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06/12/2005
Jaime Câmara: um futuro Kanaan?
Contando com o apoio de Tony Kanaan, o goiano Jaime Câmara fez bonito em sua temporada de estréia na Infiniti Pro-Series, categoria de acesso à IRL: logo na primeira corrida disputada ficou com a segunda colocação. Depois, venceu na preliminar das 500 Milhas de Indianápolis e em Nashville, terminando a temporada na quinta colocação.

"Acredito no talento dele, por isso tento passar toda a minha experiência para que ele consiga guiar nas melhores equipes", afirma Kanaan, que por enquanto não contará com a concorrência do amigo nas pistas. "Quero correr na IRL, mas vou ficar mais um ano na Infiniti para poder chegar com bagagem", revela Câmara.

O goiano pretende conquistar seu "acesso" em grande estilo. "Em 2006, o objetivo é ser campeão, pois agora já conheço melhor os circuitos e a equipe", diz. Quando chegar na categoria principal, no entanto, ele não vai ter moleza. É o que garante o próprio Kanaan. "Eu já avisei para ele: não pode guiar mais rápido que o chefe", brinca o piloto da Andretti.

Por Carolina Canossa, especial para a GE.Net

Um dos maiores destaques do automobilismo nacional nos últimos anos, o baiano Tony Kanaan, campeão da temporada 2004 da IRL - categoria mais importante de monopostos dos Estados Unidos - animou a torcida brasileira ao fazer um teste pela BAR em setembro. Em princípio, nada impediria a escuderia inglesa, que conta com Rubens Barrichello e Gil de Ferran em seu quadro de funcionário, de abrigar nos próximos anos dois brasileiros como pilotos.

Mas isso não deve acontecer, pelo menos em médio prazo. É o que garante o próprio Kanaan, em entrevista exclusiva à GE.Net. Em outra equipe, afirma, as chances também são muito pequenas. "Estou muito feliz com minha vida nos Estados Unidos", comenta o piloto, reafirmando que o teste na Fórmula 1 foi apenas um presente da Honda. "Tenho contrato até 2008 com a Andretti-Green, que foi a equipe que me deu o maior campeonato que eu já ganhei", emenda.

Por outro lado, o piloto revela que gostou bastante do carro da categoria automobilística mais famosa do mundo. "Foi uma experiência única", afirma o baiano que realizou um sonho de infância com a BAR.

Inspirado pelo pai, Kanaan ganhou seu primeiro kart aos oito anos. Logo começou a se destacar, sendo pentacampeão paulista e campeão brasileiro. Após passagens pela Fórmula Ford e Fórmula Chevrolet, o brasileiro foi para a Europa em 1994, onde foi campeão da Fórmula Alfa Italiana e quarto colocado no Campeonato Italiano de Fórmula 3. Com 21 anos, recebeu um convite para correr na Indy Lights e iniciou sua jornada pelos Estados Unidos, que teve como ponto alto o título da IRL do ano passado. Troféu que Tony pretende conquistar novamente em 2006.

Gazeta Esportiva.Net: Por que você optou em fazer sua carreira nos Estados Unidos e não na Europa?
Tony Kanaan:
Quando eu estava disputando campeonatos na Europa, percebi que era muito difícil eu chegar à Fórmula 1. Foi aí que, no final da temporada de 1995, eu recebi uma proposta muito boa para correr na Indy Lights em uma das equipes de ponta, a Tasman Motorsport. Aceitei e ganhei o campeonato de 1997. Depois, fui convidado para correr na IRL e comecei a fazer minha vida nos Estados Unidos. Hoje eu estou muito bem por lá e acho muito difícil eu ir para qualquer outro lugar.

GE.Net: O que você achou dos testes que fez na BAR em setembro?
Kanaan:
O teste na BAR foi realmente um prêmio que a Honda me deu por ter ganho o campeonato de 2004. Não era nada para eu ganhar um emprego na Fórmula 1. Eles só reconheceram o meu valor por eu ter ganho a temporada. Eu gostei, o carro de Fórmula 1 era muito diferente de tudo que eu já tinha guiado. Ele acelera rápido, freia muito rápido... Foi uma experiência única. Já estou mais acostumado com o carro da IRL, mas não dá para falar qual dos carros eu prefiro.

GE.Net: Qual é a possibilidade de você ir para a Fórmula 1 nos próximos anos?
Kanaan:
Nenhuma. Eu deixo para o Rubinho defender a bandeira do Brasil na Fórmula 1, função que, tenho certeza, ele vai fazer muito bem. Sempre tive o sonho de correr lá, mas a gente tem que ser realista: tenho um contrato com a Andretti Green até 2008, que foi a equipe que me deu o campeonato mais importante que já ganhei até hoje. Se depois disso, eu não estiver velho e a Fórmula 1 me quiser, quem sabe....

GE.Net: Não é uma desvantagem a IRL ter menos apelação com o público brasileiro que a Fórmula 1?
Kanaan:
A Fórmula 1 é muito mais antiga, além de ter vários campeões brasileiros, mas a IRL está crescendo. O fato de eu competir nos Estados Unidos não me prejudica, pois não corro para ser famoso e sim para ganhar corrida, ser campeão e representar a minha equipe. É claro que gostaria muito de contar com mais apoio da torcida do Brasil, onde já sou reconhecido, e a melhor forma de conquistar isso é ganhando campeonato. E aí quem sabe a IRL não fique tão famosa aqui quanto a Fórmula 1...

