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26/09/2005
Ba-Vi: S/A ou S.O.S.?
Vitória: Terceirona põe fim ao reinado de Carneiro
Bahia: muitas acusações, poucas respostas...
Renê Simões: “É uma frustração que nunca vai se apagar”
Bobô: "O Futebol da Bahia está pedindo socorro"
As glórias dos baianos
Uéslei contra-ataca
O meia-atacante Uéslei, que trocou o Bahia pelo Atlético/MG pouco antes do rebaixamento do Tricolor para a Série C do Brasileirão, respondeu às críticas do ex-craque e ex-diretor de futebol do clube. “O Bobô foi muito infeliz no que ele falou para vocês. Ele sempre falou mal de mim no Bahia. Nunca gostou de mim”, disparou o atleticano à reportagem da GE.Net.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação. O jogador Uéslei.
Uéslei foi apontado por Bobô como o estopim da crise

Para Uéslei, que foi o “estopim da crise” do Bahia, segundo Bobô, por ganhar mais que os outros jogadores, o ex-ídolo da torcida tricolor torce pelo fracasso do próprio time. “Como ele (Bobô) é um ídolo do passado, torce contra o Bahia. Quanto pior estiver o Bahia, melhor para ele”, disse. “Eu ajudei muitos jogadores jovens enquanto estive lá”, se defende.

Sobre o possível ciúme despertado no elenco por seu salário, Uéslei foi categórico. “Cada um ganha o que merece. O Ronaldo, o Kaká, o Figo e tantos outros jogadores lá fora ganham muito dinheiro por merecimento”, apontou. “Se teve alguém com ciúmes no Bahia, essa pessoa devia ter se preocupado em melhorar em campo, em ganhar os títulos que ganhei”, disparou.

Uéslei ainda admitiu que alguns dirigentes do Tricolor baiano podem ter ficado magoados com sua transferência para o Galo em meio à disputa da Série B. “Eu acho que algumas pessoas ficaram magoadas. Mas isso faz parte. Tenho de jogar futebol”, diz. Otimista, ele confia na recuperação rápida do Bahia. “Tudo o que vem de ruim, é para acontecer coisas boas depois. O Bahia é grande, tem uma grande torcida e vai voltar por causa dos torcedores”.

A GE.Net tentou entrar em contato com o atacante Viola, também muito criticado por Bobô na entrevista, mas ele não foi encontrado.

Bobô: "O Futebol da Bahia está pedindo socorro"

Raimundo Nonato Tavares da Silva, o Bobô, de 43 anos, é um dos maiores jogadores da história do Bahia. Ele foi o ícone da maior conquista do clube, o Campeonato Brasileiro de 1988, quando o Tricolor bateu o Internacional na decisão e terminou a competição com 13 vitórias, 11 empates e apenas três derrotas em 27 jogos. Um passado glorioso, de 17 anos atrás, que parece cada vez mais distante.

Em 2005, por dois meses, Bobô foi dirigente do clube que tanto ama e, segundo ele mesmo diz nesta entrevista exclusiva à GE.Net, acabou saindo por não encontrar respaldo dos membros da cúpula diretiva: “Eles não querem uma pessoa querida pela torcida na direção”, dispara.

Além de analisar o porquê do caos atual no time que ajudou a fazer grande, Bobô não poupa sua revolta contra os ‘medalhões’ contratados para a disputa da Série B em 2005. Sobra para Dill, Uéslei e até mesmo o experiente Viola.

A “elegância sutil de Bobô”, citada em canção de autoria de Caetano Veloso, sai de cena quando o assunto é a dura realidade do Bahia. O ex-jogador bate firme naqueles que considera responsáveis pela queda do Bahia.

Gazeta Esportiva.Net - Como você recebeu a notícia do rebaixamento à Terceira Divisão?
Bobô
- Nós acompanhamos a queda do Bahia e do Vitória. Mais atentamente a do Bahia, é claro, por causa da paixão. Foi muito triste, tem sido muito doloroso. Um drama como esse não é para um clube como o Bahia. Só espero que o time se reestruture a partir de agora.

GE.Net - A disputa política está acirrada no Bahia e isso, às vezes, atrapalha o clube. Como resolver essa questão?
Bobô
- Tem que parar com esse negócio de interesse próprio acima do interesse do clube, tudo em nome do poder. O Bahia precisa entender que o futebol atual não é assim. Não pode ser assim. A verdade é que o Bahia ficou muito atrás dos outros clubes.

