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28/12/2005
Time perde estrelas, mas mantém base
Sem pressa, Vágner Mancini se prepara para ser um técnico diferenciado
Diretoria acha inevitável saída do técnico

A diretoria do Paulista não queria, mas admite que deverá ficar sem Vágner Mancini em breve. O treinador fala em permanecer no clube até o final de seu contrato, em dezembro de 2006, mas o supervisor de futebol do clube, Moisés Cândido, acredita em uma saída prematura do treinador.

“O Mancini é excelente. Ele tem a cara do Paulista. Mas sabemos que a sua carreira é curta aqui. Após o Paulista e a Libertadores, dificilmente ele continua, mesmo com contrato até o final do ano”, avalia.

Já o presidente Eduardo Palhares elogia a preferência do treinador pela continuidade de um projeto a um salário maior em um clube de maior prestígio. “Isso mostra que ele será um dos grandes técnicos do Brasil. Além disso, ele é muito bom técnica e taticamente”, complementa.

Enquanto permanece no comando do Galo, Mancini serve de exemplo para os jogadores que assim como ele optaram por continuar no clube mesmo recebendo outras propostas. O goleiro Rafael, por exemplo, ressalta as qualidades do treinador e o aponta como um dos diferenciais da equipe.

“É a peça mais importante do nosso time. É jovem, muito bom taticamente, honesto e gosta de dialogar para sempre deixar melhor o ambiente. Também ficamos felizes em saber que o comandante está comprometido com o grupo e dando seqüência ao trabalho”, completa.

Sem pressa, Vágner Mancini se prepara para ser um técnico diferenciado

Campeão da Copa do Brasil em 2005, o técnico Vágner Mancini destoa da maioria dos técnicos brasileiros por ter resolvido permanecer no Paulista mesmo sendo assediado por clubes participantes da série A. Sua preferência por dar prosseguimento a um trabalho em um time modesto, que tem como principal meta garantir uma vaga na elite nacional, causa estranheza a quem enxerga a ambição como qualidade indispensável, mas revela uma tentativa de consolidar-se como um profissional diferenciado. “Não quero ser mais um no mercado”, resume.

A intenção de Vágner Mancini também está relacionada com situações que vivenciou na carreira de jogador, abandonada em 2004 com o convite da diretoria do Paulista para assumir o comando do time que defendeu entre os anos de 2000 e 2003.

Ele lamenta a ética duvidosa entre os treinadores e critica a falta de comprometimento de alguns profissionais que largam um trabalho na metade para iniciar outro imprevisível. Por isso, Mancini garante que, no que depender dele, suas passagens pelos futuros clubes serão duradouras.

Especificamente no Paulista, o treinador reconhece que 2006, ano final de seu contrato vigente, pode ser o último no trabalho que desenvolve há um ano e meio no clube. Mas antes de encarar um novo desafio, Mancini terá a chance de aumentar a bagagem em seu currículo de técnico com a disputa da Copa Libertadores, competição que ganhou em 1995 quando atuava no meio-campo do Grêmio. Porém, ele acredita que o seu trabalho em Jundiaí poderá ser considerado um sucesso com a classificação para a primeira divisão nacional. “É o nosso objetivo mais coerente para a temporada”, reconhece.

GazetaEsportiva.Net: O que te levou a permanecer no Paulista mesmo com propostas de outros clubes?
Vágner Mancini: Eu tive várias razões para não sair do Paulista naquele momento. A primeira, fundamental, foi a manutenção do trabalho que estava sendo feito e que está rendendo frutos. Também existe a chance de jogar novamente o Paulistão e de disputar a Libertadores, o que é uma coisa inédita não só para o Paulista, mas para Jundiaí. Isso fez com que eu achasse que nesse momento era muito mais importante dar valor a outras coisas do que simplesmente pensar no lado financeiro.

