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26/09/2005
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Renê Simões: “É uma frustração que nunca vai se apagar”

Foto: Luz Bittar/GP
Paulo Carneiro. Foto: Divulgação
Renê: "Se fizer um planejamento bem feito, tem como sair dessa"

Renê Rodrigues Simões, de 52 anos, teve alegrias incontestáveis ao longo da carreira como treinador. A maior delas, a ascensão com a seleção da Jamaica para a Copa do Mundo de 1998, não sai da memória, mas igualmente é difícil esquecer a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas com a seleção feminina de futebol.

Entretanto, também há espaço para tristezas, sobretudo após 10 de setembro de 2005. Renê Simões, técnico rebaixado à Terceira Divisão com o Vitória, conta nesta entrevista exclusiva à GE.Net que a frustração pela queda com o time baiano jamais será apagada de sua biografia. Além disso, explica os motivos de sua saída do clube, os erros administrativos do Leão e o segredo para a equipe voltar à luz.

Gazeta Esportiva.Net - Como você avalia o rebaixamento?
Renê Simões -
Uma catástrofe. Mas é importante saber que essas coisas não acontecem da noite para o dia. É um processo que vem acontecendo há muito tempo.

GE.Net - O momento político do clube, com a renúncia do presidente Paulo Carneiro do Vitória S/A, é delicado. Você acha que é possível acabar com o racha nos bastidores?
RS -
Seria pretensão de minha parte tentar entender tudo isso. É uma política de 13 anos no clube (na verdade, Carneiro estava no Vitória há 17 anos, desde 1988). Não tenho idéia do que se passa na mente dos envolvidos no racha.

GE.Net - Por que deixou o comando da equipe?
RS
- Eu acho que o Vitória tem que fazer uma ‘reprogramação’, com muita calma e pés-no-chão. Não ficar é uma contribuição que eu estou dando. Se eu ficasse aqui, eles teriam de me pagar mais três meses de salário até o fim do ano. Vou embora porque o Vitória precisa se reorganizar, principalmente no aspecto financeiro.

GE.Net - É possível o clube sair rapidamente dessa situação?
RS
- Se fizer um planejamento bem feito, tem como sair dessa, sim. Eu acho que o Vitória tem que se espelhar no exemplo do Fluminense, que caiu para a Série C e hoje está entre os primeiros colocados do Campeonato Brasileiro. Mas, primeiro, o Vitória tem que saber se isso será possível financeiramente. Se não enxugar o elenco profissional e o de juniores, fica difícil.

GE.Net - Apesar da queda, muitos no Vitória queriam sua permanência como técnico. Você ainda irá colaborar com o clube de alguma forma?
RS
- Estou ajudando e dando sugestões de contratações para a Série C. Numa disputa como a da Terceira Divisão, você precisa ter jogadores mais experientes e acostumados a essas dificuldades. Não adianta colocar só a molecada dos juniores para jogar.

GE.Net - Qual seu futuro? Já recebeu propostas?
RS
- Não pensei nisso ainda. O rebaixamento foi algo que aconteceu muito rapidamente, não deu para assimilar por completo ainda. A única certeza que tenho é que cheguei a 25 finais em minha carreira e tenho uma alegria e uma dor incomparáveis. A alegria foi chegar à Copa com a Jamaica, em 1998; e a tristeza foi a queda com o Vitória. É uma frustração que nunca vai se apagar.

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