| Por William Correia, especial para a GE.net
Fotos Fernando Pilatos e
Adhil Rangel /
Gazeta Press |
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| Sergio assinou contrato até dezembro com a Lusa |
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Com 38 anos completados em maio, Sérgio já olha
para o que construiu em sua carreira. Garantindo que
continuará como profissional por pelo menos
dois anos, o goleiro contratado pela Portuguesa para
o Campeonato Brasileiro de 2008 joga com a sina de
ser visto como “eterno reserva”, rótulo
que rejeita com veemência.
Camisa 1 do time que tirou o Palmeiras da fila de
17 anos sem títulos no Campeonato Paulista de
1993, o arqueiro tem sua imagem muito vinculada ao
Parque Antártica, clube que defendeu por 337
jogos e pelo qual levantou oito taças – quatro
delas como titular. Mesmo assim, sua presença
no banco de reservas é imagem recorrente. Fato
que atribui à falta de um personagem corriqueiro
nos dias de hoje: o empresário.
Nesta entrevista exclusiva à Gazeta
Esportiva.Net, Sérgio deixa de lado
a tranqüilidade que sempre aparentou e dá espaço
a uma contundência pouco vista em sua
carreira. Sem titubear nas respostas, fala dos planos
que tem para sua segunda passagem na Portuguesa,
a conquista do Goiano com o Itumbiara, um convite
do Atlético-MG,
a qualidade para bater faltas, o sonho frustrado
de ir para a seleção, aposentadoria
e, principalmente, de Palmeiras. Com detalhes, o
veterano relembra das brigas do time de 1993/1994,
das vezes em que foi emprestado, da “vaga cativa” do
amigo Marcos que somente Emerson Leão barrou...
E não esquece da maneira que deixou o time,
no final de 2006.
“Só uma pessoa me abraçou na minha
despedida, que foi o Seu Palaia (Salvador Hugo Palaia,
então diretor de futebol). Depois de 18 anos
no clube, a gente espera pelo menos um obrigado, um
agradecimento. Mas não fiquei magoado”,
comentou, em meio ao sentimento de que poderia ir mais
longe com um “empurrãozinho”. “Tudo
que eu conquistei no Palmeiras, eu sempre conquistei
sozinho, com a ajuda de alguns diretores que gostavam
de mim. Não tive uma pessoa que brigasse por
mim dentro do clube”.
Por que você escolheu a Portuguesa?
Na realidade, fui escolhido. Está sendo uma
honra. Quando veio o convite fiquei muito feliz.
Já tinha
passado pela Portuguesa em 97, fui muito bem aqui.
E hoje estão com um planejamento muito bom,
um time que tem qualidade. Também pesou voltar
para São Paulo, ficar perto de casa, já que
fiquei um ano fora. Está sendo ótimo
porque posso mostrar minha cara novamente em São
Paulo.
Você teve proposta para ficar no Itumbiara?
Eles não vão fazer um planejamento tão
forte como foi no Estadual para a Série C. O
projeto principal do prefeito e do presidente de lá é para
o ano que vem, quando vão disputar o Estadual
e a Copa do Brasil e é o centenário da
cidade. Vão fazer um time muito bom. Voltei
para São Paulo, esperei o momento certo. Recebi
proposta do Atlético Mineiro, não com
o Gallo, mas com o Geninho. Estava em conversação,
mas como o Geninho caiu, fiquei em casa esperando alguma
coisa e veio o convite da Portuguesa.
E você pretende encerrar a carreira
na Portuguesa?
Não, tenho mais uns dois anos ainda pela frente.
Pretendo fazer um bom trabalho, juntamente com os demais
goleiros que estão aqui, e com o grupo, que é bom.
Vim para cá com a intenção de
ajudar com aquilo que for melhor para mim e para o
grupo. Quero ser importante. Com certeza, a Portuguesa,
continuando com seriedade e dedicação,
cada um acreditando no que está fazendo, tem
chance de conseguir chegar na frente com as demais
equipes que estão disputando o título
e a vaga na Libertadores.
