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Do correspondente Helder Júnior
Pedrinho pode não possuir o mesmo talento de Zé Roberto,
mas é inegável que ele é um jogador diferente dos demais.
Ao invés de sonhar com o futebol europeu, como a maioria
dos seus companheiros, o meia sempre admirou o mercado
japonês. Também não faz o perfil do carioca que foge de
São Paulo, onde construiu carreira com passagens por Palmeiras
e Santos. É ainda um atleta que planeja se aposentar (no
Santos, de preferência) tão logo constate queda de rendimento
técnico e físico.
| Foto Djalma Vassão/Gazeta Press |
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Antes com a camisa 18, agora o meia
assume a dez de Pelé: cobrança exagerada
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Em tempos em que os santistas procuram outro meia diferenciado para suprir
a ausência de Zé Roberto, o herdeiro da camisa dez de Pelé pretende convencê-los de que pode ser esse jogador. Quando fala sobre o uniforme que foi do Rei do Futebol, aliás, é o único momento em que Pedrinho se rende às opiniões unânimes de alguns dos seus colegas. “Realmente, tem um astral diferente. Nos vestiários, você vê as fotos do Pelé, do Pepe, e fica um pouco deslumbrado e feliz por participar de uma grande equipe como o Santos”, exaltou, ciente das conseqüências de jogar em um clube tradicional. “A cobrança é exagerada por isso. As pessoas tiveram um passado muito bonito, com Pelé, Robinho e, mais recentemente, com o Zé Roberto,
e acham que quem entrar deve fazer a mesma coisa.”
Pedrinho está irritado com as críticas. Desde que se recuperou do crônico problema de contusões, ele nunca havia sido tão questionado quanto após Zé Roberto deixar o Santos. Provando ser divergente, o meia torce para a contratação de outro jogador de impacto para sua posição. Aponta até o corintiano Roger, com quem jogou futsal na infância, como um bom nome para o Peixe. Mas pretende transferir ao amigo apenas as cobranças, não uma vaga entre os titulares.
Experiência e identificação com o clube não faltarão para Pedrinho se firmar como dono da camisa dez do Santos. O jogador completou 30 anos nesta sexta-feira, cercado de novos amigos feitos no Cepraf e no CT Rei Pelé. O maior deles talvez seja o fisioterapeuta Nilton Petrone, responsável por sua reabilitação e com quem estava momentos antes de conceder esta entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva.Net. Também foi Filé quem encerrou o bate-papo. Primeiro, telefonou para Pedrinho, depois o chamou com um berro do lado externo da sala.
Gazeta Esportiva.Net: Recentemente, você fez um desabafo contra as cobranças que recebeu como substituto do Zé Roberto. Qual é sua avaliação
sobre seus primeiros jogos como titular?
Pedrinho: O resultado influencia muito na avaliação. Participei bem do
jogo contra o São Paulo [2 a 0 para o Tricolor], mas a equipe não teve um bom
desempenho. Está todo mundo no mesmo barco. Venho me destacando, isso é até comentado
pela imprensa toda. Não é justo dizer que tive uma queda de rendimento. Tenho
uma autocrítica bem afiada e sei muito bem o momento em que eu caio de produção
ou não. Já ouvi dizerem que eu não tinha jogado nenhuma partida boa no Santos.
Pô, fui bem em várias. Um jornalista, por perseguição ou não, cria uma situação,
e todo mundo endossa. Eu discordo.
GE.Net: O Luxemburgo comentou que o Santos precisa
aprender a jogar de outra maneira sem o Zé Roberto. O que
muda com você em campo? E com o Tabata?
Pedrinho: Quando começou a jogar, o Zé já tinha
característica de marcação. Por
muito tempo, ele foi lateral e volante, enquanto eu sempre
atuei na meia. Nunca me deslocaram. De repente, o Zé tinha
uma força ofensiva muito grande pela sua técnica,
mas também ótima noção de
marcação. O que pode mudar é isso.
Até recomponho bem no sentido de marcar, mas não
tenho essa característica. Em relação
ao Tabata, muda porque ele joga com a perna direita.
Eu parto para cima, enquanto o Tabata é um jogador
de mais toque de bola. A gente pode fazer a mesma função
se o time jogar só com um dos meias adiantado.
Se forem dois, pode ser ele de um lado, eu do outro. GE.Net: E
os novos reforços para o meio-campo?
Pedrinho: O
Adoniran é marcador. Ele tem uma
força física muito grande. Já o
Vítor Júnior possui mais qualidade técnica,
por ser um meia ofensivo. São dois jogadores que
vieram para ajudar. Se for opção do Wanderley
escalá-los, será uma boa escolha também.
GE.Net: O fato de a diretoria
não ter contratado
nenhum jogador de impacto para o lugar do Zé Roberto
te conforta?
Pedrinho: Era até melhor que contratasse. Pelo
menos, diminuiria essa coisa de dizer que não
tem ninguém para substituir o Zé. É muito
difícil encontrar alguém no nível
dele, principalmente no mercado brasileiro. Mas, se trouxessem
um cara renomado, de repente quem jogaria seria quem
não tinha tanto nome.
GE.Net: Dizem que o Roger,
do Corinthians, poderia ser esse jogador. Você aprova?
Pedrinho: Conheço o Roger desde os seis anos
de idade. Jogávamos futsal juntos. É um
grande atleta. Todo mundo tem uma impressão muito
negativa dele, mas pelo que eu conheço é um
cara superlegal, gente boa, que tem uma qualidade indiscutível.
Se ele estiver disposto a ajudar o Santos, lógico
que é bem-vindo. Mas não conversei com
ele sobre isso.
