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Renê Simões: “É uma frustração
que nunca vai se apagar”
| Foto: Luz Bittar/GP |
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| Renê: "Se fizer um planejamento bem feito,
tem como sair dessa" |
Renê Rodrigues Simões, de 52 anos, teve alegrias incontestáveis
ao longo da carreira como treinador. A maior delas, a ascensão
com a seleção da Jamaica para a Copa do Mundo de 1998, não
sai da memória, mas igualmente é difícil esquecer a medalha
de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas com a seleção feminina
de futebol.
Entretanto, também há espaço para tristezas, sobretudo após
10 de setembro de 2005. Renê Simões, técnico rebaixado à Terceira
Divisão com o Vitória, conta nesta entrevista exclusiva à
GE.Net que a frustração pela queda com o time baiano
jamais será apagada de sua biografia. Além disso, explica
os motivos de sua saída do clube, os erros administrativos
do Leão e o segredo para a equipe voltar à luz.
Gazeta Esportiva.Net - Como você avalia o rebaixamento?
Renê Simões - Uma catástrofe. Mas é importante saber que
essas coisas não acontecem da noite para o dia. É um processo
que vem acontecendo há muito tempo.
GE.Net - O momento político do clube, com a renúncia
do presidente Paulo Carneiro do Vitória S/A, é delicado. Você
acha que é possível acabar com o racha nos bastidores?
RS - Seria pretensão de minha parte tentar entender tudo
isso. É uma política de 13 anos no clube (na verdade, Carneiro
estava no Vitória há 17 anos, desde 1988). Não tenho idéia
do que se passa na mente dos envolvidos no racha.
GE.Net - Por que deixou o comando da equipe?
RS - Eu acho que o Vitória tem que fazer uma ‘reprogramação’,
com muita calma e pés-no-chão. Não ficar é uma contribuição
que eu estou dando. Se eu ficasse aqui, eles teriam de me
pagar mais três meses de salário até o fim do ano. Vou embora
porque o Vitória precisa se reorganizar, principalmente no
aspecto financeiro.
GE.Net - É possível o clube sair rapidamente dessa situação?
RS - Se fizer um planejamento bem feito, tem como sair
dessa, sim. Eu acho que o Vitória tem que se espelhar no exemplo
do Fluminense, que caiu para a Série C e hoje está
entre os primeiros colocados do Campeonato Brasileiro. Mas,
primeiro, o Vitória tem que saber se isso será possível financeiramente.
Se não enxugar o elenco profissional e o de juniores, fica
difícil.
GE.Net - Apesar da queda, muitos no Vitória queriam sua
permanência como técnico. Você ainda irá colaborar com o clube
de alguma forma?
RS - Estou ajudando e dando sugestões de contratações
para a Série C. Numa disputa como a da Terceira Divisão, você
precisa ter jogadores mais experientes e acostumados a essas
dificuldades. Não adianta colocar só a molecada dos juniores
para jogar.
GE.Net - Qual seu futuro? Já recebeu propostas?
RS - Não pensei nisso ainda. O rebaixamento foi algo que
aconteceu muito rapidamente, não deu para assimilar por completo
ainda. A única certeza que tenho é que cheguei a 25 finais
em minha carreira e tenho uma alegria e uma dor incomparáveis.
A alegria foi chegar à Copa com a Jamaica, em 1998; e a tristeza
foi a queda com o Vitória. É uma frustração que nunca vai
se apagar.
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