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20/09/2005
Picerni tem a missão de resgatar São Caetano competitivo
Elenco desequilibrado e troca de treinadores: as justificativas
Picerni: “Precisamos dar alegria ao torcedor”
Contra o Figueira, Azulão tenta acabar com pior momento na série A

Picerni: “Precisamos dar alegria ao torcedor”

Depois de três anos, Jair Picerni está de volta ao Azulão e traça como primeiro passo em sua nova passagem o resgate da identidade entre torcida e time, arranhada com a campanha irregular no Campeonato Brasileiro. Em entrevista exclusiva à GE.Net, o treinador acredita que o time precisa voltar a dar alegria aos torcedores para tirar o time da zona de rebaixamento.

Para reconquistar a pequena, mas exigente torcida azul, Picerni quer a volta do futebol que agradou a todos durante as campanhas surpreendente nos Campeonatos Brasileiros de 2000 e 2001 e na Libertadores de 2002, competições em que ao Azulão foi vice-campeão. Isso significa o retorno do jogo “pegado”, baseado na vontade e na forte marcação, mas sem esquecer da vocação ofensiva.

Desde a sua saída do São Caetano, Jair Picerni teve uma passagem de sucesso pelo Palmeiras, onde foi campeão da série B do Campeonato Brasileiro, mas não conseguiu emplacar bons resultados em clubes como Bahia e Guarani. Por tudo que passou o treinador diz estar mais experiente para reerguer a carreira e não esconde a alegria dessa nova oportunidade. “Trabalhar aqui é um grande prazer”, garante.

GE.Net: Desde que subiu para a série A, este é o pior momento do São Caetano na competição. Ao que você credita essa queda?
Jair Picerni: Olha, não é só o São Caetano. A maioria das equipes infelizmente passa por esse momento difícil. Temos exemplos no próprio campeonato, como o Flamengo, e grandes equipes até em divisões abaixo, como é o caso do Grêmio. São situações do futebol mundial, não é só aqui não. E infelizmente está acontecendo com o São Caetano. Então a gente vê os atletas com falta de confiança. Vamos cobrar isso e queremos a volta do espírito vencedor.

GE.Net: Você percebe muitas diferenças no clube entre a época que você deixou o São Caetano e agora?
JP: Completamente diferente. Aquele grupo que nós pegamos era tinha uma base modesta e nós subimos da primeira para a segunda no Campeonato Paulista. E na seqüência, formamos um grupo da forma que eu queria, com algumas contratações, mas ficando praticamente a base. Eram jogadores que vinham de equipes intermediárias. E hoje aqui tem campeão do mundo, jogadores que já jogaram no futebol da Europa, jogadores com uma certa experiência, com uma certa qualificação, mas que tem que entender como é a vida do São Caetano. Aqui é difícil jogar.

GE.Net: Além da vontade, o que mais você destacaria para o São Caetano se recuperar?
JP: Não é bem a vontade . Eu digo assim: em qualquer setor de vida, o astral e o ambiente de trabalho têm que ser bom. Assim, não é a vontade de jogar futebol, a vontade de vencer na vida. Essa é a prioridade. Depois tem que ter um complemento, passar alguma coisa para o torcedor e fazermos o máximo dentro de campo.

GE.Net: Apesar de ser considerada pequena, a torcida fez pressão em cima dos outros técnicos e tanto o Levir quanto o Estevam reclamaram dessa postura. Em sua primeira passagem, qual era a postura dela?
JP: Pressão sempre há. Aqui sempre houve uma pressão positiva. O pessoal que vem aqui é normal e como as outras grandes torcidas, porque essa equipe aqui é uma das grandes do futebol brasileiro. Então eles querem um bom resultado, empenho e esperam ver uma equipe guerreira, buscando o resultado do início ao final. São cobranças normais. De repente você não vai bem, há críticas. Mas nós conseguimos aqui fazer do clube São Caetano uma família junto com os torcedores e queremos resgatar isso para terminar bem o ano.

