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12/04/2006
Montagem sobre foto de Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Por Carolina Canossa, especial para a GE.Net

Os resultados estão aí: tricampeão brasileiro de kart, campeão sul-americano de Fórmula 3 e o título da Fórmula 3 Inglesa. Se sobrenome ajuda no automobilismo, ele também tem. Aos 20 anos de idade, Nelsinho Piquet, filho do tricampeão mundial de Fórmula 1 Nelson Piquet, quer fazer da temporada 2006 a mais importante da sua vida.

Em seu segundo ano na Fórmula GP2, último degrau para a Fórmula 1, Nelsinho Piquet tenta apagar com a taça de campeão o decepcionante campeonato de 2005, quando terminou apenas em oitavo lugar na classificação geral. Em quase tudo o que o piloto fala, ele dá um jeito de deixar claro o seu objetivo: vencer a GP2 e carimbar o seu passaporte de piloto titular na Fórmula 1, seguindo os passos do alemão Nico Rosberg, sensação da temporada 2006.

Piloto titular porque Nelsinho garantiu para a GE.Net que, se quisesse, poderia estar empregado como piloto de testes na mais importante categoria do automobilismo mundial. “Eu tive várias propostas e poderia estar em praticamente todas as equipes da Fórmula 1”, revelou Nelsinho, que, no entanto, preferiu seguir um outro caminho, ao menos por enquanto. “Ser piloto de testes hoje em dia na Fórmula 1 não é grande coisa. Eu prefiro mostrar meu valor na GP2 e entrar direto”, garantiu.

Alemão de nascimento e filho de mãe holandesa, Nelsinho ainda ressaltou sua identificação pelo Brasil e a influência do pai em sua carreira (“Ele me ajuda em tudo, mas eu só cheguei onde estou por causa dos meus resultados”), além de negar uma futura rivalidade com Bruno Senna, sobrinho do também tricampeão mundial de Fórmula 1, Ayrton Senna.

Gazeta Esportiva.Net: Qual a sua expectativa para a temporada 2006 da GP2 (nas duas primeiras provas, ele conquistou uma vitória e um quarto lugar)?
Nelsinho Piquet:
A expectativa é boa, eu entro neste campeonato para vencer. A pré-temporada é curta, são apenas seis dias de treinos, não dá para andar muito. No que deu para ver, a gente sempre esteve entre os quatro primeiros em todos os treinos e acho que estamos rápido, como estávamos no início do ano passado. Agora, a gente não vai ter que cometer os erros do passado, como quebras de carro, problemas da equipe e até erros meus. Temos que ser perfeitos este ano para ficar entre os primeiros do campeonato.

GE.Net: Você citou erros seus. Que tipo de erros?
NP:
Não bati nenhuma vez, mas em várias tomadas de tempos, eu poderia ter ido mais rápido. O pneu só dura a primeira volta rápida, e como essas voltas não foram perfeitas, acabei ficando acima dos tempos. Assim você perde várias posições. Acabava largando atrás no grid e isso prejudicou o meu campeonato.

GE.Net: Se não fossem esses problemas que você citou, acredita que teria feito uma temporada bem melhor em 2005?
NP:
Acho. Se tirassem só as quebras do carro, acredito que teria ficado entre os cinco primeiros do campeonato.

GE.Net: Na sua opinião, o desempenho do Nico Rosberg é a prova de que pilotos jovens como você podem ser competitivos na Fórmula 1 (tanto o alemão quanto o brasileiro têm 20 anos) ?
NP:
Acho que todo piloto jovem é competitivo na Fórmula 1. Na verdade, houve uma época parada de pilotos jovens porque não tinha nenhuma categoria fora da Fórmula 1 que era forte. A Fórmula 3 era a única categoria competitiva. A GP2 está no segundo ano, então é agora que os pilotos vão começar a entrar. Agora, acredito que todo ano os dois ou três primeiros vão poder entrar na Fórmula 1.

GE.Net: No final de fevereiro, o Bernie Ecclestone te apontou como uma das futuras estrelas da Fórmula 1. O que você acha disso?
NP:
Acho bom, mas não vai fazer nenhuma diferença para mim. Eu tenho que agora me dedicar à GP2 e conseguir uma vaga lá na Fórmula 1.

