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16/06/2008
Montagem sobre foto de Fernando Pilatos/Gazeta Press

Por Luiz Ricardo Fini
Foto Fernando Pilatos / Gazeta Press
Maria Helena e Antônio Augusto, pais de Juninho Pernambucano, mantêm relíquias e lembranças da carreira do craque do Lyon em sua casa no Recife

A ascensão do Lyon no futebol francês está intimamente relacionada à consagração de um brasileiro na Europa. Juninho Pernambucano conquistou o país ao liderar um time até então mediano rumo a um status de supercampeão da década. Aos 33 anos, Antônio Augusto Ribeiro Reis Júnior tem muitas histórias para contar dos diversos títulos que conquistou no futebol francês.

Nesta entrevista exclusiva concedida à Gazeta Esportiva.Net, o jogador falou sobre os planos de se aposentar em, no máximo, três anos. E deu esperanças apenas às torcidas de Vasco, Sport e Lyon de verem-no atuar. “Se fosse para jogar no Brasil, acho que seria no Sport ou no Vasco”.

Além disso, reconheceu sua importância ao Lyon, admitindo, inclusive, ser consultado pelos diretores sobre possíveis contratações de atletas e técnicos. Juninho Pernambucano também demonstrou ter ficado chateado com as críticas que recebeu de Wanderley Luxemburgo depois da Copa do Mundo de 2006. “Achei um pouco de oportunismo no dia, mas eu o considero um grande treinador”, reconhece o atleta, que fala da possibilidade de o palmeirense se transferir para o Lyon.

Em férias no Brasil, o atleta recebeu a GE.Net na casa de seus pais, Maria Helena e Antônio Augusto, no Recife. Rodeado por familiares, o jogador concedeu a entrevista um dia depois da conquista do título do Sport na Copa do Brasil. Falou de seus planos, decepções e as alegrias vividas em sete anos na França.

O que você achou do título do Sport?
Estou feliz porque é o primeiro título da Copa do Brasil de um time do Nordeste e acho que a campanha do Sport foi merecedora, porque tirou Palmeiras, Inter e Vasco, e ainda reverteu uma situação difícil contra o Corinthians. Estou feliz pelo Estado e porque o Sport tem uma torcida muito forte. Quando a gente fala do Corinthians, pensa na torcida. E o Sport também é assim.

Como é sua relação com Vasco e Sport?
O que acontece comigo é que se criou essa polêmica entre Sport e Vasco. Eu nasci em Recife e minha família toda, tirando meu pai, é fanática pelo Sport. Todos vão aos jogos. Eles me levaram ao estádio quando eu tinha seis anos e passei a torcer pelo clube. Eu me formei como profissional no Sport, mas joguei só um ano e meio, porque depois fui para o Vasco. Então, minha ligação como jogador passou a ser mais forte com o Vasco. Meu pai, além de ser alvirrubro, é vascaíno porque morou no Rio. Ele é sócio do Vasco desde 1950, quando era da Marinha. No Sport, eu ganhei um Campeonato Pernambucano e uma Copa do Nordeste, ou seja, não marquei a história do clube como os que jogaram ontem (na final da Copa do Brasil) ou como os de 1987 (no Brasileiro), quando eu estava no estádio na final. Eu gosto e continuo torcendo pelo Sport, fiquei muito feliz, mas também tenho carinho especial pelo Vasco.

Na semifinal, você deve ter ficado dividido...
Eu estava em Dubai, com o Lyon, e nem consegui ver o jogo. Fomos fazer um amistoso quando acabou a temporada e, como tem sete horas de fuso entre Dubai e o Brasil, eu recebi uma mensagem de madrugada dizendo que o Sport havia passado nos pênaltis. Fiquei um pouco dividido, mas acho que o Vasco já tem uma história muito bonita construída e acredito que o Sport merecia mais. Ficaria feliz com os dois, mas preferia que o Sport ganhasse. O Vasco é tetracampeão brasileiro e campeão da Libertadores, e o Sport precisava confirmar essa Copa do Brasil. Esta torcida merece ir para a Libertadores e a campanha do Sport era melhor.