Você esteve na Portuguesa em 97, quando
o time era um dos mais fortes do país e sonhava
com títulos. O que você vê de diferente
agora, principalmente pelo fato de ser uma equipe
que tenta se reestruturar depois de cinco anos na
Série B?
O momento é diferente, mas há jogadores de
qualidade, que vieram de outras equipes. Naquela época,
ficou 70% da equipe que tinha sido vice-campeã em
96, formamos um time forte e brigamos de igual para
igual com todos. Essa equipe que está montada
hoje tem o dedo do (técnico, Vágner)
Benazzi, que escolheu esses jogadores para compor o
grupo. Tenho certeza que esses jogadores que subiram
e os demais contratados vão ajudar
a Portuguesa a chegar em um bom lugar na competição.
Por se tratar de uma equipe que está saindo
de uma Série B para a Série A, demora
um pouquinho. Mas acredito até por causa desses
jogadores que já passaram pela Série
A, como o Christian, o Washington, tem vários
jogadores. Isso vai ser legal para ajudar.
Até onde a Lusa pode chegar neste Brasileiro?
No futebol acontece de tudo, então primeiramente
nós temos que visar a conquista do
título.
Penso desta maneira. Se você entrar só para
competir, você não está sendo profissional.
Já chegaram para disputar finais equipes de
menos expressão, então a gente tem que
visar chegar lá na frente, disputar o título.
Conseqüentemente, se não vier o título,
tem que pensar em Libertadores. Se você visar
só a Libertadores ou a Sul-americana, você não
está visando o sucesso.
Como foram suas passagens por Bahia e Itumbiara,
depois que saiu do Palmeiras?
No Bahia, subimos da Série C para a Série
B. Mas lá eu joguei pouco. Torci o tornozelo,
uma contusão que me deixou fora um mês.
Nunca tinha machucado desse jeito, mas aconteceu. Mas
subimos e conseguimos fazer um bom trabalho. Depois,
quando estava voltando para São Paulo, o Itumbiara
me fez um convite muito bom e eu fui para lá disputar
o título goiano. Fizemos um bom trabalho. Eu
fui campeão e eleito o melhor goleiro da competição.
E conquistar esse título goiano? Vocês
eram os azarões e foi seu primeiro título
na carreira fora do Palmeiras...
Já havia disputado título como azarão
em outras oportunidades. No Itumbiara, só o
nome não era forte, mas a equipe trouxe grande
jogadores que vieram de clubes de qualidade como Botafogo,
Vasco, Paysandu, Cruzeiro... Foi um time que o PC Gusmão,
que é um técnico disciplinador, montou
e fizemos uma equipe forte.
Que balanço você faz das seis
vezes em que saiu do Palmeiras?
Não achei legal quando eu saí em 95.
Tinha acabado de ganhar um título (Brasileiro,
em 1994) e fui emprestado para o Flamengo, como se
não tivesse feito nada. Não tive uma
pessoa que brigasse por mim dentro do clube e fui emprestado
como se fosse qualquer um. Lá no Flamengo eu
não me adaptei, não consegui jogar bem.
Mas todas as vezes que fui emprestado, adquiri experiência
para voltar. Quando você sai de um time como
o Palmeiras, é difícil você voltar.
E por que você não ficou nesses
times fora do Palmeiras?
Eu fui muito bem no Vitória em 98, e na Portuguesa
em 97 fui eleito o melhor goleiro. O problema é que
o Palmeiras não me liberava. Na época,
o presidente da Portuguesa chegou a oferecer R$ 1 milhão
para ficar comigo, mas o Mustafá (Contursi,
ex-presidente do Palmeiras) não quis me liberar,
não sei por quê. Na época, disse
que não entrou em acordo financeiro.
Mas então o que faltou para você se
firmar no Palmeiras, já que não te
liberavam?
É o que eu falei, faltou uma pessoa para brigar por mim dentro do clube.
Em 95, por exemplo, eu não tinha empresário. Tudo que eu conquistei
no Palmeiras, eu sempre conquistei sozinho, com a ajuda de alguns diretores
que gostavam de mim. De repente foi um erro não ter nenhum empresário.
