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| Uéslei
contra-ataca |
O meia-atacante Uéslei,
que trocou o Bahia pelo Atlético/MG pouco
antes do rebaixamento do Tricolor para a Série
C do Brasileirão, respondeu às críticas
do ex-craque e ex-diretor de futebol do clube. O
Bobô foi muito infeliz no que ele falou para
vocês. Ele sempre falou mal de mim no Bahia.
Nunca gostou de mim, disparou o atleticano
à reportagem da GE.Net.
| Foto: Divulgação |
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| Uéslei foi apontado por Bobô
como o estopim da crise |
Para Uéslei, que foi o estopim da
crise do Bahia, segundo Bobô, por
ganhar mais que os outros jogadores, o ex-ídolo
da torcida tricolor torce pelo fracasso do próprio
time. Como ele (Bobô) é um
ídolo do passado, torce contra o Bahia.
Quanto pior estiver o Bahia, melhor para ele,
disse. Eu ajudei muitos jogadores jovens
enquanto estive lá, se defende.
Sobre o possível ciúme despertado
no elenco por seu salário, Uéslei
foi categórico. Cada um ganha o que
merece. O Ronaldo, o Kaká, o Figo e tantos
outros jogadores lá fora ganham muito dinheiro
por merecimento, apontou. Se teve
alguém com ciúmes no Bahia, essa
pessoa devia ter se preocupado em melhorar em
campo, em ganhar os títulos que ganhei,
disparou.
Uéslei ainda admitiu que alguns dirigentes
do Tricolor baiano podem ter ficado magoados com
sua transferência para o Galo em meio à
disputa da Série B. Eu acho que algumas
pessoas ficaram magoadas. Mas isso faz parte.
Tenho de jogar futebol, diz. Otimista, ele
confia na recuperação rápida
do Bahia. Tudo o que vem de ruim, é
para acontecer coisas boas depois. O Bahia é
grande, tem uma grande torcida e vai voltar por
causa dos torcedores.
A GE.Net tentou entrar em contato com
o atacante Viola, também muito criticado
por Bobô na entrevista, mas ele não
foi encontrado.
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Bobô: "O Futebol da Bahia está
pedindo socorro"
Raimundo Nonato Tavares da Silva, o Bobô, de 43 anos, é
um dos maiores jogadores da história do Bahia. Ele foi o ícone
da maior conquista do clube, o Campeonato Brasileiro de 1988,
quando o Tricolor bateu o Internacional na decisão e terminou
a competição com 13 vitórias, 11 empates e apenas três derrotas
em 27 jogos. Um passado glorioso, de 17 anos atrás, que parece
cada vez mais distante.
Em 2005, por dois meses, Bobô foi dirigente do clube que
tanto ama e, segundo ele mesmo diz nesta entrevista exclusiva
à GE.Net, acabou saindo por não encontrar respaldo
dos membros da cúpula diretiva: “Eles não querem uma pessoa
querida pela torcida na direção”, dispara.
Além de analisar o porquê do caos atual no time que ajudou
a fazer grande, Bobô não poupa sua revolta contra os ‘medalhões’
contratados para a disputa da Série B em 2005. Sobra para
Dill, Uéslei e até mesmo o experiente Viola.
A “elegância sutil de Bobô”, citada em canção de autoria
de Caetano Veloso, sai de cena quando o assunto é a
dura realidade do Bahia. O ex-jogador bate firme naqueles
que considera responsáveis pela queda do Bahia.
Gazeta Esportiva.Net - Como você recebeu a notícia do
rebaixamento à Terceira Divisão?
Bobô - Nós acompanhamos a queda do Bahia e do Vitória.
Mais atentamente a do Bahia, é claro, por causa da paixão.
Foi muito triste, tem sido muito doloroso. Um drama como esse
não é para um clube como o Bahia. Só espero que o time se
reestruture a partir de agora.
GE.Net - A disputa política está acirrada no Bahia e
isso, às vezes, atrapalha o clube. Como resolver essa questão?
Bobô - Tem que parar com esse negócio de interesse próprio
acima do interesse do clube, tudo em nome do poder. O Bahia
precisa entender que o futebol atual não é assim. Não pode
ser assim. A verdade é que o Bahia ficou muito atrás dos outros
clubes.
GE.Net - Por que o Bahia S/A não deu certo? O clube prometia
um projeto de modernização e, agora, amarga a queda à Série
C...
