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03/02/2006
Fernado Piatos/Gazeta Press

Bruno Ceccon, especial para a GE.Net

Apesar do desfecho trágico, o Campeonato Brasileiro foi uma verdadeira mina para o Internacional. Os desmandos do STJD e as trapalhadas do árbitro Márcio Rezende de Freitas impediram o quarto título brasileiro do time colorado, mas não foram suficientes para comprometer a jazida da equipe gaúcha. Além da consolidação de várias jóias de grande valor, o torcedor viu o Inter voltar à Copa Libertadores depois de 13 anos de ausência e recuperou o respeito dos rivais.

Lapidados cuidadosamente pelo técnico Muricy Ramalho durante todo o ano passado, atletas como Fernandão, Élder Granja e Jorge Wagner são exemplos da valorização conseguida pelo elenco colorado. No momento em que desembarcou no Beira-Rio para substituir o antigo dono da joalheria, Abel Braga também mostrou intimidade com o assunto e batizou suas peças mais importantes de “diamantes”, atletas que vêm recebendo um tratamento diferenciado para a disputa da Copa Libertadores.

Sinônimo de poder e riqueza, os diamantes podem ser comparados a impressões digitais devido as suas características únicas. Não existem duas pedras iguais. Rafael Sóbis e Paulo César Tinga chamam a atenção justamente por suas diferenças. Negro de cabelo rastafari, o volante de 28 anos revelado pelo Grêmio alia raça e precisão nos passes no meio-campo. Loiro com madeixas descoloridas, o veloz atacante colorado nascido em 1985 é pura habilidade perto do gol adversário.

Apesar das diferenças, a dupla de amigos passa a maior parte do tempo fora de campo lado a lado. “Nós somos parceiros de quarto. O Rafael é o meu guri. Ele já torcia para mim desde quando era criança”, brincou Tinga em alusão à pedra mais preciosa do elenco colorado. “Apesar da idade, ele tem um jeito de jovem e se identifica muito comigo”, respondeu Rafael Sóbis, que recusou uma proposta de mais de R$ 20 milhões do futebol italiano para permanecer no Beira-Rio.

Em entrevista exclusiva à GE.Net, os dois falaram sobre as recordações do ano passado e contaram as expectativas para a temporada 2006. Confira:

GE.Net – Enquanto se preparam para a disputa da Copa Libertadores, Internacional e Corinthians testam seus times nos torneios estaduais. Meses depois, que recordação ficou para o elenco colorado do Campeonato Brasileiro?
Tinga -
No final de tudo, ficamos com um sentimento de perda. Lutamos até o final e não conseguimos atingir nosso objetivo maior em função de alguns detalhes extra-campo. Dentro do gramado, também poderíamos ter tido um melhor desempenho. O Corinthians soube como aproveitar a oportunidade e teve seus méritos na conquista. De qualquer maneira, temos que destacar as coisas boas. Os jogadores se valorizaram, o Inter está na Libertadores e voltou a ser respeitado. Isso que tem que ser levando em conta.

GE.Net – Você começou o ano passado como promessa e terminou como craque. Como essa mudança brusca foi encarada?
Sóbis -
Foi um grande ano, o melhor da minha vida profissional. O Inter foi muito bem, eu cresci bastante e consegui aparecer nos grandes centros do país, algo extremamente difícil para os jogadores que atuam no Sul. Mas sei que tudo isso não adianta nada, tem que continuar provando para que 2006 seja melhor ainda. A equipe se reforçou com jogadores de qualidade e montou um grupo superbom. Estamos trabalhando para vencer todos os campeonatos que temos pela frente.

GE.Net – A Federação Internacional de História e Estatística do Futebol, sediada na Alemanha, escolheu Márcio Rezende de Freitas como o 18º melhor árbitro do mundo em 2005. Você concorda com esse prêmio?
Tinga -
A gente fica orgulhoso de ser um brasileiro, mas ao mesmo tempo estamos tristes pelo que aconteceu com o Internacional e comigo particularmente no Campeonato Brasileiro. O trabalho dele tem que ser reconhecido no todo e não apenas por um jogo. Ele é uma pessoa e errou como qualquer ser humano. Além disso, teve humildade suficiente para reconhecer o engano. De qualquer forma, é sempre importante ver um brasileiro entre os melhores do mundo. Independente daquela situação, eu dou os parabéns ao Márcio Rezende de Freitas.

GE.Net – O árbitro Edílson Pereira de Carvalho vai comentar a Copa do Mundo para uma rádio paulista. Dá para acreditar nos comentários dele?
Tinga -
Isso vai ser complicado, o pessoal vai falar bastante. Você sempre procura fazer as coisas certas para conseguir êxito na vida. De repente, a pessoa faz uma coisa errada e acaba tendo sucesso. Isso pode ser prejudicial, dar exemplo para as pessoas fazerem coisas apenas pensando em aparecer e chamar a atenção.

GE.Net – O Internacional teve duas boas participações na Copa Sul-americana, mas caiu diante do Boca Juniors. A experiência adquirida nessa competição pode ser decisiva na Libertadores?
Sóbis -
A Libertadores é uma competição diferente e temos que saber como disputar. Está todo mundo ansioso, já que faz muito tempo que o Inter não vive uma situação como essa. Estamos dando o máximo para fazer um bom trabalho neste torneio. A Sul-americana é uma prévia da Libertadores. Fomos bem, mas poderíamos ter ido melhor. De qualquer forma, já estamos vacinados para tudo que podemos encontrar na Libertadores.

GE.Net – Até pelo sucesso do Grêmio na Libertadores, os torcedores do Inter tratam o torneio de forma especial. A força da torcida no Beira-Rio pode ser o grande trunfo do time colorado na competição?
Tinga -
Todas as equipes que disputam a Libertadores têm esse pensamento e conosco não é diferente. Eu trabalho no estado há muito tempo, passei quase a vida inteira dentro do rival do Internacional. Desde que jogo futebol, nunca vi o Internacional disputando a Libertadores. Estamos sentindo a torcida muito empolgada com essa possibilidade de conquistar o título. Como temos chance de ser campeão, tenho certeza que o Beira-Rio vai virar um caldeirão em todos os jogos.

GE.Net – A Internazionale de Milão fez uma proposta concreta para contar com o seu futebol. Você ficou balançado? Teve algum contato oficial do Corinthians?
Sóbis -
Foi uma proposta muito boa, mas ainda pode melhorar bastante. Como eles queriam a apresentação imediata, eu não poderia disputar a Libertadores. Por isso, o Internacional achou por bem a minha permanência. Fico feliz também pelo interesse do Corinthians, mas não chegou nada de concreto. Tenho muitos amigos no Corinthians e estou sempre conversando eles, mas não chegou nada e, por enquanto, vamos continuar no Internacional.

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