GE.Net - Por que o Bahia S/A não deu certo? O clube prometia um projeto de modernização e, agora, amarga a queda à Série C...
Bobô -
O clube se estruturou em seu patrimônio, mas o futebol ficou concentrado na diretoria de futebol do Bahia. O S/A não pegou o futebol. Além disso, o Bahia errou muito nessa questão de política de contratações.

GE.Net - As contratações foram erradas para a Série B?
Bobô
- Eles contrataram muitos jogadores veteranos. Gastaram muito dinheiro nessas contratações. O Viola, por exemplo, só jogou 11 partidas em 25 (na verdade, o Bahia fez 21 jogos na Segunda Divisão desta temporada). E, quando trouxeram o Viola, eu avisei o pessoal: ‘Gente, o Viola já caiu com o Guarani no ano passado’. O Viola já tem 36 anos e não suporta mais três jogos seguidos. Está em final de carreira. Ele joga alguns jogos, faz um gol bonito e fica várias partidas sem jogar. Faz muito ‘marketing’.

GE.Net - A montagem do time, então, foi um dos principais erros do Bahia?
Bobô
- A montagem da equipe para este ano foi o grande erro do Bahia. Além disso, teve o Uéslei (recentemente negociado com o Atlético/MG, pouco antes do rebaixamento). Ele foi o estopim da crise do Bahia. Chegou ganhando muito mais que os outros jogadores. E os outros não recebiam em dia, enquanto ele ganhava muito. Teve um grande racha por causa disso. O Uéslei foi uma contratação política que não deu certo. Além dele, teve também o Dill, que já não disse a que veio no São Paulo e no Botafogo...Mesmo assim, eles quiseram contratar.

GE.Net - O que o levou a deixar a diretoria de futebol do clube?
Bobô
- Eu queria fazer uma ‘limpa’ quando assumi a diretoria de futebol. Mas fui impedido de fazer isso. Então, não teve jeito. Depois de dois meses, saí.

GE.Net - O presidente interino Petrônio Barradas tem até 31 de dezembro para convocar eleições no clube. Passa pela sua cabeça se lançar à presidência?
Bobô
- Não tem chance. Meu negócio é campo. Vou voltar à atividade de treinador. É muito difícil fazer política, ainda mais no futebol, e ainda mais aqui no Bahia. Eles não querem uma pessoa querida, com representatividade junto à torcida, na direção. Não acredito nisso. Eu penso até em voltar ao Bahia, mas quero, primeiro, dar uma volta, quem sabe pelo interior de São Paulo, para aperfeiçoar o meu trabalho. Depois, posso até voltar. Fui bem como técnico do Bahia em 2002, mas quero voltar melhor.

GE.Net - O Bahia pode sair dessa situação em curto período?
Bobô
- Acho que pode sair, sim. Bahia e Vitória são dois clubes diferenciados na Série C, principalmente por causa da força da torcida. É claro que é um campeonato muito disputado, com times fortes também. Mas a torcida pode levar os dois de volta à Série B e, depois, à Primeira Divisão. Mas uma coisa precisa ser dita: espero que a CBF olhe com mais carinho para o futebol do Nordeste. O Bahia é a maior média de público do Brasil nos últimos seis anos. Isso precisa ser respeitado. O futebol do Nordeste está abandonado.

GE.Net - Como está a torcida do Tricolor após o rebaixamento? Qual o sentimento predominante?
Bobô
- Houve uma comoção. As pessoas, é claro, ainda estão abaladas. E o mais absurdo é que continua essa guerra política que não leva a nada. Não pode acontecer isso. Bahia e Vitória têm que juntar os cacos. Têm que trabalhar com pessoas que realmente gostam do clube.

GE.Net - Como você encara o momento turbulento do rival Vitória, principalmente após a renúncia de Paulo Carneiro à presidência do Vitória S/A?
Bobô
- Os caras que estão falando mal do Carneiro agora são os mesmos que estavam com ele até bem pouco tempo atrás. São oportunistas. Por que não ‘peitaram’ o Carneiro antes?

GE.Net - O futebol da Bahia tem salvação?
Bobô
- Tem salvação, mas a situação é complicada, muito complicada. Nós nos igualamos ao futebol sergipano. E isso não pode acontecer, com todo o respeito ao futebol de Sergipe. O Bahia é campeão brasileiro, o Vitória já foi vice-campeão brasileiro e tem uma série de conquistas também. Isso não pode continuar assim. O futebol da Bahia está pedindo socorro.

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