Como é o clima entre você e seu pai, torcedor do Náutico?
Como tem tanto torcedor do Sport, quando ele abre a boca, todo mundo corta e ele não tem direito de falar mais nada (risos). É brincadeira mesmo, meu pai nunca foi fanático. Ele gosta de futebol e pode assistir até dez jogos por dia, mas não fica chateado quando perde. Meu pai não tem rivalidade. Ele até gosta mais do Vasco. Se tivesse um time para torcer, seria o Vasco.

Agora, vamos então falar de Europa. Em sete anos no Lyon, você conquistou vários títulos. Você se sente o rei da França?
Não, não me sinto. Mas eu tenho orgulho por ter ajudado a mudar a mentalidade de um time que não tinha conquistado nenhum título. Eu dei a sorte de, no primeiro ano, ser campeão e depois emendar outras seis conquistas. Lógico que existe o reconhecimento, porque o Lyon não era time de massa, como Paris Saint-Germain, Olympique Marseille e nosso rival Saint Etienne, mas temos uma história para contar. Talvez, essa geração do Lyon tenha formado o maior time da história do futebol francês. Ganhar por sete anos o campeonato nacional por pontos corridos foi marcante. Fico orgulhoso e me dá prazer, porque nós passamos a ser um time vencedor, que busca sempre contratar os melhores jogadores. E o clube se equilibrou financeiramente.

Fotos Fernando Pilatos/Gazeta Press
Juninho com família em Recife

Com essa carreira vitoriosa no Lyon, o que você ainda almeja?
Eu tenho dois anos de contrato. Essa foi a principal temporada da história do Lyon, que nunca tinha feito o doublé, que é ganhar a Copa e o Campeonato. Há dez anos que nenhum time conseguia, o último havia sido o Auxerre. Foi a temporada mais marcante da história do Lyon, mas o que o clube ainda sonha é ganhar a Champions. Mas é a competição mais difícil do mundo, mais até do que uma Copa do Mundo. Nós sempre saímos por detalhes e esse ano perdemos para o campeão nas oitavas. Jogamos de igual para igual com o Manchester. O Lyon faz frente para todo time, mas, na hora, o detalhe pesa. A sorte que sempre tivemos no Nacional faltou nas competições européias. A imprensa cobra muito, porque na França existe essa cultura de ser tudo igual. Se você ganhou uma vez, é como se tivesse de deixar o direito para outro ganhar. A França adora aquele tenista que vem lá de baixo, não era favorito, chega na final e perde por 3 a 2. O cara vira ídolo. Há um pouco dessa cultura do francês. Então, o Lyon tem o reconhecimento, mas também tem certa antipatia porque só se fala dele. O presidente é uma personalidade conhecida e eles não estão aturando muito o Lyon.

O time é muito cobrado pela imprensa?
Apesar de conquistarmos sete títulos, o trabalho é sempre colocado à prova. Mas isso é bom pelo desafio, faz parte. Tenho sete títulos nacionais e já falei que trocaria três por uma Champions. Vou ficar mais dois anos e nós vamos tentar, mas sabemos que é muito difícil. O Chelsea, por exemplo, acaba a temporada e tem 100 milhões para contratar jogadores. E o Manchester tem mais 50 milhões. Isso faz a diferença. O grande problema é esse. O Lyon contratou jovens jogadores que se tornaram grandes na Europa, mas não deu para segurar, como Essien, Diarra, Abidal, Malouda... O desafio do Lyon é segurar seus melhores jogadores. Eu optei por ficar porque, para mim, o que interessa é marcar a história do clube. Estou lá desde que tinha 26 anos e já renovei duas vezes. Joguei em três equipes e, quanto mais tempo ficar, mais chances tenho de marcar.

E você segue no Lyon até quando?
Tudo indica que vou jogar esses dois anos e parar. Muita gente me aconselha a não falar isso (aposentadoria), mas vou me preparar para pensar nesses dois anos que é o tempo de meu contrato. Mesmo assim, não dá para falar muito sobre o que vai acontecer depois disso. Se acabarem esses dois anos e eu tiver motivação e condição física para jogar mais um ano, posso escolher outro lugar para jogar ou ficar até mais um pouco no Lyon. Meu projeto é cumprir bem meus dois anos, e o Lyon está até contratando jogadores. Eles acertaram com um brasileiro chamado Éderson que dizem que vai me substituir, acho normal. Então, o importante é que as portas ficarão abertas e quero ficar no mundo do futebol por mais dez anos. Adoro meu trabalho e gosto muito de futebol, vou sentir muita falta. Vou me preparar para esses dois anos. Depois, não sei...

