Foto : Gazeta Press |
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FRASES |
| "Está
tudo dando certo,
mas precisamos calçar as
sandálias da humildade".
Sobre o futuro do Guarani
na Série B.
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| "Eles
precisam de mais incentivo e apoio espiritual.
Dependem mais
de uma palavra".
Comentando o perfil
dos atletas das Série B e C.
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| "Na
elite, os jogadores
são mais dengosos".
Opinando sobre os jogadores da Série
A.
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| "Quando
o treinador tem
aquela sintonia com os atletas, aquele casamento
de pele
e cheiro, a coisa vai embora".
Sobre dirigir um time grande
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| "Uma
hora, a mídia vai me levar
no colo para um clube maior."
Seus planos depois do Guarani. |
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Por Bruno Ceccon, especial para a GE.Net
Ao contrário de figurões como Wanderley Luxemburgo
e Emerson Leão, Luiz Carlos Ferreira não tem
problemas com a imprensa. Muito pelo contrário. Uma
câmera de televisão na beira do gramado é
suficiente para chamar a atenção do treinador
e fazer com que ele esqueça um pouco o trabalho dentro
das quatro linhas para conversar com os jornalistas. No entanto,
a simpatia do atual técnico do Guarani com os microfones
não é gratuita. O “Rei do Acesso”
conta com a mídia para finalmente triunfar na elite.
“Se você for ver todos os treinadores que trabalham
no Brasil, eu não acredito que tenha algum com mais
títulos que eu. Mas você sabe que hoje em dia,
quem decide tudo isso é a mídia. Nesses próximos
anos, os técnicos e jogadores vão viver da imagem”,
disse o treinador, que também não prima pela
modéstia. “Boa parte da mídia conhece
o Luiz Carlos Ferreira e a outra parte já está
conhecendo. Uma hora, a mídia vai me levar no colo
para um clube maior”, planejou.
Com mais de 10 acessos, ele conhece como ninguém as
divisões inferiores do futebol brasileiro e todas as
suas peculiaridades. “Os jogadores da Série B
estão sempre lutando, às vezes até para
receber um salário no final do mês. Pode ver
que nessas divisões, dificilmente um atleta fica de
fora de fora por qualquer dorzinha”, afirmou, antes
de comparar. “Na elite, os jogadores são mais
dengosos, recebem um tratamento diferenciado. Muitas vezes,
o próprio clube acoberta certos comportamentos”.
Depois de levar o Guarani da lanterna até a classificação
para a segunda fase da Série B, Luiz Carlos Ferreira
comemora a boa fase e fala com cautela sobre as chances do
time de Campinas. “O Guarani pode chegar até
a subir, tudo depende de nós, mas precisamos calçar
as sandálias da humildade. Na minha opinião,
o Guarani é um time igual ou inferior aos outros classificados”.
O Bugre estréia diante da Portuguesa na tarde deste
sábado, no Canindé.
GE.Net – Você já conseguiu mais de
10 acessos ao longo da carreira. A que atribui esse grande
sucesso nas divisões inferiores? Existe alguma fórmula
especial para trabalhar neste tipo de competição?
Ferreira - Em todos os lugares que eu trabalho, procuro
sempre ter um bom relacionamento com o elenco. Tento estabelecer
uma relação de afinidade, disciplina e comprometimento
com o clube para criar uma empatia especial, como se fosse
um casamento perfeito. A partir do momento que você
ganha a credibilidade dos jogadores, tudo aquilo que você
lança eles acreditam e compram até os seus sonhos.
Essa lealdade, esse olho no olho, vai passando de um atleta
para o outro dentro do grupo e você começa a
ter sucesso.
GE.Net – A classificação para
a segunda fase da Série B no Brinco de Ouro lotado
ainda mexe com um treinador como você?
Ferreira - Essa classificação foi algo
diferente na minha carreira. Quando chegamos, o grupo era
cheio de problemas, o clube tinha pendências financeiras
e estava em crise política. Na oitava rodada, o Guarani
tinha cinco pontos e ocupava a última colocação.
Hoje, reconquistamos a torcida e terminamos a primeira fase
no terceiro lugar. O Guarani é um clube grande. Tudo
aquilo que eu já fiz no interior, agora quero fazer
num time do porte do Guarani. Estou tendo a chance de comandar
um time grande e acredito que já fui além das
expectativas.
GE.Net – A atmosfera entre o elenco antes do
início da segunda fase parece muito boa. Tudo está
dando certo para o Guarani...
Ferreira - Realmente, está tudo dando certo,
mas precisamos calçar as sandálias da humildade.
Na minha opinião, o Guarani é um time igual
ou inferior aos outros classificados, até porque a
equipe foi formada durante a competição. Alguns
atletas ainda estão buscando uma melhor leitura de
jogo, mas todos eles já estão com uma auto-estima
diferente, com amor e felicidade de estarem aqui. Eles saem,
olham para funcionários, dirigentes e torcedores, e
sentem a gratidão e credibilidade de todos.
GE.Net – Com toda a experiência adquirida
nas divisões inferiores, até onde você
acha que esse Guarani pode chegar?
Ferreira - O Guarani pode chegar até a subir,
tudo depende de nós. Essa primeira partida é
fundamental. A Portuguesa tem uma grande equipe, com uma torcida
fervorosa. Temos que estar preparados para podermos chegar.
Acho que nossa chave é a mais complicada. O Náutico
é difícil dentro e fora de casa e o Marília
é um dos melhores times do grupo, isso sem falar da
Portuguesa. O Guarani vai precisar se superar para conseguir
a classificação.
