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Por Marcelo Belpiede
Acostumado aos grandes lances de Robinho, o torcedor do Santos
foi obrigado a ver um time diferente em 2006, que priorizou
o conjunto na conquista do título paulista. Tanto que
o corintiano Nilmar acabou eleito o melhor jogador do Estadual
pela Federação Paulista de Futebol (FPF). Mas
o atacante Reinaldo garante que está pronto para ser
uma estrela no Peixe.
Junto com Rodrigo Tabata, o centroavante foi o nome mais
badalado entre os reforços contratados pelo presidente
Marcelo Teixeira. Depois de um começo difícil
na Vila Belmiro, com duas contusões musculares, aos
poucos Reinaldo começou a recuperar o bom futebol e
teve grande importância nas partidas finais do Paulistão
e no confronto contra o Brasiliense pela Copa do Brasil.
Em entrevista para a GE.Net, o atleta falou de sua
readaptação ao futebol brasileiro após
três anos no exterior. Autor de sete gols em 2006, o
principal objetivo de Reinaldo é ficar na história
do Santos, como aconteceu recentemente com o próprio
Robinho, bicampeão brasileiro em 2002 e 2004.
Mais experiente, o jogador de 27 anos acha que evoluiu principalmente
depois de sua passagem pelo Paris Saint-Germain, da França.
Assim, o ousado Reinaldo deixa claro que sonha até
com uma chance na seleção, porém apenas
depois da Copa do Mundo, já que o grupo do técnico
Carlos Alberto Parreira que vai para a Alemanha está
praticamente fechado.
| Foto: Djalma Vassão/Gazeta
Press |
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Gazeta Esportiva.Net: Com 27 anos, passagens pelo futebol
do exterior, o que tem de diferente no Reinaldo do Santos
em relação ao início da carreira?
Reinaldo: Com certeza, eu mudei. Aprendi muito
como profissional quando atuei fora do país. Posso
dizer que sou um jogador, não completo, que isso é
coisa de Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, mas amadureci
bastante principalmente na minha passagem pela Europa.
GE: Os zagueiros brasileiros voltam do exterior dizendo
que aprendem bastante na parte tática. Você também
evoluiu nesse sentido na França e Japão?
R: Aprendi, principalmente, a jogar mais rápido.
Peguei um treinador da Bósnia no Paris Saint-Germain
que era muito rígido, principalmente devido a essa
coisa de guerra no país dele. Hoje, o futebol exige
velocidade. Antigamente eu pensava mais e perdia muito a bola.
Acho que agora estou até mais inteligente como jogador
de futebol.
GE: Com a reformulação de 2006, a torcida
do Santos ainda procura um ídolo. Você acha que
pode incorporar esse papel?
R: Sempre fui um jogador importante onde joguei. Esse
negócio de ídolo é um pouco conseqüência
do trabalho. Acho que estou preparado só por estar
em um clube grande como o Santos. Você tem que ficar
preparado para tudo, para o que der e vier. Estou pronto para
marcar gols, aproveitar as oportunidades que vierem até
dezembro para balançar as redes e, com certeza, marcar
uma história no clube.
GE: O que o Santos tem de diferente em relação
aos outros times que você atuou no Brasil, Flamengo
e São Paulo?
R: Acho que a estrutura do Santos é igual a do
São Paulo. Isso me surpreendeu bastante. É maravilhoso
jogar aqui. A torcida do Santos, principalmente na Vila Belmiro,
faz uma festa impressionante. Mas é difícil
comparar. Acho que cada clube tem seu lado bom. Também
atuar no time em que o Rei do Futebol jogou é um grande
orgulho.
GE: Como o Reinaldo encontrou o nível do futebol
brasileiro em sua volta?
R: Acho que futebol brasileiro está mais organizado,
melhorando, em relação ao tempo em que joguei
por Flamengo e São Paulo. Acho que as coisas estão
indo no caminho certo. Continuam saindo grandes jogadores
para a Europa. É daqui que surgem os grandes craques.
GE: Você concorda com os técnicos, principalmente
o Emerson Leão, que reclamam que só fica no
país a mão-de-obra barata?
R: Não acho isso. O Leão tem a sua opinião,
mas penso que o processo é assim mesmo. No futebol,
é necessário trabalhar com o que tem nas mãos.
Pela questão financeira, os times grandes devem priorizar
as categorias de base, onde saem os grandes jogadores.
GE: Com essa volta ao Santos, terminou o sonho de jogar
em algum outro time europeu?
R: Não tenho mais esse desejo de voltar à
Europa. Mas eu tenho contrato com o Santos só até
dezembro. Quero fazer um grande trabalho aqui e tomara que
a diretoria compre meu passe, pois tenho vínculo com
o Japão. Só que tem aquela coisa, o jogador
nunca pode falar não para uma situação.
Então eu procuro trabalhar sem preocupação
e o que aparecer a gente vai ver.
GE: E a seleção brasileira, como você
encara?
R: Todo jogador pensa em seleção brasileira.
Mas sou um cara realista e sei que muitos jogadores estão
na minha frente. Eu torço para que o Brasil ganhe a
Copa do Mundo e, depois disso, a gente espera ter uma chance.
Só que primeiro sei que preciso fazer um grande trabalho
aqui no Santos.
GE: É o seu primeiro trabalho com o Wanderley Luxemburgo.
O que ele tem de diferente?
R: Nunca tinha trabalhado com ele e sempre falo o que
separa do Luxemburgo dos outros treinadores são as
suas palestras. Ele consegue mexer com os atletas nas suas
preleções. É um cara muito experiente,
que já passou por muitas situações na
vida, é um vencedor, ganhou vários títulos.
Hoje ele passa tudo para nós, trata os atletas como
verdadeiros filhos. Na hora que precisa de uma bronca, ele
vai lá e faz. A diferença dele é a fala,
consegue motivar, tocar os atletas para dar o máximo.
GE: Até onde o Santos pode chegar no Campeonato
Brasileiro e na Copa do Brasil? Você briga pela artilharia
nessas competições?
R: Nosso grupo está fechado para ganhar tudo. Artilharia
não vou prometer, pois nunca fui esse jogador artilheiro
de campeonato. Mas vou prometer muita vontade, o grupo está
unido. A gente sabe que, principalmente a Copa do Brasil,
são seis jogos para tentarmos retornarmos à
disputa da Copa Libertadores da América. Precisamos
continuar com essa humildade, essa união, para tentar
vencer a Copa do Brasil e ficarmos até mais tranqüilos
para jogar o Brasileirão.
GE: Você acha que o Flamengo fez o pior negócio
da sua história ao trocar o Reinaldo e o Adriano pelo
Vampeta?
R: Foi um negócio que nenhum clube faria, com certeza,
principalmente por ter dois atacantes na faixa dos 18, 19,
20 anos, marcando gols, conquistando os títulos cariocas
e da Copa Mercosul. Ninguém sabe o que aconteceu direito,
mas foi favorável financeiramente tanto para mim como
ao Adriano. Agora não sei se foi para o Vampeta. Mas
para o Flamengo, se você for tentar até uma pesquisa
com os torcedores, não foi bom, não.
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