Se acontecer de ficar mais um ano, você pode voltar ao Brasil?
Eu recebi um convite do Vasco. Em janeiro, eles me ligaram e fizeram o convite para, quando acabasse meu contrato, que eu jogasse mais três meses no clube. Eles acham importante por eu fazer parte de títulos importantes. Fizeram o convite, e eu não disse nem sim nem não. Agradeci e não vou prometer, mas eu gosto do Vasco. Se eu tiver condição de jogar bem, posso fazer. Se não tiver, não faço.

E outro clube da Europa?
Acho que não. Tenho sete anos no Lyon e sou o brasileiro que mais jogou pelo clube. Participei de todo o crescimento do clube e são sete títulos conquistados. Sou artilheiro do clube em participações européias, com 15 gols. Eu tenho feitos marcantes pelo clube. Em votação, tem gente que me aponta como o maior jogador da história do clube, e outros me põem como segundo, atrás do DiNallo, que foi um grande jogador e disputou 14 temporadas pelo clube. Tenho de dar valor a tudo isso. O futebol mudou, não tem mais espaço para ‘boleirão’ que passa seis meses em um clube e depois vai seis meses para outro. Ainda bem que está acabando isso de o cara não conhecer a história do clube e da camisa que veste.

Pelo que você falou, vai encerrar a carreira com apenas três clubes no currículo?
Exatamente. Se fosse para jogar no Brasil, acho que seria no Sport ou no Vasco. Estarei com 35 anos e tenho de ver a relação com minha família. Sempre fui muito apegado à família. Adoro Lyon, mas sinto falta do ambiente de ficar junto com minha família. Vai ser difícil de eu trocar de clube. Eu até já tive chance de sair, mas o Lyon sempre reconheceu meu valor. Tenho 33 anos e eles sempre me entenderam, tenho até um jogo de despedida assinado, algo que poucos jogadores conseguiram. Eu dei muito para eles, mas eles também reconheceram muito meu valor profissional, seja na hora de assinar contrato ou até na hora de contratar jogadores. Eu não contratei jogadores, mas você se sente respeitado por saber que o diretor que contrata te liga para falar de treinador ou jogador.

Como são essas consultas a você na hora da contratação?
Eu nunca daria a palavra final, até poderia me sentir constrangido, mas eles conversaram comigo sobre todos os que vieram ao Lyon depois de mim, principalmente o Bernard Lacombe, que está sempre no Brasil com o Marcelo (Djian, representante do Lyon no Brasil). Agora, na primeira vez em que o Lyon pensou em levar um treinador brasileiro, conversaram comigo também. Espero cumprir esses dois anos no Lyon. Passei a ser capitão há dois anos. Eu sempre era campeão e nunca levantava a taça. Não que seja diferente, mas é gostoso porque a primeira vez em que levantei a taça foi no hepta. Já na Copa da França, que tem uma tradição incrível, eu também chamei o Gouve e o Coupe na hora de levantar o troféu porque eles participaram de todas as conquistas comigo. Achei justo cada um pegar de um lado, foi muito legal. Espero mais taças.

Você foi consultado também sobre o Wanderley Luxemburgo? Você teve problemas com ele em 2006...
Não é que eu tive problemas. O Wanderley criticou a minha emoção na hora do hino (antes do jogo entre Brasil e França). Críticas e elogios chegam, passam e fazem parte. Hoje, é criticado, e amanhã, elogiado. Mas eu não concordei e achei um pouco de oportunismo no dia, mas eu o considero um grande treinador. Eu falei para o diretor a mesma coisa: é um grande treinador, mas não sei se ele fala francês. Foi só isso que falei. É um grande treinador e um dos melhores do Brasil, como considero Mano Menezes, Abel, Muricy... Eu não teria problema nenhum em trabalhar com ele.

