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Picerni: Precisamos dar alegria
ao torcedor
Depois de três anos, Jair Picerni está de volta ao Azulão
e traça como primeiro passo em sua nova passagem o resgate
da identidade entre torcida e time, arranhada com a campanha
irregular no Campeonato Brasileiro. Em entrevista exclusiva
à GE.Net, o treinador acredita que o time precisa voltar
a dar alegria aos torcedores para tirar o time da zona de
rebaixamento.
Para reconquistar a pequena, mas exigente torcida azul,
Picerni quer a volta do futebol que agradou a todos durante
as campanhas surpreendente nos Campeonatos Brasileiros de
2000 e 2001 e na Libertadores de 2002, competições em que
ao Azulão foi vice-campeão. Isso significa o retorno do jogo
“pegado”, baseado na vontade e na forte marcação, mas sem
esquecer da vocação ofensiva.
Desde a sua saída do São Caetano, Jair Picerni teve uma
passagem de sucesso pelo Palmeiras, onde foi campeão da série
B do Campeonato Brasileiro, mas não conseguiu emplacar bons
resultados em clubes como Bahia e Guarani. Por tudo que passou
o treinador diz estar mais experiente para reerguer a carreira
e não esconde a alegria dessa nova oportunidade. “Trabalhar
aqui é um grande prazer”, garante.
GE.Net: Desde que subiu para a série A, este é o
pior momento do São Caetano na competição. Ao que você credita
essa queda?
Jair Picerni: Olha, não é só o São Caetano. A maioria
das equipes infelizmente passa por esse momento difícil. Temos
exemplos no próprio campeonato, como o Flamengo, e grandes
equipes até em divisões abaixo, como é o caso do Grêmio. São
situações do futebol mundial, não é só aqui não. E infelizmente
está acontecendo com o São Caetano. Então a gente vê os atletas
com falta de confiança. Vamos cobrar isso e queremos a volta
do espírito vencedor.
GE.Net: Você percebe muitas diferenças no clube entre
a época que você deixou o São Caetano e agora?
JP: Completamente diferente. Aquele grupo que nós pegamos
era tinha uma base modesta e nós subimos da primeira para
a segunda no Campeonato Paulista. E na seqüência, formamos
um grupo da forma que eu queria, com algumas contratações,
mas ficando praticamente a base. Eram jogadores que vinham
de equipes intermediárias. E hoje aqui tem campeão do mundo,
jogadores que já jogaram no futebol da Europa, jogadores com
uma certa experiência, com uma certa qualificação, mas que
tem que entender como é a vida do São Caetano. Aqui é difícil
jogar.
GE.Net: Além da vontade, o que mais você destacaria
para o São Caetano se recuperar?
JP: Não é bem a vontade . Eu digo assim: em qualquer
setor de vida, o astral e o ambiente de trabalho têm que ser
bom. Assim, não é a vontade de jogar futebol, a vontade de
vencer na vida. Essa é a prioridade. Depois tem que ter um
complemento, passar alguma coisa para o torcedor e fazermos
o máximo dentro de campo.
GE.Net: Apesar de ser considerada pequena, a torcida
fez pressão em cima dos outros técnicos e tanto o Levir quanto
o Estevam reclamaram dessa postura. Em sua primeira passagem,
qual era a postura dela?
JP: Pressão sempre há. Aqui sempre houve uma pressão
positiva. O pessoal que vem aqui é normal e como as outras
grandes torcidas, porque essa equipe aqui é uma das grandes
do futebol brasileiro. Então eles querem um bom resultado,
empenho e esperam ver uma equipe guerreira, buscando o resultado
do início ao final. São cobranças normais. De repente você
não vai bem, há críticas. Mas nós conseguimos aqui fazer do
clube São Caetano uma família junto com os torcedores e queremos
resgatar isso para terminar bem o ano.
GE.Net: Nesse ano, já passaram três técnicos pelo
clube e nenhum se firmou. Isso te dá um pouco de insegurança?
