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Artilheiro
também deve trocar de clube
Outro jogador
que se destacou na Série B está arrumando
as malas. Apesar de o Gama estar no meio
da tabela da competição, ninguém no Brasil
fez mais gols que seu centroavante na atual
temporada. Vanderlei já balançou as redes
33 vezes no ano, sendo 21 na Segundona,
e despertou o interesse de outras equipes
do país.
Segundo a assessoria do jogador, Cruzeiro,
Fluminense, Santos, São Paulo, Palmeiras
e Vasco foram alguns dos clubes que o sondaram.
O Paraná, que briga para disputar a Copa
Libertadores da América em 2007, estaria
negociando com Vanderlei no momento. Ele
prefere não falar sobre o assunto. “Tenho
que pensar à frente, mas, como ensina o
ditado: o futuro a Deus pertence”.
Mas o artilheiro não
esconde a ambição de conseguir um bom contrato
após seu desempenho no Gama. “Claro que
eu tenho vontade de jogar em uma equipe
de grande porte. Já me fizeram algumas propostas,
mas, por enquanto, não tem nada de concreto.
Vamos esperar acabar o campeonato”, posterga.
Vanderlei, no entanto,
não pode ser apontado como uma revelação.
Ele já tem 28 anos e coleciona passagens
por Tubarão, Figueirense, Farroupilha, Glória
e até pelo futebol chinês, onde defendeu
o Heman Jianaye por cerca de seis meses.
“Não fui bem lá. Até me adaptei, mas cheguei
um pouco novo”, reconhece. O sucesso tardio,
no entanto, não o surpreende. “Sempre me
preparei para isso. Quando eu vim para o
Gama, meus planos eram de fazer 15 ou 20
gols. O meu momento pessoal favoreceu”.
O jogador superou
suas expectativas. Pena que o Gama não subiu
com ele à ponta da tabela de classificação,
chegando até a ficar ameaçado de rebaixamento.
“Faltou um melhor planejamento da diretoria
na hora de montar a equipe. Mais de 50 jogadores
saíram no decorrer do campeonato. Isso atrapalha.
A gente também perdeu muitos pontos em casa.
Mas tudo isso faz parte do passado”, comenta
o atacante.
Já o futuro de Vanderlei deve ser longe
do Gama. Apesar da crítica ao planejamento
dos dirigentes, ele também tem elogios para
a equipe do Distrito Federal, que o projetou
nacionalmente. “O clube em si tem uma boa
estrutura, um bom Centro de Treinamento
e um estádio ótimo”, observou o artilheiro,
perto de dar o maior passo da carreira.
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Por Helder Júnior, especial para GE.Net
O América-RN está a um empate de retornar à primeira
divisão do futebol brasileiro. O destaque da equipe
é o veterano meia Souza, prata-da-casa que se consagrou
no Corinthians, passou por São Paulo, Atlético-PR, Atlético-MG,
Flamengo e futebol russo, mas não esqueceu suas origens.
Contudo, o segundo maior goleador da equipe na Segundona,
com sete gols, não deve vestir a camisa do Diabo na
Série A do ano que vem.
Souza já chegou a garantir que encerraria a carreira
no América-RN, sem receber nada para isso, como dívida
de gratidão. Após defender o russo Krylya Sovetov, ele
voltou para Natal no início do ano, onde seu filho nasceu.
E decidiu antecipar a promessa de retornar ao clube
que o revelou, trabalhando cerca de três meses sem qualquer
remuneração. A torcida exigiu, fez até campanha, e a
diretoria o contratou.
Com o acesso à Série A se aproximando, o ciclo de Souza
no América-RN está próximo do fim. Nessa entrevista
exclusiva à GE.Net, ele revela que constantemente
recebe propostas para deixar a equipe nordestina e que
estaria propenso a aceitá-las, pois considera quitada
sua dívida com o Diabo. Mas o futuro do jogador é uma
incógnita. Aos 31 anos, ele não descarta sequer encerrar
a carreira. "Vou deixar rolar mais um pouco",
diz.
Do passado, Souza guarda as glórias no Corinthians,
clube que aprendeu a amar, e a frustração no Flamengo,
este, sim, seu time de coração. A projeção no futebol
paulista aconteceu no Rio Branco, quando jogava ao lado
de um futuro destaque da seleção mexicana: o também
meia Zinha, que só encontrou o estrelato no exterior.
Hoje se diz um "profissional" na acepção
da palavra e está perto de realizar a maior conquista
da carreira.
Gazeta Esportiva.Net: O América estava
na Série C no ano passado e agora está
a um empate de voltar à elite. Qual é o diferencial
do time do América?
