| Bruno Ceccon, especial para a GE.Net
Apesar do desfecho trágico, o Campeonato Brasileiro foi uma
verdadeira mina para o Internacional. Os desmandos do STJD
e as trapalhadas do árbitro Márcio Rezende de Freitas impediram
o quarto título brasileiro do time colorado, mas não foram
suficientes para comprometer a jazida da equipe gaúcha. Além
da consolidação de várias jóias de grande valor, o torcedor
viu o Inter voltar à Copa Libertadores depois de 13 anos de
ausência e recuperou o respeito dos rivais.
Lapidados cuidadosamente pelo técnico Muricy Ramalho durante
todo o ano passado, atletas como Fernandão, Élder Granja e
Jorge Wagner são exemplos da valorização conseguida pelo elenco
colorado. No momento em que desembarcou no Beira-Rio para
substituir o antigo dono da joalheria, Abel Braga também mostrou
intimidade com o assunto e batizou suas peças mais importantes
de “diamantes”, atletas que vêm recebendo um tratamento diferenciado
para a disputa da Copa Libertadores.
Sinônimo de poder e riqueza, os diamantes podem ser comparados
a impressões digitais devido as suas características únicas.
Não existem duas pedras iguais. Rafael Sóbis e Paulo César
Tinga chamam a atenção justamente por suas diferenças. Negro
de cabelo rastafari, o volante de 28 anos revelado pelo Grêmio
alia raça e precisão nos passes no meio-campo. Loiro com madeixas
descoloridas, o veloz atacante colorado nascido em 1985 é
pura habilidade perto do gol adversário.
Apesar das diferenças, a dupla de amigos passa a maior parte
do tempo fora de campo lado a lado. “Nós somos parceiros de
quarto. O Rafael é o meu guri. Ele já torcia para mim desde
quando era criança”, brincou Tinga em alusão à pedra mais
preciosa do elenco colorado. “Apesar da idade, ele tem um
jeito de jovem e se identifica muito comigo”, respondeu Rafael
Sóbis, que recusou uma proposta de mais de R$ 20 milhões do
futebol italiano para permanecer no Beira-Rio.
Em entrevista exclusiva à GE.Net, os dois falaram sobre
as recordações do ano passado e contaram as expectativas para
a temporada 2006. Confira:
GE.Net – Enquanto se preparam para a disputa da
Copa Libertadores, Internacional e Corinthians testam seus
times nos torneios estaduais. Meses depois, que recordação
ficou para o elenco colorado do Campeonato Brasileiro?
Tinga - No final de tudo, ficamos com um sentimento
de perda. Lutamos até o final e não conseguimos atingir nosso
objetivo maior em função de alguns detalhes extra-campo. Dentro
do gramado, também poderíamos ter tido um melhor desempenho.
O Corinthians soube como aproveitar a oportunidade e teve
seus méritos na conquista. De qualquer maneira, temos que
destacar as coisas boas. Os jogadores se valorizaram, o Inter
está na Libertadores e voltou a ser respeitado. Isso que tem
que ser levando em conta.
GE.Net – Você começou o ano passado como promessa
e terminou como craque. Como essa mudança brusca foi encarada?
Sóbis - Foi um grande ano, o melhor da minha vida
profissional. O Inter foi muito bem, eu cresci bastante e
consegui aparecer nos grandes centros do país, algo extremamente
difícil para os jogadores que atuam no Sul. Mas sei que tudo
isso não adianta nada, tem que continuar provando para que
2006 seja melhor ainda. A equipe se reforçou com jogadores
de qualidade e montou um grupo superbom. Estamos trabalhando
para vencer todos os campeonatos que temos pela frente.
GE.Net – A Federação Internacional de História e
Estatística do Futebol, sediada na Alemanha, escolheu Márcio
Rezende de Freitas como o 18º melhor árbitro do mundo em 2005.
Você concorda com esse prêmio?
Tinga - A gente fica orgulhoso de ser um brasileiro,
mas ao mesmo tempo estamos tristes pelo que aconteceu com
o Internacional e comigo particularmente no Campeonato Brasileiro.
O trabalho dele tem que ser reconhecido no todo e não apenas
por um jogo. Ele é uma pessoa e errou como qualquer ser humano.
Além disso, teve humildade suficiente para reconhecer o engano.
De qualquer forma, é sempre importante ver um brasileiro entre
os melhores do mundo. Independente daquela situação, eu dou
os parabéns ao Márcio Rezende de Freitas.
GE.Net – O árbitro Edílson Pereira de Carvalho vai
comentar a Copa do Mundo para uma rádio paulista. Dá para
acreditar nos comentários dele?
Tinga - Isso vai ser complicado, o pessoal vai falar
bastante. Você sempre procura fazer as coisas certas para
conseguir êxito na vida. De repente, a pessoa faz uma coisa
errada e acaba tendo sucesso. Isso pode ser prejudicial, dar
exemplo para as pessoas fazerem coisas apenas pensando em
aparecer e chamar a atenção.
GE.Net – O Internacional teve duas boas participações
na Copa Sul-americana, mas caiu diante do Boca Juniors. A
experiência adquirida nessa competição pode ser decisiva na
Libertadores?
Sóbis - A Libertadores é uma competição diferente
e temos que saber como disputar. Está todo mundo ansioso,
já que faz muito tempo que o Inter não vive uma situação como
essa. Estamos dando o máximo para fazer um bom trabalho neste
torneio. A Sul-americana é uma prévia da Libertadores. Fomos
bem, mas poderíamos ter ido melhor. De qualquer forma, já
estamos vacinados para tudo que podemos encontrar na Libertadores.
GE.Net – Até pelo sucesso do Grêmio na Libertadores,
os torcedores do Inter tratam o torneio de forma especial.
A força da torcida no Beira-Rio pode ser o grande trunfo do
time colorado na competição?
Tinga - Todas as equipes que disputam a Libertadores
têm esse pensamento e conosco não é diferente. Eu trabalho
no estado há muito tempo, passei quase a vida inteira dentro
do rival do Internacional. Desde que jogo futebol, nunca vi
o Internacional disputando a Libertadores. Estamos sentindo
a torcida muito empolgada com essa possibilidade de conquistar
o título. Como temos chance de ser campeão, tenho certeza
que o Beira-Rio vai virar um caldeirão em todos os jogos.
GE.Net – A Internazionale de Milão fez uma proposta
concreta para contar com o seu futebol. Você ficou balançado?
Teve algum contato oficial do Corinthians?
Sóbis - Foi uma proposta muito boa, mas ainda pode
melhorar bastante. Como eles queriam a apresentação imediata,
eu não poderia disputar a Libertadores. Por isso, o Internacional
achou por bem a minha permanência. Fico feliz também pelo
interesse do Corinthians, mas não chegou nada de concreto.
Tenho muitos amigos no Corinthians e estou sempre conversando
eles, mas não chegou nada e, por enquanto, vamos continuar
no Internacional.
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