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09/06/2008
Montagem sobre foto de  Fernando Pilatos/Gazeta Press

Campeão na arquibancada, Pepe lamenta não ter a “sorte” do Rei
Por Paulo Amaral
Fotos Djalma Vassão / Gazeta Press
Também contundido antes da Copa, Pepe acha até hoje que entrada de Ari Clemente em Pelé foi desleal
Fotos Acervo / Gazeta Press

Enquanto Pelé, Didi, Zagallo e tantos outros craques comemoraram dentro de campo a primeira conquista brasileira em uma Copa do Mundo, na Suécia, há 50 anos, um jogador em especial, titular incontestável da camisa 11 durante toda a preparação do time, teve de se contentar em assistir da arquibancada à façanha do time canarinho: Pepe.

A exemplo de Pelé, que ao menos conseguiu se recuperar para o terceiro jogo da Copa, o ‘Canhão da Vila’ foi vítima de uma entrada dura de um adversário durante a fase de amistosos da seleção brasileira. Porém, não teve a chance de participar da competição mais importante de seleções, disputada na Suécia, em 1958. Depois de marcar dois gols na goleada por 5 a 0 sobre o Corinthians, no amistoso em que Pelé saiu contundido após dividida com Ari Clemente, Pepe novamente fez a diferença contra a Fiorentina, marcando mais dois na vitória por 4 a 0, mas, não teve a mesma sorte contra a Inter de Milão, em nova goleada brasileira.

“O Bicicli, ponta-direita deles, acertou meu tornozelo direito na maldade e me tirou da Copa. Fomos viajar da Itália para a Suécia logo na seqüência e tive que ir de chinelos, de tão inchado que estava o meu pé”, lembrou Pepe, em entrevista por telefone para a Gazeta Esportiva.Net.

Sua contusão, aliás, é o único ponto a ser lamentado quando o ex-ponta-esquerda se lembra da cinqüentenária e inesquecível conquista do futebol brasileiro. “Ali começou tudo, toda a valorização dos jogadores brasileiros, que vinham de duas decepções seguidas. A conquista foi maravilhosa e o futebol brasileiro passou a ter prestígio na Europa”, lembrou.

Pepe lembra também da polêmica jogada envolvendo o corintiano Ari Clemente e Pelé. Ao contrário do ex-lateral, que citou à GE.Net que foi o dez santista quem chutou sua chuteira em uma dividida, Pepe tem sua própria versão do lance.

“Não me lembro com exatidão como é que foi a jogada, pois faz 50 anos. Pareceu, na ocasião, que foi uma jogada até certo ponto violenta da parte dele. Na hora, pareceu um lance desleal, tanto que tirou o Pelé dos dois primeiros jogos da Copa”, comentou.

Informado da versão de Ari Clemente, lembrando da cobrança de falta de Pepe e da dividida com Pelé, o ex-ponta-esquerda esmoreceu um pouco: “O Pelé estava acostumado a levar bordoada de tudo quanto era jeito. Não fui eu quem dividiu, então fica difícil lembrar com detalhes. Fico com a versão do Ari Clemente, pois não acredito que queria tirar o Pelé da Copa. Deve ter sido involuntário, mas pareceu violento”, reforçou.

Pepe celebrou o fato de Pelé ter se recuperado a tempo para disputar a Copa e lembrou que, por pouco, também não participou das duas últimas partidas da seleção, contra França e Suécia. Mas cumprimentou a decisão do técnico Vicente Feola em não mexer no time para recolocá-lo como titular.

“Cheguei a estar com 70% das minhas condições antes da semifinal, mas o (Vicente) Feola não mexeu no time e fez muito bem. Fiquei da arquibancada, torcendo, e foi espetacular. O Brasil tinha dois gênios, o Pelé, que se recuperou antes de mim, e o Garrincha, além do melhor jogador da Copa, o Didi. Era só dar a bola para eles e tchau e benção”, concluiu.

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