Por Marcos Guedes, especial para GE.Net
Os números não deixam mentir. Na Europa, Luis Fabiano ainda
não foi o jogador que o público brasileiro se acostumou a
assistir nos tempos de São Paulo. Na temporada passada - com
problemas pessoais e de contusão, diga-se - balançou as redes
apenas três vezes em 24 partidas (seis completas) com a camisa
do Porto. Suas passagens pelo Rennes, em 2000 e 2002, também
não convenceram a torcida francesa.
Embora não se mostre preocupado com os números pouco expressivos
no Velho Continense, o centroavante tem no Sevilla a chance
de mostrar o seu valor aos exigentes olhos europeus. Até aqui,
sem problemas: na pré-temporada com o clube andaluz, já marcou
quatro gols e, aparentemente, readquiriu a confiança que exalava
quando vestia vermelho, preto e branco.
Nem mesmo o fardo de substituir Júlio Baptista parece abalar
o jogador campineiro. "É uma responsabilidade suprir essa
ausência, mas fico tranqüilo, pois sei da minha capacidade",
afirma Luis Fabiano. Sem La Bestia, o clube resolveu
investir na contratação de atacantes. Kanoute e Saviola também
vestirão vermelho e branco na temporada 2005/06.
Além de lutar contra um retrospecto pouco favorável na Europa,
o atacante terá de superar uma maldição que assola os homens
de frente de sua nova equipe. "Brasileiro costuma ir bem no
Sevilla, mas o clube não tem um histórico muito bom de atacantes,
há uma espécie de síndrome aqui. O Júlio Baptista foi bem
porque não era exatamente um atacante, vinha de trás como
o homem-surpresa", explica. Confira a entrevista concedida
por Luis Fabiano à Gazeta Esportiva.Net:
GE.Net - Como estão os preparativos para o início do Campeonato
Espanhol? Está confiante em mais uma boa participação do Sevilla?
Luis Fabiano - A expectativa é muito boa, até porque chegaram
vários jogadores de qualidade. O time está confiante, a torcida
acredita e eu estou bem também. A pré-temporada foi legal,
perdemos apenas um jogo e eu marquei alguns gols.
GE.Net - O clube fez algumas contratações, mas também
perdeu peças importantes, como o Júlio Baptista. Dá para manter
o nível apresentado na temporada passada?
Luis Fabiano - Dá. A equipe perdeu jogadores, mas soube
repôr com peças de muita qualidade. Trouxeram o Saviola, o
Kanoute, eu mesmo. Fico tranqüilo, e acho que o time está
ainda melhor que o da última temporada.
GE.Net - Você chega para substituir o Júlio Baptista,
que foi grande ídolo aí. É um problema essa responsabilidade?
Luis Fabiano - O importante é pensar em realizar o meu
trabalho. Acho que realmente é uma responsabilidade suprir
a ausência do Júlio Baptista, mas fico tranqüilo, pois sei
da minha capacidade e tenho condição de agradar aqui.
GE.Net - Os brasileiros costumam se dar bem no Sevilla.
A adaptação é mais fácil pela presença de compatriotas no
time?
Luis Fabiano - Brasileiro vai bem, mas o clube não tem
um histórico muito bom de atacantes, há uma espécie de síndrome
aqui. O Júlio Baptista foi bem porque não era exatamente um
atacante, vinha de trás como o homem-surpresa.
GE.Net - E a adaptação em Sevilha? Problemas?
Luis Fabiano - Aqui está bem mais fácil, as coisas estão
saindo bem até agora. Em Portugal, as coisas não andavam dentro
do clube, mas fora de campo estava tudo tranqüilo. Só que
quando você não está jogando bem, não vem tendo oportunidades,
tudo fica ruim.
GE.Net - Você passou pelo Rennes (FRA), pelo Porto (POR)
e não mostrou o mesmo futebol dos tempos de São Paulo. Essa
é a sua grande chance de provar o seu valor no cenário do
futebol europeu.
Luis Fabiano - Estou despreocupado, não fico pensando
nisso. O que eu tenho de fazer é trabalhar e superar as dificuldades.
GE.Net - Você chegou badalado no Porto, mas não correspondeu
às expectativas. Como explicar isso?
Luis Fabiano - Cheguei com contusão e fiquei um bom tempo
parado. Depois, tive outra lesão muscular chata e também teve
o problema da minha mãe (que passou dois meses seqüestrada).
GE.Net - A última temporada foi muito atípica para o Porto,
que trocou de técnico três vezes. Isso também dificultou a
sua performance?
Luis Fabiano - Verdade. Eu estava em um barco perdido
em alto mar.
GE.Net - Estamos a um ano da Copa do Mundo? Tem esperanças
de figurar na lista do Parreira?
Luis Fabiano - Estou com vontade de trabalhar e, é claro,
de voltar à seleção. Tenho consciência de que está difícil,
não será fácil, e o importante é eu estar bem. Não vejo isso
como uma obsessão agora e, se vier, a convocação será conseqüência.
GE.Net - Como é a rotina de jogar em estádios como o Ramón
Sánchez Pizjuán, o Camp Nou e o Santiago Bernabéu? Já se acostumou?
Luis Fabiano - Vejo isso como uma motivação a mais para
entrar em campo. O nível do Campeonato Espanhol é muito bom
e só me alegra disputar uma competição desse porte.
GE.Net - Você vai enfrentar jogadores fenomenais na Liga
Espanhola. Quem, na sua opinião, pode ser o grande destaque
da competição?
Luis Fabiano - É difícil falar, pois tem muitos jogadores
de qualidade. O Ronaldo, o Ronaldinho Gaúcho e agora o Robinho,
por exemplo, são grandes nomes.
GE.Net - Falando em Robinho, pela sua experiência no futebol
europeu, acha que ele vai se adaptar rapidamente ao Real Madrid?
Luis Fabiano - Depende de vários fatores. Depende de como
ele vai chegar, se vai ter oportunidades na equipe do Real,
mas acho que ele tem tudo para dar certo aqui também.
GE.Net - Tem acompanhado o futebol brasileiro? Como vê
a situação do São Paulo, campeão da Libertadores e na zona
de rebaixamento do Brasileirão?
Luis Fabiano - É uma coisa estranha, difícil de explicar.
Mas a torcida pode ficar tranqüila que o São Paulo não cai,
não.
GE.Net - Muita gente comentou que o time atual do São
Paulo tem uma cara mais guerreira que o Tricolor de Kaká e
Luis Fabiano. Concorda?
Luis Fabiano - Esse time é mais acertado. Joga bem, briga,
mas o do ano passado também brigava bastante. Acontece que,
quando você ganha, ninguém aponta os erros, está tudo certo.
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