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13/02/2007
Montagem sobre fotos Gazeta Press

Por Marcelo Belpiede

Centroavante à moda antiga, ele não é de marcar muitos gols, mas sempre está pronto a fazer o trabalho sujo no clube do Morumbi. Tromba com zagueiros, abre espaço para as penetrações dos companheiros e faz assistências, como aquela para o gol de Mineiro contra o Liverpool na conquista do Mundial de Clubes do Japão de 2005.

Só que Aloísio tem uma frustração: as derrotas nas finais das últimas duas edições da Copa Libertadores da América. A primeira com a camisa do Atlético-PR para o São Paulo e a segunda, já pelo Tricolor, diante do Internacional. Por isso, a conquista do título está engasgada na garganta do centroavante, que apresenta um currículo vasto de passagens por clubes importantes, como é o caso do Paris Saint-Germain, da França.

Em entrevista exclusiva para GE.Net, Aloísio falou sobre suas expectativas sobre a disputa de mais uma Libertadores.  O camisa 14 lamenta principalmente a derrota na decisão de 2006 e sonha, ainda por cima, em ser, pelo segundo ano seguido, artilheiro da competição continental.

Foto:Marcelo Ferreli/Gazeta Press

"Bi-vice", Aloísio não vê a hora de encerrar jejum e ainda ser o artilheiro

Gazeta Esportiva.Net: Você vem de duas finais em Libertadores. Existe um sentimento diferente para esta que começa agora?
Aloísio: Com certeza entro muito motivado a ganhar essa Libertadores. Disputei duas finais seguidas e fui vice-campeão. Agora espero que seja diferente, porque é uma competição que todos sonham em ter no currículo profissional.

GE.Net: Qual das duas finais doeu mais perder?
Aloísio: Foi a do ano passado. Tivemos uma decisão muito equilibrada, acho que não poderíamos ter perdido. Foram dois jogos totalmente diferentes contra o Internacional. Acho que a expulsão do Josué na primeira partida foi decisiva. Ele é uma referência para o time. Tivemos que nos superar em campo. Ainda por cima, o Mineiro teve uma torção no tornozelo que atrapalhou muito.

GE.Net: Que lição foi tirada da derrota para o Inter?
Aloísio: Acho que não tem uma grande lição a ser tirada. Foi mais coisa do destino mesmo. Tenho certeza que, se não houvesse a expulsão do Josué na partida do Morumbi, a gente conquistaria aquele título. Mas é uma coisa que passou, estamos em outro ano. Vamos em busca desta conquista que é muito importante para o clube.

GE.Net: Ano passado você ficou um tempo fora por contusão, algumas
partidas no banco e só voltou na decisão de Porto Alegre. Ficou frustrado por não atuar nos jogos decisivos?
Aloísio: Não houve frustração. Tenho certeza de que o Muricy procura fazer sempre o melhor para a equipe. Ele achou que o Ricardo Oliveira estava mais preparado naquele momento. Nós jogadores temos que respeitar. Procurei ficar preparado para entrar quando fosse necessário. Isso aconteceu na última partida, quando o Ricardo Oliveira não pôde entrar em campo. Entrei, não marquei gols, mas fui bem. Quase conseguimos o título.

GE.Net: O Boca se reforçou com o Riquelme. O River Plate mostrou força na pré-temporada argentina. Os brasileiros parecem fortes. Quem são os principais rivais do São Paulo? Argentinos ou brasileiros?
Aloísio: Ambos serão muito complicados, principalmente as equipes brasileiras. Depois que São Paulo e Internacional foram campeões do torneio em finais brasileiras, todos os times do nosso país estão mais focados para a disputa. E os adversários dos outros países ficaram mordidos e vão querer o título de volta. Será uma briga boa.

GE.Net: Como você analisa este primeiro grupo do São Paulo?
Aloísio: Não existe grupo fácil. Todos os times são complicados em uma competição como essa. Se você entra com a cabeça que vai golear, com certeza, é surpreendido e fica prejudicado. Agora temos que fazer tudo direitinho, treinar bastante, fazer o que o Muricy nos pede e colocar em prática dentro de campo.

GE.Net: O São Paulo está mais forte que o ano passado?
Aloísio: Olha, com essa chegada dos novos jogadores, o Fredson, o Jorge Wagner, o Marcel, acho que esse grupo começa a ficar forte. Quando juntar todo mundo, esses jogadores ficarem à disposição, o Muricy vai ter grandes dificuldades de decidir até quem joga. Não será fácil definir o time titular.

GE.Net: Mas o que pode fazer a diferença em favor do São Paulo na sua opinião?
Aloísio: Acho que são vários fatores, a união, um elenco forte, a experiência. Todos os clubes respeitam o São Paulo pelos títulos conquistados nos últimos anos. Acho que nossa equipe será muito visada este ano (o técnico do Audax Italiano, Raúl Toro, já disse que o Tricolor tem o melhor time da América). Temos que estar preparados para enfrentar todas as dificuldades que virão durante a competição.  

GE.Net: Você foi o artilheiro da Libertadores no ano passado. É possível repetir o sucesso esse ano?
Aloísio: É possível repetir, tenho isso como objetivo e espero ter a oportunidade. Mas vou continuar fazendo meu trabalho da mesma maneira. Se puder marcar os gols, é ótimo. Mas quando observar um companheiro melhor colocado, vou tocar a bola.

GE.Net: Na Libertadores, você terá um reserva de luxo, o Marcel. Como observa a chegada dele?
Aloísio: Eu conheço o futebol do Marcel. Já o vi jogar pelo Coritiba. É um atacante alto, muito forte. As pessoas estão certas em dizer que se parece comigo. Acho que vai nos ajudar muito nesta campanha da Libertadores.

GE.Net: Você já jogou competições importantes na Europa, como a Copa da Uefa. Qual é mais difícil?
Aloísio:
A Copa da Uefa é forte, mas você enfrenta algumas equipes sem tanta expressão, com um baixo nível técnico. Então pode-se encontrar facilidade em algumas partidas. Na Libertadores a coisa é diferente, acho que é mais difícil. Mesmo sem ter uma qualidade técnica destacada, as equipes criam dificuldades pela pressão da torcida, os gramados que se encontra. Obviamente, a comparação fica diferente quando se fala em Champions League, que não tive a chance de participar, mas o nível é muito alto.

GE.Net: Nos últimos dias, o desconforto na sua coxa voltou. Isso é uma preocupação caso o São Paulo chegue à fase decisiva da Libertadores?
Aloísio: Não é uma preocupação. Estou me sentindo bem melhor. Foi falado muito dessa minha última lesão, mas não era a mesma das vezes anteriores. Foi apenas uma inflamação. Senti uma dor no aquecimento da partida contra o São Bento e preferimos descansar para jogar o clássico contra o Corinthians e a estréia na Libertadores.

GE.Net: No Goiás e no Flamengo, você era chamado de Aloísio Chulapa. Esse apelido foi embora com o tempo. É a prova de que você evoluiu? Você é um falso grosso?
Aloísio: Isso é verdade, sou um falso grosso e trombador. Os anos passaram e a gente vai pegando experiência. Isso é importante. Quando te chamam de grosso, é bom para pensar em trabalhar mais e evoluir. Não sou apenas um trombador, provei que sei jogar e driblar, como até aconteceu em algumas jogadas do clássico contra o Corinthians.

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