Você não tentaria vetar a contratação do Luxemburgo?
Não, nem tenho poder para isso. Eu não faria isso nem com meu maior inimigo, porque eu não me sentiria bem como homem depois. Como jogador do time, eu vou pela disciplina e sei que quem manda é o treinador. Eles gostam de me perguntar, mas nunca pedi nada. Querem saber se conheço o jogador, como foi com Cris, Fred, Nilmar... Ele é o treinador e é quem decide. Quero ser campeão e dar volta olímpica. Além disso, nunca me aproximei tanto de treinador, sempre foi uma barreira grande para mim, porque penso que treinador é quem manda. E essa dificuldade de me aproximar talvez até tenha me prejudicado na seleção. Eu não teria problema nenhum em trabalhar com o Wanderley, eu o considero um grande treinador. Não sei se vai ou não. Na França, eles são conservadores, e choca muito um treinador que não fala a língua. E também não sei se o Wanderley aceitaria ser treinador do Lyon.

Fotos AFP
Na seleção, Juninho nunca foi titular absoluto

Já que você tocou no assunto, acabou sua passagem pela seleção?
Tenho saudade, como o Roberto Carlos também falou que tem depois da Copa. É natural a renovação, o Brasil revela excelentes jogadores. É incrível a quantidade de talentos no Brasil, não há igual em nenhum lugar do mundo. E os jovens estão cada vez melhores. Hoje, temos jogadores de 17 anos com experiência de 30. Não tive problema na seleção, apenas peguei uma geração difícil, com grandes jogadores. A concorrência era muito alta. Sinto saudade, mas acho que o Dunga está no caminho certo.

Você está concordando com o Dunga?
Ele está tentando renovar. Eu acompanhei muito pouco (a seleção) depois da Copa. Vi apenas um jogo depois de 2006, que foi o amistoso em que o Pato marcou o primeiro gol dele (contra a Suécia). Não vi mais nenhum outro. O que eu gosto do Dunga é que não vi ele convocar um jogador e não colocá-lo para jogar. Com o Parreira, a gente era convocado e, em quatro anos de preparação, jogou praticamente o mesmo time. Só mudava quando tinha machucado ou suspenso. Você passava 12 horas de vôo para jogar 15, 10, 5 minutos... É a única coisa que lamento. Quem era titular, era até o fim, porque ele alegava que não tinha tempo para treinar. Eu passei um ano jogando como titular até a ascensão do Robinho, e também não reclamo porque foi opção do treinador. Talvez eu me desse melhor com o Dunga, ele testa até chegarem os jogos principais das Eliminatórias. Sonhei em ser campeão do mundo, mas a vida é assim e não dá para ganhar tudo.

Dois anos depois, é possível responder por que o Brasil perdeu a Copa?
Nem vale mais a pena falar porque faz muito tempo e o Brasil até jogou outras competições. Tenho minha opinião, mas, como se falou tanto, vou preferir falar nesta entrevista do Lyon e da minha história. Não vale mais a pena falar, só posso dizer que a gente não mereceu ganhar.

Você chegou a essa conclusão quando?
Durante a competição. Em todos os jogos, nunca jogamos o que poderíamos. Serve de aprendizado. Perdeu em 1998, e ganhou em 2002. Perdeu em 2006, e tem tudo para ganhar em 2010. Dunga e Jorginho juntos têm condições de fazer um bom trabalho. Seleção é o que tem de melhor na carreira de um jogador, e o Brasil continua com uma geração forte.

Você se naturalizou francês, mas você se sente francês?
Eu tenho a dupla cidadania, e a França passou a ser meu segundo país. Moro há sete anos lá, é meu único clube da Europa e tenho duas filhas que nasceram na França. Eu fiz esforço para me adaptar e adoro morar lá. Gosto da educação, das escolas, do respeito, da segurança... Eu sou simples. O pessoal me pergunta da comida francesa e dos vinhos. Lógico que isso faz parte da cultura da França, mas não foi isso que me interessou, foi o futebol.

Você já falou em ficar mais dez anos no futebol. Pensa em virar dirigente?
Eu quero continuar no futebol, quero fazer alguma coisa. Até ser treinador passa pela minha cabeça. Eu não decidi, mas, quando parar, vou me preparar durante um ano e voltar ao futebol porque não quero ficar muito tempo longe. Quero passar tudo o que aprendi de alguma forma. Poderia até ser treinador, eu me sentiria bem e estaria preparado para o desafio. Sei que, quando tem carreira de sucesso como jogador, ser treinador tem um risco maior. Mas o risco é pegar durante seis meses um time que não está bem, sabendo que não dão tanto tempo ao treinador no Brasil. Eu adoro futebol e espero que as portas estejam abertas para mim.
Foto AFP
Juninho com a taça de campeão da Copa da França

