Voltar para a home Terça, 02 de Dezembro de 2008 Home Fale conosco. Receba o boletim   Ir para a Gazeta Press
 
15/09/08
Montagem sobre fotos Goal News/Grécia

Por Danilo Vital, especial para o GE.Net

Em 2 de agosto, o atacante Diogo deixou o gramado do Estádio Serra Dourada, em Goiânia, após a goleada de 4 a 0 do Goiás sobre a Portuguesa, longe de sua melhor forma física e técnica. Nos dias seguintes, o jogador acertou que seria poupado e, então, não voltou a vestir a camisa rubro-verde. Vinte dias mais tarde, Diogo era apresentado como novo reforço no Olympiakos.

Foto Fernando Pilatos/Gazeta Press
Revelado pela Portuguesa, o atacante Diogo causou muita polêmica antes de sair do Canindé
Foi assim, de maneira conturbada, que o destaque da Portuguesa nas vitoriosas campanhas que culminaram com o acesso à elite do Campeonato Paulista e do Brasileirão em 2007 acabou deixando o Canindé. Esta temporada, aliás, não foi tão proveitosa quanto pretendia ser para o atleta: logo na estréia no Estadual, com vitória por 2 a 0 sobre o Santos, o artilheiro se lesionou e ficou fora do restante da competição. No nacional, Diogo pouco conseguiu fazer em meio à fraca e inconstante campanha lusitana e acabou deixando o clube com apenas seis gols marcados durante todo o ano.

Longe dos problemas do clube paulistano, Diogo tenta colher os frutos de uma transferência planejada: mesmo com o interesse também de clubes russos como o CSKA e Lokomotiv (este último fez a maior proposta para garanti-lo como reforço), o jogador confirmou sua ida para a Grécia. Para ajudar na decisão, Diogo teve contato com seu ex-companheiro de clube, o lateral Leonardo, que já atuava pelo Olympiakos. Além disso, sua mãe esteve no país europeu para conhecer Atenas e a estrutura do clube. Foi tudo checado antes de definir seu futuro e confirmar sua saída por 10 milhões de euros (cerca de R$ 24 milhões).

Depois de uma calorosa chegada – foi recebido por centenas de torcedores, que o acolheram como ídolo – Diogo se prepara para ‘fazer história’ na Grécia, superar a fama de aventureiro que muitos brasileiros ganham pela rápida estadia no país. Já conseguiu fazer um gol no último sábado, garantindo a vitória sobre o Skoda Xanthi.

No Brasil, ficam a saudade dos companheiros e a polêmica envolvendo sua saída – já na Grécia, o atacante chegou a afirmar que ‘não fez corpo-mole’ enquanto esteve para ser negociado. Aos 21 anos, o camisa 10 do time grego vai se adaptando à nova rotina enquanto se firma como a grande esperança no maior desafio que o Olympiakos enfrentará nesta temporada: a disputa da Copa da Uefa.

Foto Goal News/Grécia
Diogo estreou pelo Olympiakos na primeira rodada do Campeonato da Grécia
GE.Net - Na sua chegada, você causou um grande furor na Grécia. Muitos torcedores foram recebê-lo, houve grande atenção da imprensa. Como foi chegar desta forma ao país?
Diogo -
Foi tudo bem, cheguei bem, fui bem recebido, fui tratado com carinho pelos torcedores e estou muito feliz nesses últimos dias. Fiquei muito contente pelo carinho com que fui tratado.

GE.Net - Sua transferência para o Olympiakos foi acompanhada de perto pela imprensa e foi muito aguardada. Você acredita que pode corresponder a essas expectativas?
Diogo -
Fiquei muito feliz de eles colocarem dessa forma. Joguei um jogo e pude ir muito bem. Agora quero dar continuidade no trabalho. Foi apenas um jogo, mas temos o campeonato inteiro pela frente. (Diogo ainda não havia entrado em campo na segunda rodada).