Souza: O conjunto. O grupo é muito bom e o caráter
dos jogadores também. A união é muito forte. Aconteceram
várias coisas, que fizeram a gente precisar dessa conquista.
A morte de um companheiro nosso, por exemplo, foi um
momento difícil.
GE.Net: Como vocês superaram esse trauma (o
volante Helder Fontes de Oliveira sofreu uma miocardite
aguda em 20 de julho e foi encontrado morto por Paulinho
Kobayashi, no flat onde residia, em Natal)? O acesso
será dedicado ao Helder?
Souza: A gente só superou com um ajudando
o outro, colocando na cabeça que faria uma grande campanha
e iria homenageá-lo. Se nós conseguirmos a vaga, nós
vamos dedicar a ele. A dedicação dos jogadores é enorme,
pois é muito difícil jogar a Série B.
GE.Net: Você acha que o time do América já
está pronto para jogar a Série A, ou precisa se reforçar
para não passar pela mesma situação do Santa Cruz (que
subiu em 2005 e já está rebaixado)?
Souza: Eu não sei. Até porque não conseguimos
a vaga ainda, falta um ponto. Mas a maioria dos jogadores,
conseguindo a vaga ou não, vai embora porque acaba o
contrato. Então, a diretoria já está tomando as providências
para a disputa da Série A. E, mesmo que fosse a Série
B, teria que haver uma renovação. Mas eu não sei como
vai ser.
GE.Net: Você é um desses jogadores que devem
sair?
Souza: Eu ainda estou analisando. Meu pensamento
agora é só de acabar o campeonato, de concretizar mesmo
esse acesso. São dois jogos. Nesse em casa (sábado,
contra o Santo André), a gente vai tentar conseguir
uma vitória, ou um ponto, para definir. Depois, eu não
sei.
GE.Net: Com a boa campanha que vem fazendo,
sendo um dos destaques do campeonato, você já está recebendo
propostas para sair?
Souza: Venho recebendo propostas desde
o começo do ano e optei por ficar aqui. Prefiro não
falar o nome das equipes porque fica chato. É falta
de ética. Mas eu tive propostas do Brasil, tive para
fora, tive ofertas no meio da competição, de equipes
de grande e médio porte do futebol brasileiro, mas eu
preferi ficar aqui até o fim, porque eu acreditava que
a gente faria uma grande campanha. Eu também queria
ficar em Natal um pouco. Fazia três anos que eu estava
fora.
GE.Net: Hoje, sua vontade é sair do Brasil
ou ainda pretende jogar aqui?
Souza: Já tiveram momentos em que eu
pensei em sair: “só vou jogar se for fora”. Outros não,
por causa do meu filho. Pensei até em parar. Eu não
sei. Vamos esperar as coisas se definirem, acabar o
campeonato e, depois, eu vou pensar com calma.
GE.Net: A torcida do América já fez uma campanha
para você ficar no clube uma vez. Um gesto como esse
pode influenciar sua decisão?
Souza: Joguei aqui alguns meses sem
remuneração nenhuma. Depois, com o nascimento do meu
filho, eu tive algumas propostas para sair, mas optei
por ficar. E fizeram mesmo uma campanha chamada “Fica,
Souza”. Agora, vamos ver.
GE.Net: Como surgiu esse convite para voltar
ao América? Partiu de você mesmo?
Souza: Foi bem natural. Eu vim para
o Brasil (estava na Rússia, defendendo o Krylya Sovetov)
e fiquei de acertar com o Flamengo, que estava alguns
meses atrasado comigo. Mas acabei não querendo voltar
para lá, porque o que eu passei no ano passado,
com aquele cai-não cai, foi muito desgastante. Optei
por ficar em Natal. Comecei a treinar no América e,
naturalmente, surgiu a oportunidade de jogar aqui.
GE.Net: Mas jogar no América, o clube que
te revelou, é diferente...
Souza: É um momento de satisfação. Antes,
eu tinha falado que, quando fosse para encerrar a carreira,
eu jogaria aqui sem remuneração nenhuma. Só que, com
o nascimento do meu filho, optei por ficar nesse ano.
Eu pensei: “Já que eu estou aqui vou saldar a minha
dívida”. O calor que as pessoas têm por mim aqui é muito
grande. Hoje, com a campanha que a gente fez na Série
B, é um dos melhores momentos da minha vida em todos
os aspectos. Aqui está uma euforia só, mas mais por
parte da torcida, porque ainda falta um ponto.
GE.Net: O América sempre foi seu time de coração?
Souza: É um dos times do coração.
GE.Net Você jogaria no ABC (arqui-rival do
América-RN)?