Bobô - O clube se estruturou em seu patrimônio, mas o
futebol ficou concentrado na diretoria de futebol do Bahia.
O S/A não pegou o futebol. Além disso, o Bahia errou muito
nessa questão de política de contratações.
GE.Net - As contratações foram erradas para a Série B?
Bobô - Eles contrataram muitos jogadores veteranos. Gastaram
muito dinheiro nessas contratações. O Viola, por exemplo,
só jogou 11 partidas em 25 (na verdade, o Bahia fez 21
jogos na Segunda Divisão desta temporada). E, quando trouxeram
o Viola, eu avisei o pessoal: ‘Gente, o Viola já caiu com
o Guarani no ano passado’. O Viola já tem 36 anos e não suporta
mais três jogos seguidos. Está em final de carreira. Ele joga
alguns jogos, faz um gol bonito e fica várias partidas sem
jogar. Faz muito ‘marketing’.
GE.Net - A montagem do time, então, foi um dos principais
erros do Bahia?
Bobô - A montagem da equipe para este ano foi o grande
erro do Bahia. Além disso, teve o Uéslei (recentemente
negociado com o Atlético/MG, pouco antes do rebaixamento).
Ele foi o estopim da crise do Bahia. Chegou ganhando muito
mais que os outros jogadores. E os outros não recebiam em
dia, enquanto ele ganhava muito. Teve um grande racha por
causa disso. O Uéslei foi uma contratação política que não
deu certo. Além dele, teve também o Dill, que já não disse
a que veio no São Paulo e no Botafogo...Mesmo assim, eles
quiseram contratar.
GE.Net - O que o levou a deixar a diretoria de futebol
do clube?
Bobô - Eu queria fazer uma ‘limpa’ quando assumi a diretoria
de futebol. Mas fui impedido de fazer isso. Então, não teve
jeito. Depois de dois meses, saí.
GE.Net - O presidente interino Petrônio Barradas tem
até 31 de dezembro para convocar eleições no clube. Passa
pela sua cabeça se lançar à presidência?
Bobô - Não tem chance. Meu negócio é campo. Vou voltar
à atividade de treinador. É muito difícil fazer política,
ainda mais no futebol, e ainda mais aqui no Bahia. Eles não
querem uma pessoa querida, com representatividade junto à
torcida, na direção. Não acredito nisso. Eu penso até em voltar
ao Bahia, mas quero, primeiro, dar uma volta, quem sabe pelo
interior de São Paulo, para aperfeiçoar o meu trabalho. Depois,
posso até voltar. Fui bem como técnico do Bahia em 2002, mas
quero voltar melhor.
GE.Net - O Bahia pode sair dessa situação em curto período?
Bobô - Acho que pode sair, sim. Bahia e Vitória são dois
clubes diferenciados na Série C, principalmente por causa
da força da torcida. É claro que é um campeonato muito disputado,
com times fortes também. Mas a torcida pode levar os dois
de volta à Série B e, depois, à Primeira Divisão. Mas uma
coisa precisa ser dita: espero que a CBF olhe com mais carinho
para o futebol do Nordeste. O Bahia é a maior média de público
do Brasil nos últimos seis anos. Isso precisa ser respeitado.
O futebol do Nordeste está abandonado.
GE.Net - Como está a torcida do Tricolor após o rebaixamento?
Qual o sentimento predominante?
Bobô - Houve uma comoção. As pessoas, é claro, ainda estão
abaladas. E o mais absurdo é que continua essa guerra política
que não leva a nada. Não pode acontecer isso. Bahia e Vitória
têm que juntar os cacos. Têm que trabalhar com pessoas que
realmente gostam do clube.
GE.Net - Como você encara o momento turbulento do rival
Vitória, principalmente após a renúncia de Paulo Carneiro
à presidência do Vitória S/A?
Bobô - Os caras que estão falando mal do Carneiro agora
são os mesmos que estavam com ele até bem pouco tempo atrás.
São oportunistas. Por que não ‘peitaram’ o Carneiro antes?
GE.Net - O futebol da Bahia tem salvação?
Bobô - Tem salvação, mas a situação é complicada, muito
complicada. Nós nos igualamos ao futebol sergipano. E isso
não pode acontecer, com todo o respeito ao futebol de Sergipe.
O Bahia é campeão brasileiro, o Vitória já foi vice-campeão
brasileiro e tem uma série de conquistas também. Isso não
pode continuar assim. O futebol da Bahia está pedindo socorro.
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