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17/11/2006
Montagem sobre foto de Fernando Pilatos/Gazeta Press

Artilheiro também deve trocar de clube

Foto: Divulgação Outro jogador que se destacou na Série B está arrumando as malas. Apesar de o Gama estar no meio da tabela da competição, ninguém no Brasil fez mais gols que seu centroavante na atual temporada. Vanderlei já balançou as redes 33 vezes no ano, sendo 21 na Segundona, e despertou o interesse de outras equipes do país.

Segundo a assessoria do jogador, Cruzeiro, Fluminense, Santos, São Paulo, Palmeiras e Vasco foram alguns dos clubes que o sondaram. O Paraná, que briga para disputar a Copa Libertadores da América em 2007, estaria negociando com Vanderlei no momento. Ele prefere não falar sobre o assunto. “Tenho que pensar à frente, mas, como ensina o ditado: o futuro a Deus pertence”.

Mas o artilheiro não esconde a ambição de conseguir um bom contrato após seu desempenho no Gama. “Claro que eu tenho vontade de jogar em uma equipe de grande porte. Já me fizeram algumas propostas, mas, por enquanto, não tem nada de concreto. Vamos esperar acabar o campeonato”, posterga.

Vanderlei, no entanto, não pode ser apontado como uma revelação. Ele já tem 28 anos e coleciona passagens por Tubarão, Figueirense, Farroupilha, Glória e até pelo futebol chinês, onde defendeu o Heman Jianaye por cerca de seis meses. “Não fui bem lá. Até me adaptei, mas cheguei um pouco novo”, reconhece. O sucesso tardio, no entanto, não o surpreende. “Sempre me preparei para isso. Quando eu vim para o Gama, meus planos eram de fazer 15 ou 20 gols. O meu momento pessoal favoreceu”.

O jogador superou suas expectativas. Pena que o Gama não subiu com ele à ponta da tabela de classificação, chegando até a ficar ameaçado de rebaixamento. “Faltou um melhor planejamento da diretoria na hora de montar a equipe. Mais de 50 jogadores saíram no decorrer do campeonato. Isso atrapalha. A gente também perdeu muitos pontos em casa. Mas tudo isso faz parte do passado”, comenta o atacante.

Já o futuro de Vanderlei deve ser longe do Gama. Apesar da crítica ao planejamento dos dirigentes, ele também tem elogios para a equipe do Distrito Federal, que o projetou nacionalmente. “O clube em si tem uma boa estrutura, um bom Centro de Treinamento e um estádio ótimo”, observou o artilheiro, perto de dar o maior passo da carreira.

Por Helder Júnior, especial para GE.Net

O América-RN está a um empate de retornar à primeira divisão do futebol brasileiro. O destaque da equipe é o veterano meia Souza, prata-da-casa que se consagrou no Corinthians, passou por São Paulo, Atlético-PR, Atlético-MG, Flamengo e futebol russo, mas não esqueceu suas origens. Contudo, o segundo maior goleador da equipe na Segundona, com sete gols, não deve vestir a camisa do Diabo na Série A do ano que vem.

Souza já chegou a garantir que encerraria a carreira no América-RN, sem receber nada para isso, como dívida de gratidão. Após defender o russo Krylya Sovetov, ele voltou para Natal no início do ano, onde seu filho nasceu. E decidiu antecipar a promessa de retornar ao clube que o revelou, trabalhando cerca de três meses sem qualquer remuneração. A torcida exigiu, fez até campanha, e a diretoria o contratou.

Com o acesso à Série A se aproximando, o ciclo de Souza no América-RN está próximo do fim. Nessa entrevista exclusiva à GE.Net, ele revela que constantemente recebe propostas para deixar a equipe nordestina e que estaria propenso a aceitá-las, pois considera quitada sua dívida com o Diabo. Mas o futuro do jogador é uma incógnita. Aos 31 anos, ele não descarta sequer encerrar a carreira. "Vou deixar rolar mais um pouco", diz.

Do passado, Souza guarda as glórias no Corinthians, clube que aprendeu a amar, e a frustração no Flamengo, este, sim, seu time de coração. A projeção no futebol paulista aconteceu no Rio Branco, quando jogava ao lado de um futuro destaque da seleção mexicana: o também meia Zinha, que só encontrou o estrelato no exterior. Hoje se diz um "profissional" na acepção da palavra e está perto de realizar a maior conquista da carreira.

