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07/11/2005

Por Luiz Ricardo Fini, especial para GE.Net

Sonho de consumo do homem-forte da MSI, Kia Joorabchian, Vágner Love não conseguiu se desvincular do CSKA em 2005, como pretendia o iraniano desde janeiro. As investidas frustradas foram muitas e até Santos e Palmeiras tentaram atravessar, sem sucesso, o negócio. Novamente na lista de compras do Timão neste final de temporada, o atacante acabou passando o ano na Rússia, onde foi campeão nacional e da Copa da Uefa.

Em entrevista exclusiva à GE.Net, Vágner demonstrou confiar na possibilidade de defender um clube brasileiro em 2006. Afinal, em uma conversa com o presidente do CSKA, o brasileiro recebeu a promessa de liberação em caso de uma boa proposta neste final de ano.

Nos bastidores do Parque São Jorge, a chegada de Love no dia 3 de janeiro é dada como certa, mas a informação não é confirmada pelo jogador e nem por seus procuradores. Oficialmente, dirigentes da MSI afirmam ser difícil a aquisição do reforço, mas há quem diga que a transferência está sendo mantida em sigilo apenas para não atrapalhar o desempenho do time alvinegro na reta final do Brasileirão.

Neste bate-papo, Vágner Love analisa toda a arrastada negociação com o Corinthians e fala do bom momento vivido atualmente com a camisa do clube moscovita. O “Artilheiro do Amor” também demonstrou que levou um pouco do Brasil para as frias terras do Velho Continente. Enquanto conversava com a reportagem pelo telefone, Love estava na casa do colega de clube Daniel Carvalho, comemorando uma das vitórias do CSKA e jantando ao som de um CD de Zeca Pagodinho.

O que faltou para algum clube brasileiro tirá-lo do CSKA?
Não sei se faltou alguma coisa. Não sou eu quem negocia. O meu trabalho é apenas dentro de campo. Tenho as pessoas que cuidam deste outro lado para mim. Por isso, prefiro deixar que elas falem sobre isso. Os russos são bem duros nas negociações. Para eles, ou compra ou não compra. É bem assim, se tem o dinheiro, paga e leva. Se não tem, não há negócio. Acho que não ofereceram o valor que os russos queriam.

O presidente do CSKA havia prometido liberá-lo depois da Copa da Uefa e não cumpriu. Agora, ele promete liberá-lo no final do ano. Você confia?
Ele falou, né? Tivemos uma boa conversa e ele disse que, se surgisse uma boa proposta para o CSKA, me liberaria no final do ano. O time passou por problemas no ataque e ficou complicado sair antes da conquista do título russo.

Em setembro, surgiu a informação no Brasil de que o atacante Jô poderia ser envolvido em sua negociação com o Corinthians. Você foi informado dessa possibilidade?
Ele esteve aqui para conhecer as instalações do clube e eu o encontrei. Vim para o treino e ele estava aqui, viu a gente treinar... Mas não ouvi nada de envolvimento dele na minha negociação, não.

Atualmente, você conversa com o presidente do CSKA sobre sua possível saída no final do ano?
Não, eu não converso com ele sobre esse assunto.

No começo do ano, depois de conversar com Kia Joorabchian, da MSI, você disse ter ficado com uma boa impressão dele. Vocês têm conversado atualmente?
Não tenho feito contato nenhum com o Kia.

Para forçar sua transferência ao Real Madrid, o Robinho chegou a se recusar a treinar no Santos. Você já pensou em fazer o mesmo?
Não pretendo fazer isso, não.

A torcida do Palmeiras já tem ironizado a dificuldade do Corinthians de contratá-lo. Como você vê essa relação entre os torcedores?
Eu procuro não falar de torcida, mas essa 'zoação' sempre vai acontecer. Quando um vence o outro em clássico, sempre a torcida vencedora vai zombar a adversária. Isso faz parte e é bom. O importante é não arrumar confusão e fazer uma brincadeira saudável.

Você jogou pouco mais de um ano em um time grande no Brasil e já é o sonho de consumo de várias equipes nacionais. Por que esse interesse todo em seu futebol?
No pequeno período de tempo que fiquei no Brasil, desempenhei um bom trabalho. Acredito ter feito o mesmo no CSKA. Pode ser por isso, pelo meu desempenho e pelos gols que eu venho marcando. Fico lisonjeado pelo interesse de tantos clubes. Isso só faz meu futebol crescer dentro de campo.

Existe a possibilidade de ficar direto na Europa e não voltar ao Brasil?
Eu penso nisso. Todo jogador sonha em jogar em um grande clube da Europa e eu não sou diferente. Enfim, tenho esse sonho. Estou na Europa, mas em um clube não tão visado. Quero jogar em um grande centro do futebol um dia.

E a Copa do Mundo de 2006?
Jogando na Rússia, fica bem complicado. Aqui o treinador não está observando. Mas eu penso ainda em seleção brasileira. Em seis meses, muitas coisas podem acontecer. Estou trabalhando bastante e, se tiver oportunidade de jogar a próxima Copa do Mundo, vou ficar bastante feliz. Mas, se agora não for possível, tenho certeza que estarei nas próximas copas, se Deus quiser.

Os russos têm fama de serem frios. Como é sua relação com os companheiros de clube?
É bom o relacionamento. Eles são frios mesmo, não brincam muito. Eu, o Daniel (Carvalho) e o Dudu (Cearense) fazemos as brincadeiras. A gente xinga em russo e eles falam palavrão em português... O difícil é inventar apelido, ainda não criamos nenhum porque é muito complicado. A gente brinca com eles e eles nos tratam bem. A torcida também trata a gente superbem. Nunca tive problema aqui.

Você aconselharia outros brasileiros a jogar na Rússia?
Sim. A parte financeira é boa e dá para fazer o pé-de-meia. Nunca tive problemas aqui, todo mundo me trata superbem. Se eu voltasse agora, voltaria por cima porque iria ganhar bem mais do que eu ganhava na época do Palmeiras. Não acho que seria um retrocesso voltar ao Brasil.

Recentemente, alguns brasileiros foram vítimas de racismo na Europa. Você sofreu algum problema?
Não. Nunca tive problema nesse sentido.

Falando agora sobre o futebol brasileiro, como está repercutindo na Rússia o escândalo de manipulação de resultados no Brasil?
Os russos não comentam muito. É uma coisa difícil de explicar e espero que as pessoas que comandam o futebol possam resolver tudo isso. No país pentacampeão, é algo muito chato de acontecer. Mas em outros lugares também acontece. A diferença é que não virou escândalo.

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