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| Diretoria
acha inevitável saída do técnico |
A diretoria do Paulista
não queria, mas admite que deverá
ficar sem Vágner Mancini em breve.
O treinador fala em permanecer no clube
até o final de seu contrato, em dezembro
de 2006, mas o supervisor de futebol do
clube, Moisés Cândido, acredita
em uma saída prematura do treinador.
“O Mancini é excelente. Ele
tem a cara do Paulista. Mas sabemos que
a sua carreira é curta aqui. Após
o Paulista e a Libertadores, dificilmente
ele continua, mesmo com contrato até
o final do ano”, avalia.
Já o presidente Eduardo Palhares
elogia a preferência do treinador
pela continuidade de um projeto a um salário
maior em um clube de maior prestígio.
“Isso mostra que ele será um
dos grandes técnicos do Brasil. Além
disso, ele é muito bom técnica
e taticamente”, complementa.
Enquanto permanece no comando do Galo,
Mancini serve de exemplo para os jogadores
que assim como ele optaram por continuar
no clube mesmo recebendo outras propostas.
O goleiro Rafael, por exemplo, ressalta
as qualidades do treinador e o aponta como
um dos diferenciais da equipe.
“É a peça mais importante
do nosso time. É jovem, muito bom
taticamente, honesto e gosta de dialogar
para sempre deixar melhor o ambiente. Também
ficamos felizes em saber que o comandante
está comprometido com o grupo e dando
seqüência ao trabalho”,
completa.
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Sem pressa, Vágner Mancini
se prepara para ser um técnico diferenciado
Campeão da Copa do Brasil em 2005, o técnico Vágner Mancini
destoa da maioria dos técnicos brasileiros por ter resolvido
permanecer no Paulista mesmo sendo assediado por clubes participantes
da série A. Sua preferência por dar prosseguimento a um trabalho
em um time modesto, que tem como principal meta garantir uma
vaga na elite nacional, causa estranheza a quem enxerga a
ambição como qualidade indispensável, mas revela uma tentativa
de consolidar-se como um profissional diferenciado. “Não quero
ser mais um no mercado”, resume.
A intenção de Vágner Mancini também está relacionada com
situações que vivenciou na carreira de jogador, abandonada
em 2004 com o convite da diretoria do Paulista para assumir
o comando do time que defendeu entre os anos de 2000 e 2003.
Ele lamenta a ética duvidosa entre os treinadores e critica
a falta de comprometimento de alguns profissionais que largam
um trabalho na metade para iniciar outro imprevisível. Por
isso, Mancini garante que, no que depender dele, suas passagens
pelos futuros clubes serão duradouras.
Especificamente no Paulista, o treinador reconhece que 2006,
ano final de seu contrato vigente, pode ser o último no trabalho
que desenvolve há um ano e meio no clube. Mas antes de encarar
um novo desafio, Mancini terá a chance de aumentar a bagagem
em seu currículo de técnico com a disputa da Copa Libertadores,
competição que ganhou em 1995 quando atuava no meio-campo
do Grêmio. Porém, ele acredita que o seu trabalho em Jundiaí
poderá ser considerado um sucesso com a classificação para
a primeira divisão nacional. “É o nosso objetivo mais coerente
para a temporada”, reconhece.
GazetaEsportiva.Net: O que te levou a permanecer
no Paulista mesmo com propostas de outros clubes?
Vágner Mancini: Eu tive várias razões para não sair
do Paulista naquele momento. A primeira, fundamental, foi
a manutenção do trabalho que estava sendo feito e que está
rendendo frutos. Também existe a chance de jogar novamente
o Paulistão e de disputar a Libertadores, o que é uma coisa
inédita não só para o Paulista, mas para Jundiaí. Isso fez
com que eu achasse que nesse momento era muito mais importante
dar valor a outras coisas do que simplesmente pensar no lado
financeiro.
GE.Net: O Péricles Chamusca viveu uma situação parecida
com a sua no ano passado, mas decidiu deixar o Santo André
para treinar um clube da série A. Você considera importante
ter ambição mesmo queimando etapas?
VM: Eu não queria citar especificamente o Chamusca.
