| Por
Luiz Ricardo Fini
Foto Fernando Pilatos / Gazeta
Press |
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| Maria Helena e Antônio Augusto, pais de Juninho Pernambucano, mantêm relíquias e lembranças da carreira do craque do Lyon em sua casa no Recife |
A ascensão do Lyon no futebol francês está intimamente
relacionada à consagração de um brasileiro na Europa.
Juninho Pernambucano conquistou o país ao liderar um
time até então mediano rumo a um status de supercampeão da
década. Aos 33 anos, Antônio Augusto Ribeiro Reis Júnior
tem muitas histórias para contar dos diversos títulos
que conquistou no futebol francês.
Nesta entrevista exclusiva concedida à Gazeta Esportiva.Net,
o jogador falou sobre os planos de se aposentar em,
no máximo, três anos. E deu esperanças apenas às torcidas
de Vasco, Sport e Lyon de verem-no atuar. “Se fosse
para jogar no Brasil, acho que seria no Sport ou no
Vasco”.
Além disso, reconheceu sua importância ao Lyon, admitindo,
inclusive, ser consultado pelos diretores sobre possíveis
contratações de atletas e técnicos. Juninho Pernambucano
também demonstrou ter ficado chateado com as críticas
que recebeu de Wanderley Luxemburgo depois da Copa do
Mundo de 2006. “Achei um pouco de oportunismo no dia,
mas eu o considero um grande treinador”, reconhece o
atleta, que fala da possibilidade de o palmeirense se
transferir para o Lyon.
Em férias no Brasil, o atleta recebeu a GE.Net
na casa de seus pais, Maria Helena e Antônio Augusto,
no Recife. Rodeado por familiares, o jogador concedeu
a entrevista um dia depois da conquista do título do
Sport na Copa do Brasil. Falou de seus planos, decepções
e as alegrias vividas em sete anos na França.
O que você achou do título do Sport?
Estou feliz porque é o primeiro título da Copa
do Brasil de um time do Nordeste e acho que a campanha
do Sport foi merecedora, porque tirou Palmeiras, Inter
e Vasco, e ainda reverteu uma situação difícil contra
o Corinthians. Estou feliz pelo Estado e porque o Sport
tem uma torcida muito forte. Quando a gente fala do
Corinthians, pensa na torcida. E o Sport também é assim.
Como é sua relação com Vasco e Sport?
O que acontece comigo é que se criou essa polêmica
entre Sport e Vasco. Eu nasci em Recife e minha família
toda, tirando meu pai, é fanática pelo Sport. Todos
vão aos jogos. Eles me levaram ao estádio quando eu
tinha seis anos e passei a torcer pelo clube. Eu me
formei como profissional no Sport, mas joguei só um
ano e meio, porque depois fui para o Vasco. Então, minha
ligação como jogador passou a ser mais forte com o Vasco.
Meu pai, além de ser alvirrubro, é vascaíno porque morou
no Rio. Ele é sócio do Vasco desde 1950, quando era
da Marinha. No Sport, eu ganhei um Campeonato Pernambucano
e uma Copa do Nordeste, ou seja, não marquei a história
do clube como os que jogaram ontem (na final da Copa
do Brasil) ou como os de 1987 (no Brasileiro), quando
eu estava no estádio na final. Eu gosto e continuo torcendo
pelo Sport, fiquei muito feliz, mas também tenho carinho
especial pelo Vasco.
Na semifinal, você deve ter ficado dividido...
Eu estava em Dubai, com o Lyon, e nem consegui
ver o jogo. Fomos fazer um amistoso quando acabou a
temporada e, como tem sete horas de fuso entre Dubai
e o Brasil, eu recebi uma mensagem de madrugada dizendo
que o Sport havia passado nos pênaltis. Fiquei um pouco
dividido, mas acho que o Vasco já tem uma história muito
bonita construída e acredito que o Sport merecia mais.
Ficaria feliz com os dois, mas preferia que o Sport
ganhasse. O Vasco é tetracampeão brasileiro e campeão
da Libertadores, e o Sport precisava confirmar essa
Copa do Brasil. Esta torcida merece ir para a Libertadores
e a campanha do Sport era melhor.
Como é o clima entre você e seu pai, torcedor
do Náutico?
Como tem tanto torcedor do Sport, quando ele
abre a boca, todo mundo corta e ele não tem direito
de falar mais nada (risos). É brincadeira mesmo, meu
pai nunca foi fanático. Ele gosta de futebol e pode
assistir até dez jogos por dia, mas não fica chateado
quando perde. Meu pai não tem rivalidade. Ele até gosta
mais do Vasco. Se tivesse um time para torcer, seria
o Vasco.
