Por Paulo Amaral
Bicampeão brasileiro pelo Santos em 2002 e
2004, o meio-campista Elano deixou o Peixe para tentar
a sorte no distante futebol ucraniano. No Leste Europeu,
atuando ao lado de outros brasileiros, como Jadson,
ex-Atlético-PR, ganhou destaque e chamou a atenção
da nova comissão técnica da seleção
brasileira.
Autor de dois gols na vitória por 3 a 0 sobre
a Argentina em amistoso realizado em Londres no último
dia 3 de setembro, o polivalente jogador caiu nas graças
de Dunga e virou intocável no time nacional.
Em entrevista exclusiva para a Gazeta Esportiva.Net,
Elano falou sobre sua nova fase com a camisa
amarela e a convivência com a pressão de
ocupar lugar de craques como Ronaldinho Gaúcho
e Kaká, além de confessar uma certa decepção
por não ter sido chamado para a Copa da Alemanha.
"Não estava no lugar adequado na hora certa",
comentou.
Político, o jogador não quis comentar
as diferenças de ambiente que marcaram a seleção
recheada de estrelas que fracassou no Mundial com o
grupo totalmente reformulado chamado por Dunga, que
terminou o ano com uma invencibilidade de seis partidas.
"O ambiente era bom também na seleção
do Parreira, mas não posso falar muito sobre
isso, pois não tive tantas chances. Estou vivendo
mais essa seleção do Dunga e podendo opinar
mais sobre as coisas, por isso estou rendendo mais.
Mas os dois ambientes eram bons", frisou.
| Foto: Reuters |
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Elano comemora durante atuação
no jogo entre Brasil e Argentina, em setembro
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O craque abordou também as dificuldades encontradas
para se adaptar ao frio e à língua no
novo país, mas comemorou a mudança de
foco da comissão técnica da seleção,
que agora tem chamado jogadores que atuam na Rússia
e na Ucrânia constantemente, ao contrário
do que ocorria na época de Carlos Alberto Parreira.
Elano falou o que espera do futuro e, de olho em um
feliz 2007, revelou que pretende deixar o Shakhtar Donetsk
na reabertura do mercado europeu, já em janeiro,
e conseguir sua transferência para um grande centro.
Voltar ao Brasil, por enquanto, não faz parte
dos planos.
"Penso em seguir mais uns anos na Europa, me transferir
para uma equipe de ponta e fazer carreira aqui. Há
algumas propostas e devemos ter novidades em janeiro",
revelou. Confira estas e outras novidades sobre Elano
no bate-papo do craque com a GE.Net.
Gazeta Esportiva.Net - Como foi sua chegada
ao Shakhtar? O frio e a língua foram seus principais
adversários?
Elano - O
frio e a língua
atrapalharam um pouco, mas você vai aprendendo
com o tempo. Hoje até falo bastante o russo
e estou completamente adaptado.
GE.Net - Você teve algumas chances
com o Parreira quando estava no Santos, mas foi esquecido
depois que trocou a Vila pela Ucrânia. Ficou
chateado por não ter sido chamado para a Copa?
Elano - Fiquei
triste por não
ter sido chamado para a Copa, mas não estava
no lugar adequado na hora certa. Agora estou feliz
por tudo o que aconteceu comigo e não guardo
mágoa de ninguém por ter ficado de fora.
GE.Net - Há muita diferença
entre o ambiente da seleção do Parreira
com o da atual, dirigida pelo técnico Dunga,
com menos estrelas e mais jogadores jovens?
Elano - O ambiente era bom também
na seleção do Parreira, mas não
posso falar muito sobre isso, pois não tive tantas
chances. Estou vivendo mais essa seleção
do Dunga e podendo opinar mais sobre as coisas, por
isso estou rendendo mais. Mas os dois ambientes são
bons.
GE.Net - Para você, como é deixar
de ser uma simples opção e virar peça
fundamental na seleção? Como encarou
essa mudança?
Elano - Fico feliz, pois sempre trabalhei
para isso. Todos ganham: a seleção, eu
mesmo e o Shakthar. Era a chance da minha vida e eu
precisava aproveitar bem. Quero continuar trabalhando
cada vez mais sério para dar seqüência
às oportunidades que estou recebendo.
GE.Net - E ter a sombra de jogadores como Ronaldinho
Gaúcho e Kaká, atrapalha?
Elano - O Ronaldinho Gaúcho
é o maior do mundo, não há dúvida
sobre isso, mas quem pode responder isso é o
Dunga. Eu apenas faço o meu trabalho e encaro
a disputa com naturalidade, mesmo sabendo que todos
são grandes jogadores.
GE.Net - A função que você
vem executando com a camisa amarela é semelhante
à que você exercia nos tempos de Santos.
Isso o ajudou?
Elano - Sem
dúvida,
minha função é muito parecida
e isso ajuda bastante, pois tenho tranqüilidade
para trabalhar. O Dunga é um cara muito aberto,
que procura conversar com os jogadores e ver como cada
um se sente melhor em campo.
GE.Net - Já que você tocou no
assunto, como é o Dunga como treinador, já
que a escolha dele foi criticada pelo fato de nunca
haver trabalhado na área?
Elano - O
Dunga é um cara
transparente e muito tranqüilo. Acredito que terá bastante
sucesso e ficará muito tempo no cargo. Iremos
fazer o máximo para que o Dunga permaneça
e para que possamos conquistar muitos títulos.
Ele respeita a todos e trata todos de maneira igual.
GE.Net - Você acredita que as convocações
do Dudu Cearense e do Vagner Love (CSKA), além
da sua própria, são provas de uma mudança
de mentalidade no comando da seleção?
Os olhos agora estão abertos para um novo mercado?
Elano - Essas convocações
estão sendo importantes, pois um jogador abre
as portas para o outro. As convocações
do Vagner, do Dudu e a minha servem como ânimo
para os garotos que jogam na Rússia, como o Jô,
que saiu do Corinthians e está muito bem.
GE.Net - Agora que começou a
se firmar na seleção, o que almeja
para a carreira profissional em 2007? Espera voltar
a atuar no país ou pretende continuar no futebol
da Europa?
Elano - Acho
difícil voltar
ao Brasil agora. Penso em seguir mais uns anos na Europa,
me transferir para uma equipe de ponta e fazer carreira
aqui. Há algumas propostas e devemos ter novidades
em janeiro. O que eu quero em 2007 é conseguir
me transferir para um grande centro.
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