Souza: Se fosse para ajudar o futebol
do Rio Grande do Norte, eu aceitaria. Caso contrário,
não. Eu tenho uma identificação muito grande com o América,
como eu tive com o Corinthians. Também foi muito difícil
ir para o São Paulo. É mais ou menos parecido. Talvez
aqui até mais.
GE.Net: Aliás, qual é a importância
do Corinthians na sua vida?
Souza: O Corinthians é um dos times
do meu coração. Tenho uma identificação muito grande
com o clube até hoje. Lá, ainda ficaram muitos amigos
meus, as pessoas que trabalham na rouparia, no próprio
CT. Sempre que vejo essas pessoas é como se a gente
não tivesse se separado. É um carinho enorme. Também
por parte de vários torcedores, que me encontram na
rua e falam: “Pô, Souza. Volta para o Corinthians”.
Meu time de coração mesmo era o Flamengo, que torço
desde criança. Mas aprendi a gostar do Corinthians também.
GE.Net: Esse amor pelo Flamengo acabou ficando
frustrado após sua passagem por lá?
Souza: Não. Foi muito difícil jogar
no Flamengo, mas, só de ajudar o time a não cair, já
foi válido. Quando eu fui para lá, algumas pessoas deram
conselhos para eu não ir: “você vai para aquele time?
Vai cair, vai cair”. Fui no meio do campeonato e o time
não estava bem. Mas eu dizia que ia assim mesmo, porque
eu achava que era a hora de realizar o sonho de jogar
no Flamengo. Não tive frustração. Só um pouquinho. Porque
eu acho que, com a camisa que o Flamengo tem, deveria
ter mais organização e estrutura. Torcida tem.
GE.Net: Você ainda alimenta a vontade de voltar
para o Flamengo ou para o Corinthians, como já fez no
América?
Souza: Acho muito difícil porque eu
já cheguei num ponto... Não sei. Não vou falar nunca,
ou que eu não quero. Mas prefiro uma coisa mais light.
Quero sair um pouco dessa pressão, que eu acho que não
suportaria mais.
GE.Net: Quando você jogava aqui, por exemplo,
a imprensa te criticava porque, às vezes, você ficava
sumido em campo...
Souza: Nessa época, eu não era o profissional
que sou hoje. Eu não me dedicava como agora, eu não
me cuidava, não estava nem aí e até mesmo não treinava
como deveria. Chegava a jogar machucado, sem treinar.
O cara que não está bem fisicamente não pode render.
Na seleção, isso também me atrapalhou. Cheguei muito
jovem na seleção e não estava totalmente preparado.
Mas foi muito bom, porque eu conheci muitas pessoas
e jogar pelo Brasil significa muito para um atleta.
Hoje, eu sou um atleta mesmo, profissional, que se cuida
em tudo.
GE.Net: Você chegou a fazer alguma coisa que
se arrepende?
Souza: Não. Isso é coisa da idade. Na minha carreira
toda, eu sou realizado por tudo o que aconteceu, principalmente
pelo respeito das pessoas nos clubes em que eu passei.
Isso é o que conta para mim. Para coroar mesmo, só conquistando
esse acesso com o América. Aí, sim, eu vou estar realizado
completamente.
GE.Net: E o São Paulo? O que você guarda de
lembrança desse clube?
Souza: O São Paulo é um grande clube. Hoje, é
o maior do futebol brasileiro. Tem uma estrutura enorme.
Mas, o que eu falei anteriormente, também cabe para
o São Paulo. Eu não fui o profissional que deveria ser.
Mas não tenho mágoas. Só guardo alegrias. Tenho uma
satisfação muito grande de poder ter jogado em clube
como esse, muito organizado, que hoje está colhendo
os frutos disso tudo.
GE.Net: O seu primo, o Zinha, se deu bem jogando
no exterior. Tanto que se naturalizou mexicano...
Souza: Ele saiu daqui (do Rio Grande do Norte)
muito novo. Foi para o Rio Branco e não teve oportunidades.
Procurou clubes por dois anos e não encontrava e acabou
indo para o México. Lá, passou o tempo, ele começou
a jogar bem, foi se destacando e ganhando moral. Acabou
até casando e está muito bem. Ele merece tudo isso porque
a força de vontade dele foi muito grande. Eu que levei
ele para o Rio Branco. Depois, pintaram algumas propostas
(para Souza ir para o futebol mexicano), mas nunca deu
certo.
GE.Net: Ainda faz questão de encerrar a carreira
no América?
Souza: Não. Eu já cumpri com a minha promessa.
Ainda vou pensar no meu futuro.
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