| Por Luiz
Ricardo Fini, especial para GE.Net
Sonho de consumo do homem-forte da MSI, Kia Joorabchian,
Vágner Love não conseguiu se desvincular do CSKA em 2005,
como pretendia o iraniano desde janeiro. As investidas frustradas
foram muitas e até Santos e Palmeiras tentaram atravessar,
sem sucesso, o negócio. Novamente na lista de compras do Timão
neste final de temporada, o atacante acabou passando o ano
na Rússia, onde foi campeão nacional e da Copa da Uefa.
Em entrevista exclusiva à GE.Net, Vágner demonstrou
confiar na possibilidade de defender um clube brasileiro em
2006. Afinal, em uma conversa com o presidente do CSKA, o
brasileiro recebeu a promessa de liberação em caso de uma
boa proposta neste final de ano.
Nos bastidores do Parque São Jorge, a chegada de Love no
dia 3 de janeiro é dada como certa, mas a informação não é
confirmada pelo jogador e nem por seus procuradores. Oficialmente,
dirigentes da MSI afirmam ser difícil a aquisição do reforço,
mas há quem diga que a transferência está sendo mantida em
sigilo apenas para não atrapalhar o desempenho do time alvinegro
na reta final do Brasileirão.
Neste bate-papo, Vágner Love analisa toda a arrastada negociação
com o Corinthians e fala do bom momento vivido atualmente
com a camisa do clube moscovita. O “Artilheiro do Amor” também
demonstrou que levou um pouco do Brasil para as frias terras
do Velho Continente. Enquanto conversava com a reportagem
pelo telefone, Love estava na casa do colega de clube Daniel
Carvalho, comemorando uma das vitórias do CSKA e jantando
ao som de um CD de Zeca Pagodinho.
O que faltou para algum clube brasileiro tirá-lo
do CSKA?
Não sei se faltou alguma coisa. Não
sou eu quem negocia. O meu trabalho é apenas dentro
de campo. Tenho as pessoas que cuidam deste outro lado para
mim. Por isso, prefiro deixar que elas falem sobre isso. Os
russos são bem duros nas negociações.
Para eles, ou compra ou não compra. É bem assim,
se tem o dinheiro, paga e leva. Se não tem, não
há negócio. Acho que não ofereceram o
valor que os russos queriam.
O presidente do CSKA havia prometido liberá-lo
depois da Copa da Uefa e não cumpriu. Agora, ele promete
liberá-lo no final do ano. Você confia?
Ele falou, né? Tivemos uma boa conversa e
ele disse que, se surgisse uma boa proposta para o CSKA, me
liberaria no final do ano. O time passou por problemas no
ataque e ficou complicado sair antes da conquista do título
russo.
Em setembro, surgiu a informação no
Brasil de que o atacante Jô poderia ser envolvido em
sua negociação com o Corinthians. Você
foi informado dessa possibilidade?
Ele esteve aqui para conhecer as instalações
do clube e eu o encontrei. Vim para o treino e ele estava
aqui, viu a gente treinar... Mas não ouvi nada de envolvimento
dele na minha negociação, não.
Atualmente, você conversa com o presidente
do CSKA sobre sua possível saída no final do
ano?
Não, eu não converso com ele sobre
esse assunto.
No começo do ano, depois de conversar com
Kia Joorabchian, da MSI, você disse ter ficado com uma
boa impressão dele. Vocês têm conversado
atualmente?
Não tenho feito contato nenhum com o Kia.
Para forçar sua transferência ao Real
Madrid, o Robinho chegou a se recusar a treinar no Santos.
Você já pensou em fazer o mesmo?
Não pretendo fazer isso, não.
A torcida do Palmeiras já tem ironizado a
dificuldade do Corinthians de contratá-lo. Como você
vê essa relação entre os torcedores?
Eu procuro não falar de torcida, mas essa
'zoação' sempre vai acontecer. Quando um vence
o outro em clássico, sempre a torcida vencedora vai
zombar a adversária. Isso faz parte e é bom.
O importante é não arrumar confusão e
fazer uma brincadeira saudável.
Você jogou pouco mais de um ano em um time
grande no Brasil e já é o sonho de consumo de
várias equipes nacionais. Por que esse interesse todo
em seu futebol?
No pequeno período de tempo que fiquei no
Brasil, desempenhei um bom trabalho. Acredito ter feito o
mesmo no CSKA. Pode ser por isso, pelo meu desempenho e pelos
gols que eu venho marcando. Fico lisonjeado pelo interesse
de tantos clubes. Isso só faz meu futebol crescer dentro
de campo.
Existe a possibilidade de ficar direto na Europa
e não voltar ao Brasil?
Eu penso nisso. Todo jogador sonha em jogar em um
grande clube da Europa e eu não sou diferente. Enfim,
tenho esse sonho. Estou na Europa, mas em um clube não
tão visado. Quero jogar em um grande centro do futebol
um dia.
E a Copa do Mundo de 2006?
Jogando na Rússia, fica bem complicado. Aqui
o treinador não está observando. Mas eu penso
ainda em seleção brasileira. Em seis meses,
muitas coisas podem acontecer. Estou trabalhando bastante
e, se tiver oportunidade de jogar a próxima Copa do
Mundo, vou ficar bastante feliz. Mas, se agora não
for possível, tenho certeza que estarei nas próximas
copas, se Deus quiser.
Os russos têm fama de serem frios. Como é
sua relação com os companheiros de clube?
É bom o relacionamento. Eles são frios
mesmo, não brincam muito. Eu, o Daniel (Carvalho) e
o Dudu (Cearense) fazemos as brincadeiras. A gente xinga em
russo e eles falam palavrão em português... O
difícil é inventar apelido, ainda não
criamos nenhum porque é muito complicado. A gente brinca
com eles e eles nos tratam bem. A torcida também trata
a gente superbem. Nunca tive problema aqui.
Você aconselharia outros brasileiros a jogar
na Rússia?
Sim. A parte financeira é boa e dá
para fazer o pé-de-meia. Nunca tive problemas aqui,
todo mundo me trata superbem. Se eu voltasse agora, voltaria
por cima porque iria ganhar bem mais do que eu ganhava na
época do Palmeiras. Não acho que seria um retrocesso
voltar ao Brasil.
Recentemente, alguns brasileiros foram vítimas
de racismo na Europa. Você sofreu algum problema?
Não. Nunca tive problema nesse sentido.
Falando agora sobre o futebol brasileiro, como está
repercutindo na Rússia o escândalo de manipulação
de resultados no Brasil?
Os russos não comentam muito. É uma
coisa difícil de explicar e espero que as pessoas que
comandam o futebol possam resolver tudo isso. No país
pentacampeão, é algo muito chato de acontecer.
Mas em outros lugares também acontece. A diferença
é que não virou escândalo.
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