Muitos o vêem sempre como reserva. Como
você encara isso? No Palmeiras, houve temporadas
em que você jogou até mais do que o
Marcos...
Não gosto quando falam que eu sou reserva. Não
fico chateado, mas fico triste com isso. Como pode
ser reserva alguém que já defendeu o
clube em 350 jogos (na verdade, foram 337)? Não
sei como podem falar isso. Teve competições
que o Marcos se machucou, ficou oito meses fora e eu
fiquei jogando. Minha consciência está formada
em relação a isso. Um reserva não
conquista tantos títulos quanto eu conquistei,
muitos deles jogando, como titular. E sempre foi decisão
minha ficar no Palmeiras mesmo na reserva.
Quando você teve essa seqüência
de jogos, teve momentos em que você pensou: “agora
eu tinha que ficar”?
Teve sim. Em 2000, estava muito bem, conquistamos a
Copa dos Campeões, chegamos na final da Copa
Mercosul, estava bem na Copa João Havelange.
Mas quando o Marcos voltou, o preparador de goleiros,
que era o Carlos Pracidelli, me tirou e colocou ele.
Eu não podia fazer nada. Mas não tenho
nada contra o Pracidelli, ele me ajudou muito.
E essa volta do Marcos acontecia sempre que
ele se recuperava da lesão...
Quando eu estourei em 93, não tive empresário,
e hoje todo mundo tem. Nenhum treinador me segurou,
o único que segurou as pontas para mim foi o
Leão. Foi o único que usou o “joga
quem estiver melhor”. O Marcos ficou uns cinco,
seis jogos no banco com ele. Eu gosto muito do Leão.
Me ajudou muito naquele momento.
Você acha que poderia ter saído
do Palmeiras de uma maneira melhor? Aquele episódio
em que você participou de uma reunião
no Sindicato dos Jogadores, em 2005, te prejudicou?
Não gosto muito de tocar nesse assunto, foi
um mal-entendido. Eu fiquei chateado da maneira como
eu saí. Só uma pessoa me abraçou
na minha despedida, que foi o Seu Palaia. Depois de
18 anos no clube, a gente espera pelo menos um obrigado,
um agradecimento. Mas não fiquei magoado. O
Sérgio sai e o clube fica. Isso é o futebol.
Você sai de uma empresa e fica tudo bem.
Mesmo com tudo isso, você não
guarda mágoa do Palmeiras?
Muito pelo contrário. Agradeço ao Palmeiras
por tudo que eu tenho. Sempre fui um profissional correto,
tenho muitos amigos lá, acho que não
tenho nenhum inimigo. Claro que na parte profissional
posso ter deixado algumas arestas, mas sempre tratei
todos com educação e respeito.
Você se sente frustrado por não
encerrar a carreira no Palmeiras?
Eu tinha um plano de encerrar a carreira lá,
pois já tinha passado muito tempo no clube.
Mas o Diego subiu e é um goleiro que tem muita
qualidade. Em um ano, no máximo dois anos e
meio, estará na seleção. O Marcos
tinha contrato até 2009 e o meu estava se encerrando.
Entendo a posição do clube. Ficava difícil
manter três goleiros do mesmo nível.
Qual é o seu relacionamento com a nova
diretoria do Palmeiras?
Não tenho relacionamento.
Que comparações você pode
fazer daquele Paulista de 1993, quando você era
titular, e o de 2008, quando você já estava
fora?
Naquela época, todos os jogadores eram de ponta.
A Parmalat investiu bastante e foi buscar os melhores
para conquistar títulos. Hoje, o que importa é o “futebol-empresa”,
não tem mais paixão, a briga para ganhar
títulos. O que querem é se mostrar para
o mercado. Deveria ter mais envolvimento para ganhar
títulos. O time de hoje foi montado para fazer
caixa, e acho isso válido. Mas também
se deveria competir por títulos.
Por que demorou tanto para o Palmeiras voltar
a ser campeão? O que faltava?
Foram erros nas contratações, nos planejamentos.
Isso acontece em qualquer clube. Você contrata
um jogador, ele não dá certo, tem contrato
de dois, três anos e já não serve
mais. Então tinha que ficar emprestando.
