| Por Carolina Canossa, especial para
a GE.Net
Os resultados estão aí: tricampeão brasileiro
de kart, campeão sul-americano de Fórmula 3
e o título da Fórmula 3 Inglesa. Se sobrenome
ajuda no automobilismo, ele também tem. Aos 20 anos
de idade, Nelsinho Piquet, filho do tricampeão mundial
de Fórmula 1 Nelson Piquet, quer fazer da temporada
2006 a mais importante da sua vida.
Em seu segundo ano na Fórmula GP2, último degrau
para a Fórmula 1, Nelsinho Piquet tenta apagar com
a taça de campeão o decepcionante campeonato
de 2005, quando terminou apenas em oitavo lugar na classificação
geral. Em quase tudo o que o piloto fala, ele dá um
jeito de deixar claro o seu objetivo: vencer a GP2 e carimbar
o seu passaporte de piloto titular na Fórmula 1, seguindo
os passos do alemão Nico Rosberg, sensação
da temporada 2006.
Piloto titular porque Nelsinho garantiu para a GE.Net que,
se quisesse, poderia estar empregado como piloto de testes
na mais importante categoria do automobilismo mundial. “Eu
tive várias propostas e poderia estar em praticamente
todas as equipes da Fórmula 1”, revelou Nelsinho,
que, no entanto, preferiu seguir um outro caminho, ao menos
por enquanto. “Ser piloto de testes hoje em dia na Fórmula
1 não é grande coisa. Eu prefiro mostrar meu
valor na GP2 e entrar direto”, garantiu.
Alemão de nascimento e filho de mãe holandesa,
Nelsinho ainda ressaltou sua identificação pelo
Brasil e a influência do pai em sua carreira (“Ele
me ajuda em tudo, mas eu só cheguei onde estou por
causa dos meus resultados”), além de negar uma
futura rivalidade com Bruno Senna, sobrinho do também
tricampeão mundial de Fórmula 1, Ayrton Senna.
Gazeta Esportiva.Net: Qual a sua expectativa para
a temporada 2006 da GP2 (nas duas primeiras provas, ele conquistou
uma vitória e um quarto lugar)?
Nelsinho Piquet: A expectativa é boa, eu entro
neste campeonato para vencer. A pré-temporada é
curta, são apenas seis dias de treinos, não
dá para andar muito. No que deu para ver, a gente sempre
esteve entre os quatro primeiros em todos os treinos e acho
que estamos rápido, como estávamos no início
do ano passado. Agora, a gente não vai ter que cometer
os erros do passado, como quebras de carro, problemas da equipe
e até erros meus. Temos que ser perfeitos este ano
para ficar entre os primeiros do campeonato.
GE.Net: Você citou erros seus. Que tipo de erros?
NP: Não bati nenhuma vez, mas em várias
tomadas de tempos, eu poderia ter ido mais rápido.
O pneu só dura a primeira volta rápida, e como
essas voltas não foram perfeitas, acabei ficando acima
dos tempos. Assim você perde várias posições.
Acabava largando atrás no grid e isso prejudicou o
meu campeonato.
GE.Net: Se não fossem esses problemas que
você citou, acredita que teria feito uma temporada bem
melhor em 2005?
NP: Acho. Se tirassem só as quebras do carro,
acredito que teria ficado entre os cinco primeiros do campeonato.
GE.Net: Na sua opinião, o desempenho do Nico
Rosberg é a prova de que pilotos jovens como você
podem ser competitivos na Fórmula 1 (tanto o alemão
quanto o brasileiro têm 20 anos) ?
NP: Acho que todo piloto jovem é competitivo
na Fórmula 1. Na verdade, houve uma época parada
de pilotos jovens porque não tinha nenhuma categoria
fora da Fórmula 1 que era forte. A Fórmula 3
era a única categoria competitiva. A GP2 está
no segundo ano, então é agora que os pilotos
vão começar a entrar. Agora, acredito que todo
ano os dois ou três primeiros vão poder entrar
na Fórmula 1.
GE.Net: No final de fevereiro, o Bernie Ecclestone
te apontou como uma das futuras estrelas da Fórmula
1. O que você acha disso?
NP: Acho bom, mas não vai fazer nenhuma diferença
para mim. Eu tenho que agora me dedicar à GP2 e conseguir
uma vaga lá na Fórmula 1.
