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Por Marcelo Belpiede
Centroavante à moda antiga, ele não é
de marcar muitos gols, mas sempre está pronto
a fazer o trabalho sujo no clube do Morumbi. Tromba
com zagueiros, abre espaço para as penetrações
dos companheiros e faz assistências, como aquela
para o gol de Mineiro contra o Liverpool na conquista
do Mundial de Clubes do Japão de 2005.
Só que Aloísio tem uma frustração:
as derrotas nas finais das últimas duas edições
da Copa Libertadores da América. A primeira com
a camisa do Atlético-PR para o São Paulo
e a segunda, já pelo Tricolor, diante do Internacional.
Por isso, a conquista do título está engasgada
na garganta do centroavante, que apresenta um currículo
vasto de passagens por clubes importantes, como é
o caso do Paris Saint-Germain, da França.
Em entrevista exclusiva para GE.Net,
Aloísio falou sobre suas expectativas sobre a
disputa de mais uma Libertadores. O camisa 14
lamenta principalmente a derrota na decisão de
2006 e sonha, ainda por cima, em ser, pelo segundo ano
seguido, artilheiro da competição continental.
| Foto:Marcelo Ferreli/Gazeta Press |
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"Bi-vice", Aloísio não
vê a hora de encerrar jejum e ainda ser
o artilheiro
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Gazeta Esportiva.Net: Você vem de duas
finais em Libertadores. Existe um sentimento diferente
para esta que começa agora?
Aloísio: Com certeza entro muito
motivado a ganhar essa Libertadores. Disputei duas finais
seguidas e fui vice-campeão. Agora espero que
seja diferente, porque é uma competição
que todos sonham em ter no currículo profissional.
GE.Net: Qual das duas finais doeu mais perder?
Aloísio: Foi a do ano passado.
Tivemos uma decisão muito equilibrada, acho que
não poderíamos ter perdido. Foram dois
jogos totalmente diferentes contra o Internacional.
Acho que a expulsão do Josué na primeira
partida foi decisiva. Ele é uma referência
para o time. Tivemos que nos superar em campo. Ainda
por cima, o Mineiro teve uma torção no
tornozelo que atrapalhou muito.
GE.Net: Que lição foi tirada da derrota
para o Inter?
Aloísio: Acho que não
tem uma grande lição a ser tirada. Foi
mais coisa do destino mesmo. Tenho certeza que, se não
houvesse a expulsão do Josué na partida
do Morumbi, a gente conquistaria aquele título.
Mas é uma coisa que passou, estamos em outro
ano. Vamos em busca desta conquista que é muito
importante para o clube.
GE.Net: Ano passado você ficou um tempo
fora por contusão, algumas
partidas no banco e só voltou na decisão
de Porto Alegre. Ficou frustrado por não atuar
nos jogos decisivos?
Aloísio: Não
houve frustração. Tenho certeza de que
o Muricy procura fazer sempre o melhor para a equipe.
Ele achou que o Ricardo Oliveira estava mais preparado
naquele momento. Nós jogadores temos que respeitar.
Procurei ficar preparado para entrar quando fosse necessário.
Isso aconteceu na última partida, quando o Ricardo
Oliveira não pôde entrar em campo. Entrei,
não marquei gols, mas fui bem. Quase conseguimos
o título.
GE.Net: O Boca se reforçou com o Riquelme.
O River Plate mostrou força na pré-temporada
argentina. Os brasileiros parecem fortes. Quem são
os principais rivais do São Paulo? Argentinos
ou brasileiros?
Aloísio: Ambos serão
muito complicados, principalmente as equipes brasileiras.
Depois que São Paulo e Internacional foram campeões
do torneio em finais brasileiras, todos os times do
nosso país estão mais focados para a disputa.
E os adversários dos outros países ficaram
mordidos e vão querer o título de volta.
Será uma briga boa.
GE.Net: Como você analisa este primeiro
grupo do São Paulo?
Aloísio: Não existe grupo
fácil. Todos os times são complicados
em uma competição como essa. Se você
entra com a cabeça que vai golear, com certeza,
é surpreendido e fica prejudicado. Agora temos
que fazer tudo direitinho, treinar bastante, fazer o
que o Muricy nos pede e colocar em prática dentro
de campo.
GE.Net: O São Paulo está mais forte
que o ano passado?
Aloísio: Olha, com essa chegada
dos novos jogadores, o Fredson, o Jorge Wagner, o Marcel,
acho que esse grupo começa a ficar forte. Quando
juntar todo mundo, esses jogadores ficarem à
disposição, o Muricy vai ter grandes dificuldades
de decidir até quem joga. Não será
fácil definir o time titular.
GE.Net: Mas o que pode fazer a diferença
em favor do São Paulo na sua opinião?
Aloísio: Acho que são
vários fatores, a união, um elenco forte,
a experiência. Todos os clubes respeitam o São
Paulo pelos títulos conquistados nos últimos
anos. Acho que nossa equipe será muito visada
este ano (o técnico do Audax Italiano, Raúl
Toro, já disse que o Tricolor tem o melhor time
da América). Temos que estar preparados para
enfrentar todas as dificuldades que virão durante
a competição.
GE.Net: Você foi o artilheiro da Libertadores
no ano passado. É possível repetir o sucesso
esse ano?
Aloísio: É possível
repetir, tenho isso como objetivo e espero ter a oportunidade.
Mas vou continuar fazendo meu trabalho da mesma maneira.
Se puder marcar os gols, é ótimo. Mas
quando observar um companheiro melhor colocado, vou
tocar a bola.
GE.Net: Na Libertadores, você terá
um reserva de luxo, o Marcel. Como observa a chegada
dele?
Aloísio: Eu conheço o
futebol do Marcel. Já o vi jogar pelo Coritiba.
É um atacante alto, muito forte. As pessoas estão
certas em dizer que se parece comigo. Acho que vai nos
ajudar muito nesta campanha da Libertadores.
GE.Net: Você já jogou competições
importantes na Europa, como a Copa da Uefa. Qual é
mais difícil?
Aloísio: A Copa da Uefa é forte,
mas você enfrenta algumas equipes sem tanta expressão,
com um baixo nível técnico. Então
pode-se encontrar facilidade em algumas partidas. Na
Libertadores a coisa é diferente, acho que é
mais difícil. Mesmo sem ter uma qualidade técnica
destacada, as equipes criam dificuldades pela pressão
da torcida, os gramados que se encontra. Obviamente,
a comparação fica diferente quando se
fala em Champions League, que não tive
a chance de participar, mas o nível é
muito alto.
GE.Net: Nos últimos dias, o desconforto
na sua coxa voltou. Isso é uma preocupação
caso o São Paulo chegue à fase decisiva
da Libertadores?
Aloísio: Não é
uma preocupação. Estou me sentindo bem
melhor. Foi falado muito dessa minha última lesão,
mas não era a mesma das vezes anteriores. Foi
apenas uma inflamação. Senti uma dor no
aquecimento da partida contra o São Bento e preferimos
descansar para jogar o clássico contra o Corinthians
e a estréia na Libertadores.
GE.Net: No Goiás e no Flamengo, você
era chamado de Aloísio Chulapa. Esse apelido
foi embora com o tempo. É a prova de que você
evoluiu? Você é um falso grosso?
Aloísio: Isso é verdade,
sou um falso grosso e trombador. Os anos passaram e
a gente vai pegando experiência. Isso é
importante. Quando te chamam de grosso, é bom
para pensar em trabalhar mais e evoluir. Não
sou apenas um trombador, provei que sei jogar e driblar,
como até aconteceu em algumas jogadas do clássico
contra o Corinthians.
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