Eduardo Carneiro, especial para a GE.Net
Foto: Arquivo pessoal |
 |
FICHA TÉCNICA |
Nome: Ederson Honorato Campos
Nascimento: Parapuã (São Paulo)
Idade: 22 anos (13 de janeiro de 1986)
Altura: 1,82m
Peso: 77 kg
Posição: Meia
Clubes:
RS Futebol Clube (2001 a 2003)
Internacional (2004)
Juventude (2004)
Nice (2005 a 2008)
Lyon (desde junho de 2008) |
Que torcedor brasileiro não iria se surpreender ao ver o nome do meia Ederson em uma convocação do técnico Dunga para a seleção? Nascido em Parapuã, Interior de São Paulo, ele é mais um exemplo de jogador que seguiu ainda jovem para a Europa depois de quase não atuar no futebol no país. Agora, porém, ele espera começar a ganhar notoriedade: afinal, o poderoso Lyon, heptacampeão francês, desembolsou 14 milhões de euros (cerca de R$ 35 milhões) para tirá-lo do rival Nice em janeiro.
Realizado o sonho de se transferir a um grande clube da Europa, Ederson agora espera se firmar na nova equipe e surpreender os brasileiros com um lugar na seleção. Considerado o sucessor de Juninho Pernambucano pela imprensa francesa, o meia descarta seguir a onda de naturalizações e pretende voltar a vestir a amarelinha. Em 2003, ele teve a honra de se sagrar campeão mundial sub-17 na Finlândia e quer repetir a dose no time principal.
Filho de pai pedreiro e mãe gari, foi sob o comando de Paulo César Carpegiani, no RS Futebol, em 2001, que Ederson descobriu que poderia ser mesmo um jogador profissional. Dois anos depois, acabou sendo convocado pelo técnico Marcos Paquetá para defender a seleção sub-17 e marcou dois gols na vitoriosa campanha na Finlândia. Após o título, passou por Internacional e Juventude, mas pouco jogou e não se firmou. Assim, aceitou o desafio de deixar a família e partir para o francês Nice com apenas 19 anos.
No país europeu, o atleta não teve problemas de adaptação. Tanto que aprendeu a falar a língua local em tempo recorde - o goleiro do Nice, Hugo Lloris, seu ex-companheiro de quarto e cotado para defender a seleção local, afirma que o brasileiro escreve em francês sem cometer nenhum erro ortográfico.
Novo dono da camisa 12 do Lyon, Ederson refuta o rótulo de novo Juninho Pernambucano em entrevista à Gazeta Esportiva.Net e não economiza elogios ao colega, que indicou a sua contratação. Ele também conta um pouco mais sobre a carreira, ainda desconhecida pelos torcedores de seu país, e revela o desejo de conquistar a tão sonhada Copa dos Campeões pelo Lyon já em sua primeira temporada no clube.
Você trocou um time intermediário pelo heptacampeão francês. Qual a expectativa já para a próxima temporada?
Meus objetivos são também os objetivos do clube. Estamos trabalhando muito para realizar uma ótima temporada e ganhar títulos. Sabemos da importância de realizar um bom campeonato para estar bem nas outras competições também. Portanto, nosso objetivo é conquistar o Campeonato Francês, que seria para o Lyon o oitavo consecutivo, mas é claro que o grande objetivo é mesmo conquistar a Copa dos Campeões. Creio que realizando um bom trabalho com o Lyon, poderei também atingir um objetivo pessoal, que é vestir a camisa da seleção brasileira, que sempre foi meu sonho.
Foto: Reprodução/Gazeta
Press |
 |
| Manchete do Jornal Nice Matin: Ídolo no sul da França |
Apesar de ter sido contratado pelo Lyon em janeiro, a sua apresentação só pôde acontecer agora. Foi difícil controlar a ansiedade?
Quando assinei com o Lyon era evidente minha alegria e satisfação, mas por uma questão de moral e respeito pelo Nice, a única coisa que pedi foi terminar a temporada com o Nice. Para mim, não era justo deixar o time na metade do campeonato, mesmo se tratando de ir para uma grande equipe como Lyon. Em janeiro, com o Nice, estávamos em quarto lugar no campeonato e senti que todos contavam comigo para conseguir um resultado histórico para o clube. Procurei me concentrar ao máximo para terminar bem a temporada, e a ansiedade pôde ser controlada com a possibilidade de realizar uma temporada completa com o Nice e também com a alegria de saber que na próxima temporada eu estaria em um grande time como o Lyon.
Está chegando num clube repleto de brasileiros. Isso facilita a adaptação ou, por estar há bastante tempo no futebol francês, acaba não fazendo muita diferença?
Fui muito bem recebido por todos, especialmente pelos brasileiros que já estavam no Lyon. Mesmo estando já há três anos e meio na França, é sempre difícil a adaptação em um novo clube, e com certeza a presença de outros brasileiros ajuda na integração e adaptação. Para mim, é um prazer vir jogar ao lado do Juninho, Cris , Fred, Fabio Santos, e poder trabalhar no dia a dia com o Sonny Anderson que hoje é treinador do setor ofensivo de nossa equipe. Estou muito feliz, pois encontrei um ótimo ambiente de trabalho e isso é muito importante, pois trabalhando com entusiasmo e alegria os resultados chegam naturalmente.
Fotos arquivo pessoal |
 |
 |
| Com a taça de campeão sub-17 e a camisa 10 da seleção brasileira no Mundial de 2003, na Finlândia |
Você chegou a atuar com a camisa da seleção no Mundial Sub-17 de 2003, na Finlândia. Quais as lembranças que guarda daquele torneio?