Ele deve ter tido as razões dele para sair, mas o que me agrada
no Paulista é o modelo de clube. Embora a gente tenha uma
estrutura simples, ela funciona. Aqui tenho a chance de realizar
tudo aquilo que acho que tem que ser feito, o que talvez eu
não teria em outra equipe. Isso daí também pesa pois, a partir
do momento que aceito ser treinador, quero melhorar a cada
dia. Sei que embora eu tenha conquistado o título da Copa
do Brasil, ainda muita coisa tem que acontecer.
GE.Net: Então você não tem do que reclamar do Paulista?
VM: Não. Acredito naquele time que trabalha dentro
de campo, como acontece aqui, e não nas estruturas falidas
que nós temos hoje no futebol. Tivemos a oportunidade de falar
com vários atletas que estão hoje na série A e que não recebem
salário há três meses, mas que não querem jogar na Libertadores
defendendo o Paulista porque acham que vão estar dando um
passo atrás na carreira. Respeitamos, mas não entendemos.
GE.Net: Tivemos os casos do Galo e do Márcio Bittencourt,
que fizeram um bom trabalho, mas foram demitidos do Santos
e do Corinthians com a justificativa de que não tinham a experiência
necessária. Você teme essa cobrança por falta de experiência
no futuro?
VM: Isso acontece com todo mundo. Mesmo aqueles que
já têm um espaço no mercado sofreram com isso no começo. Quando
você vai para uma equipe maior, a cobrança é muito grande,
existe a pressão por vitórias. No Paulista existe também,
mas ela é moderada em relação a uma equipe de ponta.
GE.Net: Você está preparado para essa pressão?
VM: Sim. Eu sei que vai chegar o momento. Por mais
que a gente trace objetivos, a vida acaba se encarregando
de te levar. Então, acho que vai chegar o momento de eu sair
e mostrar meu trabalho em outro clube.
GE.Net: E a concorrência? Como você enxerga a relação
entre os técnicos no Brasil?
VM: Existe no mercado ainda uma falta de ética enorme
entre os técnicos. Muitas vezes a gente fica sabendo de treinadores
que estão desempregados e ficam ligando para os clubes, minando
o trabalho que está sendo feito. Isso é uma questão pessoal,
de educação, de formação, mas eu não compactuo.
GE.Net: Você tem contato direto com outros técnicos?
VM: Deveríamos estar mais integrados para fortalecer
a classe de treinadores. Mas aos poucos isso está melhorando.
Participei da Footecon (palestra de técnicos promovida por
Carlos Alberto Parreira) e fiquei feliz ao ver a relação dos
técnicos de ponta do Brasil. Todos eles estão abertos para
a troca de informações. Isso é importante porque o futebol
é muito dinâmico. Acho que a ida do Felipão para a seleção
foi muito boa nesse sentido porque ele abriu espaço de diálogo
com todos os técnicos que naquele momento estavam dirigindo
as equipes de ponta do Brasil.
GE.Net: A sua permanência no Paulista por um longo
período pode aumentar o seu prestígio e respeito entre os
treinadores?
VM: Não tenho dúvida disso. Hoje se busca a manutenção
do trabalho e a seqüência. Se tivesse optado por sair eu seria
mais um no mercado e não é isso que quero. Eu quero é me firmar,
até mesmo por condenar uma postura que muitas vezes eu via
quando jogava.
GE.Net: Então você é um daqueles sonhadores que
gosta de realizar um trabalho por dois ou três anos?
VM: Eu não diria nem um sonhador, porque eu já vou
para dois anos. Acredito que essa é uma tendência que se fortalecerá
nos próximos anos. Fora do país isso já acontece, mas está
demorando a acontecer no Brasil.
GE.Net: E para este ano, depois da conquista da
Copa do Brasil em 2005, qual o principal objetivo do Paulista?
VM: Vamos ter um pouco de dificuldade no Campeonato
Paulista e na Libertadores, até porque os dois são muito fortes
e requerem acima de tudo um elenco forte, maduro. Acho que
nós temos que ter como objetivo em 2006 o acesso na série
B. Isso é uma coisa mais coerente, mais real
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