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Por Fernando Narazaki
Geração espontânea. É desta forma que o próprio colombiano
Juan Pablo Montoya define o seu sucesso no automobilismo mundial.
Sem ídolos em seu país, o piloto é fã declarado do brasileiro
Ayrton Senna e prevê que não terá sucessores na Colômbia.
Cotado pelos especialistas como um dos favoritos para vencer
o GP Brasil de Fórmula 1, que será realizado neste domingo
em Interlagos, Montoya não acredita que o seu sucesso não
terá o mesmo efeito sentido nos vizinhos sul-americanos Brasil
e Argentina.
"O automobilismo colombiano não tem chance de progredir.
Não é como Brasil ou Argentina, pois não temos a mesma força
economicamente e sofremos com muitos problemas sociais", afirmou
o piloto da Williams, em entrevista exclusiva à Gazeta
Esportiva Net durante um de seus vários compromissos promocionais
nessa quarta-feira, antes do GP Brasil.
Segundo o colombiano, o seu país não terá renovação e, provavelmente,
o seu sucesso não será aproveitado. "A Colômbia tem graves
problemas e não vejo incentivo para jovens começarem a pilotar",
disse. A guerra civil entre o governo e as Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia (Farc) agravou ainda mais a já
dramática situação do automobilismo local.
"Não há autódromos em condições. Portanto, ao contrário
de Brasil e Argentina, nem sonho com a possibilidade de ver
um GP na Colômbia", comentou. Montoya afirma que tem receio
de deixar seus familiares na Colômbia com medo de possíveis
seqüestros, arma utilizada pelos guerrilheiros da Farc de
obter dinheiro.
O colombiano sabe de sua importância para a nação e utiliza
os seus resultados para tentar melhorar a imagem, mas não
vem obtendo muito resultado. "É muito bom ganhar, pois sei
que a população fica muito feliz. O país é lindo, mas o mundo
continua temendo a Colômbia por tudo que está acontecendo.
Por isso, prefiro não me envolver. Não quero ser político,
nem nada. Só correr", disse com a autoridade de quem já foi
campeão da Fórmula 3000 e da Fórmula Indy.
Renovação - Únicos países da América do Sul com títulos
na Fórmula 1, Brasil e Argentina aproveitaram os sucessos
de seus pilotos para criar uma safra na categoria. Os argentinos
viram Juan Manuel Fangio levantar cinco títulos na década
de 50 (51, 54, 55, 56 e 57). O sucesso de Fangio motivou vários
jovens a irem para as pistas.
O reflexo do triunfo do único pentacampeão da F-1 foi Carlos
Reutemann. Entre as décadas de 70 e 80, ele ganhou 12 provas
e ficou em segundo lugar no Mundial de 82. A escola argentina
teve ainda mais 23 participantes na categoria até hoje, todas
após o sucesso de Fangio.
No Brasil, o incentivador de uma geração vencedora foi o
paulista Chico Landi. Primeiro brasileiro a competir na F-1,
ele não ganhou provas, mas motivou a carreira de Emerson Fittipaldi.
Com dois títulos na categoria em 72 e 74, 'Rato' colocou o
Brasil no mundo do automobilismo.
Após seu bicampeonato, o País ganhou respeito mundial, teve
o carioca Nelson Piquet (três títulos), o paulista Ayrton
Senna (três títulos) e ainda a geração atual, com Rubens Barrichello,
Enrique Bernoldi e Felipe Massa. No total, o Brasil já 25
pilotos na categoria.
Os melhores sul-americanos de todos os tempos na F-1
Argentina
Juan Manuel Fangio - 1950 a 1957
51 GPs, 24 vitórias, 29 poles, 23 melhores voltas, cinco títulos
Jose Froillan Gonzalez - 1950 a 1960
26 GPs, 2 vitórias, 3 poles, 6 melhores voltas
Carlos Reutemann - 1972 a 1982
146 GPs, 12 vitórias, 6 poles, 6 melhores voltas, vice em
1981
Brasil
Emerson Fittipaldi - 1970 a 1980
144 GPs, 14 vitórias, 6 poles, 6 melhores voltas, 2 títulos
(72 e 74)
Nelson Piquet - 1978 a 1991
204 GPs, 23 vitórias, 24 poles, 23 melhores voltas, três títulos
(81, 83, 87)
Ayrton Senna - 1984 a 1994
162 GPs, 41 vitórias, 65 poles, 19 melhores voltas, três títulos
(88, 90, 91)
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