| Paulo Amaral e Thiago Azevedo, especial
para GE.Net
O mundo dá voltas, o futebol é uma caixinha
de surpresas... Esses e muitos outros jargões populares
que rondam o ambiente do esporte mais adorado pelos brasileiros
encaixam-se perfeitamente no momento atual vivido pelo garoto
João Alves de Assis Silva, popularmente conhecido como
Jô, nascido e criado nas categorias de base do Sport
Club Corinthians Paulista.
Jogador mais jovem a marcar um gol pelos profissionais do
Alvinegro do Parque São Jorge (em agosto de 2003, contra
o Inter, com 16 anos, cinco meses e quatro dias de vida),
Jô viveu momentos distintos nos profissionais do Timão,
sendo aplaudido e vaiado pela exigente Fiel nos dois anos
em que se revezou com Marcelo Ramos, Gil, Bobô e outros
muitos no ataque mosqueteiro, convivendo sempre com os boatos
sobre a contratação de Vágner Love por
parte da MSI, parceira corintiana.
Cogitado para defender o Benfica em agosto de 2005, o atacante,
por ironia do destino, acabou acertando sua transferência
para o CSKA, da Rússia, justamente o time de Vágner
Love, sonho de consumo de Kia Joorabchian, chefão da
MSI.
Em pouco tempo na gelada Moscou, Jô alcançou
metas que jamais sonhou. Marcou oito gols nas seis primeiras
rodadas do Campeonato Russo (quatro em um só jogo,
contra o Shinnik Yaroslavl, dia 26 de março, pela segunda
rodada do campeonato), colocou Vagner Love no banco de reservas
(justamente contra o Shinnik) e foi alçado à
condição de ídolo da torcida do CSKA.
Em entrevista exclusiva para a GE.Net, o jovem atacante
conta como se adaptou ao frio russo, ao novo clube e às
dificuldades da vida no exterior, além de agradecer
ao “ex-concorrente” Vágner Love pela ajuda
que lhe deu em sua chegada no CSKA. Feliz, o jogador minimizou
a ironia de se tornar artilheiro justamente no time onde joga
o sonho dos corintianos, mas garantiu que não pensa
em retornar tão cedo para o Brasil. Quer cumprir seu
contrato na Rússia para depois, quem sabe, conquistar
os maiores centros do futebol europeu com seu talento.
Gazeta Esportiva.Net - Como foi à sua adaptação
ao futebol e ao frio russo?
Jô - Minha adaptação à
Europa foi bastante rápida, até pelos brasileiros
que estão aqui – além do próprio
Vágner Love, o Dudu Cearense (volante, ex-Vitória)
e o Daniel Carvalho (meia, ex-Internacional) me ajudaram bastante.
Em relação ao clima, a direção
aqui me orientou a sair pouco de casa no começo, para
acostumar. Não tive problemas e posso dizer que esta
foi uma adaptação bem rápida.
GE.Net - Você ficou surpreso com o fato de
ser artilheiro logo no começo do Campeonato?
Jô - A gente procura trabalhar sempre. No Brasil,
eu não era muito de fazer gol, mas tinha em mente que,
para alcançar alguns objetivos na minha vida, eu teria
que começar a marcá-los. Só não
estava nos meus planos ser o artilheiro logo de cara.
GE.Net - Como que foi deixar o Vágner Love
no banco de reservas?
Jô - Foi uma situação que não
fui eu quem criou, mas sim o treinador. Ele optou por escalar
outro atacante. Eu acabei indo bem, fiz quatro gols e ajudei
o time a vencer. Mas na verdade a gente vem jogando junto
desde a pré-temporada, a dupla de ataque era eu e ele,
só não foi naquele jogo.
GE.Net - Curiosamente, o Vágner era a grande
promessa de contratação do Corinthians, enquanto
você estava aqui no Brasil...
Jô - Quando eu estava no Corinthians, sempre
falavam que o Vágner iria ser contratado e que, com
isso, eu acabaria indo para o banco, essas coisas. Quando
eu cheguei aqui na Rússia, o Vágner me deu muita
força, me ajudou na adaptação e, no começo,
até me colocou dentro da casa dele. Devo muito a ele.
GE.Net - O Vágner chegou a conversar com você
sobre a transferência para o Corinthians, que acabou
não acontecendo?
Jô - Ele queria mesmo ir para o Corinthians
naquela época, mas acabou não tendo nada, nem
proposta oficial, ficou só na conversa. O Vágner
até ficou um pouco triste sim, mas ele tratou de colocar
de novo a cabeça aqui no CSKA e continuar a vida dele.
GE.Net - Você já disse que se dá
bem com os brasileiros. E os outros colegas da equipe, como
é o relacionamento entre vocês?
Jô - Saí do Brasil pensando que iria
encontrar muitas dificuldades, mas mesmo os russos me acolheram
muito bem aqui. Temos um intérprete aqui, eles sempre
perguntam muitas coisas e a gente se comunica bem. O grupo
é pequeno e todos se dão bem.
GE.Net - Quais são os seus planos para o futuro?
Jô - Estou muito feliz com o que estou apresentando
aqui. A própria torcida do CSKA começou a gostar
de mim de mim agora, os dirigentes também. Tenho 19
anos e pretendo cumprir o meu contrato até o fim, quando
tiver 22 anos.
GE.Net - Você pensa em voltar para o Brasil?
Jô - Não sei o que vem pela frente.
No meio do ano agora, teremos a Copa dos Campeões para
jogar e a minha idéia, agora, é permanecer no
CSKA e cumprir o meu contrato até o fim. Depois, eu
vou ter o meu passe (direitos federativos) na mão e,
aí, vamos ver o que acontece. Mais para frente, talvez,
eu até possa voltar ao Brasil ou ir para outro time
da Europa, mas não agora.
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