E existe uma possibilidade de você montar um Centro de Treinamentos do Lyon no Brasil...
Eu tenho esse acordo com o presidente, mas só vamos ver quando eu parar. Enquanto tiver coisa para fazer em campo, não quero uma segunda atividade. Quero render no campo. De repente, nem faço isso e volto ao Brasil para morar e pronto. Não está certo que eu vá fazer. Se fizéssemos, o Lyon entraria com uma parte do investimento, e eu trabalharia. Na verdade, não é nem para o jogador ir para o Lyon, mas sim pelo nome do clube. Os grandes europeus, como Real Madrid e Manchester, vão para Japão, China, Coréia... O Lyon está começando e foi duas vezes para a Coréia. O Lyon precisa disso também porque é marketing. Há dez anos, só falavam lá de Marseille e Paris Saint-Germain. Seria uma escolinha bem feita com o nome do Lyon, que também não deixaria de revelar talentos. Mas não seria só para mandar jogador, até porque o time só pode ter quatro estrangeiros.

Você já está há sete anos no Lyon. Quando um clube europeu tem muitos brasileiros, é comum formar grupos. Você passou por essa fase e já tem um contato maior com os franceses?
Tenho, mas a verdade é que o futebol é o esporte coletivo mais individual do mundo. Eu jogo futebol profissional há 14 anos e fiz pouquíssimas amizades. É incrível, existe uma barreira. Quando o jogador vira top, é mais difícil ainda de fazer amizades. Ontem (na Copa do Brasil), vi o jogo com dois amigos com quem comecei a carreira, o Chiquinho e o Sandro. Joguei no Sport em 94 com eles. Eu os considero meus amigos, mas lamento ter feito pouquíssimas amizades. Futebol é individualista e a concorrência é muito grande, não existe essa amizade. Passei alguns anos na seleção e não fiz amizade praticamente com ninguém, apesar de que na hora se davam todos bem, com brincadeiras e risos. Eu me dou bem com Cris, Fred, Caçapa, Edmilson, mas, depois, vai cada um para seu lado. Infelizmente, futebol é isso. Quem disser que é diferente, é exceção.

No ano passado, surgiu o boato de que você não se dava bem com o Fábio Santos, que está no São Paulo. Isso é real?
Tivemos uma discussão por besteira. Mas, se não me dou bem e o cara veste a camisa do meu time, não tem problema nenhum. Tivemos discussão normal de futebol, de mandar ir para aquele canto ou não, o que é normal porque todo mundo quer ganhar. Ele tem uma vida totalmente diferente da minha e eu respeito. Não teria problema nenhum em jogar com ele. Se o cara veste a mesma camisa que eu, vamos para a morte juntos, porque quero ganhar. Depois, tomo banho no vestiário e não sou mais jogador de futebol quando saio do estádio. Ele é temperamental... Eu sou gente boa, mas também tenho temperamento um pouco difícil. Nós temos mais dois anos de contrato com o Lyon e, se ele voltar, não terá problema. E nós nos demos até bem no campo, porque ele é de muita força e facilitou muito minha vida. Na Europa, jogador de marcação fica muito na marcação, mas o Fábio tem qualidade para jogar. Torço para ele ter bons resultados e, se tiver de voltar ao Lyon, tranqüilo.

Os bastidores do Lyon foram tranqüilos neste ano?
É incrível. No Lyon, nós não temos um grupo que seja muito unido, mas também não temos problemas. Cada um vive sua vida. Os estrangeiros tiveram um destaque muito grande. O Cris, por exemplo, é considerado um dos melhores zagueiros da Europa, ele é um monstro de jogador. Os brasileiros, então, tiveram um destaque muito grande e houve esse choque. Mas nossa sorte é que somos todos competitivos no Lyon, todos querem ganhar. 95% do grupo é competitivo, joga para ganhar todo jogo e quer levantar taças. É muito comum na Europa os jogadores saírem sozinhos para jantar e beber uma vez por mês. Neste ano, fizemos isso só uma vez. Mas, quando chega a hora do jogo, a gente joga junto. Por isso, eu falo que união é na hora do jogo. União não é sair junto para gandaia... Pouquíssimas vezes a gente se encontra lá, mas isso não atrapalhou nosso rendimento no campo.

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