Agora, vamos então falar de Europa. Em sete anos
no Lyon, você conquistou vários títulos. Você se sente
o rei da França?
Não, não me sinto. Mas eu tenho orgulho por ter
ajudado a mudar a mentalidade de um time que não tinha
conquistado nenhum título. Eu dei a sorte de, no primeiro
ano, ser campeão e depois emendar outras seis conquistas.
Lógico que existe o reconhecimento, porque o Lyon não
era time de massa, como Paris Saint-Germain, Olympique
Marseille e nosso rival Saint Etienne, mas temos uma história
para contar. Talvez, essa geração do Lyon tenha formado
o maior time da história do futebol francês. Ganhar por
sete anos o campeonato nacional por pontos corridos foi
marcante. Fico orgulhoso e me dá prazer, porque nós passamos
a ser um time vencedor, que busca sempre contratar os
melhores jogadores. E o clube se equilibrou financeiramente.
Fotos Fernando Pilatos/Gazeta
Press |
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| Juninho com família em Recife |
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Com essa carreira vitoriosa no Lyon, o que
você ainda almeja?
Eu tenho dois anos de contrato. Essa foi a
principal temporada da história do Lyon, que nunca tinha
feito o doublé, que é ganhar a Copa e o Campeonato.
Há dez anos que nenhum time conseguia, o último havia
sido o Auxerre. Foi a temporada mais marcante da história
do Lyon, mas o que o clube ainda sonha é ganhar a Champions.
Mas é a competição mais difícil do mundo, mais até do
que uma Copa do Mundo. Nós sempre saímos por detalhes
e esse ano perdemos para o campeão nas oitavas. Jogamos
de igual para igual com o Manchester. O Lyon faz frente
para todo time, mas, na hora, o detalhe pesa. A sorte
que sempre tivemos no Nacional faltou nas competições
européias. A imprensa cobra muito, porque na França
existe essa cultura de ser tudo igual. Se você ganhou
uma vez, é como se tivesse de deixar o direito para
outro ganhar. A França adora aquele tenista que vem
lá de baixo, não era favorito, chega na final e perde
por 3 a 2. O cara vira ídolo. Há um pouco dessa cultura
do francês. Então, o Lyon tem o reconhecimento, mas
também tem certa antipatia porque só se fala dele. O
presidente é uma personalidade conhecida e eles não
estão aturando muito o Lyon.
O time é muito cobrado pela imprensa?
Apesar de conquistarmos sete títulos, o trabalho
é sempre colocado à prova. Mas isso é bom pelo desafio,
faz parte. Tenho sete títulos nacionais e já falei que
trocaria três por uma Champions. Vou ficar
mais dois anos e nós vamos tentar, mas sabemos que é
muito difícil. O Chelsea, por exemplo, acaba a temporada
e tem 100 milhões para contratar jogadores. E o Manchester
tem mais 50 milhões. Isso faz a diferença. O grande
problema é esse. O Lyon contratou jovens jogadores que
se tornaram grandes na Europa, mas não deu para segurar,
como Essien, Diarra, Abidal, Malouda... O desafio do
Lyon é segurar seus melhores jogadores. Eu optei por
ficar porque, para mim, o que interessa é marcar a história
do clube. Estou lá desde que tinha 26 anos e já renovei
duas vezes. Joguei em três equipes e, quanto mais tempo
ficar, mais chances tenho de marcar.
E você segue no Lyon até quando?
Tudo indica que vou jogar esses dois anos e
parar. Muita gente me aconselha a não falar isso (aposentadoria),
mas vou me preparar para pensar nesses dois anos que
é o tempo de meu contrato. Mesmo assim, não dá para
falar muito sobre o que vai acontecer depois disso.
Se acabarem esses dois anos e eu tiver motivação e condição
física para jogar mais um ano, posso escolher outro
lugar para jogar ou ficar até mais um pouco no Lyon.
Meu projeto é cumprir bem meus dois anos, e o Lyon está
até contratando jogadores. Eles acertaram com um brasileiro
chamado Éderson que dizem que vai me substituir, acho
normal. Então, o importante é que as portas ficarão
abertas e quero ficar no mundo do futebol por mais dez
anos. Adoro meu trabalho e gosto muito de futebol, vou
sentir muita falta. Vou me preparar para esses dois
anos. Depois, não sei...