GE.Net – Você também já
trabalhou na elite do futebol brasileiro. Qual é a
principal diferença em relação às
divisões inferiores?
Ferreira - São duas situações
bem antagônicas. O jogador do interior, que disputa
as séries B e C, é mais carente. Eles precisam
de mais incentivo e apoio espiritual, dependem mais de uma
palavra. Os atletas da Série A já tiveram mais
oportunidades, vestiram várias camisas e trabalharam
com muitos técnicos diferentes. Eles têm uma
personalidade mais definida e contam com um mercado mais aberto.
GE.Net – De alguma forma, você acha que
os jogadores da Primeira Divisão são essencialmente
protegidos?
Ferreira - Os jogadores da Série B estão
sempre lutando, às vezes até para receber um
salário no final do mês, eles sabem que têm
que matar um leão por dia. Pode ver que nessas divisões,
dificilmente um atleta fica de fora por qualquer dorzinha.
Na elite, os jogadores são mais dengosos, recebem um
tratamento diferenciado. Muitas vezes, o próprio clube
acoberta certos comportamentos e restringe a autonomia da
comissão técnica. O treinador precisa ter jogo
de cintura.
| REI
DO ACESSO |
| Luiz Carlos
Ferreira é conhecido como 'Rei do Acesso'
no interior paulista. Entre as equipes que ele conquistou
este objetivo, estão São Caetano,
Matonense, Santo André e Corinthians de Presidente
Prudente.
Por três anos seguidos,
ele conseguiu o acesso para a Primeira Divisão
do Campeonato Paulista com três equipes
diferentes: Rio Branco (1991), Araçatuba
(1992) e Comercial (1993).
Em 1995, foi campeão
da Terceira Divisão com a Matonense, fazendo
o mesmo com o Corinthians-PP no ano seguinte.
Em 1997, colocou a Matonense na Série A-1.
No ano de 1998, brilhou no São Caetano,
conquistando o título da Série A-3
e o vice do Brasileiro da Série C. Em 2000,
foi vice-campeão da Série A-2 com
o Jundiaí.
Pelo Santo André,
em 2001, levou a equipe de volta à Primeira
Divisão do Paulistão, depois de
sete anos. Ferreira teve um grande ano em 2002,
quando, dirigindo o Santo André, foi campeão
do Primeiro Turno do Paulistão e depois
levou o União São João ao
vice-campeonato da mesma competição.
No mesmo ano, ascendeu o MAC no Paulistão
com o título da A-2 e à Série
B do Brasileirão com o vice na Série
C.
Em 2003, retornou ao
Santo André, classificando a equipe às
quartas-de-final do Campeonato Paulista. Para completar
seu ano, salvou o Jundiaí do rebaixamento
no chamado Torneio da Morte, mantendo seu status
de ídolo na cidade de Jundiaí. Na
mesma tempoarada, mais um feito pelo Ramalhão.
Luiz Carlos Ferreira foi o responsável pela
ascensão da equipe à Série
B do Brasileiro. |
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GE.Net – Por outro lado, você nunca conseguiu
o mesmo sucesso com as equipes da Primeira Divisão...
Ferreira - A minha carreira, modéstia parte,
é muito bonita. Como preparador, auxiliar ou treinador,
já conquistei mais de 20 títulos em toda minha
vida. Revelei muitos jogadores e participei da vida de muitos
clubes. Eu nem penso muito no futuro, acho que as coisas acontecem
na hora certa. Hoje eu estou visando apenas o Guarani. Quem
sabe, um dia poderei fazer a mesma coisa num time maior. Deve
ser até melhor as condições de trabalho
e a qualidade dos jogadores. Quando o treinador tem aquela
sintonia com os atletas, aquele casamento de pele e cheiro,
a coisa vai embora.
GE.Net – Não existe algum tipo de frustração
ou ansiedade para finalmente triunfar num time da elite?
Ferreira - Se você for ver todos os treinadores
que trabalham no Brasil, eu não acredito que tenha
algum com mais títulos que eu, seja num time do interior,
médio ou pequeno. Não acredito que tenha uma
pessoa mais dedicada do que eu, pode ter igual, melhor não.
Não acredito que exista uma pessoa mais séria,
estou no bolo dos profissionais competentes. Mas você
sabe que hoje em dia, quem decide tudo isso é a mídia.
Nesses próximos anos, os técnicos e jogadores
vão viver da imagem.
GE.Net – Até por isso, você costuma
ser sempre muito solícito com a imprensa...
Ferreira - Eu sou um profissional que convive bem
e sempre tive um relacionamento muito correto e gostoso com
o pessoal da imprensa. Independente das críticas, tenho
uma amizade sólida com os jornalistas. Boa parte da
mídia conhece o Luiz Carlos Ferreira e a outra parte
já está conhecendo. Uma hora, a mídia
vai me levar no colo para um clube maior. Em Campinas, estamos
jogando diante de uma mídia forte, a mercê de
uma crítica de imprensa de capital.
GE.Net – Você deve ter uma preocupação
especial com sua imagem fora de campo...
Ferreira - Me preocupo com meu comportamento fora
de campo. Tenho uma participação forte em termos
de relacionamento com o pessoal da imprensa e muito respeito
pelos torcedores e funcionários. Construí uma
carreira de mais de 30 anos e por tudo aquilo que já
passei, hoje sou um profissional muito mais equilibrado. A
mentalidade do jogador também mudou muito. Ele observa
mais e cuida mais da sua imagem. Na semana passada, eu trouxe
o Careca e o Silas para conversar com os atletas. Sempre procuro
oferecer palestras desse tipo para mostrar a realidade.
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