Naquela geração de 1993 e 1994,
ficaram conhecidos problemas no elenco. Quais foram
esses problemas? Se você não se sentir
bem, pode não citar nomes...
(Interrompe) Não, vou citar nomes sim. O Antonio
Carlos e o Edmundo tiveram duas ou três brigas
feias. Mas as brigas eram em prol do time. A equipe
em campo sabia o que queria. Os dois eram excelentes,
resolviam muito para gente. E hoje são amigos.
Naquela época, todos tinham muita vontade de
ganhar. E o Edmundo, como sempre foi sincero, de expor
as coisas na cara, acabou criando desavenças
até com o (César) Sampaio e o Evair.
Mas o time entendia e houve um acordo para isso. O
Sampaio, que era o capitão, soube administrar
muito bem esses casos. E também, quando acontecia,
tinha sempre um diretor, o (então diretor de
esportes da Parmalat, José Carlos) Brunoro,
que resolvia. Quando o time jogava, sempre vencia e
conquistava ótimos resultados.
Fotos Acervo
/ Gazeta Press |
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Com o Palmeiras em 1994: timaço de bola |
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Qual foi o melhor momento da sua carreira?
Meu sonho sempre foi conquistar títulos, e isso
eu consegui com um monte de feras. O que eu queria
e não consegui até hoje é ir para
a seleção. Em 94 eu fui sondado para
ser convocado, em 97 também teve um momento
em que falaram que eu podia ser convocado. Em 2000
também estive perto, mas tinha o Rogério
Ceni e acabaram chamando o Bosco. Se com o Leão
eu não fui, imagina com outro. Faltou aquele
empurrãozinho que eu já falei.
Pelo que você fala, parece que 2000
foi o ano do seu auge...
Estive bem em 2000, 2001, 2004, 2005... Joguei bastante
nesses anos. Só que em 2000 tive um Brasileiro
muito bom e na Mercosul chegamos naquela final contra
o Vasco que eu nunca esqueço. Fizemos 3 a 0
e eles acabaram virando. Mas tive momentos de muita
alegria e muita tristeza também na minha carreira.
O rebaixamento em 2002 foi o momento mais
triste?
Sem dúvida. Passar por aquilo com um clube que
nunca tinha sido rebaixado... E nos seis últimos
jogos sobrou para mim. Foi difícil. Colocava
a cabeça no travesseiro e só conseguia
dormir 3, 4 da manhã.
Quase seis anos depois, você acredita
que você e os outros jogadores rebaixados com
o Palmeiras têm o currículo manchado
por isso?
Teve gente que se aproveitou do rebaixamento. Quem
tinha identidade com o clube ficou, como eu, o Marcos,
o Leonardo e alguns outros. Do time que caiu, teve
gente que foi para a Coréia, para time grande.
Mas, em compensação, porque caiu, foi
o ano em que o clube mais revelou jogadores. Mas quem
caiu não sofreu, só quem ficou. O Marcos,
por exemplo, se mostrou muito profissional, que tem
amor pelo clube, e recusou proposta de fora. Isso a
torcida não esquece.
Qual o segredo da escola de goleiros do Palmeiras?
Desde quando eu entrei, sempre foi uma posição
valorizada. Tem muita tradição no clube.
Já teve Leão, Oberdan Cattani, Velloso...
Sempre revelou bem os goleiros que fez em casa. E revelou
porque faz um trabalho sério. O Pracidelli não
aceita isso de contratar goleiro nem agradar o treinador
e colocar o filho dele lá. Só fica se
for bom, lá o empresário não tem
vez. E é uma competição muito
acirrada.
Quando você estava na base, sentia pressão
para se tornar um grande goleiro?
Como eu já disse, tudo que eu conquistei foi
na raça, não teve “apadrinhagem”,
e às vezes isso existe. Quem me lançou
como terceiro goleiro no profissional foi o Nelsinho
Baptista e eu tinha o apoio do Zé Mario, que
era o preparador. Em 1993, quando o Velloso se machucou,
na quarta partida do Paulista, eu, que subi em 92,
já era o segundo goleiro e todos apostaram em
mim. No meio de um time daqueles, imagina um cara dos
juniores como titular! Tive sempre o apoio do Zé Mário
e devo muito a ele.