GE.Net - Com sua chegada na Grécia, como está a sua adaptação? Qual é a sua maior dificuldade?
Diogo -
A língua é o que pesa um pouco, mas na parte da alimentação estou bem adaptado, então está tudo tranqüilo. O Leo, que jogou comigo na Portuguesa, já está aqui há um pouco mais tempo e tinha me ligado, me contou como eram as coisas aqui; e o Dudu também já jogou pela Europa. Eles sempre sempre me ajudam e, aos poucos, vou me adaptando.

GE.Net - Já está aprendendo a falar grego?
Diogo -
Para resolver o problema com a língua ainda não faço aula, até porque ainda não fui para a minha casa. Vou me mudar no dia 15, ainda estou no hotel, então acho que, quando for para a minha casa, vai ficar tudo mais fácil.

GE.Net - Qual foi a sua primeira impressão sobre o futebol grego?
Diogo -
Me falaram no começo que era diferente o futebol aqui, que era teoricamente mais fácil, mas fiquei bem feliz pelo nível. Todos falam que o futebol grego evoluiu muito e vai evoluir cada vez mais, então eu fiquei feliz pelo nível do campeonato.

GE.Net - Como jogador do Olympiakos, você vai ter a oportunidade de atuar em meio a maior rivalidade grega, contra o Panathinaikos. Já deu para sentir o clima desse grande clássico?
Diogo -
Ainda não tive contato, mas pelo que eu ouvi falar é uma rivalidade muito grande e, até quando eu vou ao restaurante, as pessoas me falam: ‘vai fazer gol no Panathinaikos! Nos outros times nem precisa, mas no Panathinaikos tem que fazer’”. É bem parecido com Flamengo e Fluminense, e com Palmeiras e Corinthians, o povo é bastante empolgado.

GE.Net - Também dá para fazer essa comparação quanto às arquibancadas dos estádios?
Diogo -
Acredito que sim pelo fanatismo. Nos jogos, os estádios estão sempre lotados e o pessoal vai mesmo, gosta de assistir. Eles também vão com as cores dos times, com camisas e gorros, com tudo. São bem fanáticos

Foto Goal News/Grécia
Dudu, Sokratis Kokkalis, presidente do clube, recepcionaram Diogo em Atenas
GE.Net - E como foi seu contato com o presidente do Olympiakos, Sokratis Kokkalis, tido na Grécia como um grande apaixonado pelo esporte e pelo clube?
Diogo -
O presidente é uma pessoa bastante humilde, muito legal. Ele me recebeu muito bem quando cheguei, então, a primeira impressão é a melhor possível. O futebol grego é bem diferente, principalmente na organização, mas o fanatismo do público é a mesma coisa.

GE.Net - Agora que está no futebol europeu, quais são seus objetivos?
Diogo -
Pretendo primeiro fazer um bom ano aqui. Eu cheguei agora e pretendo, depois, ir para a seleção e também ganhar títulos. Mais tarde, se houver uma possível transferência, com proposta boa e para um grande clube, também quero. Esses são meus objetivos, mas primeiro quero ir passo a passo e ser campeão na Grécia.

GE.Net - Em quanto tempo você acha que pode chegar a vestir a camisa da seleção?
Diogo -
Tempo é difícil falar, mas eu confio no meu trabalho e só depende de mim. É claro que o Brasil tem excelentes jogadores e é até complicado para o treinador, já que sempre aparece mais alguém. Aqui, eu vou continuar meu trabalho e isso vai ter conseqüências.

GE.Net - Olympiakos também vai jogar a Copa da Uefa, uma competição grande e importante no continente. Até onde você acha que dá para chegar?
Diogo -
Agora aconteceu um acidente de ter ficado fora da Copa dos Campeões, mas a Copa da Uefa não deixa de ser um ótimo campeonato, vai ter o Milan e mais alguns times muito bons e que vão brigar forte pelo título. Agora, é difícil falar até onde o Olympiakos vai chegar, mas o time tem qualidade e nós esperamos ir avançando a cada passo

GE.Net - Desde os acessos da Portuguesa no ano passado, você tem sido o grande destaque do time. Como foi a chegada dessas propostas do exterior? O que passou pela sua cabeça?
Diogo -
Eu posso falar que meu objetivo realmente era permanecer, mas infelizmente acabei me machucando no Paulistão, na partida contra o Santos e fiquei fora o campeonato inteiro. E aí, voltei no Brasileirão, tinha acabado de voltar de uma contusão e vieram as propostas. Eu estava tentando ficar tranqüilo, com cabeça boa pra ver o que seria melhor para todos. Essa acabou sendo uma ótima proposta para Portuguesa, que foi o clube que me revelou e pelo qual sou muito grato. Para mim foi muito boa essa proposta, também.