JP: Eu não trabalho com insegurança. A gente sempre
vê o lado bom. Tem que ter um certo cuidado com a situação,
com o grupo de risco, mas manter o bom astral, sempre para
cima. Há uma preocupação com os resultados, é lógico, porque
só existe reconhecimento nesse meio com vitórias, mas o pensamento
é de alto nível e para frente.
GE.Net: Você já tem projeto a longo prazo no clube
ou a preocupação é apenas com o Campeonato Brasileiro?
JP: Não, não. Já trocaram três técnicos. O que fizeram
não deu resultado e isso não é bom. Então a gente espera ter
um final legal e aí sim pensar nisso. Depois, eu sento com
a parte diretiva, discutimos um novo contrato e escolho o
meu grupo de trabalho, o meu grupo de atletas para fazer campeonatos
diferentes. Mas o importante de imediato é buscar bons resultados
para tentar, mesmo nesse campeonato, um objetivo diferente.
GE.Net: Por tudo o que ocorreu no passado, o São
Caetano é o clube pelo qual você tem mais identificação?
JP: Nós ficamos aqui por quase três anos, mas porque
fomos campeões da segunda para a primeira, chegamos bem próximos
de dois títulos brasileiros, tivemos perto da Libertadores
e do Mundial. Por toda essa seqüência, houve essa identificação
com o clube, com a torcida, mas tudo graças a deus com o bom
ambiente de trabalho, a vontade de vencer. Por isso o São
Caetano chegou ao que é hoje.
GE.Net?: Você vê na sua contratação como uma tentativa
do São Caetano recorrer às origens para sair dessa situação?
JP: Nós queremos o recomeço como o atleta quer e como
o torcedor quer. Uma equipe vibrante, guerreira, que sempre
acredita num bom resultado. Tem que dar tudo aqui, não tem
meio termo não. Para mim é um motivo de prazer voltar ao São
Caetano, mas esperamos bons resultados, não adianta só ficar
o que o Picerni fez. O importante é o daqui para frente.
GE.Net: E o reencontro com a torcida do São Caetano?
Quais são suas expectativas?
JP: Estar voltando aqui é um prazer. Então o torcedor
faz parte disso. A gente espera um momento de responsabilidade,
para dar ao São Caetano uma vida nova, voltar a vencer. Então
a nível pessoal é um prazer, mas dentro de campo nós precisamos
fazer a alegria dos torcedores, dá vida a eles e fazer uma
equipe vibrante.
GE.Net: Em sua primeira passagem, o time chegou ao
vice-campeonato com um elenco sem grandes nomes. Agora, há
jogadores consagrados como o Edílson e o Dimba. É muito diferente
as duas situações?
JP: O objetivo disso tudo é vencer, mas quando está
em formação, há uma colocação, mas quando você pega um grupo
experiente existe outra, diferenciada. Mas todas elas com
responsabilidade, com objetivos bem definidos. Antes nós éramos
um grupo em formação. Na época, inclusive, demos três jogadores
a seleção brasileira e viramos uma das grandes equipes do
país . Agora, temos jogadores como o Edílson e o Dimba. O
final disso tudo é o mesmo. Condicionar, fazer o lado prático
e vencer.
GE.Net: Em relação a isso, você declarou que o time
precisaria de mais vontade para sair dessa situação. É muito
diferente cobrar jogadores experimentados do que aqueles que
ainda buscam seu espaço?
JP: Não é difícil. É igual. Pega um jovem e o Edílson
que, é quem mais ganhou títulos. A cobrança é a mesma, a responsabilidade
também.
GE.Net: O que mudou no seu estilo de treinar desde
que você saiu do São Caetano?
JP: O mundo vai crescendo e você tem que fazer um acompanhamento.
Evolui dentro de campo, no sentido de dia-a-dia, sempre procuro
inovar e buscar as coisas que aproximam de vitória. Eu tenho
uma evolução no futebol e esperamos ter um lugar legal aí.
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