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Por Marcos Guedes, especial para GE.Net
Artilheiro do Campeonato Brasileiro aos 36 anos, Robgol não
deixa dúvidas a respeito de sua competência para balançar
as redes. No entanto, o jogador do Paysandu vem, cada vez
mais, se notabilizando por outra habilidade: a autopromoção.
Bem-humorado e dono de frases de efeito, ele não se envergonha
ao dizer que faz "aquela forcinha para aparecer".
O centroavante admira bastante o futebol de Romário e Careca,
mas adota um estilo mais parecido com o de Marcelinho Carioca
nas entrevistas. Para explicar a identificação com o Papão,
utiliza uma frase repetida à exaustão pelo Pé-de-Anjo: "esta
camisa é a minha segunda pele".
Prestes a se tornar Cidadão de Belém por decisão da Câmara
Municipal, o paraibano Robgol faz questão de evocar deuses
do marketing pessoal. Se Dadá Maravilha dizia ser como o helicóptero
e o beija-flor, o centroavante do Paysandu acredita que, no
Pará, “ninguém é mais popular do que o Círio de Nazaré (festa
religiosa tradicional), o Calypso (grupo musical) e o Robgol”.
A habilidade com as palavras acompanha o artilheiro desde
cedo. Em 1996, ainda nos tempos de Náutico, anunciou o surgimento
de uma novidade no cenário nacional: o codinome Robgol, que
trataria de justificar ao longo da carreira. Nesta entrevista
à Gazeta Esportiva.Net, José Róbson do Nascimento fala
sobre gols, cabelos cor-de-tesouro, Santos, luta contra o
rebaixamento e outros assuntos. Confira:
Não é contraditório ser artilheiro
do campeonato em um time que está brigando para não
cair?
Esta é uma questão difícil de
ser respondida. A gente procura ajudar a equipe a sair dessa
situação. Estamos na zona de rebaixamento há
algum tempo. O grupo tem me ajudado bastante e confiado em
mim. Os jogadores sabem que, se a bola chegar, eu faço.
Você está para se tornar Cidadão
de Belém. Honrado?
O povo tem muito carinho por mim. Sou uma personalidade
no Pará. Depois do governador (Simão Jatene/PSDB),
que é quem manda, tem o Círio de Nazaré,
o Calypso e o Robgol.
Aliás, como surgiu o apelido?
Antes de um clássico contra o Santa Cruz,
avisei que uma novidade estava para surgir no cenário
do futebol nacional. Vencemos por 2 a 1, fiz os dois gols
e soltei para a imprensa que eu era o Robgol. Na época,
o Batigol (Batistuta, atacante argentino) fazia muito sucesso.
Foi uma brincadeira que deu certo, a torcida gostou e eu sou
conhecido assim até hoje.
Você se deu bem no Paysandu, no Bahia, no Santa
Cruz, mas não foi tão bem nos clubes de outras
regiões. Por quê?
Não sei dizer. Tive uma grande oportunidade
no Santos, mas minha filha nasceu de cinco meses, o que foi
uma surpresa para mim. O tempo que eu passei lá foi
o tempo que ela ficou na UTI. Foi uma época bastante
tumultuada da minha vida.
Então, os maiores problemas foram pessoais?
Acha que foi queimado de alguma maneira no Santos?
Só tenho a agradecer ao Leão, que me
deu confiança e oportunidade. Infelizmente, não
fui feliz. O presidente (Marcelo Teixeira) achou melhor rescindir
comigo e com o Doni, mas tudo foi acertado e o Santos não
me deve nada.
Deixou amigos na Vila Belmiro?
Sim, fiz muitas amizades por lá. Tive o apoio
dos jogadores e só posso agradecer a Deus por ter sido
contratado pelo Santos aos 35 anos e estar brigando pela artilharia
do Campeonato Brasileiro aos 36. Saí do Santos, passei
por Sport, Juventude e me reencontrei no Paysandu. Posso dizer
que esta camisa é minha segunda pele.
Seu caso não é o único. Jogadores
como Kuki e Sérgio Alves são idolatrados fora
dos grandes centros, mas nunca conseguiram o mesmo resultado
no Sul do país. Por que você acha que isso acontece?
É difícil explicar. Se eu estivesse
com 21 gols hoje, no Santos, a situação seria
outra. Aqui no Norte e Nordeste, estamos longe da mídia
de São Paulo. A gente faz uma forcinha para aparecer
um pouco mais e, felizmente, o pessoal também tem olhado
um pouco para cá.
Atualmente, vemos muitos jogadores de movimentação
e velocidade, mas poucos atacantes de área de qualidade.
Na sua opinião, o Brasil está carente de matadores?
Verdade. De área, tem eu... Ou melhor, primeiro
vem o Romário. Tem o Romário, o próprio
Alex Dias, que acabou se machucando, eu... O Rafael Sóbis,
do Inter, é outro bom jogador, mas tem uma característica
diferente, de movimentação. O Borges esteve
aqui no ano passado, não foi tão bem e agora
está arrebentando no Paraná. Futebol é
assim: você dá certo aqui e pode não dar
ali.
Por quanto tempo pretende continuar atuando?
Pela minha condição física,
mais uns dois anos. Aí penso em parar.
Mudando de assunto, você sempre teve um cuidado
especial com a aparência. Isso é preocupação
com a imagem ou vaidade mesmo?
Você vai ficando velho e tem que dar uma arrumada,
mas não me preocupo tanto com isso. Comecei a ficar
loiro no Bahia e comentei com o pessoal: tomava muito banho
de rio na Paraíba e fiquei com os cabelos cor-de-tesouro.
Depois de uma infância sofrida, deve ser uma
grande satisfação poder ajudar a família.
Desde pequeno, sempre bati minha bolinha. Pensava
em ser jogador profissional para dar um conforto para meus
parentes, mas nunca pensei em seleção brasileira.
Talvez se eu tivesse atuado em um clube de maior expressão
quando era mais jovem, pudesse ter tido alguma oportunidade.
Não tenho do que reclamar da minha carreira. Sou muito
feliz.
Quais foram as dificuldades nos seus tempos de garoto?
De onde eu venho (Barra de São Miguel-PB),
chove um ano sim e oito não. Você pode imaginar
como é viver com um ano de fartura e oito de seca.
Carreguei muita água em galão, até mesmo
para ganhar dinheiro. Não esqueço de minhas
raízes. Tenho muitos amigos e minha família
continua por lá. |