Se acontecer de ficar mais um ano, você pode
voltar ao Brasil?
Eu recebi um convite do Vasco. Em janeiro,
eles me ligaram e fizeram o convite para, quando acabasse
meu contrato, que eu jogasse mais três meses no clube.
Eles acham importante por eu fazer parte de títulos
importantes. Fizeram o convite, e eu não disse nem sim
nem não. Agradeci e não vou prometer, mas eu gosto do
Vasco. Se eu tiver condição de jogar bem, posso fazer.
Se não tiver, não faço.
E outro clube da Europa?
Acho que não. Tenho sete anos no Lyon e sou
o brasileiro que mais jogou pelo clube. Participei de
todo o crescimento do clube e são sete títulos conquistados.
Sou artilheiro do clube em participações européias,
com 15 gols. Eu tenho feitos marcantes pelo clube. Em
votação, tem gente que me aponta como o maior jogador
da história do clube, e outros me põem como segundo,
atrás do DiNallo, que foi um grande jogador e disputou
14 temporadas pelo clube. Tenho de dar valor a tudo
isso. O futebol mudou, não tem mais espaço para ‘boleirão’
que passa seis meses em um clube e depois vai seis meses
para outro. Ainda bem que está acabando isso de o cara
não conhecer a história do clube e da camisa que veste.
Pelo que você falou, vai encerrar a carreira
com apenas três clubes no currículo?
Exatamente. Se fosse para jogar no Brasil,
acho que seria no Sport ou no Vasco. Estarei com 35
anos e tenho de ver a relação com minha família. Sempre
fui muito apegado à família. Adoro Lyon, mas sinto falta
do ambiente de ficar junto com minha família. Vai ser
difícil de eu trocar de clube. Eu até já tive chance
de sair, mas o Lyon sempre reconheceu meu valor. Tenho
33 anos e eles sempre me entenderam, tenho até um jogo
de despedida assinado, algo que poucos jogadores conseguiram.
Eu dei muito para eles, mas eles também reconheceram
muito meu valor profissional, seja na hora de assinar
contrato ou até na hora de contratar jogadores. Eu não
contratei jogadores, mas você se sente respeitado por
saber que o diretor que contrata te liga para falar
de treinador ou jogador.
Como são essas consultas a você na hora da
contratação?
Eu nunca daria a palavra final, até poderia
me sentir constrangido, mas eles conversaram comigo
sobre todos os que vieram ao Lyon depois de mim, principalmente
o Bernard Lacombe, que está sempre no Brasil com o Marcelo
(Djian, representante do Lyon no Brasil). Agora, na
primeira vez em que o Lyon pensou em levar um treinador
brasileiro, conversaram comigo também. Espero cumprir
esses dois anos no Lyon. Passei a ser capitão há dois
anos. Eu sempre era campeão e nunca levantava a taça.
Não que seja diferente, mas é gostoso porque a primeira
vez em que levantei a taça foi no hepta. Já na Copa
da França, que tem uma tradição incrível, eu também
chamei o Gouve e o Coupe na hora de levantar o troféu
porque eles participaram de todas as conquistas comigo.
Achei justo cada um pegar de um lado, foi muito legal.
Espero mais taças.
Você foi consultado também sobre o Wanderley
Luxemburgo? Você teve problemas com ele em 2006...
Não é que eu tive problemas. O Wanderley criticou
a minha emoção na hora do hino (antes do jogo entre
Brasil e França). Críticas e elogios chegam, passam
e fazem parte. Hoje, é criticado, e amanhã, elogiado.
Mas eu não concordei e achei um pouco de oportunismo
no dia, mas eu o considero um grande treinador. Eu falei
para o diretor a mesma coisa: é um grande treinador,
mas não sei se ele fala francês. Foi só isso que falei.
É um grande treinador e um dos melhores do Brasil, como
considero Mano Menezes, Abel, Muricy... Eu não teria
problema nenhum em trabalhar com ele.
Você não tentaria vetar a contratação do Luxemburgo?
Não, nem tenho poder para isso. Eu não faria
isso nem com meu maior inimigo, porque eu não me sentiria
bem como homem depois. Como jogador do time, eu vou
pela disciplina e sei que quem manda é o treinador.