Gazeta Esportiva.Net: O América estava na Série C no ano passado e agora está a um empate de voltar à elite. Qual é o diferencial do time do América?
Souza: O conjunto. O grupo é muito bom e o caráter dos jogadores também. A união é muito forte. Aconteceram várias coisas, que fizeram a gente precisar dessa conquista. A morte de um companheiro nosso, por exemplo, foi um momento difícil.

GE.Net: Como vocês superaram esse trauma (o volante Helder Fontes de Oliveira sofreu uma miocardite aguda em 20 de julho e foi encontrado morto por Paulinho Kobayashi, no flat onde residia, em Natal)? O acesso será dedicado ao Helder?
Souza: A gente só superou com um ajudando o outro, colocando na cabeça que faria uma grande campanha e iria homenageá-lo. Se nós conseguirmos a vaga, nós vamos dedicar a ele. A dedicação dos jogadores é enorme, pois é muito difícil jogar a Série B.

GE.Net: Você acha que o time do América já está pronto para jogar a Série A, ou precisa se reforçar para não passar pela mesma situação do Santa Cruz (que subiu em 2005 e já está rebaixado)?
Souza: Eu não sei. Até porque não conseguimos a vaga ainda, falta um ponto. Mas a maioria dos jogadores, conseguindo a vaga ou não, vai embora porque acaba o contrato. Então, a diretoria já está tomando as providências para a disputa da Série A. E, mesmo que fosse a Série B, teria que haver uma renovação. Mas eu não sei como vai ser.

GE.Net: Você é um desses jogadores que devem sair?
Souza: Eu ainda estou analisando. Meu pensamento agora é só de acabar o campeonato, de concretizar mesmo esse acesso. São dois jogos. Nesse em casa (sábado, contra o Santo André), a gente vai tentar conseguir uma vitória, ou um ponto, para definir. Depois, eu não sei.

GE.Net: Com a boa campanha que vem fazendo, sendo um dos destaques do campeonato, você já está recebendo propostas para sair?
Souza: Venho recebendo propostas desde o começo do ano e optei por ficar aqui. Prefiro não falar o nome das equipes porque fica chato. É falta de ética. Mas eu tive propostas do Brasil, tive para fora, tive ofertas no meio da competição, de equipes de grande e médio porte do futebol brasileiro, mas eu preferi ficar aqui até o fim, porque eu acreditava que a gente faria uma grande campanha. Eu também queria ficar em Natal um pouco. Fazia três anos que eu estava fora.

GE.Net: Hoje, sua vontade é sair do Brasil ou ainda pretende jogar aqui?
Souza: Já tiveram momentos em que eu pensei em sair: “só vou jogar se for fora”. Outros não, por causa do meu filho. Pensei até em parar. Eu não sei. Vamos esperar as coisas se definirem, acabar o campeonato e, depois, eu vou pensar com calma.

GE.Net: A torcida do América já fez uma campanha para você ficar no clube uma vez. Um gesto como esse pode influenciar sua decisão?
Souza: Joguei aqui alguns meses sem remuneração nenhuma. Depois, com o nascimento do meu filho, eu tive algumas propostas para sair, mas optei por ficar. E fizeram mesmo uma campanha chamada “Fica, Souza”. Agora, vamos ver.

GE.Net: Como surgiu esse convite para voltar ao América? Partiu de você mesmo?
Souza: Foi bem natural. Eu vim para o Brasil (estava na Rússia, defendendo o Krylya Sovetov) e fiquei de acertar com o Flamengo, que estava alguns meses atrasado comigo. Mas acabei não querendo voltar para lá, porque o que eu passei no ano passado, com aquele cai-não cai, foi muito desgastante. Optei por ficar em Natal. Comecei a treinar no América e, naturalmente, surgiu a oportunidade de jogar aqui.

GE.Net: Mas jogar no América, o clube que te revelou, é diferente...
Souza: É um momento de satisfação. Antes, eu tinha falado que, quando fosse para encerrar a carreira, eu jogaria aqui sem remuneração nenhuma. Só que, com o nascimento do meu filho, optei por ficar nesse ano. Eu pensei: “Já que eu estou aqui vou saldar a minha dívida”. O calor que as pessoas têm por mim aqui é muito grande. Hoje, com a campanha que a gente fez na Série B, é um dos melhores momentos da minha vida em todos os aspectos. Aqui está uma euforia só, mas mais por parte da torcida, porque ainda falta um ponto.

GE.Net: O América sempre foi seu time de coração?
Souza: É um dos times do coração.

