKA, da Rússia, poderá mostrar a ele e ao
mundo se está em boa fase, pois terá pela frente
o poderoso Liverpool, na decisão da Supercopa da Europa,
em Mônaco.
Com contrato até 2009 com o time de Moscou, Dudu,
que tem como companheiros Vagner Love e Daniel Carvalho, ainda
tem passagens pelo futebol do Japão e da França.
Em entrevista exclusiva para a GE.Net, o
jogador confessou que sonha em disputar a Copa de 2006, falou
sobre a experiência de jogar na Rússia, apontou
seu favorito ao título brasileiro e, claro, sobre a
expectativa para decidir um título de tanta importância.
GE.Net - Quais as principais diferenças entre
o futebol russo e o brasileiro? O clima atrapalha demais?
Dudu Cearense - Tem uma grande diferença,
principalmente no número de equipes que disputam o
título. Na verdade, só existem quatro equipes
que lutam pela taça, mas o nível técnico
está crescendo muito devido ao investimento que eles
estão fazendo. Acredito que em poucos anos a Rússia
possa virar uma potência. Com relação
ao clima, depois do verão atrapalha sim, pois o frio
é intenso, tanto que o campeonato é paralisado
durante o inverno.
GE.Net - O que tem a dizer sobre sua passagem pelo
futebol japonês?
DC - Foi uma grande experiência.
Amadureci muito como jogador, tenho boas lembranças
e espero que um dia possa se tornar uma grande potência
do futebol e eu volte a jogar lá.
GE.Net - Você passou por momentos difíceis,
com a contusão e a adaptação. Como superou
tudo isso?
DC - Sobre a contusão, tive
uma lesão grave, que me deixou cinco meses inativo.
Sofri muito, porque foi a primeira vez que passei por isso,
mas superei tudo com a forca de Deus e o apoio de toda minha
família. Com relação à adaptação,
não tive nenhum problema.
GE.Net - Você saiu do Vitória para o
Japão e depois para a França e Rússia.
Não se sente frustrado por não ter defendido
nenhum clube de maior projeção no país?
DC - Não vejo dessa forma,
pelo contrário. O fato de ter chegado à seleção
brasileira jogando pelo Vitória é motivo de
orgulho para mim. Também fui convocado atuando pelo
Kashiwa e pelo Rennes, equipes que não são consideradas
grandes no Japão e na França, respectivamente.
GE.Net - O CSKA é a vitrine ideal para defender
um clube maior na Europa no futuro?
DC - Estou na Europa e numa grande
equipe, que é o CSKA , último campeão
da Copa UEFA. Quero ir mais longe ainda, mas deixo meu futuro
nas mãos de Deus, porque minha parte, dentro de campo,
eu vou fazer.
GE.Net - Qual sua expectativa para a decisão
da Supercopa da Europa, em que o CSKA enfrenta o Liverpool
em Mônaco?
DC - Minha expectativa é
a melhor possível. Vamos enfrentar o vencedor da Liga
dos Campeões e esperamos surpreendê-los em Mônaco.
A Supercopa é uma competição tradicional
e, conquistando o título, todos os jogadores do CSKA
ganharão uma projeção muito maior.
GE.Net - Dá para sonhar com seleção
jogando em um futebol que não tem tanta mídia
no Brasil? Pensa na Copa de 2006?
DC - Claro que pensarei na seleção
e em disputar uma Copa do Mundo até o fim da minha
carreira. Mas é claro também que o futebol russo
não dá tanta projeção. Por outro
lado, acredito que o jogador que está em boa fase sempre
tem boas chances de ser lembrado a qualquer momento pelo professor
Parreira.
GE.Net - O futebol brasileiro se ressente de um segundo
volante que saiba sair jogando. Você acha que se encaixa
nesse perfil?
DC - Modéstia à parte,
sim. Cheguei à Seleção com essas características
e hoje em dia sempre esperam muito isso de mim nos clubes
que defendo.
GE.Net - Quando pretende voltar ao futebol brasileiro?
DC - Claro que quero ficar na Europa
por mais tempo. Quem sabe no final do contrato com o CSKA,
ou um pouco antes, eu possa voltar a jogar no Brasil.
GE.Net - Ter o Daniel Carvalho e o Love no grupo
facilitou sua vida?
DC - Com certeza. Eles me ajudaram
muito, foram peças fundamentais para o meu crescimento
aqui na Rússia.
GE.Net - Afinal de contas, qual a verdade sobre Vagner
Love? Ele vem para o Corinthians ou não?
DC - Tenho uma grande amizade com
o Vagner, mas essa pergunta só ele mesmo pode responder.
Evitamos comentar sobre esses assuntos quando estamos juntos.
GE.Net - Tem acompanhado o Brasileirão? Quem
é o grande favorito?
DC - Sim, todos os domingos eu assisto
jogos do Brasileiro pela TV. Acho que ainda não há
um favorito destacado, mas posso apontar o Corinthians como
um time que leva certa vantagem pelo grande plantel que tem.
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