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26/04/2006
Montagem sobre foto de Fernando Pilatos/Gazeta Press


Por Marcelo Belpiede

Acostumado aos grandes lances de Robinho, o torcedor do Santos foi obrigado a ver um time diferente em 2006, que priorizou o conjunto na conquista do título paulista. Tanto que o corintiano Nilmar acabou eleito o melhor jogador do Estadual pela Federação Paulista de Futebol (FPF). Mas o atacante Reinaldo garante que está pronto para ser uma estrela no Peixe.

Junto com Rodrigo Tabata, o centroavante foi o nome mais badalado entre os reforços contratados pelo presidente Marcelo Teixeira. Depois de um começo difícil na Vila Belmiro, com duas contusões musculares, aos poucos Reinaldo começou a recuperar o bom futebol e teve grande importância nas partidas finais do Paulistão e no confronto contra o Brasiliense pela Copa do Brasil.

Em entrevista para a GE.Net, o atleta falou de sua readaptação ao futebol brasileiro após três anos no exterior. Autor de sete gols em 2006, o principal objetivo de Reinaldo é ficar na história do Santos, como aconteceu recentemente com o próprio Robinho, bicampeão brasileiro em 2002 e 2004.

Mais experiente, o jogador de 27 anos acha que evoluiu principalmente depois de sua passagem pelo Paris Saint-Germain, da França. Assim, o ousado Reinaldo deixa claro que sonha até com uma chance na seleção, porém apenas depois da Copa do Mundo, já que o grupo do técnico Carlos Alberto Parreira que vai para a Alemanha está praticamente fechado.

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Gazeta Esportiva.Net: Com 27 anos, passagens pelo futebol do exterior, o que tem de diferente no Reinaldo do Santos em relação ao início da carreira?
Reinaldo: Com certeza, eu mudei. Aprendi muito como profissional quando atuei fora do país. Posso dizer que sou um jogador, não completo, que isso é coisa de Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, mas amadureci bastante principalmente na minha passagem pela Europa.

GE: Os zagueiros brasileiros voltam do exterior dizendo que aprendem bastante na parte tática. Você também evoluiu nesse sentido na França e Japão?
R:
Aprendi, principalmente, a jogar mais rápido. Peguei um treinador da Bósnia no Paris Saint-Germain que era muito rígido, principalmente devido a essa coisa de guerra no país dele. Hoje, o futebol exige velocidade. Antigamente eu pensava mais e perdia muito a bola. Acho que agora estou até mais inteligente como jogador de futebol.

GE: Com a reformulação de 2006, a torcida do Santos ainda procura um ídolo. Você acha que pode incorporar esse papel?
R:
Sempre fui um jogador importante onde joguei. Esse negócio de ídolo é um pouco conseqüência do trabalho. Acho que estou preparado só por estar em um clube grande como o Santos. Você tem que ficar preparado para tudo, para o que der e vier. Estou pronto para marcar gols, aproveitar as oportunidades que vierem até dezembro para balançar as redes e, com certeza, marcar uma história no clube.

GE: O que o Santos tem de diferente em relação aos outros times que você atuou no Brasil, Flamengo e São Paulo?
R:
Acho que a estrutura do Santos é igual a do São Paulo. Isso me surpreendeu bastante. É maravilhoso jogar aqui. A torcida do Santos, principalmente na Vila Belmiro, faz uma festa impressionante. Mas é difícil comparar. Acho que cada clube tem seu lado bom. Também atuar no time em que o Rei do Futebol jogou é um grande orgulho.

GE: Como o Reinaldo encontrou o nível do futebol brasileiro em sua volta?
R:
Acho que futebol brasileiro está mais organizado, melhorando, em relação ao tempo em que joguei por Flamengo e São Paulo. Acho que as coisas estão indo no caminho certo. Continuam saindo grandes jogadores para a Europa. É daqui que surgem os grandes craques.

GE: Você concorda com os técnicos, principalmente o Emerson Leão, que reclamam que só fica no país a mão-de-obra barata?
R:
Não acho isso. O Leão tem a sua opinião, mas penso que o processo é assim mesmo. No futebol, é necessário trabalhar com o que tem nas mãos. Pela questão financeira, os times grandes devem priorizar as categorias de base, onde saem os grandes jogadores.

GE: Com essa volta ao Santos, terminou o sonho de jogar em algum outro time europeu?
R:
Não tenho mais esse desejo de voltar à Europa. Mas eu tenho contrato com o Santos só até dezembro. Quero fazer um grande trabalho aqui e tomara que a diretoria compre meu passe, pois tenho vínculo com o Japão. Só que tem aquela coisa, o jogador nunca pode falar não para uma situação. Então eu procuro trabalhar sem preocupação e o que aparecer a gente vai ver.

GE: E a seleção brasileira, como você encara?
R:
Todo jogador pensa em seleção brasileira. Mas sou um cara realista e sei que muitos jogadores estão na minha frente. Eu torço para que o Brasil ganhe a Copa do Mundo e, depois disso, a gente espera ter uma chance. Só que primeiro sei que preciso fazer um grande trabalho aqui no Santos.

GE: É o seu primeiro trabalho com o Wanderley Luxemburgo. O que ele tem de diferente?
R:
Nunca tinha trabalhado com ele e sempre falo o que separa do Luxemburgo dos outros treinadores são as suas palestras. Ele consegue mexer com os atletas nas suas preleções. É um cara muito experiente, que já passou por muitas situações na vida, é um vencedor, ganhou vários títulos. Hoje ele passa tudo para nós, trata os atletas como verdadeiros filhos. Na hora que precisa de uma bronca, ele vai lá e faz. A diferença dele é a fala, consegue motivar, tocar os atletas para dar o máximo.

GE: Até onde o Santos pode chegar no Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil? Você briga pela artilharia nessas competições?
R:
Nosso grupo está fechado para ganhar tudo. Artilharia não vou prometer, pois nunca fui esse jogador artilheiro de campeonato. Mas vou prometer muita vontade, o grupo está unido. A gente sabe que, principalmente a Copa do Brasil, são seis jogos para tentarmos retornarmos à disputa da Copa Libertadores da América. Precisamos continuar com essa humildade, essa união, para tentar vencer a Copa do Brasil e ficarmos até mais tranqüilos para jogar o Brasileirão.

GE: Você acha que o Flamengo fez o pior negócio da sua história ao trocar o Reinaldo e o Adriano pelo Vampeta?
R:
Foi um negócio que nenhum clube faria, com certeza, principalmente por ter dois atacantes na faixa dos 18, 19, 20 anos, marcando gols, conquistando os títulos cariocas e da Copa Mercosul. Ninguém sabe o que aconteceu direito, mas foi favorável financeiramente tanto para mim como ao Adriano. Agora não sei se foi para o Vampeta. Mas para o Flamengo, se você for tentar até uma pesquisa com os torcedores, não foi bom, não.

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