GE.Net: Nesse ano, já passaram três técnicos pelo clube e nenhum se firmou. Isso te dá um pouco de insegurança?
JP: Eu não trabalho com insegurança. A gente sempre vê o lado bom. Tem que ter um certo cuidado com a situação, com o grupo de risco, mas manter o bom astral, sempre para cima. Há uma preocupação com os resultados, é lógico, porque só existe reconhecimento nesse meio com vitórias, mas o pensamento é de alto nível e para frente.

GE.Net: Você já tem projeto a longo prazo no clube ou a preocupação é apenas com o Campeonato Brasileiro?
JP: Não, não. Já trocaram três técnicos. O que fizeram não deu resultado e isso não é bom. Então a gente espera ter um final legal e aí sim pensar nisso. Depois, eu sento com a parte diretiva, discutimos um novo contrato e escolho o meu grupo de trabalho, o meu grupo de atletas para fazer campeonatos diferentes. Mas o importante de imediato é buscar bons resultados para tentar, mesmo nesse campeonato, um objetivo diferente.

GE.Net: Por tudo o que ocorreu no passado, o São Caetano é o clube pelo qual você tem mais identificação?
JP: Nós ficamos aqui por quase três anos, mas porque fomos campeões da segunda para a primeira, chegamos bem próximos de dois títulos brasileiros, tivemos perto da Libertadores e do Mundial. Por toda essa seqüência, houve essa identificação com o clube, com a torcida, mas tudo graças a deus com o bom ambiente de trabalho, a vontade de vencer. Por isso o São Caetano chegou ao que é hoje.

GE.Net?: Você vê na sua contratação como uma tentativa do São Caetano recorrer às origens para sair dessa situação?
JP: Nós queremos o recomeço como o atleta quer e como o torcedor quer. Uma equipe vibrante, guerreira, que sempre acredita num bom resultado. Tem que dar tudo aqui, não tem meio termo não. Para mim é um motivo de prazer voltar ao São Caetano, mas esperamos bons resultados, não adianta só ficar o que o Picerni fez. O importante é o daqui para frente.

GE.Net: E o reencontro com a torcida do São Caetano? Quais são suas expectativas?
JP: Estar voltando aqui é um prazer. Então o torcedor faz parte disso. A gente espera um momento de responsabilidade, para dar ao São Caetano uma vida nova, voltar a vencer. Então a nível pessoal é um prazer, mas dentro de campo nós precisamos fazer a alegria dos torcedores, dá vida a eles e fazer uma equipe vibrante.

GE.Net: Em sua primeira passagem, o time chegou ao vice-campeonato com um elenco sem grandes nomes. Agora, há jogadores consagrados como o Edílson e o Dimba. É muito diferente as duas situações?
JP: O objetivo disso tudo é vencer, mas quando está em formação, há uma colocação, mas quando você pega um grupo experiente existe outra, diferenciada. Mas todas elas com responsabilidade, com objetivos bem definidos. Antes nós éramos um grupo em formação. Na época, inclusive, demos três jogadores a seleção brasileira e viramos uma das grandes equipes do país . Agora, temos jogadores como o Edílson e o Dimba. O final disso tudo é o mesmo. Condicionar, fazer o lado prático e vencer.

GE.Net: Em relação a isso, você declarou que o time precisaria de mais vontade para sair dessa situação. É muito diferente cobrar jogadores experimentados do que aqueles que ainda buscam seu espaço?
JP: Não é difícil. É igual. Pega um jovem e o Edílson que, é quem mais ganhou títulos. A cobrança é a mesma, a responsabilidade também.

GE.Net: O que mudou no seu estilo de treinar desde que você saiu do São Caetano?
JP: O mundo vai crescendo e você tem que fazer um acompanhamento. Evolui dentro de campo, no sentido de dia-a-dia, sempre procuro inovar e buscar as coisas que aproximam de vitória. Eu tenho uma evolução no futebol e esperamos ter um lugar legal aí.

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