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21/04/2006
Montagem sobre foto de Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Paulo Amaral e Thiago Azevedo, especial para GE.Net

O mundo dá voltas, o futebol é uma caixinha de surpresas... Esses e muitos outros jargões populares que rondam o ambiente do esporte mais adorado pelos brasileiros encaixam-se perfeitamente no momento atual vivido pelo garoto João Alves de Assis Silva, popularmente conhecido como Jô, nascido e criado nas categorias de base do Sport Club Corinthians Paulista.

Jogador mais jovem a marcar um gol pelos profissionais do Alvinegro do Parque São Jorge (em agosto de 2003, contra o Inter, com 16 anos, cinco meses e quatro dias de vida), Jô viveu momentos distintos nos profissionais do Timão, sendo aplaudido e vaiado pela exigente Fiel nos dois anos em que se revezou com Marcelo Ramos, Gil, Bobô e outros muitos no ataque mosqueteiro, convivendo sempre com os boatos sobre a contratação de Vágner Love por parte da MSI, parceira corintiana.

Cogitado para defender o Benfica em agosto de 2005, o atacante, por ironia do destino, acabou acertando sua transferência para o CSKA, da Rússia, justamente o time de Vágner Love, sonho de consumo de Kia Joorabchian, chefão da MSI.

Em pouco tempo na gelada Moscou, Jô alcançou metas que jamais sonhou. Marcou oito gols nas seis primeiras rodadas do Campeonato Russo (quatro em um só jogo, contra o Shinnik Yaroslavl, dia 26 de março, pela segunda rodada do campeonato), colocou Vagner Love no banco de reservas (justamente contra o Shinnik) e foi alçado à condição de ídolo da torcida do CSKA.

Em entrevista exclusiva para a GE.Net, o jovem atacante conta como se adaptou ao frio russo, ao novo clube e às dificuldades da vida no exterior, além de agradecer ao “ex-concorrente” Vágner Love pela ajuda que lhe deu em sua chegada no CSKA. Feliz, o jogador minimizou a ironia de se tornar artilheiro justamente no time onde joga o sonho dos corintianos, mas garantiu que não pensa em retornar tão cedo para o Brasil. Quer cumprir seu contrato na Rússia para depois, quem sabe, conquistar os maiores centros do futebol europeu com seu talento.

Gazeta Esportiva.Net - Como foi à sua adaptação ao futebol e ao frio russo?
Jô -
Minha adaptação à Europa foi bastante rápida, até pelos brasileiros que estão aqui – além do próprio Vágner Love, o Dudu Cearense (volante, ex-Vitória) e o Daniel Carvalho (meia, ex-Internacional) me ajudaram bastante. Em relação ao clima, a direção aqui me orientou a sair pouco de casa no começo, para acostumar. Não tive problemas e posso dizer que esta foi uma adaptação bem rápida.

GE.Net - Você ficou surpreso com o fato de ser artilheiro logo no começo do Campeonato?
Jô -
A gente procura trabalhar sempre. No Brasil, eu não era muito de fazer gol, mas tinha em mente que, para alcançar alguns objetivos na minha vida, eu teria que começar a marcá-los. Só não estava nos meus planos ser o artilheiro logo de cara.

GE.Net - Como que foi deixar o Vágner Love no banco de reservas?
Jô -
Foi uma situação que não fui eu quem criou, mas sim o treinador. Ele optou por escalar outro atacante. Eu acabei indo bem, fiz quatro gols e ajudei o time a vencer. Mas na verdade a gente vem jogando junto desde a pré-temporada, a dupla de ataque era eu e ele, só não foi naquele jogo.

GE.Net - Curiosamente, o Vágner era a grande promessa de contratação do Corinthians, enquanto você estava aqui no Brasil...
Jô -
Quando eu estava no Corinthians, sempre falavam que o Vágner iria ser contratado e que, com isso, eu acabaria indo para o banco, essas coisas. Quando eu cheguei aqui na Rússia, o Vágner me deu muita força, me ajudou na adaptação e, no começo, até me colocou dentro da casa dele. Devo muito a ele.

GE.Net - O Vágner chegou a conversar com você sobre a transferência para o Corinthians, que acabou não acontecendo?
Jô -
Ele queria mesmo ir para o Corinthians naquela época, mas acabou não tendo nada, nem proposta oficial, ficou só na conversa. O Vágner até ficou um pouco triste sim, mas ele tratou de colocar de novo a cabeça aqui no CSKA e continuar a vida dele.

GE.Net - Você já disse que se dá bem com os brasileiros. E os outros colegas da equipe, como é o relacionamento entre vocês?
Jô -
Saí do Brasil pensando que iria encontrar muitas dificuldades, mas mesmo os russos me acolheram muito bem aqui. Temos um intérprete aqui, eles sempre perguntam muitas coisas e a gente se comunica bem. O grupo é pequeno e todos se dão bem.

GE.Net - Quais são os seus planos para o futuro?
Jô -
Estou muito feliz com o que estou apresentando aqui. A própria torcida do CSKA começou a gostar de mim de mim agora, os dirigentes também. Tenho 19 anos e pretendo cumprir o meu contrato até o fim, quando tiver 22 anos.

GE.Net - Você pensa em voltar para o Brasil?
Jô -
Não sei o que vem pela frente. No meio do ano agora, teremos a Copa dos Campeões para jogar e a minha idéia, agora, é permanecer no CSKA e cumprir o meu contrato até o fim. Depois, eu vou ter o meu passe (direitos federativos) na mão e, aí, vamos ver o que acontece. Mais para frente, talvez, eu até possa voltar ao Brasil ou ir para outro time da Europa, mas não agora.

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