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20/06/2006

Por Régis Querino, enviado especial em Stuttgart

O volante Marcos Senna, ex-Corinthians, vive em 2006 o sonho de todo jogador de futebol: disputar uma Copa do Mundo. Jogando desde 2002 no Villarreal, Senna obteve cidadania espanhola, ganhou a confiança do treinador Luis Aragonés e conquistou uma vaga na Fúria, que tem feito um bom papel neste início de Mundial. Com duas vitórias em dois jogos e já classificada às oitavas-de-final, a equipe lidera o grupo H, com seis pontos.

A reportagem da GE.Net acompanhou a vitória espanhola sobre a Tunísia, por 3 a 1, na noite de segunda-feira, no Gottlieb-Daimier-Stadion, em Stuttgart. Com um início de jogo ruim, a Fúria fechou a primeira etapa perdendo por 1 a 0. No intervalo, Aragonés fez duas mudanças e numa delas optou pela saída de Senna para a entrada de Fabregas. O ex-corintiano estava um pouco abatido no final do jogo, mas garantiu não ter ficado chateado com a substituição. “Ninguém gosta de sair, mas estou contente com a vitória”, disse o volante, que conversou de forma exclusiva com a reportagem.

Na entrevista, Senna falou da expectativa para a seleção espanhola na Copa e revelou que prefere nem pensar em um duelo contra o Brasil nas quartas-de-final, caso Espanha e Brasil fiquem em primeiro lugar nos seus grupos e passem pelas oitavas-de-final. Ele considera precipitada as críticas feitas à seleção e diz que o mundo está de olho e ciente das armas brasileiras. Incluindo a Fúria, que conta com um brasileiro para o possível duelo daqui a dois jogos no Mundial da Alemanha. O “fogo amigo” da Espanha que se especializou nas cobranças de falta e tenta agora eliminar sua pátria-mãe.

Gazeta Esportiva Net: Marcos, depois de um início arrasador na Copa (vitória por 4 a 0 sobre a Ucrânia), a Espanha levou um susto contra a Tunísia. O que aconteceu com a equipe?
Marcos Senna:
O problema é que eles marcaram o gol primeiro. E é normal de qualquer equipe que sai na frente, se fechar atrás. Mas a gente estava muito tranqüilo porque sabia da capacidade dos nossos jogadores. Sabíamos que um momento ou outro a gente podia fazer o gol e sair com a vitória. E depois que a gente fez o segundo, poderíamos ter feito quatro ou cinco.

GE Net: No intervalo, o Luis Aragonés (técnico espanhol) mexeu na equipe. Você e o Luis Garcia saíram para as entradas do Fabregas e do Raul. A Espanha reagiu e virou o jogo. Não é uma situação incômoda?
Marcos Senna:
Ninguém gosta de ser substituído, mas estou muito contente porque conseguimos a vitória. Isso demonstra que temos uma boa equipe, que vamos sofrer até o final, mas o mais importante é que estamos unidos e queremos chegar.

GE Net: Qual é a sensação de estar jogando numa Copa do Mundo por outro país que não o Brasil?
Marcos Senna:
Eu me sinto completamente em casa jogando pela Espanha, o pessoal me tratou super bem. Isso (o fato de ser brasileiro) eu tenho que deixar de lado agora. As portas se abriram para mim aqui (na Espanha) e eu estou muito contente, principalmente com dois jogos e duas vitórias.

GE Net: Mas você chegou a imaginar como seria enfrentar o Brasil na Copa?
Marcos Senna:
Eu, na verdade, não parei para pensar nisso ainda. Eu procuro não me desgastar com isso agora, a gente tem mais um jogo para tentar se classificar em primeiro e depois tem as oitavas-de-final. Então para começar a falar em quartas-de-final é muito cedo. Eu acho que depois que a gente passar, aí sim eu vou pensar. No caso se o Brasil passar também, não se sabe se o Brasil vai chegar. Então é muito cedo para falar nisso.

GE Net: Você viu algum jogo do Brasil? Como você avalia o início da seleção na Copa?
Marcos Senna:
Sim, eu acompanhei os jogos. Eu acho que o Brasil ainda tem a melhorar, mas eles estão fazendo o que é mais importante, que é ganhar. Eu acho que o Brasil vai crescer, tem muito o que demonstrar ainda, porque a gente sabe da qualidade dos jogadores. E o Brasil vai seguir sempre assim, sofrendo. Todo mundo sabe que o Brasil é candidato ao titulo e todos estão com os olhos bem abertos, sabem da filosofia de jogo do Brasil.

GE Net: Existe muita cobrança em cima da seleção brasileira? A pressão atrapalha o desempenho da equipe?
Marcos Senna:
Pela experiência dos jogadores eu acho que não, a pressão não atrapalha. Eu acho que eles estão fazendo o mais importante, como eu falei, conseguindo a vitória. Eu acho que futebol bonito, se der para fazer, bem. Se não, não. Eu acho que eles estão certos.

GE Net: Além do Brasil, quais são os outros favoritos para a conquista do título?
Marcos Senna:
Os favoritos são sempre os grandes, mas é aquela coisa, no Mundial sempre acontece surpresa e ninguém encontra vida fácil. Eu acho que tem que esperar, ainda é muito cedo. Vão começar a aparecer os favoritos de verdade através das oitavas e das quartas-de-final.

GE Net: E a Espanha? Quais as chances da Fúria na briga pelo título?
Marcos Senna:
É claro que a gente tem o objetivo de chegar na final e ser campeão, mas sabemos da caminhada longa que a gente tem.

GE Net: Qual seria o melhor adversário para a Espanha nas oitavas-de-final (França, Coréia do Sul, Togo ou Suíça)?
Marcos Senna:
A gente não tem muito o que escolher agora, a Espanha tem que enfrentar quem vier.

GE Net: O Luis Aragonés tem feito algumas mudanças na equipe e deixado jogadores experientes, como o Raul, no banco de reservas. Como é o ambiente dentro da seleção espanhola?
Marcos Senna:
Não há divisão nenhuma dentro do grupo. Todos estão vendo. A gente ganhou o primeiro jogo e o segundo. Ganhando todos os jogos sempre vai ter um ambiente bom, mas mesmo perdendo o time está muito unido, sabe das dificuldades que vamos passar. E é seguir assim daqui pra frente.

GE Net: Você se firmou no Villarreal e conquistou uma vaga na seleção, mas não sonha em jogar numa grande equipe da Espanha?
Marcos Senna:
O Villarreal se tornou grande, estou muito contente lá, quero jogar a Copa dos Campeões de novo e fazer uma boa campanha (neste ano, o Villareal foi semifinalista, perdendo do Arsenal). Tenho uma temporada a mais para cumprir e creio que vou renovar, mas não sei por quantas temporadas mais. Pretendo seguir no Villarreal.

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