Por Danilo Vital, especial
para o GE.Net
Em 2 de agosto, o atacante Diogo deixou o gramado do Estádio Serra Dourada,
em Goiânia, após a goleada de 4 a 0 do Goiás
sobre a Portuguesa, longe de sua melhor forma física
e técnica. Nos dias seguintes, o jogador acertou que
seria poupado e, então, não voltou a vestir
a camisa rubro-verde. Vinte dias mais tarde, Diogo era apresentado
como novo reforço no Olympiakos.
Foto Fernando Pilatos/Gazeta Press
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| Revelado pela Portuguesa, o atacante Diogo causou muita polêmica antes de sair do Canindé |
Foi assim, de maneira conturbada, que o destaque da Portuguesa
nas vitoriosas campanhas que culminaram com o acesso à
elite do Campeonato Paulista e do Brasileirão em 2007
acabou deixando o Canindé. Esta temporada, aliás,
não foi tão proveitosa quanto pretendia ser
para o atleta: logo na estréia no Estadual, com vitória
por 2 a 0 sobre o Santos, o artilheiro se lesionou e ficou
fora do restante da competição. No nacional,
Diogo pouco conseguiu fazer em meio à fraca e inconstante
campanha lusitana e acabou deixando o clube com apenas seis
gols marcados durante todo o ano.
Longe dos problemas do clube paulistano, Diogo tenta colher
os frutos de uma transferência planejada: mesmo com
o interesse também de clubes russos como o CSKA e Lokomotiv
(este último fez a maior proposta para garanti-lo como
reforço), o jogador confirmou sua
ida para a Grécia. Para ajudar na decisão, Diogo
teve contato com seu ex-companheiro de clube, o lateral Leonardo,
que já atuava pelo Olympiakos. Além disso, sua
mãe esteve no país europeu para conhecer Atenas
e a estrutura do clube. Foi tudo checado antes de definir
seu futuro e confirmar sua saída por 10 milhões
de euros (cerca de R$ 24 milhões).
Depois de uma calorosa chegada – foi recebido por centenas
de torcedores, que o acolheram como ídolo – Diogo
se prepara para ‘fazer história’ na Grécia,
superar a fama de aventureiro que muitos brasileiros ganham
pela rápida estadia no país. Já conseguiu fazer um gol no último sábado, garantindo a vitória sobre o Skoda Xanthi.
No Brasil, ficam a saudade dos companheiros e a polêmica
envolvendo sua saída – já na Grécia,
o atacante chegou a afirmar que ‘não fez corpo-mole’
enquanto esteve para ser negociado. Aos 21 anos, o camisa
10 do time grego vai se adaptando à nova rotina enquanto
se firma como a grande esperança no maior desafio que
o Olympiakos enfrentará nesta temporada: a disputa
da Copa da Uefa.
Foto Goal News/Grécia |
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| Diogo estreou pelo Olympiakos na primeira rodada do Campeonato da Grécia |
GE.Net - Na sua chegada, você causou um grande
furor na Grécia. Muitos torcedores foram recebê-lo,
houve grande atenção da imprensa. Como foi chegar
desta forma ao país?
Diogo - Foi tudo bem, cheguei bem, fui bem recebido,
fui tratado com carinho pelos torcedores e estou muito feliz
nesses últimos dias. Fiquei muito contente pelo carinho
com que fui tratado.
GE.Net - Sua transferência para o Olympiakos
foi acompanhada de perto pela imprensa e foi muito aguardada.
Você acredita que pode corresponder a essas expectativas?
Diogo - Fiquei muito feliz de eles colocarem dessa
forma. Joguei um jogo e pude ir muito bem. Agora quero dar continuidade no trabalho. Foi apenas um jogo, mas temos
o campeonato inteiro pela frente. (Diogo ainda não havia entrado em campo na segunda rodada).
GE.Net - Com sua chegada na Grécia, como
está a sua adaptação? Qual é a sua
maior dificuldade?
Diogo - A língua é o que pesa um
pouco, mas na parte da alimentação estou bem
adaptado, então está tudo tranqüilo. O
Leo, que jogou comigo na Portuguesa, já está
aqui há um pouco mais tempo e tinha me ligado, me contou como
eram as coisas aqui; e o Dudu também já jogou
pela Europa. Eles sempre sempre me ajudam e, aos poucos,
vou me adaptando.