GE.Net: O Dan Wheldon se envolveu em muitos boatos para acertar com a Fórmula 1. Você acha que ele se daria bem lá?
Kanaan:
Se for isso que o Dan quer, eu acho que ele tem mais é que tentar. Ele é jovem, tem o potencial para ir bem na Fórmula 1. Desejo a maior sorte do mundo para ele. Na Fórmula 1, você tem que ter muitos contatos e principalmente um bom carro. Isso faz com que, às vezes, eu fique decepcionado, porque a importância do carro é muito grande. Acho que, entre os brasileiros, ninguém mais que o Rubinho pode sentir isso na pele.

GE.Net: Como você avalia sua temporada 2005 na IRL?
Kanaan:
Depois da temporada de 2004, quando fui campeão, é difícil ter um ano melhor. Mas 2005 foi bom porque consegui terminar o campeonato em segundo lugar. Houve altos e baixos, que com certeza não me favoreceram na disputa do título, mas corrida é assim mesmo. O importante é sempre ter um carro competitivo para estar sempre disputando o título.

GE.Net: Quais foram os pontos baixos e altos?
Kanaan:
O ponto baixo foi que eu tive três quebras (GP de Kentuck, GP de Nashville e GP de Richmond) que realmente me custaram muitos pontos. De resto, eu terminei todas as outras corridas. Por outro lado, o melhor momento do ano foi a pole das 500 Milhas de Indianápolis. Para mim, este momento foi muito especial.

GE.Net: Faltou confiabilidade no seu carro este ano?
Kanaan:
Não. São quebras que acontecem normalmente, mas dessa vez aconteceram muito mais para a gente que para o Dan. Além disso, ele vence mais provas. Porém, não tenho nem o que falar: um cara que ganha seis corridas no ano merece o título.

GE.Net: Você perdeu algumas corridas no sprint final das provas. Considera que esta foi uma falha este ano?
Kanaan:
Não, esse tipo de coisas acontece. A IRL é muito competitiva. É difícil você ganhar todas as corridas, mas você está sempre perto, pois as chegadas são muito disputadas. Em termos de performance, o que faltou foi o carro ter quebrado um pouco menos. O resto não me prejudicou. Não dá para prever o que vai acontecer na IRL.

GE.Net: Como você vê a entrada da Danica Patrick na categoria?
Kanaan:
Com certeza ela somou como piloto e, como publicidade, também ajudou bastante. Eu acho que a Danica está melhorando cada vez mais. Ela é rápida e, em minha opinião, tem chances de ganhar corridas. Apesar de ainda ser inexperiente, é uma piloto muito boa. Não tenho nenhuma discriminação contra mulheres no automobilismo. Para mim, quando o competidor está de capacete não faz diferença se é homem ou mulher, mesmo porque não dá nem para ver. O importante é o rendimento.

GE.Net: E as brigas dela com outros pilotos, como o Jaques Lazier?
Kanaan:
Isso acontece, qualquer pessoa quando está com cabeça quente em uma disputa, às vezes acaba falando besteira. Acho que algumas atitudes dela e de algumas pessoas perante a ela não foram corretas, mas são coisas que acontecem.

GE.Net: Você chegou a ficar de cabeça quente durante o ano?
Kanaan:
Eu esquento a cabeça, mas quando estou assim não sou de sair falando. Prefiro me acalmar e depois conversar diretamente com a pessoa com quem eu tive problema. Não esquentei a cabeça, mas tive que me preocupar em ganhar do Dan, porque ele estava muito bem. Ele ganhou as quatro primeiras da temporada e quando eu tentei tirar a diferença já era tarde demais.

GE.Net: O que você achou da introdução de circuitos mistos no calendário da categoria?
Kanaan:
Eu amei, pois cresci correndo em circuitos mistos. Fui o piloto que tive os melhores resultados neste tipo de pista: das três corridas disputadas eu tive dois segundos lugares e um primeiro. O pessoal até brincou que eu ganhei a medalha de ouro dos mistos. Espero que introduzam mais, pois os circuitos mistos me beneficiaram bastante. É lógico que a IRL tem que ter oval, pois foi onde tudo começou, mas eu não iria achar ruim se fosse 50% misto e 50% oval. No começo, a essência da IRL eram circuitos ovais e pilotos americanos e hoje isso já não acontece mais. E, como em todo o lugar do mundo, os pilotos brasileiros já estão querendo dominar.

GE.Net: Como você avalia o Helio Castro Neves e o Vitor Meira, os outros dois brasileiros na IRL?
Kanaan:
São dois pilotos muito fortes. Acho que o Brasil tem sempre chance de ganhar um título com um de seus três pilotos da IRL. Pode ter certeza que o Brasil está muito bem representado.

GE.Net: Quais são os seus planos para a temporada 2006?
Kanaan:
Tenho contrato com a Andretti Green até 2008 e vamos tentar agora buscar o segundo título. Tem muita gente que pode ser campeão no ano que vem. O Dario Franchitti, que é meu companheiro de equipe, é um dos favoritos. Os dois pilotos da Penske, o Helio Castro Neves e o Sam Hornish Jr., também vão dar trabalho, pois apesar de não terem ido muito bem este ano, eles vão passar a correr com o motor Honda em 2006, que é o mesmo que nós usamos. Com certeza, 2006 vai ser um ano mais difícil, mas nós temos um carro bom. Minha expectativa é ganhar o campeonato.

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