| Por Marcelo Rodrigues
Belpiede
São 65 dias longe de uma partida oficial. O zagueiro
André Dias permanece sem uma definição de seu imbróglio
na Justiça do Trabalho com o Goiás. Aos 27 anos, o jogador
lamenta a paralisação de sua carreira que vinha em franca
ascensão. No São Paulo, ele já havia conquistado o respeito
de dirigentes, torcedores e membros da comissão técnica.
Existe a expectativa de André Dias ser liberado nesta
terça-feira. Pelo menos essa foi a posição colocada
pelo diretor de futebol do São Paulo, João Paulo de
Jesus Lopes, antes da preciosa vitória contra o Internacional,
em confronto que reuniu líder e vice-líder do Campeonato
Brasileiro. Assim, o zagueiro poderia reaparecer contra
o São Caetano.
Enquanto não recebe boas notícias, André Dias falou
em entrevista exclusiva para GE.Net sobre
seu desespero de ficar longe do futebol, principalmente
nas finais da Libertadores da América. Irritado, acusou
a Justiça de Goiás de favorecer a equipe do Centro-Oeste
nas últimas decisões do caso. O zagueiro também admite
que se resguardou junto aos familiares para suportar
a fase mais difícil da carreira profissional.
| Foto: Fernando Pilatos/Gazeta Press |
 |
| 15/07/2006: na última
vez que esteve em campo, André Dias
marcou contra o Figueirense |
|
No entanto, André Dias mantém seus planos para o futuro.
No momento em que retornar ao Tricolor, espera ajudar
a suprir a ausência do uruguaio Lugano e se tornar um
dos líderes do clube do Morumbi. Além disso, não esconde
outro sonho: uma chance na seleção brasileira do técnico
Dunga.
Veja abaixo a entrevista na íntegra de André
Dias:
Gazeta Esportiva.NET: Você está
há mais de dois meses fora dos gramados, qual
o seu sentimento neste momento?
André Dias: Jamais imaginei que isso
aconteceria comigo. Sempre fui muito correto, nunca
fiz mal a ninguém. Agora me vejo em uma situação
complicada. Estava na melhor fase da minha carreira,
da minha vida, como titular no melhor clube que poderia
atuar. A grande dificuldade que esperava encontrar era
quanto à questão da adaptação.
Isso eu superei sem dificuldade. Sobre esse problema
na Justiça, achei que sairia um acordo rápido.
Só que vejo uma pessoa querendo me prejudicar
(o presidente do Goiás, Raimundo Queiróz),
levando a coisa para o lado pessoal.
Gazeta Esportiva.NET: É um momento de
desespero?
André Dias: Já passei pela fase
de desespero, afinal completei dois meses de ausência.
O pior foi quando estava disputando a Libertadores,
competição que todo mundo sonha em participar.
O São Paulo só não foi campeão
por um acaso e eu estava à disposição.
Neste momento, a participação da família
é fundamental na vida de qualquer um.
Gazeta Esportiva.NET: Sua rotina mudou bastante
durante esses dois meses?
André Dias: Gosto de sair para jantar,
ir ao cinema, mas preferi não me expor muito,
dar uma segurada. Pelo menos existe um lado positivo,
pude ficar um pouco mais com meus familiares, já
que observei de longe essa dura rotina de meus companheiros,
que jogaram bastante, sempre estavam em campo na quarta-feira
e no domingo.
Gazeta Esportiva.NET: No Brasil, principalmente
na política, sempre ouvimos falar que a Justiça
é lenta. Você está sentindo isso
agora no seu caso?
André Dias: Você tem razão,
eu sempre ouvi também. Mas também ouvia
que no futebol as coisas aconteciam mais rapidamente.
O principal é que os advogados confiam que a
minha posição é a correta e vamos
sair vencedores no final. O grande problema é
que ainda não encontramos alguém em Brasília
que veja o caso da mesma forma que o pessoal que está
ao meu lado analisa.
Gazeta Esportiva.NET: Qual tem sido a participação
do São Paulo na sua briga com o Goiás?
André Dias: Tenho muito a agradecer
o São Paulo. Eles compraram minha briga desde
o início. Não posso esquecer neste momento
de falar que pagam meu salário integralmente,
sem nenhum tipo de atraso. O engraçado é
que, nesta última sentença da Justiça
de Goiás, deram 50% de razão para mim
e outros 50% para o Goiás, mas continuo parado.