Eles gostam de me perguntar, mas nunca pedi nada. Querem
saber se conheço o jogador, como foi com Cris, Fred,
Nilmar... Ele é o treinador e é quem decide. Quero ser
campeão e dar volta olímpica. Além disso, nunca me aproximei
tanto de treinador, sempre foi uma barreira grande para
mim, porque penso que treinador é quem manda. E essa
dificuldade de me aproximar talvez até tenha me prejudicado
na seleção. Eu não teria problema nenhum em trabalhar
com o Wanderley, eu o considero um grande treinador.
Não sei se vai ou não. Na França, eles são conservadores,
e choca muito um treinador que não fala a língua. E
também não sei se o Wanderley aceitaria ser treinador
do Lyon.
Fotos AFP |
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| Na seleção, Juninho nunca foi titular absoluto |
Já que você tocou no assunto, acabou sua passagem
pela seleção?
Tenho saudade, como o Roberto Carlos também
falou que tem depois da Copa. É natural a renovação,
o Brasil revela excelentes jogadores. É incrível a quantidade
de talentos no Brasil, não há igual em nenhum lugar
do mundo. E os jovens estão cada vez melhores. Hoje,
temos jogadores de 17 anos com experiência de 30. Não
tive problema na seleção, apenas peguei uma geração
difícil, com grandes jogadores. A concorrência era muito
alta. Sinto saudade, mas acho que o Dunga está no caminho
certo.
Você está concordando com o Dunga?
Ele está tentando renovar. Eu acompanhei muito
pouco (a seleção) depois da Copa. Vi apenas um jogo
depois de 2006, que foi o amistoso em que o Pato marcou
o primeiro gol dele (contra a Suécia). Não vi mais nenhum
outro. O que eu gosto do Dunga é que não vi ele convocar
um jogador e não colocá-lo para jogar. Com o Parreira,
a gente era convocado e, em quatro anos de preparação,
jogou praticamente o mesmo time. Só mudava quando tinha
machucado ou suspenso. Você passava 12 horas de vôo
para jogar 15, 10, 5 minutos... É a única coisa que
lamento. Quem era titular, era até o fim, porque ele
alegava que não tinha tempo para treinar. Eu passei
um ano jogando como titular até a ascensão do Robinho,
e também não reclamo porque foi opção do treinador.
Talvez eu me desse melhor com o Dunga, ele testa até
chegarem os jogos principais das Eliminatórias. Sonhei
em ser campeão do mundo, mas a vida é assim e não dá
para ganhar tudo.
Dois anos depois, é possível responder por
que o Brasil perdeu a Copa?
Nem vale mais a pena falar porque faz muito
tempo e o Brasil até jogou outras competições. Tenho
minha opinião, mas, como se falou tanto, vou preferir
falar nesta entrevista do Lyon e da minha história.
Não vale mais a pena falar, só posso dizer que a gente
não mereceu ganhar.
Você chegou a essa conclusão quando?
Durante a competição. Em todos os jogos, nunca
jogamos o que poderíamos. Serve de aprendizado. Perdeu
em 1998, e ganhou em 2002. Perdeu em 2006, e tem tudo
para ganhar em 2010. Dunga e Jorginho juntos têm condições
de fazer um bom trabalho. Seleção é o que tem de melhor
na carreira de um jogador, e o Brasil continua com uma
geração forte.
Você se naturalizou francês, mas você se sente
francês?
Eu tenho a dupla cidadania, e a França passou
a ser meu segundo país. Moro há sete anos lá, é meu
único clube da Europa e tenho duas filhas que nasceram
na França. Eu fiz esforço para me adaptar e adoro morar
lá. Gosto da educação, das escolas, do respeito, da
segurança... Eu sou simples. O pessoal me pergunta da
comida francesa e dos vinhos. Lógico que isso faz parte
da cultura da França, mas não foi isso que me interessou,
foi o futebol.
Você já falou em ficar mais dez anos no futebol.
Pensa em virar dirigente?
Eu quero continuar no futebol, quero fazer
alguma coisa. Até ser treinador passa pela minha cabeça.
Eu não decidi, mas, quando parar, vou me preparar durante
um ano e voltar ao futebol porque não quero ficar muito
tempo longe. Quero passar tudo o que aprendi de alguma
forma. Poderia até ser treinador, eu me sentiria bem
e estaria preparado para o desafio. Sei que, quando
tem carreira de sucesso como jogador, ser treinador
tem um risco maior. Mas o risco é pegar durante seis
meses um time que não está bem, sabendo que não dão
tanto tempo ao treinador no Brasil. Eu adoro futebol
e espero que as portas estejam abertas para mim.
