Voltar para a home Terça, 02 de Dezembro de 2008 Home Fale conosco. Receba o boletim   Ir para a Gazeta Press
 
02/01/2007
Montagem sobre fotos Gazeta Press
Por Raul Flávio Drewnick


Ele já foi titular da seleção brasileira principal, chegou a fazer dupla de ataque com Romário em jogo válido pelas eliminatórias da Copa de 2001, mas pouca gente, além dos corintianos, lembra dele no Brasil. Após fazer quatro temporadas muito boas com a camisa do Borussia Dortmund, o atacante Ewerthon mantém seu amor pelo Corinthians, mas não pensa em voltar tão cedo.

Após uma adaptação rápida ao futebol espanhol, o jogador brasileiro espera ter uma chance na reformulação feita pelo técnico Dunga na seleção e, para isso, confia na ótima campanha de seu time, o Zaragoza, na Liga Espanhola.

Se em 2002, no Borussia Dortmund, Ewerthon foi o autor do gol do título alemão em cima do Werder Bremen, agora, o atacante espera levar o Zaragoza à Copa dos Campeões. O time é a sensação do Campeonato Espanhol, ocupa a quinta posição e está a um ponto da zona de classificação para a principal competição européia interclubes.

Experiente aos 25 anos de idade, o jogador conta nesta entrevista à GE.Net que sonha em disputar a Copa América de 2007, competição que conhece bem. Há seis anos, ele esteve na Colômbia com o grupo convocado por Luiz Felipe Scolari.
Foto: Divulgação
Elano

Laboratório de Dunga é chance para Ewerthon voltar à seleção

Gazeta Esportiva.Net: Você foi muito jovem para a Alemanha e mesmo assim se adaptou com facilidade. Por que tantos brasileiros ainda sofrem com as transferências?
Ewerthon: Eu sempre tive este meu ritmo de vida e uma ótima estrutura familiar. Minha família sempre esteve ao meu lado e meu pai está vivendo comigo. Neste semestre, minha mãe e meu irmão não vieram.

GE.Net: E o seu pai, está adaptado? Lembro que ele era cabeleireiro aqui no bairro da Casa Verde, onde vocês moravam nos tempos de Corinthians...
Ewerthon: Hoje em dia ele é meu empresário e tem muitas outras atividades. Nem mais o meu cabelo ele corta. Só de vez em quando (risos).  

GE.Net: Para um jogador leve como é o seu caso deve ter sido importante esta mudança para a Espanha...
Ewerthon: O futebol alemão é de força. Tem mais contato físico, clima ruim e campo pesado. Aqui há mais espaço, os jogos são mais técnicos e táticos. Mesmo assim, atuando pelo Borussia Dortmund, cresci muito como jogador e como pessoa naqueles quatro anos.

GE.Net: O Zaragoza é uma das sensações do atual Campeonato Espanhol. Quais as virtudes desta equipe?
Ewerthon: É um time novo, montado agora. Temos jogadores de qualidade e temos procurado usar esta individualidade para o coletivo. Todo mundo está jogando pelo clube. Se continuarmos bem no campeonato, vamos todos aparecer juntos.

GE.Net: O principal objetivo da equipe é a vaga para a Champions League?
Ewerthon: Nosso pensamento é permanecer entre os primeiros do Espanhol, mas sem desacreditar do título. Sabemos que é difícil bater o Barcelona, que ganhou os últimos dois anos. O Real Madrid e o Sevilla também estão fazendo uma ótima temporada. Temos de manter este bom aproveitamento e tentar classificação para as competições européias (nota da redação: os quatro primeiros colocados do Espanhol vão para a Copa dos Campeões. O quinto e o sexto, para a Copa da Uefa)

GE.Net: Você já foi convocado para jogos de eliminatórias (em 2001 pelo técnico Emerson Leão) e para a Copa América (também em 2001 por Luiz Felipe Scolari). Ainda acredita em seleção?
Ewerthon: Meu pensamento é trabalhar para voltar à seleção. Sou um jogador jovem. Tenho apenas 25 anos, mas já sou maduro no futebol. Espero ser lembrado em breve.

GE.Net: A escolha de um treinador sem nenhuma experiência foi muito criticada aqui no Brasil. O que você tem achado do trabalho do Dunga após os primeiros amistosos?
Ewerthon: É um treinador novo, com um novo planejamento. Ele começou bem e está dando oportunidades a muitos jovens. Acho que tínhamos uma geração vitoriosa que não foi bem na Copa do Mundo. Tínhamos de renovar. Vejo o trabalho dele com bons olhos.

GE.Net: Você saiu do Brasil em 2001, com 20 anos. Por isso, pensa em retornar mais cedo?
Ewerthon: Meu pensamento foi sempre o de sair do Brasil e fazer uma longa carreira na Europa. Minha preparação foi para isso. Tenho contrato com o Zaragoza até 2010, quando terei 29 anos. Depois disso, quero permanecer por aqui porque já estou ambientado. Claro que tenho saudades do futebol brasileiro e do meu país, mas na Europa os jogadores são muito mais valorizados. Voltar não é um plano, mas nunca se sabe.

GE.Net: Mesmo à distância, sua paixão pelo Corinthians continua?
Ewerthon: Quando tinha sete anos, recebi o convite para fazer uma peneira também no Palmeiras. Pedi aos meus pais para me levarem no Corinthians porque era o time que eu torcia. Tenho um carinho muito grande até hoje. Passei por coisas boas e ruins lá. Foi o clube que me projetou, me levou à seleção. É difícil falar se eu jogaria em outro clube brasileiro que não o Corinthians. Minha família sempre foi corintiana. Quando volto ao Brasil ainda parece que estou no Parque São Jorge, tamanho é o carinho dos torcedores.

GE.Net: Como você tem visto a situação complicada do clube?
Ewerthon: O time fez uma boa temporada em 2005, foi campeão brasileiro. Depois, para a Libertadores, foi criada uma grande expectativa que não deu certo. Mudou várias vezes de treinador. Desta forma ficou difícil.

Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net