Por Raul Flávio
Drewnick
Ele já foi titular da seleção brasileira principal,
chegou a fazer dupla de ataque com Romário em jogo
válido pelas eliminatórias da Copa de 2001, mas pouca
gente, além dos corintianos, lembra dele no Brasil.
Após fazer quatro temporadas muito boas com a camisa
do Borussia Dortmund, o atacante Ewerthon mantém seu
amor pelo Corinthians, mas não pensa em voltar tão
cedo.
Após uma adaptação rápida ao futebol espanhol, o jogador brasileiro espera ter uma chance na reformulação feita pelo técnico Dunga na seleção e, para isso, confia na ótima campanha de seu time, o Zaragoza, na Liga Espanhola.
Se em 2002, no Borussia Dortmund, Ewerthon foi o autor
do gol do título alemão em cima do Werder Bremen, agora,
o atacante espera levar o Zaragoza à Copa dos Campeões.
O time é a sensação do Campeonato Espanhol, ocupa a
quinta posição e está a um ponto da zona
de classificação para a principal competição
européia interclubes.
Experiente aos 25 anos de idade, o jogador conta nesta
entrevista à GE.Net que sonha em disputar
a Copa América de 2007, competição que conhece bem.
Há seis anos, ele esteve na Colômbia com o grupo convocado
por Luiz Felipe Scolari.
| Foto: Divulgação |
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Laboratório de Dunga é chance
para Ewerthon voltar à seleção |
Gazeta Esportiva.Net: Você foi
muito jovem para a Alemanha e mesmo assim se adaptou
com facilidade. Por que tantos brasileiros ainda sofrem
com as transferências?
Ewerthon: Eu sempre tive este meu
ritmo de vida e uma ótima estrutura familiar.
Minha família sempre esteve ao meu lado e meu
pai está vivendo comigo. Neste semestre, minha
mãe e meu irmão não vieram.
GE.Net: E o seu pai, está adaptado? Lembro
que ele era cabeleireiro aqui no bairro da Casa Verde,
onde vocês moravam nos tempos de Corinthians...
Ewerthon: Hoje em dia ele é meu
empresário e tem muitas outras atividades.
Nem mais o meu cabelo ele corta. Só de vez
em quando (risos).
GE.Net: Para um jogador leve
como é o seu caso
deve ter sido importante esta mudança para a
Espanha...
Ewerthon: O futebol alemão é de
força. Tem mais contato físico, clima
ruim e campo pesado. Aqui há mais espaço,
os jogos são mais técnicos e táticos.
Mesmo assim, atuando pelo Borussia Dortmund, cresci
muito como jogador e como pessoa naqueles quatro
anos.
GE.Net: O Zaragoza é uma das sensações
do atual Campeonato Espanhol. Quais as virtudes desta
equipe?
Ewerthon: É um time novo,
montado agora. Temos jogadores de qualidade e temos
procurado usar esta individualidade para o coletivo.
Todo mundo está jogando pelo clube. Se continuarmos
bem no campeonato, vamos todos aparecer juntos.
GE.Net: O principal objetivo da equipe é a
vaga para a Champions League?
Ewerthon: Nosso pensamento é
permanecer entre os primeiros do Espanhol, mas sem desacreditar
do título. Sabemos que é difícil
bater o Barcelona, que ganhou os últimos dois
anos. O Real Madrid e o Sevilla também estão
fazendo uma ótima temporada. Temos de manter
este bom aproveitamento e tentar classificação
para as competições européias (nota
da redação: os quatro primeiros colocados
do Espanhol vão para a Copa dos Campeões.
O quinto e o sexto, para a Copa da Uefa)
GE.Net: Você já foi convocado
para jogos de eliminatórias (em 2001 pelo técnico
Emerson Leão) e para a Copa América (também
em 2001 por Luiz Felipe Scolari). Ainda acredita em
seleção?
Ewerthon: Meu pensamento é trabalhar
para voltar à seleção. Sou um
jogador jovem. Tenho apenas 25 anos, mas já sou
maduro no futebol. Espero ser lembrado em breve.
GE.Net: A escolha de um treinador
sem nenhuma experiência
foi muito criticada aqui no Brasil. O que você tem
achado do trabalho do Dunga após os primeiros
amistosos?
Ewerthon: É um treinador
novo, com um novo planejamento. Ele começou
bem e está dando oportunidades a muitos jovens.
Acho que tínhamos uma geração
vitoriosa que não foi bem na Copa do Mundo.
Tínhamos de renovar. Vejo o trabalho dele
com bons olhos.
GE.Net: Você saiu do Brasil em 2001,
com 20 anos. Por isso, pensa em retornar mais cedo?
Ewerthon: Meu
pensamento foi sempre o de sair do Brasil e fazer uma
longa carreira na Europa. Minha preparação foi para isso. Tenho
contrato com o Zaragoza até 2010, quando terei
29 anos. Depois disso, quero permanecer por aqui porque
já estou ambientado. Claro que tenho saudades
do futebol brasileiro e do meu país, mas na
Europa os jogadores são muito mais valorizados.
Voltar não é um plano, mas nunca se sabe.
GE.Net: Mesmo à distância, sua paixão
pelo Corinthians continua?
Ewerthon: Quando tinha sete anos,
recebi o convite para fazer uma peneira também
no Palmeiras. Pedi aos meus pais para me levarem
no Corinthians porque era o time que eu torcia. Tenho
um carinho muito grande até hoje. Passei por
coisas boas e ruins lá. Foi o clube que me
projetou, me levou à seleção. É difícil
falar se eu jogaria em outro clube brasileiro que
não o Corinthians. Minha família sempre
foi corintiana. Quando volto ao Brasil ainda parece
que estou no Parque São Jorge, tamanho é o
carinho dos torcedores.
GE.Net: Como você tem visto a situação
complicada do clube?
Ewerthon: O time fez
uma boa temporada em 2005, foi campeão brasileiro.
Depois, para a Libertadores, foi criada uma grande
expectativa que não deu certo. Mudou várias
vezes de treinador. Desta forma ficou difícil.
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