Foto AFP |
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| Juninho com a taça de campeão da
Copa da França |
E existe uma possibilidade de você montar um
Centro de Treinamentos do Lyon no Brasil...
Eu tenho esse acordo com o presidente, mas
só vamos ver quando eu parar. Enquanto tiver coisa para
fazer em campo, não quero uma segunda atividade. Quero
render no campo. De repente, nem faço isso e volto ao
Brasil para morar e pronto. Não está certo que eu vá
fazer. Se fizéssemos, o Lyon entraria com uma parte
do investimento, e eu trabalharia. Na verdade, não é
nem para o jogador ir para o Lyon, mas sim pelo nome
do clube. Os grandes europeus, como Real Madrid e Manchester,
vão para Japão, China, Coréia... O Lyon está começando
e foi duas vezes para a Coréia. O Lyon precisa disso
também porque é marketing. Há dez anos, só falavam lá
de Marseille e Paris Saint-Germain. Seria uma escolinha
bem feita com o nome do Lyon, que também não deixaria
de revelar talentos. Mas não seria só para mandar jogador,
até porque o time só pode ter quatro estrangeiros.
Você já está há sete anos no Lyon. Quando um
clube europeu tem muitos brasileiros, é comum formar
grupos. Você passou por essa fase e já tem um contato
maior com os franceses?
Tenho, mas a verdade é que o futebol é o esporte
coletivo mais individual do mundo. Eu jogo futebol profissional
há 14 anos e fiz pouquíssimas amizades. É incrível,
existe uma barreira. Quando o jogador vira top, é mais
difícil ainda de fazer amizades. Ontem (na Copa do Brasil),
vi o jogo com dois amigos com quem comecei a carreira,
o Chiquinho e o Sandro. Joguei no Sport em 94 com eles.
Eu os considero meus amigos, mas lamento ter feito pouquíssimas
amizades. Futebol é individualista e a concorrência
é muito grande, não existe essa amizade. Passei alguns
anos na seleção e não fiz amizade praticamente com ninguém,
apesar de que na hora se davam todos bem, com brincadeiras
e risos. Eu me dou bem com Cris, Fred, Caçapa, Edmilson,
mas, depois, vai cada um para seu lado. Infelizmente,
futebol é isso. Quem disser que é diferente, é exceção.
No ano passado, surgiu o boato de que você
não se dava bem com o Fábio Santos, que está no São
Paulo. Isso é real?
Tivemos uma discussão por besteira. Mas, se
não me dou bem e o cara veste a camisa do meu time,
não tem problema nenhum. Tivemos discussão normal de
futebol, de mandar ir para aquele canto ou não, o que
é normal porque todo mundo quer ganhar. Ele tem uma
vida totalmente diferente da minha e eu respeito. Não
teria problema nenhum em jogar com ele. Se o cara veste
a mesma camisa que eu, vamos para a morte juntos, porque
quero ganhar. Depois, tomo banho no vestiário e não
sou mais jogador de futebol quando saio do estádio.
Ele é temperamental... Eu sou gente boa, mas também
tenho temperamento um pouco difícil. Nós temos mais
dois anos de contrato com o Lyon e, se ele voltar, não
terá problema. E nós nos demos até bem no campo, porque
ele é de muita força e facilitou muito minha vida. Na
Europa, jogador de marcação fica muito na marcação,
mas o Fábio tem qualidade para jogar. Torço para ele
ter bons resultados e, se tiver de voltar ao Lyon, tranqüilo.
Os bastidores do Lyon foram tranqüilos neste
ano?
É incrível. No Lyon, nós não temos um grupo
que seja muito unido, mas também não temos problemas.
Cada um vive sua vida. Os estrangeiros tiveram um destaque
muito grande. O Cris, por exemplo, é considerado um
dos melhores zagueiros da Europa, ele é um monstro de
jogador. Os brasileiros, então, tiveram um destaque
muito grande e houve esse choque. Mas nossa sorte é
que somos todos competitivos no Lyon, todos querem ganhar.
95% do grupo é competitivo, joga para ganhar todo jogo
e quer levantar taças. É muito comum na Europa os jogadores
saírem sozinhos para jantar e beber uma vez por mês.
Neste ano, fizemos isso só uma vez. Mas, quando chega
a hora do jogo, a gente joga junto. Por isso, eu falo
que união é na hora do jogo. União não é sair junto
para gandaia... Pouquíssimas vezes a gente se encontra
lá, mas isso não atrapalhou nosso rendimento no campo. |