GE.Net: Com o Rogério, que está fazendo
tratamento no Cepraf e deve ser contratado, você conversou?
Pedrinho: Joguei
com ele no Fluminense. A gente conversa, sim. Sei que
ele está se sentindo bem melhor fisicamente.
Mas falamos mais sobre a estrutura do Santos, a do Fluminense.
GE.Net: Se vier, ele provavelmente
assinará um
contrato por produtividade, como aconteceu com você. É justo?
Pedrinho: Eu
me sinto até mais confortável
assim. No Palmeiras, em uma época em que estava
machucado, pedi para não receber. Graças
a Deus, não passei por problemas desse tipo no
Santos. Se tiver algum, não recebo e, aí,
pelo menos, não existirão cobranças
dizendo que estou machucado e recebendo salário.
GE.Net: Você ainda tem paciência para falar
sobre o seu problema de lesões? É sempre
o mesmo assunto. Acha que, um dia, todo esse questionamento
vai acabar?
Pedrinho: Pelo meu histórico, é normal
que as pessoas tenham curiosidade e perguntem. Se eu
não tivesse sofrido nenhum problema no começo
da carreira, meu nível poderia estar bem próximo
do que o Zé apresenta, porque passei por todas
as seleções de base do Brasil e fui lembrado
na primeira convocação feita pelo Wanderley.
Fiquei preso por causa desse passado, por ser diferente,
e as pessoas questionam mesmo. Mas já melhorou
bastante. Hoje, os comentários são feitos
em outro sentido, pois me recuperei.
GE.Net: O que foi fundamental para essa recuperação,
a estrutura encontrada no Santos ou o apoio psicológico
que recebeu?
Pedrinho: As duas coisas.
Minha proximidade com Deus foi maior. Ele me colocou
em um clube com uma estrutura excelente e com profissionais
muito capacitados, como é o
caso do Filé, um cara que descobriu que eu tinha
um desvio no quadril, que ocasionava lesões.
GE.Net: O Filé te disse que você ganhou
dois anos a mais fisicamente por ficar cerca de dois
anos parado, recuperando-se das lesões. Você já planeja
a aposentadoria? Em qual time pretende encerrar a carreira?
Poderia ser no Vasco [clube que o revelou, onde conquistou
dois Campeonatos Brasileiros, um Carioca, uma Copa Libertadores
da América, uma Mercosul e um Torneio-Rio-São
Paulo]?
Pedrinho: Eu já devia ter parado faz tempo. Às
vezes, fico com vontade de parar logo, mas vejo que tenho
condições de jogar mais um pouco. Esse
ano foi fundamental para mudar de opinião. Mas
não gostaria de voltar para o Vasco por voltar.
Ah, estou com 35 anos e volto para o Vasco para jogar
mal? Gostei muito do Santos, da cidade. Quero fazer um
belo Campeonato Brasileiro para, quem sabe, terminar
minha carreira aqui. Se isso não acontecer, se
chegar no final do ano e não ocorrer a renovação
do meu contrato, de repente o Vasco seria uma oportunidade
boa.
GE.Net: Como está aquele seu litígio
com o Vasco?
Pedrinho: Eu ganho, ganho,
ganho. Eles vão recorrendo
e eu vou ganhando. O dinheiro, agora, entra em uma conta
que eles abriram e tantos por cento são direcionados
para pagar essas dívidas que o Vasco tem. Quando
chegar no valor estipulado pela Justiça, eu retiro.
GE.Net: Como é para um carioca fazer carreira
no futebol paulista? A maioria prefere jogar no Rio
de Janeiro?
Pedrinho: Gostei
muito de Santos. É mais parecido
com o Rio, mas não tem violência como lá.
Em São Paulo, também me adaptei bem, mas
o trânsito era desgastante. Aqui é mais
tranqüilo. Em relação à falta
da praia em São Paulo, a gente se acostuma com
outras coisas.
GE.Net: As lesões também impediram que
sua carreira fosse construída no futebol europeu,
o sonho de todo jogador, não é?
Pedrinho: Nunca
foi minha vontade. Desde que comecei, meu desejo era
jogar no Japão. Sempre gostei muito
de lá. Já tinha ido duas vezes antes de
assistir à final do Mundial, entre Vasco e Real
Madrid [ele não jogou porque estava contundido
na ocasião]. Então, meu objetivo sempre
foi o Japão. Nunca tive Espanha na cabeça,
nada disso. Gosto muito da culinária japonesa.
Se pintasse alguma coisa nesse sentido hoje, eu até pensaria.
GE.Net: E a passagem pela
Arábia Saudita, quando
o Al Ittihad não conseguiu te inscrever no Mundial
de Clubes de 2005?
Pedrinho: Podia ser
muito boa, mas foi estranha por culpa deles. Eles me
contrataram para jogar o Mundial. Fiz todo o treinamento,
amistosos, me inscreveram na Fifa, mas esqueceram de
me inscrever na Federação
Saudita. Foi uma frustração até para
eles, que fizeram um investimento grande para aquela
competição. Eles têm um pouco de
amadorismo nesse ponto.
GE.Net: Você completou 30 anos nesta sexta-feira.
Se pudesse escolher, qual seria o presente de aniversário?
Pedrinho: Para
hoje? Quero no final do ano: o título
brasileiro. Pelo o que o Santos construiu de estrutura,
quando há um investimento alto, planejamento,
contratação de pessoas competentes e honestas, às
vezes você quer um resultado rápido. O título
paulista foi expressivo, por ser um bicampeonato, mas
o Brasileiro será um presente melhor.
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