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18/09/2006
Montagem sobre foto de Fernando Pilatos/Gazeta Press

Por Marcelo Rodrigues Belpiede

São 65 dias longe de uma partida oficial. O zagueiro André Dias permanece sem uma definição de seu imbróglio na Justiça do Trabalho com o Goiás. Aos 27 anos, o jogador lamenta a paralisação de sua carreira que vinha em franca ascensão. No São Paulo, ele já havia conquistado o respeito de dirigentes, torcedores e membros da comissão técnica.

Existe a expectativa de André Dias ser liberado nesta terça-feira. Pelo menos essa foi a posição colocada pelo diretor de futebol do São Paulo, João Paulo de Jesus Lopes, antes da preciosa vitória contra o Internacional, em confronto que reuniu líder e vice-líder do Campeonato Brasileiro. Assim, o zagueiro poderia reaparecer contra o São Caetano.

Enquanto não recebe boas notícias, André Dias falou em entrevista exclusiva para GE.Net sobre seu desespero de ficar longe do futebol, principalmente nas finais da Libertadores da América. Irritado, acusou a Justiça de Goiás de favorecer a equipe do Centro-Oeste nas últimas decisões do caso. O zagueiro também admite que se resguardou junto aos familiares para suportar a fase mais difícil da carreira profissional.

Foto: Fernando Pilatos/Gazeta Press
15/07/2006: na última vez que esteve em campo, André Dias marcou contra o Figueirense
No entanto, André Dias mantém seus planos para o futuro. No momento em que retornar ao Tricolor, espera ajudar a suprir a ausência do uruguaio Lugano e se tornar um dos líderes do clube do Morumbi. Além disso, não esconde outro sonho: uma chance na seleção brasileira do técnico Dunga.

Veja abaixo a entrevista na íntegra de André Dias:

Gazeta Esportiva.NET: Você está há mais de dois meses fora dos gramados, qual o seu sentimento neste momento?
André Dias:
Jamais imaginei que isso aconteceria comigo. Sempre fui muito correto, nunca fiz mal a ninguém. Agora me vejo em uma situação complicada. Estava na melhor fase da minha carreira, da minha vida, como titular no melhor clube que poderia atuar. A grande dificuldade que esperava encontrar era quanto à questão da adaptação. Isso eu superei sem dificuldade. Sobre esse problema na Justiça, achei que sairia um acordo rápido. Só que vejo uma pessoa querendo me prejudicar (o presidente do Goiás, Raimundo Queiróz), levando a coisa para o lado pessoal.

Gazeta Esportiva.NET: É um momento de desespero?
André Dias:
Já passei pela fase de desespero, afinal completei dois meses de ausência. O pior foi quando estava disputando a Libertadores, competição que todo mundo sonha em participar. O São Paulo só não foi campeão por um acaso e eu estava à disposição. Neste momento, a participação da família é fundamental na vida de qualquer um.

Gazeta Esportiva.NET: Sua rotina mudou bastante durante esses dois meses?
André Dias:
Gosto de sair para jantar, ir ao cinema, mas preferi não me expor muito, dar uma segurada. Pelo menos existe um lado positivo, pude ficar um pouco mais com meus familiares, já que observei de longe essa dura rotina de meus companheiros, que jogaram bastante, sempre estavam em campo na quarta-feira e no domingo.

Gazeta Esportiva.NET: No Brasil, principalmente na política, sempre ouvimos falar que a Justiça é lenta. Você está sentindo isso agora no seu caso?
André Dias:
Você tem razão, eu sempre ouvi também. Mas também ouvia que no futebol as coisas aconteciam mais rapidamente. O principal é que os advogados confiam que a minha posição é a correta e vamos sair vencedores no final. O grande problema é que ainda não encontramos alguém em Brasília que veja o caso da mesma forma que o pessoal que está ao meu lado analisa.

