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18/11/2005

Por Marcos Guedes, especial para GE.Net

Artilheiro do Campeonato Brasileiro aos 36 anos, Robgol não deixa dúvidas a respeito de sua competência para balançar as redes. No entanto, o jogador do Paysandu vem, cada vez mais, se notabilizando por outra habilidade: a autopromoção. Bem-humorado e dono de frases de efeito, ele não se envergonha ao dizer que faz "aquela forcinha para aparecer".

O centroavante admira bastante o futebol de Romário e Careca, mas adota um estilo mais parecido com o de Marcelinho Carioca nas entrevistas. Para explicar a identificação com o Papão, utiliza uma frase repetida à exaustão pelo Pé-de-Anjo: "esta camisa é a minha segunda pele".

Prestes a se tornar Cidadão de Belém por decisão da Câmara Municipal, o paraibano Robgol faz questão de evocar deuses do marketing pessoal. Se Dadá Maravilha dizia ser como o helicóptero e o beija-flor, o centroavante do Paysandu acredita que, no Pará, “ninguém é mais popular do que o Círio de Nazaré (festa religiosa tradicional), o Calypso (grupo musical) e o Robgol”.

A habilidade com as palavras acompanha o artilheiro desde cedo. Em 1996, ainda nos tempos de Náutico, anunciou o surgimento de uma novidade no cenário nacional: o codinome Robgol, que trataria de justificar ao longo da carreira. Nesta entrevista à Gazeta Esportiva.Net, José Róbson do Nascimento fala sobre gols, cabelos cor-de-tesouro, Santos, luta contra o rebaixamento e outros assuntos. Confira:

Não é contraditório ser artilheiro do campeonato em um time que está brigando para não cair?
Esta é uma questão difícil de ser respondida. A gente procura ajudar a equipe a sair dessa situação. Estamos na zona de rebaixamento há algum tempo. O grupo tem me ajudado bastante e confiado em mim. Os jogadores sabem que, se a bola chegar, eu faço.

Você está para se tornar Cidadão de Belém. Honrado?
O povo tem muito carinho por mim. Sou uma personalidade no Pará. Depois do governador (Simão Jatene/PSDB), que é quem manda, tem o Círio de Nazaré, o Calypso e o Robgol.

Aliás, como surgiu o apelido?
Antes de um clássico contra o Santa Cruz, avisei que uma novidade estava para surgir no cenário do futebol nacional. Vencemos por 2 a 1, fiz os dois gols e soltei para a imprensa que eu era o Robgol. Na época, o Batigol (Batistuta, atacante argentino) fazia muito sucesso. Foi uma brincadeira que deu certo, a torcida gostou e eu sou conhecido assim até hoje.

Você se deu bem no Paysandu, no Bahia, no Santa Cruz, mas não foi tão bem nos clubes de outras regiões. Por quê?
Não sei dizer. Tive uma grande oportunidade no Santos, mas minha filha nasceu de cinco meses, o que foi uma surpresa para mim. O tempo que eu passei lá foi o tempo que ela ficou na UTI. Foi uma época bastante tumultuada da minha vida.

Então, os maiores problemas foram pessoais? Acha que foi queimado de alguma maneira no Santos?
Só tenho a agradecer ao Leão, que me deu confiança e oportunidade. Infelizmente, não fui feliz. O presidente (Marcelo Teixeira) achou melhor rescindir comigo e com o Doni, mas tudo foi acertado e o Santos não me deve nada.

Deixou amigos na Vila Belmiro?
Sim, fiz muitas amizades por lá. Tive o apoio dos jogadores e só posso agradecer a Deus por ter sido contratado pelo Santos aos 35 anos e estar brigando pela artilharia do Campeonato Brasileiro aos 36. Saí do Santos, passei por Sport, Juventude e me reencontrei no Paysandu. Posso dizer que esta camisa é minha segunda pele.

Seu caso não é o único. Jogadores como Kuki e Sérgio Alves são idolatrados fora dos grandes centros, mas nunca conseguiram o mesmo resultado no Sul do país. Por que você acha que isso acontece?
É difícil explicar. Se eu estivesse com 21 gols hoje, no Santos, a situação seria outra. Aqui no Norte e Nordeste, estamos longe da mídia de São Paulo. A gente faz uma forcinha para aparecer um pouco mais e, felizmente, o pessoal também tem olhado um pouco para cá.

Atualmente, vemos muitos jogadores de movimentação e velocidade, mas poucos atacantes de área de qualidade. Na sua opinião, o Brasil está carente de matadores?
Verdade. De área, tem eu... Ou melhor, primeiro vem o Romário. Tem o Romário, o próprio Alex Dias, que acabou se machucando, eu... O Rafael Sóbis, do Inter, é outro bom jogador, mas tem uma característica diferente, de movimentação. O Borges esteve aqui no ano passado, não foi tão bem e agora está arrebentando no Paraná. Futebol é assim: você dá certo aqui e pode não dar ali.

Por quanto tempo pretende continuar atuando?
Pela minha condição física, mais uns dois anos. Aí penso em parar.

Mudando de assunto, você sempre teve um cuidado especial com a aparência. Isso é preocupação com a imagem ou vaidade mesmo?
Você vai ficando velho e tem que dar uma arrumada, mas não me preocupo tanto com isso. Comecei a ficar loiro no Bahia e comentei com o pessoal: tomava muito banho de rio na Paraíba e fiquei com os cabelos cor-de-tesouro.

Depois de uma infância sofrida, deve ser uma grande satisfação poder ajudar a família.
Desde pequeno, sempre bati minha bolinha. Pensava em ser jogador profissional para dar um conforto para meus parentes, mas nunca pensei em seleção brasileira. Talvez se eu tivesse atuado em um clube de maior expressão quando era mais jovem, pudesse ter tido alguma oportunidade. Não tenho do que reclamar da minha carreira. Sou muito feliz.

Quais foram as dificuldades nos seus tempos de garoto?
De onde eu venho (Barra de São Miguel-PB), chove um ano sim e oito não. Você pode imaginar como é viver com um ano de fartura e oito de seca. Carreguei muita água em galão, até mesmo para ganhar dinheiro. Não esqueço de minhas raízes. Tenho muitos amigos e minha família continua por lá.

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