GE.Net Você jogaria no ABC (arqui-rival do América-RN)?
Souza: Se fosse para ajudar o futebol do Rio Grande do Norte, eu aceitaria. Caso contrário, não. Eu tenho uma identificação muito grande com o América, como eu tive com o Corinthians. Também foi muito difícil ir para o São Paulo. É mais ou menos parecido. Talvez aqui até mais.

GE.Net: Aliás, qual é a importância do Corinthians na sua vida?
Souza: O Corinthians é um dos times do meu coração. Tenho uma identificação muito grande com o clube até hoje. Lá, ainda ficaram muitos amigos meus, as pessoas que trabalham na rouparia, no próprio CT. Sempre que vejo essas pessoas é como se a gente não tivesse se separado. É um carinho enorme. Também por parte de vários torcedores, que me encontram na rua e falam: “Pô, Souza. Volta para o Corinthians”. Meu time de coração mesmo era o Flamengo, que torço desde criança. Mas aprendi a gostar do Corinthians também.

GE.Net: Esse amor pelo Flamengo acabou ficando frustrado após sua passagem por lá?
Souza: Não. Foi muito difícil jogar no Flamengo, mas, só de ajudar o time a não cair, já foi válido. Quando eu fui para lá, algumas pessoas deram conselhos para eu não ir: “você vai para aquele time? Vai cair, vai cair”. Fui no meio do campeonato e o time não estava bem. Mas eu dizia que ia assim mesmo, porque eu achava que era a hora de realizar o sonho de jogar no Flamengo. Não tive frustração. Só um pouquinho. Porque eu acho que, com a camisa que o Flamengo tem, deveria ter mais organização e estrutura. Torcida tem.

GE.Net: Você ainda alimenta a vontade de voltar para o Flamengo ou para o Corinthians, como já fez no América?
Souza: Acho muito difícil porque eu já cheguei num ponto... Não sei. Não vou falar nunca, ou que eu não quero. Mas prefiro uma coisa mais light. Quero sair um pouco dessa pressão, que eu acho que não suportaria mais.

GE.Net: Quando você jogava aqui, por exemplo, a imprensa te criticava porque, às vezes, você ficava sumido em campo...
Souza: Nessa época, eu não era o profissional que sou hoje. Eu não me dedicava como agora, eu não me cuidava, não estava nem aí e até mesmo não treinava como deveria. Chegava a jogar machucado, sem treinar. O cara que não está bem fisicamente não pode render. Na seleção, isso também me atrapalhou. Cheguei muito jovem na seleção e não estava totalmente preparado. Mas foi muito bom, porque eu conheci muitas pessoas e jogar pelo Brasil significa muito para um atleta. Hoje, eu sou um atleta mesmo, profissional, que se cuida em tudo.

GE.Net: Você chegou a fazer alguma coisa que se arrepende?
Souza: Não. Isso é coisa da idade. Na minha carreira toda, eu sou realizado por tudo o que aconteceu, principalmente pelo respeito das pessoas nos clubes em que eu passei. Isso é o que conta para mim. Para coroar mesmo, só conquistando esse acesso com o América. Aí, sim, eu vou estar realizado completamente.

GE.Net: E o São Paulo? O que você guarda de lembrança desse clube?
Souza: O São Paulo é um grande clube. Hoje, é o maior do futebol brasileiro. Tem uma estrutura enorme. Mas, o que eu falei anteriormente, também cabe para o São Paulo. Eu não fui o profissional que deveria ser. Mas não tenho mágoas. Só guardo alegrias. Tenho uma satisfação muito grande de poder ter jogado em clube como esse, muito organizado, que hoje está colhendo os frutos disso tudo.

GE.Net: O seu primo, o Zinha, se deu bem jogando no exterior. Tanto que se naturalizou mexicano...
Souza: Ele saiu daqui (do Rio Grande do Norte) muito novo. Foi para o Rio Branco e não teve oportunidades. Procurou clubes por dois anos e não encontrava e acabou indo para o México. Lá, passou o tempo, ele começou a jogar bem, foi se destacando e ganhando moral. Acabou até casando e está muito bem. Ele merece tudo isso porque a força de vontade dele foi muito grande. Eu que levei ele para o Rio Branco. Depois, pintaram algumas propostas (para Souza ir para o futebol mexicano), mas nunca deu certo.

GE.Net: Ainda faz questão de encerrar a carreira no América?
Souza: Não. Eu já cumpri com a minha promessa. Ainda vou pensar no meu futuro.

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