GE.Net - Já está aprendendo a falar
grego?
Diogo - Para resolver o problema com a língua
ainda não faço aula, até porque ainda
não fui para a minha casa. Vou me mudar no dia 15,
ainda estou no hotel, então acho que, quando for para
a minha casa, vai ficar tudo mais fácil.
GE.Net - Qual foi a sua primeira impressão
sobre o futebol grego?
Diogo - Me falaram no começo que era diferente
o futebol aqui, que era teoricamente mais fácil, mas
fiquei bem feliz pelo nível. Todos falam que o futebol
grego evoluiu muito e vai evoluir cada vez mais, então
eu fiquei feliz pelo nível do campeonato.
GE.Net - Como jogador do Olympiakos, você vai
ter a oportunidade de atuar em meio a maior rivalidade grega,
contra o Panathinaikos. Já deu para sentir o clima
desse grande clássico?
Diogo - Ainda não tive contato, mas pelo que
eu ouvi falar é uma rivalidade muito grande e, até
quando eu vou ao restaurante, as pessoas me falam: ‘vai
fazer gol no Panathinaikos! Nos outros times nem precisa,
mas no Panathinaikos tem que fazer’”. É
bem parecido com Flamengo e Fluminense, e com Palmeiras e
Corinthians, o povo é bastante empolgado.
GE.Net - Também dá para fazer essa
comparação quanto às arquibancadas dos
estádios?
Diogo - Acredito que sim pelo fanatismo. Nos jogos,
os estádios estão sempre lotados e o pessoal
vai mesmo, gosta de assistir. Eles também vão
com as cores dos times, com camisas e gorros, com tudo. São
bem fanáticos
Foto Goal News/Grécia |
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| Dudu, Sokratis Kokkalis, presidente do clube, recepcionaram Diogo em Atenas |
GE.Net - E como foi seu contato com o presidente
do Olympiakos, Sokratis Kokkalis, tido na Grécia como
um grande apaixonado pelo esporte e pelo clube?
Diogo - O presidente é uma pessoa bastante
humilde, muito legal. Ele me recebeu muito bem quando cheguei,
então, a primeira impressão é a melhor
possível. O futebol grego é bem diferente, principalmente
na organização, mas o fanatismo do
público é a mesma coisa.
GE.Net - Agora que está no futebol europeu,
quais são seus objetivos?
Diogo - Pretendo primeiro fazer um bom ano aqui.
Eu cheguei agora e pretendo, depois, ir para a seleção
e também ganhar títulos. Mais tarde, se houver
uma possível transferência, com proposta boa
e para um grande clube, também quero. Esses são
meus objetivos, mas primeiro quero ir passo a passo e ser
campeão na Grécia.
GE.Net - Em quanto tempo você acha que pode
chegar a vestir a camisa da seleção?
Diogo - Tempo é difícil falar, mas
eu confio no meu trabalho e só depende de mim. É
claro que o Brasil tem excelentes jogadores e é até
complicado para o treinador, já que sempre aparece
mais alguém. Aqui, eu vou continuar meu trabalho e
isso vai ter conseqüências.
GE.Net - Olympiakos também vai jogar a Copa
da Uefa, uma competição grande e importante
no continente. Até onde você acha que dá
para chegar?
Diogo - Agora aconteceu um acidente de ter ficado
fora da Copa dos Campeões, mas a Copa da Uefa não
deixa de ser um ótimo campeonato, vai ter o Milan e
mais alguns times muito bons e que vão brigar forte
pelo título. Agora, é difícil falar até
onde o Olympiakos vai chegar, mas o time tem qualidade e nós
esperamos ir avançando a cada passo
GE.Net - Desde os acessos da Portuguesa no ano passado,
você tem sido o grande destaque do time. Como foi a
chegada dessas propostas do exterior? O que passou pela sua
cabeça?
Diogo - Eu posso falar que meu objetivo realmente
era permanecer, mas infelizmente acabei me machucando no Paulistão,
na partida contra o Santos e fiquei fora o campeonato inteiro.