Gazeta Esportiva.NET: Qual tem sido a participação do São Paulo na sua briga com o Goiás?
André Dias:
Tenho muito a agradecer o São Paulo. Eles compraram minha briga desde o início. Não posso esquecer neste momento de falar que pagam meu salário integralmente, sem nenhum tipo de atraso. O engraçado é que, nesta última sentença da Justiça de Goiás, deram 50% de razão para mim e outros 50% para o Goiás, mas continuo parado. Não é como o Aloísio, que permanece com condições de jogar, mesmo com o processo indefinido contra o Atlético-PR. Ninguém consegue explicar o que aconteceu no meu caso. O que me passaram é que a Justiça de Goiânia sempre procura favorecer o clube de lá, já que só existem dois times grandes no estado. Infelizmente, comecei o processo em Goiás e não tem como mudar de cidade.

Gazeta Esportiva.NET: Você já está sem jogar faz muito tempo. Lembro que isso aconteceu com o goleiro Fábio, que teve problemas judiciais com o Vasco antes de ir para o Cruzeiro. Ele demorou um tempo para recuperar o bom futebol. Quando acabar tudo isso, você teme perder aquele desempenho que o fez chegar ao São Paulo?
André Dias:
Eu não tenho medo de ser prejudicado pela falta de ritmo. Acho que a posição de goleiro, no caso do Fábio, por exemplo, é bem diferente. Eles demoram um pouco mais de tempo para recuperar a forma. Eu estou treinando normalmente. Se tivesse parado devido a uma contusão, seria bem pior. Claro que vou precisar de alguns jogos para readquirir o ritmo, mas logo retornarei à condição normal.

Gazeta Esportiva.NET: Falando sobre o São Paulo, muito foi comentado da falta de um líder depois da venda do Lugano. O Muricy Ramalho confia que você pode ser essa pessoa para liderar a defesa. O que acha?
André Dias: Eu tenho uma maneira própria de ser, falando bastante com os companheiros. Não vou fazer igual ao Lugano, que esbravejava, gritava com todo mundo. Mas essa coisa de cobrança, sempre fez parte de mim. Dentro de campo, acho que posso ajudar neste sentido.

Gazeta Esportiva.NET: Muito se fala que você será o líbero do time quando retornar. Você pode exercer essa função?
André Dias:
O Milton Cruz (um dos auxiliares de Muricy Ramalho no São Paulo) conversou bastante comigo a esse respeito. Já joguei muito nessa função, durante quatro anos. Acho que não teria grandes dificuldades em jogar na posição.

Gazeta Esportiva.NET: Mas também devemos lembrar que o Muricy escalou o São Paulo no 4-4-2 no último jogo. Você acha que esse esquema emplaca? A concorrência ficaria maior na zaga, não é verdade?
André Dias:
Sim, seriam apenas duas vagas na defesa. Mas o importante é dar certo e o time continuar com uma seqüência de bons resultados no Campeonato Brasileiro. Para mim, independente do esquema e de quem jogar, o principal é o São Paulo se sair bem.

Gazeta Esportiva.NET: O São Paulo viveu momento de instabilidade nos últimos dias. Como você observou isso de fora?
André Dias:
Todos esperavam muito do São Paulo esse ano devido aos títulos do ano passado. Por isso existe tanta cobrança. Até chegamos às decisões, mas as coisas não aconteceram como imaginávamos. Se analisarmos, todas as equipes tiveram quedas em algum momento do Campeonato Brasileiro. Vejo essa fase como o período de queda normal do São Paulo na competição.

Gazeta Esportiva.NET: Neste ano, você foi muito elogiado e chegou a ser sondado para jogar na seleção brasileira. Como está isso na sua cabeça?
André Dias:
Estava com a expectativa de ir para seleção pois vivia o melhor momento da minha vida. Agora seria um bom momento principalmente com a troca da comissão técnica e a renovação promovida pelo Dunga. Mas tenho certeza de que posso ter alguma oportunidade no futuro.

Gazeta Esportiva.NET: Para terminar, que recado você deixa ao torcedor? O São Paulo tem boas chances de ser campeão brasileiro?
André Dias:
Acredito que temos grandes chances de levantar esse título. Só peço ao torcedor para que não pressione os jogadores neste momento. Confio bastante na capacidade de meus companheiros. Contamos com uma grande equipe. Tenho certeza de que podemos dar essa alegria no final do ano.

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