GE.Net: Você se sente preparado para assumir o posto de “esperança brasileira” na Fórmula 1?
NP:
Preparado para a Fórmula 1 agora eu não estou, como nenhum outro piloto da Fórmula GP2 também não está. Primeiro, a gente tem que ganhar a GP2 e aí fazer o final do ano de treinos, com um plano para se preparar. É impossível chegar na Fórmula 1 preparado. Precisa daquele tempo todo que o Rosberg teve no ano passado inteiro e o início deste ano treinando semanalmente ou duas, três vezes por semana para se preparar. Eles precisam dar a chance também e para isso, a gente tem que provar que está entre os melhores da GP2.

GE.Net: Você já estipulou um prazo para chegar à Fórmula 1?
NP:
Não, eu só quero ganhar o campeonato este ano e acho que fazendo isso, é praticamente certa a minha entrada na Fórmula 1.

GE.Net: O que você vai fazer se não ganhar a GP2 este ano?
NP:
É difícil falar, eu não sei. Não conto com essa opção.

GE.Net: É verdade que você recebeu convites para ser piloto de testes da Fórmula 1 em 2006?
NP:
Recebi, mas eu preferi ter a chance de ser um piloto para correr e estar lá no ano que vem, porque ser piloto de testes não é certeza de que você vai correr no ano seguinte. Aí seria muito arriscado.

GE.Net: Qual equipe te convidou?
NP:
Eu tive várias propostas, eu poderia estar em praticamente todos os testes, só que ser piloto de testes hoje em dia na Fórmula 1 não é grande coisa. Mas se é para você entrar em uma equipe destas, ficar sem correr na GP2, e não saber se você vai poder correr de Fórmula 1, eu prefiro correr de GP2, ir bem, provar meu valor e entrar direto no outro ano.

GE.Net: Ser filho do Nelson Piquet te ajuda ou atrapalha?
NP:
Ajuda em tudo, como consultoria, em qualquer coisa ele ajuda. Qualquer coisa que ele faz, ele faz direito. Todo mundo fala que eu sou filho do Nelson Piquet, mas eu só cheguei onde eu estou por causas dos meus resultados. Se não fossem os resultados, eu não teria patrocínio. Não estou aqui por causa do dinheiro do meu pai, porque eu tenho patrocínio. Ganhei todos os campeonatos que já disputei até hoje, exceto o do ano passado, porque eu fiz uma temporada ruim.

GE.Net: Quando você decidiu ser piloto?
NP:
Na realidade, quando comecei eu era muito criança, tinha oito anos. Não dava nem para decidir nada, mas vai passando o tempo, você vai levando mais a sério, tudo vai ficando mais difícil e chega um ponto que você tem que se dedicar mesmo. Mas nunca pensei em seguir outra profissão, parece que eu comecei ontem a correr.

GE.Net: O que seu pai disse quando você decidiu levar o automobilismo a sério?
NP:
Não teve uma hora para outra que eu comecei a levar a sério. Eu sempre levei a sério, dentro dos limites de cada categoria. Andando de kart, eu levei a sério até um ponto, assim como na Fórmula 3, na Inglaterra. Mas o meu pai sempre me apoiou nesta decisão.

GE.Net: Você acredita que em breve a imprensa pode inventar uma suposta rivalidade entre você o e o Bruno Senna?
NP:
Jornalistas fazem qualquer coisa, não é? Eu posso esperar qualquer coisa deles. Eu não tenho que me preocupar com isso, eu tenho que me focar em ganhar corridas e não se vão criar alguma coisa ou não.

GE.Net: Você, como alemão de nascimento (Nelsinho é filho de pai brasileiro e mãe holandesa), já cogitou a hipótese de não defender o Brasil?
NP:
Na Europa a sua nacionalidade é baseada em onde seus pais são. Então, eu sou metade brasileiro e metade holandês. Mas me sinto brasileiro. Eu não tenho nada na Alemanha, só nasci lá.

GE.Net: O que você achou de sua experiência na A1GP?
NP:
Foi uma experiência boa, eu aprendi bastante, fiz amigos. É legal para o público essa proposta de disputa entre países. Para a gente que está correndo e conhece os pilotos que estão lá, você começa a competir contra eles e não contra um país. Você tenta vencer você mesmo. Depois, quando você sai é representando o país, mas para os pilotos não faz muita diferença. É bom para o público torcer para um país e não para um piloto.


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