GE.Net: O Péricles Chamusca viveu uma situação parecida com a sua no ano passado, mas decidiu deixar o Santo André para treinar um clube da série A. Você considera importante ter ambição mesmo queimando etapas?
VM: Eu não queria citar especificamente o Chamusca. Ele deve ter tido as razões dele para sair, mas o que me agrada no Paulista é o modelo de clube. Embora a gente tenha uma estrutura simples, ela funciona. Aqui tenho a chance de realizar tudo aquilo que acho que tem que ser feito, o que talvez eu não teria em outra equipe. Isso daí também pesa pois, a partir do momento que aceito ser treinador, quero melhorar a cada dia. Sei que embora eu tenha conquistado o título da Copa do Brasil, ainda muita coisa tem que acontecer.

GE.Net: Então você não tem do que reclamar do Paulista?
VM: Não. Acredito naquele time que trabalha dentro de campo, como acontece aqui, e não nas estruturas falidas que nós temos hoje no futebol. Tivemos a oportunidade de falar com vários atletas que estão hoje na série A e que não recebem salário há três meses, mas que não querem jogar na Libertadores defendendo o Paulista porque acham que vão estar dando um passo atrás na carreira. Respeitamos, mas não entendemos.

GE.Net: Tivemos os casos do Galo e do Márcio Bittencourt, que fizeram um bom trabalho, mas foram demitidos do Santos e do Corinthians com a justificativa de que não tinham a experiência necessária. Você teme essa cobrança por falta de experiência no futuro?
VM: Isso acontece com todo mundo. Mesmo aqueles que já têm um espaço no mercado sofreram com isso no começo. Quando você vai para uma equipe maior, a cobrança é muito grande, existe a pressão por vitórias. No Paulista existe também, mas ela é moderada em relação a uma equipe de ponta.

GE.Net: Você está preparado para essa pressão?
VM: Sim. Eu sei que vai chegar o momento. Por mais que a gente trace objetivos, a vida acaba se encarregando de te levar. Então, acho que vai chegar o momento de eu sair e mostrar meu trabalho em outro clube.

GE.Net: E a concorrência? Como você enxerga a relação entre os técnicos no Brasil?
VM: Existe no mercado ainda uma falta de ética enorme entre os técnicos. Muitas vezes a gente fica sabendo de treinadores que estão desempregados e ficam ligando para os clubes, minando o trabalho que está sendo feito. Isso é uma questão pessoal, de educação, de formação, mas eu não compactuo.

GE.Net: Você tem contato direto com outros técnicos?
VM: Deveríamos estar mais integrados para fortalecer a classe de treinadores. Mas aos poucos isso está melhorando. Participei da Footecon (palestra de técnicos promovida por Carlos Alberto Parreira) e fiquei feliz ao ver a relação dos técnicos de ponta do Brasil. Todos eles estão abertos para a troca de informações. Isso é importante porque o futebol é muito dinâmico. Acho que a ida do Felipão para a seleção foi muito boa nesse sentido porque ele abriu espaço de diálogo com todos os técnicos que naquele momento estavam dirigindo as equipes de ponta do Brasil.

GE.Net: A sua permanência no Paulista por um longo período pode aumentar o seu prestígio e respeito entre os treinadores?
VM: Não tenho dúvida disso. Hoje se busca a manutenção do trabalho e a seqüência. Se tivesse optado por sair eu seria mais um no mercado e não é isso que quero. Eu quero é me firmar, até mesmo por condenar uma postura que muitas vezes eu via quando jogava.

GE.Net: Então você é um daqueles sonhadores que gosta de realizar um trabalho por dois ou três anos?
VM: Eu não diria nem um sonhador, porque eu já vou para dois anos. Acredito que essa é uma tendência que se fortalecerá nos próximos anos. Fora do país isso já acontece, mas está demorando a acontecer no Brasil.

GE.Net: E para este ano, depois da conquista da Copa do Brasil em 2005, qual o principal objetivo do Paulista?
VM: Vamos ter um pouco de dificuldade no Campeonato Paulista e na Libertadores, até porque os dois são muito fortes e requerem acima de tudo um elenco forte, maduro. Acho que nós temos que ter como objetivo em 2006 o acesso na série B. Isso é uma coisa mais coerente, mais real

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