Foi uma experiência maravilhosa! Mesmo jogando em uma modesta equipe, o RS Futebol, fui convocado para a seleção brasileira sub-17. Disputamos o Sul-americano na Bolívia e nos classificamos em segundo lugar para o Mundial realizado na Finlândia. Depois nos preparamos muito bem para o Mundial. Foi uma experiência inesquecível levantar a taça de campeão do mundo, são imagens que estarão guardadas para sempre na memória. É uma satisfação e um orgulho vestir a camisa da seleção, por isso estou trabalhando muito para alcançar meu objetivo, que é de um dia vestir a camisa da seleção brasileira principal.
Dizem que o seu francês é perfeito. Sonha voltar a defender o Brasil no futuro ou, a exemplo do que aconteceu com Marcos Senna (Espanha), Roger (Polônia), Deco (Portugal) e outros, toparia atuar pelos Bleus se houvesse o convite da federação francesa?
Ainda não pensei nessa hipótese, mas como já tive o gostinho e a satisfação de vestir a camisa da seleção brasileira sub-17 e ganhar o Mundial da categoria, espero não precisar fazer uma escolha desse tipo, pois sou brasileiro com muito orgulho e meu grande sonho é jogar pela seleção brasileira.
Voltando ao Lyon, como está sendo a pré-temporada? Muito diferente daquela que era feita no Nice?
Estamos trabalhando muito, mas no Nice também trabalhei muito, foi uma passagem importante para o meu crescimento e adaptação no futebol europeu. Cada comissão tem sua filosofia de trabalho, mas normalmente temos uma grande carga de trabalho durante a pré-temporada. Aqui no Lyon estou conhecendo um outro estilo de trabalho e aprendendo coisas novas também. Espero poder continuar progredindo e melhorando para atingir o mais alto nível.
A Copa dos Campeões é declaradamente o grande objetivo do Lyon. O que fazer para que o clube, mais uma vez, não morra na praia?
Essa competição é muito difícil, pois enfrentamos as melhores equipes do continente europeu. Creio que cada pequeno detalhe faz a diferença, e penso que temos que ter todos uma mentalidade vencedora e um grupo muito forte e unido para conquistá-la.
O elenco do Lyon é um dos mais fortes do futebol francês e você atua na mesma posição que um dos principais jogadores do time, que é o Juninho Pernambucano. Dá para ser titular? É possível jogar junto com ele?
O Lyon possui um elenco rico em quantidade e qualidade, por isso a concorrência por uma vaga de titular é muito grande. No meu modo de ver, essa concorrência nos faz progredir e com isso a equipe cresce. Disputamos varias competições e é importante ter um bom elenco a fim de ter sempre uma equipe competitiva para buscarmos nossos objetivos.
A imprensa e os torcedores o vêem como o sucessor do Juninho. Isso não aumenta a pressão?
O Juninho é um grande jogador, e uma grande pessoa, que admiro e respeito muito. Trata-se de um jogador muito importante para a equipe por toda sua experiência e qualidades. Penso que temos características diferentes, e caberá ao treinador decidir como poderemos jogar. De qualquer forma, esse modo de ver da imprensa não aumenta a pressão, pois não vim para o Lyon para ser o seu sucessor, e sim para continuar a progredir em minha carreira e dar o máximo de mim para a equipe.
Foto: Arquivo pessoal |
 |
| Ao lado do presidente Aulas, após assinar o contrato |
Dizem que o próprio Juninho ligou para te convidar e incentivar a assinar com o Lyon. Como foi este contato?
Realmente, o Juninho foi muito gentil em me ligar para me dizer do interesse do Lyon pelo meu futebol, e também as ambições e projetos do clube. Foi importante nossa conversa, fiquei muito feliz por ele ter me ligado. Hoje tenho o sentimento de ter feito uma ótima escolha para minha carreira.
Você é pouco conhecido dos torcedores brasileiros por ter se transferido cedo para o Exterior. Qual foi a sua trajetória por aqui e quais as suas principais características?
O começo de minha carreira profissional foi com 16 anos no RS Futebol, do Rio Grande do Sul.
Fui convocado para a seleção brasileira Sub-17, onde fui vice-campeão sul-americano e campeão mundial em 2003. No ano de 2004, fui emprestado para o Internacional de Porto Alegre, mas devido a lesões acabei perdendo meu espaço e tive que voltar ao RS Futebol. Dois meses mais tarde fui emprestado para o Juventude, onde terminei a temporada de 2004, jogando alguns jogos do Campeonato Brasileiro. No começo do ano de 2005, surgiu a oportunidade de ir para o Nice. Com apenas 19 anos, talvez era um pouco cedo para se transferir para o futebol europeu, mas eu tinha a certeza de que seria bom para meu crescimento e minha carreira e resolvi aceitar esse desafio, que por um lado talvez dificultou possíveis convocações para a seleção Brasileira Sub-20 ou Olímpica, mas por outro me faz crescer e amadurecer tanto profissionalmente como culturalmente.
Tem acompanhado o futebol brasileiro? Torce por algum time?
Acompanho através de noticias, pela internet. Procuro saber as noticias de alguns amigos, como, por exemplo, do Thiago Silva, do Fluminense, já que jogamos três anos juntos no RS Futebol, assim como de alguns amigos da seleção Sub-17 e que hoje estão jogando no futebol brasileiro. E quando estou de férias e estou no Brasil, assisto a alguns jogos pela TV.
De que mais sente falta do Brasil? Volta freqüentemente ao país?
Naturalmente sinto muita falta de minha família e dos amigos. Às vezes sinto falta também da comida brasileira, assim como da alegria do povo brasileiro. Sempre que posso, nas férias, vou para o Brasil visitar minha família, meus amigos para matar as saudades de tudo e de todos.
|