GE.Net - Você ficou incomodado com essa pendência que estava na Portuguesa?
Diogo -
Fiquei triste pelo que colocaram na mídia e que não foi verdade, dizendo que eu pedi para não jogar por estar mal e aí fiquei de fora. Mas são coisas que acontecem e, infelizmente, foi dessa maneira, mas não tenho mágoa, pelo contrário, sou muito grato a Portuguesa por tudo que eu passei lá.

GE.Net - O que aconteceu, então, para você ter ficado fora de alguns jogos no time antes de confirmar essa negociação?
Diogo -
Aconteceu que, logo após o jogo do Goiás, eu conversei com o (técnico Valdir) Espinosa e disse para ele ver, se ele quisesse me deixar de fora para eu me recuperar, e então ele me disse: “Olha, Diogo, eu não vou te utilizar, o que você quer fazer?”. Então eu falei “eu vou resolver minha situação”, e foi isso. Aí foi o jogo com o Sport. Já no próximo jogo eu estava apto, mas como estava negociando, acharam melhor eu não participar e decidir o meu futuro.

Foto Goal News/Grécia
Diogo conseguiu marcar um gol na segunda rodada, fazendo o Olympiakos vencer o Skoda Xanthi
GE.Net - Você teve propostas de outros times, mas acabou fechando com o Olympiakos. Porque essa preferência?
Diogo -
Tive proposta também do Lokomotiv e do CSKA, mas minha mãe esteve um tempo aqui na Grécia e conheceu a cidade, me passou coisas boas. O Léo também já tinha conversado comigo. A proposta era boa e aí optei por fechar com o Olympiakos. Foi decisão minha.

GE.Net - A opinião da sua família teve um peso grande na decisão?
Diogo -
Minha família não, até porque eles estão no Brasil, mas minha mãe me passou que era um país bom, o clima é bem parecido com o do Brasil, então optei por vir para cá.

GE.Net - Depois da sua saída a Portuguesa piorou muito no Campeonato Brasileiro. Você ainda acompanha o time?
Diogo -
Sim, ainda acompanho. Eu não vejo mais os jogos da Portuguesa, mas acompanho pelos sites do Brasil. Fico triste pela situação que está, mas acredito que eles podem sair dessa zona de rebaixamento. A Portuguesa, apesar da situação, não tem time pra cair e espero que ela permaneça e nos próximos anos consiga fazer bons campeonatos para fazê-la grande como ela é

GE.Net - O que você acha que está faltando no time para reagir?
Diogo -
A Portuguesa subiu e todos sabem como é difícil. Ficou muito tempo fora da Primeira Divisão, foram cinco anos, então é uma coisa difícil. Também tem a situação financeira, é complicado. Mas espero que a Portuguesa possa ir melhor e deixar essa situação. Creio que ela vai sair e fazer bons campeonatos

GE.Net - No futuro, pensa em voltar a atuar pela Lusa?
Diogo -
Difícil falar isso agora que acabei de chegar. É claro que gostaria de voltar a jogar na Portuguesa, que é o time que abriu as portas para mim e me deu tantas coisas boas, então gostaria de voltar sim, mas um dia. Eu acabei de sair, queria fazer alguma coisa na Europa, porque às vezes os europeus não gostam de jogadores brasileiros pelo fato de eles acabarem saindo e já quererem voltar. Eu quero fazer uma história aqui e, mais para frente, penso em voltar.

GE.Net - E com você aconteceu alguma manifestação desse preconceito?
Diogo -
Não, pelo contrário. Fui tratado muito bem na minha chegada, então não tive problemas com isso.

Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net