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Por Régis Querino, enviado especial
em Stuttgart
O volante Marcos Senna, ex-Corinthians, vive em 2006
o sonho de todo jogador de futebol: disputar uma Copa do Mundo.
Jogando desde 2002 no Villarreal, Senna obteve cidadania espanhola,
ganhou a confiança do treinador Luis Aragonés
e conquistou uma vaga na Fúria, que tem feito um bom
papel neste início de Mundial. Com duas vitórias
em dois jogos e já classificada às oitavas-de-final,
a equipe lidera o grupo H, com seis pontos.
A reportagem da GE.Net acompanhou a vitória espanhola
sobre a Tunísia, por 3 a 1, na noite de segunda-feira,
no Gottlieb-Daimier-Stadion, em Stuttgart. Com um início
de jogo ruim, a Fúria fechou a primeira etapa perdendo
por 1 a 0. No intervalo, Aragonés fez duas mudanças
e numa delas optou pela saída de Senna para a entrada
de Fabregas. O ex-corintiano estava um pouco abatido no final
do jogo, mas garantiu não ter ficado chateado com a
substituição. “Ninguém gosta de
sair, mas estou contente com a vitória”, disse
o volante, que conversou de forma exclusiva com a reportagem.
Na entrevista, Senna falou da expectativa para a seleção
espanhola na Copa e revelou que prefere nem pensar em um duelo
contra o Brasil nas quartas-de-final, caso Espanha e Brasil
fiquem em primeiro lugar nos seus grupos e passem pelas oitavas-de-final.
Ele considera precipitada as críticas feitas à
seleção e diz que o mundo está de olho
e ciente das armas brasileiras. Incluindo a Fúria,
que conta com um brasileiro para o possível duelo daqui
a dois jogos no Mundial da Alemanha. O “fogo amigo”
da Espanha que se especializou nas cobranças de falta
e tenta agora eliminar sua pátria-mãe.
Gazeta Esportiva Net: Marcos, depois de um início
arrasador na Copa (vitória por 4 a 0 sobre a Ucrânia),
a Espanha levou um susto contra a Tunísia. O que aconteceu
com a equipe?
Marcos Senna: O problema é que eles marcaram
o gol primeiro. E é normal de qualquer equipe que sai
na frente, se fechar atrás. Mas a gente estava muito
tranqüilo porque sabia da capacidade dos nossos jogadores.
Sabíamos que um momento ou outro a gente podia fazer
o gol e sair com a vitória. E depois que a gente fez
o segundo, poderíamos ter feito quatro ou cinco.
GE Net: No intervalo, o Luis Aragonés (técnico
espanhol) mexeu na equipe. Você e o Luis Garcia saíram
para as entradas do Fabregas e do Raul. A Espanha reagiu e
virou o jogo. Não é uma situação
incômoda?
Marcos Senna: Ninguém gosta de ser substituído,
mas estou muito contente porque conseguimos a vitória.
Isso demonstra que temos uma boa equipe, que vamos sofrer
até o final, mas o mais importante é que estamos
unidos e queremos chegar.
GE Net: Qual é a sensação de
estar jogando numa Copa do Mundo por outro país que
não o Brasil?
Marcos Senna: Eu me sinto completamente em casa jogando
pela Espanha, o pessoal me tratou super bem. Isso (o fato
de ser brasileiro) eu tenho que deixar de lado agora. As portas
se abriram para mim aqui (na Espanha) e eu estou muito contente,
principalmente com dois jogos e duas vitórias.
GE Net: Mas você chegou a imaginar como seria
enfrentar o Brasil na Copa?
Marcos Senna: Eu, na verdade, não parei para
pensar nisso ainda. Eu procuro não me desgastar com
isso agora, a gente tem mais um jogo para tentar se classificar
em primeiro e depois tem as oitavas-de-final. Então
para começar a falar em quartas-de-final é muito
cedo. Eu acho que depois que a gente passar, aí sim
eu vou pensar. No caso se o Brasil passar também, não
se sabe se o Brasil vai chegar. Então é muito
cedo para falar nisso.
GE Net: Você viu algum jogo do Brasil? Como
você avalia o início da seleção
na Copa?
Marcos Senna: Sim, eu acompanhei os jogos. Eu acho
que o Brasil ainda tem a melhorar, mas eles estão fazendo
o que é mais importante, que é ganhar. Eu acho
que o Brasil vai crescer, tem muito o que demonstrar ainda,
porque a gente sabe da qualidade dos jogadores. E o Brasil
vai seguir sempre assim, sofrendo. Todo mundo sabe que o Brasil
é candidato ao titulo e todos estão com os olhos
bem abertos, sabem da filosofia de jogo do Brasil.
GE Net: Existe muita cobrança em cima da seleção
brasileira? A pressão atrapalha o desempenho da equipe?
Marcos Senna: Pela experiência dos jogadores
eu acho que não, a pressão não atrapalha.
Eu acho que eles estão fazendo o mais importante, como
eu falei, conseguindo a vitória. Eu acho que futebol
bonito, se der para fazer, bem. Se não, não.
Eu acho que eles estão certos.
GE Net: Além do Brasil, quais são os
outros favoritos para a conquista do título?
Marcos Senna: Os favoritos são sempre os grandes,
mas é aquela coisa, no Mundial sempre acontece surpresa
e ninguém encontra vida fácil. Eu acho que tem
que esperar, ainda é muito cedo. Vão começar
a aparecer os favoritos de verdade através das oitavas
e das quartas-de-final.
GE Net: E a Espanha? Quais as chances da Fúria
na briga pelo título?
Marcos Senna: É claro que a gente tem o objetivo
de chegar na final e ser campeão, mas sabemos da caminhada
longa que a gente tem.
GE Net: Qual seria o melhor adversário para
a Espanha nas oitavas-de-final (França, Coréia
do Sul, Togo ou Suíça)?
Marcos Senna: A gente não tem muito o que
escolher agora, a Espanha tem que enfrentar quem vier.
GE Net: O Luis Aragonés tem feito algumas
mudanças na equipe e deixado jogadores experientes,
como o Raul, no banco de reservas. Como é o ambiente
dentro da seleção espanhola?
Marcos Senna: Não há divisão
nenhuma dentro do grupo. Todos estão vendo. A gente
ganhou o primeiro jogo e o segundo. Ganhando todos os jogos
sempre vai ter um ambiente bom, mas mesmo perdendo o time
está muito unido, sabe das dificuldades que vamos passar.
E é seguir assim daqui pra frente.
GE Net: Você se firmou no Villarreal e conquistou
uma vaga na seleção, mas não sonha em
jogar numa grande equipe da Espanha?
Marcos Senna: O Villarreal se tornou grande, estou
muito contente lá, quero jogar a Copa dos Campeões
de novo e fazer uma boa campanha (neste ano, o Villareal foi
semifinalista, perdendo do Arsenal). Tenho uma temporada a
mais para cumprir e creio que vou renovar, mas não
sei por quantas temporadas mais. Pretendo seguir no Villarreal.
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