Quando você via o Marcos treinando na
sua reserva, sentia que ele tinha potencial para
se tornar o goleiro que virou?
O Marcos era o meu reserva em 92 e seguimos juntos
desde então. O Velloso se recuperou, voltou
a ser titular, eu fui para o Flamengo e ele ficou na
reserva do Velloso até 99. Ele era diferente.
Um “molecão”, 1,92 m, com uma elasticidade
incrível, uma personalidade muito boa, querido
por todos.
Você acha que foi acertada a decisão
de deixar o Diego Cavalieri no banco para o Marcos
voltar neste ano?
Cada treinador tem a sua maneira de trabalhar. Se for
olhar pelo lado físico, o Diego é diferente
do Marcos, que passou por lesões. O Diego estava
em ascensão física e técnica.
Mas acredito que o Wanderley (Luxemburgo) quis contar
com a experiência do Marcos, já que o
time estava em formação. E o Marcos precisava
dessa chance.
A volta do Marcos, com sua experiência,
pesou para o jejum acabar?
Com certeza ajudou muito. O Marcos voltou ajudando
não só com a experiência, mas voltou
muito bem. Se comprometeu a baixar o peso, trabalhar
mais do que estava trabalhando. Conversamos muito enquanto
eu estava no Itumbiara. Ele me ligava e sabia que tinha
tudo para provar que é um goleiro de alto nível.
E conseguiu. Foi uma resposta para todos.
Com esse surgimento de goleiros batendo faltas,
saber jogar com o pé deve ser uma tendência
da posição?
Acho que é válido quando o treinador
passa confiança para o goleiro fazer isso. Tem
treinador que não gosta disso. O goleiro sabe
das dificuldades do outro e isso pode ser importante,
resolver uma partida. Mas tem que ter treinamento.
Pode ser que apareçam mais goleiros com esse
dom, porque a maioria bate bem na bola, treina muito
isso.
Nos treinos, você costuma bater faltas.
Pretende usar isso na Portuguesa?
Já fiz gols em jogo-treino. Mas é o
que eu disse: o treinador tem que dar essa confiança.
Aqui na Portuguesa, o Benazzi deixava o Tiago fazer
isso e tem que ter isso, porque sabe que, se der algo
errado, teve trabalho e treinamento. Deixa o goleiro
mais tranqüilo. Para eu fazer, dependo do treinador,
e até agora não tive muito tempo de treino.
Mas eu gosto de brincar de bater falta, de repente
se precisar...
Você se sente um ídolo palmeirense?
Eu me sinto uma pessoa importante na história
do clube. Para algumas pessoas, eu sou um ídolo,
para outras não. Eu me sinto realizado no clube,
sinto que vesti bem a camisa do Palmeiras. Sempre respeitei
a torcida e sei que muitos torcedores do Palmeiras
gostam de mim.
Está realizado com sua trajetória
no futebol? Faltou alguma coisa?
Eu cheguei muito longe porque trabalhei forte para
isso. Mas poderia chegar mais longe se eu fosse menos
tímido, se tivesse alguém comigo, um
empresário, se não fosse resolver as
coisas sozinho. Mas não me arrependo de nada.
Depois de tudo isso, você hoje tem um
empresário?
Não, continuo sozinho. Ainda tenho muito respeito
e também conheço muitos jogadores e muitos
empresários.
Pode ser então que você se torne
um empresário?
Pode ser, se eu tiver um convite, mas agora tenho mais
que aprender as coisas. Eu gosto muito de estar no
esporte, no futebol. Continuar seria ótimo.
Sei que se sair vou sentir falta. E também não
posso desprezar o que eu aprendi com os grandes técnicos
que trabalhei, como Leão, Luxemburgo, Luiz Felipe
Scolari, Tite.
Então você pensa em ser técnico
também?
Pode ser. Mas o que eu quero agora é aprender
e aproveitar tudo que eu passei no futebol. |