Não é como o Aloísio, que permanece
com condições de jogar, mesmo com o processo
indefinido contra o Atlético-PR. Ninguém
consegue explicar o que aconteceu no meu caso. O que
me passaram é que a Justiça de Goiânia
sempre procura favorecer o clube de lá, já
que só existem dois times grandes no estado.
Infelizmente, comecei o processo em Goiás e não
tem como mudar de cidade.
Gazeta Esportiva.NET: Você já
está sem jogar faz muito tempo. Lembro que isso
aconteceu com o goleiro Fábio, que teve problemas
judiciais com o Vasco antes de ir para o Cruzeiro. Ele
demorou um tempo para recuperar o bom futebol. Quando
acabar tudo isso, você teme perder aquele desempenho
que o fez chegar ao São Paulo?
André Dias: Eu não tenho medo
de ser prejudicado pela falta de ritmo. Acho que a posição
de goleiro, no caso do Fábio, por exemplo, é
bem diferente. Eles demoram um pouco mais de tempo para
recuperar a forma. Eu estou treinando normalmente. Se
tivesse parado devido a uma contusão, seria bem
pior. Claro que vou precisar de alguns jogos para readquirir
o ritmo, mas logo retornarei à condição
normal.
Gazeta Esportiva.NET: Falando sobre o São
Paulo, muito foi comentado da falta de um líder
depois da venda do Lugano. O Muricy Ramalho
confia que você pode ser essa pessoa para liderar
a defesa. O que acha?
André Dias: Eu tenho uma maneira própria
de ser, falando bastante com os companheiros. Não
vou fazer igual ao Lugano, que esbravejava, gritava
com todo mundo. Mas essa coisa de cobrança, sempre
fez parte de mim. Dentro de campo, acho que posso ajudar
neste sentido.
Gazeta Esportiva.NET: Muito se fala que você
será o líbero do time quando retornar.
Você pode exercer essa função?
André Dias: O Milton Cruz (um dos auxiliares
de Muricy Ramalho no São Paulo) conversou bastante
comigo a esse respeito. Já joguei muito nessa
função, durante quatro anos. Acho que
não teria grandes dificuldades em jogar na posição.
Gazeta Esportiva.NET: Mas também devemos
lembrar que o Muricy escalou o São Paulo no 4-4-2
no último jogo. Você acha que esse esquema
emplaca? A concorrência ficaria maior na zaga,
não é verdade?
André Dias: Sim, seriam apenas duas
vagas na defesa. Mas o importante é dar certo
e o time continuar com uma seqüência de bons
resultados no Campeonato Brasileiro. Para mim, independente
do esquema e de quem jogar, o principal é o São
Paulo se sair bem.
Gazeta Esportiva.NET: O São Paulo viveu
momento de instabilidade nos últimos dias. Como
você observou isso de fora?
André Dias: Todos esperavam muito do
São Paulo esse ano devido aos títulos
do ano passado. Por isso existe tanta cobrança.
Até chegamos às decisões, mas as
coisas não aconteceram como imaginávamos.
Se analisarmos, todas as equipes tiveram quedas em algum
momento do Campeonato Brasileiro. Vejo essa fase como
o período de queda normal do São Paulo
na competição.
Gazeta Esportiva.NET: Neste ano, você
foi muito elogiado e chegou a ser sondado para jogar
na seleção brasileira. Como está
isso na sua cabeça?
André Dias: Estava com a expectativa
de ir para seleção pois vivia o melhor
momento da minha vida. Agora seria um bom momento principalmente
com a troca da comissão técnica e a renovação
promovida pelo Dunga. Mas tenho certeza de que posso
ter alguma oportunidade no futuro.
Gazeta Esportiva.NET: Para terminar, que recado
você deixa ao torcedor? O São Paulo tem
boas chances de ser campeão brasileiro?
André Dias: Acredito que temos grandes
chances de levantar esse título. Só peço
ao torcedor para que não pressione os jogadores
neste momento. Confio bastante na capacidade de meus
companheiros. Contamos com uma grande equipe. Tenho
certeza de que podemos dar essa alegria no final do
ano.
|