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22/12/2006
Montagem sobre fotos Gazeta Press

Por Paulo Amaral

Bicampeão brasileiro pelo Santos em 2002 e 2004, o meio-campista Elano deixou o Peixe para tentar a sorte no distante futebol ucraniano. No Leste Europeu, atuando ao lado de outros brasileiros, como Jadson, ex-Atlético-PR, ganhou destaque e chamou a atenção da nova comissão técnica da seleção brasileira.

Autor de dois gols na vitória por 3 a 0 sobre a Argentina em amistoso realizado em Londres no último dia 3 de setembro, o polivalente jogador caiu nas graças de Dunga e virou intocável no time nacional.

Em entrevista exclusiva para a Gazeta Esportiva.Net, Elano falou sobre sua nova fase com a camisa amarela e a convivência com a pressão de ocupar lugar de craques como Ronaldinho Gaúcho e Kaká, além de confessar uma certa decepção por não ter sido chamado para a Copa da Alemanha. "Não estava no lugar adequado na hora certa", comentou.

Político, o jogador não quis comentar as diferenças de ambiente que marcaram a seleção recheada de estrelas que fracassou no Mundial com o grupo totalmente reformulado chamado por Dunga, que terminou o ano com uma invencibilidade de seis partidas.

"O ambiente era bom também na seleção do Parreira, mas não posso falar muito sobre isso, pois não tive tantas chances. Estou vivendo mais essa seleção do Dunga e podendo opinar mais sobre as coisas, por isso estou rendendo mais. Mas os dois ambientes eram bons", frisou.

Foto: Reuters
Elano

Elano comemora durante atuação no jogo entre Brasil e Argentina, em setembro

O craque abordou também as dificuldades encontradas para se adaptar ao frio e à língua no novo país, mas comemorou a mudança de foco da comissão técnica da seleção, que agora tem chamado jogadores que atuam na Rússia e na Ucrânia constantemente, ao contrário do que ocorria na época de Carlos Alberto Parreira.

Elano falou o que espera do futuro e, de olho em um feliz 2007, revelou que pretende deixar o Shakhtar Donetsk na reabertura do mercado europeu, já em janeiro, e conseguir sua transferência para um grande centro. Voltar ao Brasil, por enquanto, não faz parte dos planos.

"Penso em seguir mais uns anos na Europa, me transferir para uma equipe de ponta e fazer carreira aqui. Há algumas propostas e devemos ter novidades em janeiro", revelou. Confira estas e outras novidades sobre Elano no bate-papo do craque com a GE.Net.

Gazeta Esportiva.Net - Como foi sua chegada ao Shakhtar? O frio e a língua foram seus principais adversários?
Elano - O frio e a língua atrapalharam um pouco, mas você vai aprendendo com o tempo. Hoje até falo bastante o russo e estou completamente adaptado.

GE.Net - Você teve algumas chances com o Parreira quando estava no Santos, mas foi esquecido depois que trocou a Vila pela Ucrânia. Ficou chateado por não ter sido chamado para a Copa?
Elano - Fiquei triste por não ter sido chamado para a Copa, mas não estava no lugar adequado na hora certa. Agora estou feliz por tudo o que aconteceu comigo e não guardo mágoa de ninguém por ter ficado de fora.

GE.Net - Há muita diferença entre o ambiente da seleção do Parreira com o da atual, dirigida pelo técnico Dunga, com menos estrelas e mais jogadores jovens?
Elano - O ambiente era bom também na seleção do Parreira, mas não posso falar muito sobre isso, pois não tive tantas chances. Estou vivendo mais essa seleção do Dunga e podendo opinar mais sobre as coisas, por isso estou rendendo mais. Mas os dois ambientes são bons. 

GE.Net - Para você, como é deixar de ser uma simples opção e virar peça fundamental na seleção? Como encarou essa mudança?
Elano - Fico feliz, pois sempre trabalhei para isso. Todos ganham: a seleção, eu mesmo e o Shakthar. Era a chance da minha vida e eu precisava aproveitar bem. Quero continuar trabalhando cada vez mais sério para dar seqüência às oportunidades que estou recebendo.

GE.Net - E ter a sombra de jogadores como Ronaldinho Gaúcho e Kaká, atrapalha?
Elano - O Ronaldinho Gaúcho é o maior do mundo, não há dúvida sobre isso, mas quem pode responder isso é o Dunga. Eu apenas faço o meu trabalho e encaro a disputa com naturalidade, mesmo sabendo que todos são grandes jogadores.

GE.Net - A função que você vem executando com a camisa amarela é semelhante à que você exercia nos tempos de Santos. Isso o ajudou?
Elano - Sem dúvida, minha função é muito parecida e isso ajuda bastante, pois tenho tranqüilidade para trabalhar. O Dunga é um cara muito aberto, que procura conversar com os jogadores e ver como cada um se sente melhor em campo.

GE.Net - Já que você tocou no assunto, como é o Dunga como treinador, já que a escolha dele foi criticada pelo fato de nunca haver trabalhado na área?
Elano - O Dunga é um cara transparente e muito tranqüilo. Acredito que terá bastante sucesso e ficará muito tempo no cargo. Iremos fazer o máximo para que o Dunga permaneça e para que possamos conquistar muitos títulos. Ele respeita a todos e trata todos de maneira igual.

GE.Net - Você acredita que as convocações do Dudu Cearense e do Vagner Love (CSKA), além da sua própria, são provas de uma mudança de mentalidade no comando da seleção? Os olhos agora estão abertos para um novo mercado?
Elano - Essas convocações estão sendo importantes, pois um jogador abre as portas para o outro. As convocações do Vagner, do Dudu e a minha servem como ânimo para os garotos que jogam na Rússia, como o Jô, que saiu do Corinthians e está muito bem.

GE.Net - Agora que começou a se firmar na seleção, o que almeja para a carreira profissional em 2007? Espera voltar a atuar no país ou pretende continuar no futebol da Europa?
Elano - Acho difícil voltar ao Brasil agora. Penso em seguir mais uns anos na Europa, me transferir para uma equipe de ponta e fazer carreira aqui. Há algumas propostas e devemos ter novidades em janeiro. O que eu quero em 2007 é conseguir me transferir para um grande centro.


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