E aí, voltei no Brasileirão, tinha acabado de
voltar de uma contusão e vieram as propostas. Eu estava
tentando ficar tranqüilo, com cabeça boa pra ver
o que seria melhor para todos. Essa acabou sendo uma ótima
proposta para Portuguesa, que foi o clube que me revelou e
pelo qual sou muito grato. Para mim foi muito boa essa proposta,
também.
GE.Net - Você ficou incomodado com essa pendência
que estava na Portuguesa?
Diogo - Fiquei triste pelo que colocaram na mídia
e que não foi verdade, dizendo que eu pedi para não
jogar por estar mal e aí fiquei de fora. Mas são
coisas que acontecem e, infelizmente, foi dessa maneira, mas
não tenho mágoa, pelo contrário, sou
muito grato a Portuguesa por tudo que eu passei lá.
GE.Net - O que aconteceu, então, para você
ter ficado fora de alguns jogos no time antes de confirmar
essa negociação?
Diogo - Aconteceu que, logo após o jogo do
Goiás, eu conversei com o (técnico Valdir) Espinosa
e disse para ele ver, se ele quisesse me deixar
de fora para eu me recuperar, e então ele me disse:
“Olha, Diogo, eu não vou te utilizar, o que você
quer fazer?”. Então eu falei “eu vou resolver
minha situação”, e foi isso. Aí
foi o jogo com o Sport. Já no próximo jogo eu
estava apto, mas como estava negociando, acharam melhor eu não
participar e decidir o meu futuro.
Foto Goal News/Grécia |
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| Diogo conseguiu marcar um gol na segunda rodada, fazendo o Olympiakos vencer o Skoda Xanthi |
GE.Net - Você teve propostas de outros times,
mas acabou fechando com o Olympiakos. Porque essa preferência?
Diogo - Tive proposta também do Lokomotiv
e do CSKA, mas minha mãe esteve um tempo aqui na Grécia
e conheceu a cidade, me passou coisas boas. O Léo também
já tinha conversado comigo. A proposta era boa e aí
optei por fechar com o Olympiakos. Foi decisão minha.
GE.Net - A opinião da sua família teve
um peso grande na decisão?
Diogo - Minha família não, até
porque eles estão no Brasil, mas minha mãe me
passou que era um país bom, o clima é bem parecido
com o do Brasil, então optei por vir para cá.
GE.Net - Depois da sua saída a Portuguesa
piorou muito no Campeonato Brasileiro. Você ainda acompanha
o time?
Diogo - Sim, ainda acompanho. Eu não vejo
mais os jogos da Portuguesa, mas acompanho pelos sites do
Brasil. Fico triste pela situação que está,
mas acredito que eles podem sair dessa zona de rebaixamento.
A Portuguesa, apesar da situação, não
tem time pra cair e espero que ela permaneça e nos
próximos anos consiga fazer bons campeonatos para fazê-la
grande como ela é
GE.Net - O que você acha que está faltando
no time para reagir?
Diogo - A Portuguesa subiu e todos sabem como é
difícil. Ficou muito tempo fora da Primeira Divisão,
foram cinco anos, então é uma coisa difícil.
Também tem a situação financeira, é
complicado. Mas espero que a Portuguesa possa ir melhor e
deixar essa situação. Creio que ela vai sair
e fazer bons campeonatos
GE.Net - No futuro, pensa em voltar a atuar pela
Lusa?
Diogo - Difícil falar isso agora que acabei
de chegar. É claro que gostaria de voltar a jogar na
Portuguesa, que é o time que abriu as portas para mim
e me deu tantas coisas boas, então gostaria de voltar
sim, mas um dia. Eu acabei de sair, queria fazer alguma coisa
na Europa, porque às vezes os europeus não gostam
de jogadores brasileiros pelo fato de eles acabarem saindo
e já quererem voltar. Eu quero fazer uma história
aqui e, mais para frente, penso em voltar.
GE.Net - E com você aconteceu alguma manifestação
desse preconceito?
Diogo - Não, pelo contrário. Fui tratado
muito bem na minha chegada, então não tive problemas
com isso.
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