GE.Net: Você se sente preparado para assumir
o posto de “esperança brasileira” na Fórmula
1?
NP: Preparado para a Fórmula 1 agora eu não
estou, como nenhum outro piloto da Fórmula GP2 também
não está. Primeiro, a gente tem que ganhar a
GP2 e aí fazer o final do ano de treinos, com um plano
para se preparar. É impossível chegar na Fórmula
1 preparado. Precisa daquele tempo todo que o Rosberg teve
no ano passado inteiro e o início deste ano treinando
semanalmente ou duas, três vezes por semana para se
preparar. Eles precisam dar a chance também e para
isso, a gente tem que provar que está entre os melhores
da GP2.
GE.Net: Você já estipulou um prazo para
chegar à Fórmula 1?
NP: Não, eu só quero ganhar o campeonato
este ano e acho que fazendo isso, é praticamente certa
a minha entrada na Fórmula 1.
GE.Net: O que você vai fazer se não
ganhar a GP2 este ano?
NP: É difícil falar, eu não
sei. Não conto com essa opção.
GE.Net: É verdade que você recebeu convites
para ser piloto de testes da Fórmula 1 em 2006?
NP: Recebi, mas eu preferi ter a chance de ser um
piloto para correr e estar lá no ano que vem, porque
ser piloto de testes não é certeza de que você
vai correr no ano seguinte. Aí seria muito arriscado.
GE.Net: Qual equipe te convidou?
NP: Eu tive várias propostas, eu poderia estar
em praticamente todos os testes, só que ser piloto
de testes hoje em dia na Fórmula 1 não é
grande coisa. Mas se é para você entrar em uma
equipe destas, ficar sem correr na GP2, e não saber
se você vai poder correr de Fórmula 1, eu prefiro
correr de GP2, ir bem, provar meu valor e entrar direto no
outro ano.
GE.Net: Ser filho do Nelson Piquet te ajuda ou atrapalha?
NP: Ajuda em tudo, como consultoria, em qualquer
coisa ele ajuda. Qualquer coisa que ele faz, ele faz direito.
Todo mundo fala que eu sou filho do Nelson Piquet, mas eu
só cheguei onde eu estou por causas dos meus resultados.
Se não fossem os resultados, eu não teria patrocínio.
Não estou aqui por causa do dinheiro do meu pai, porque
eu tenho patrocínio. Ganhei todos os campeonatos que
já disputei até hoje, exceto o do ano passado,
porque eu fiz uma temporada ruim.
GE.Net: Quando você decidiu ser piloto?
NP: Na realidade, quando comecei eu era muito criança,
tinha oito anos. Não dava nem para decidir nada, mas
vai passando o tempo, você vai levando mais a sério,
tudo vai ficando mais difícil e chega um ponto que
você tem que se dedicar mesmo. Mas nunca pensei em seguir
outra profissão, parece que eu comecei ontem a correr.
GE.Net: O que seu pai disse quando você decidiu
levar o automobilismo a sério?
NP: Não teve uma hora para outra que eu comecei
a levar a sério. Eu sempre levei a sério, dentro
dos limites de cada categoria. Andando de kart, eu levei a
sério até um ponto, assim como na Fórmula
3, na Inglaterra. Mas o meu pai sempre me apoiou nesta decisão.
GE.Net: Você acredita que em breve a imprensa
pode inventar uma suposta rivalidade entre você o e
o Bruno Senna?
NP: Jornalistas fazem qualquer coisa, não
é? Eu posso esperar qualquer coisa deles. Eu não
tenho que me preocupar com isso, eu tenho que me focar em
ganhar corridas e não se vão criar alguma coisa
ou não.
GE.Net: Você, como alemão de nascimento
(Nelsinho é filho de pai brasileiro e mãe holandesa),
já cogitou a hipótese de não defender
o Brasil?
NP: Na Europa a sua nacionalidade é baseada
em onde seus pais são. Então, eu sou metade
brasileiro e metade holandês. Mas me sinto brasileiro.
Eu não tenho nada na Alemanha, só nasci lá.
GE.Net: O que você achou de sua experiência
na A1GP?
NP: Foi uma experiência boa, eu aprendi bastante,
fiz amigos. É legal para o público essa proposta
de disputa entre países. Para a gente que está
correndo e conhece os pilotos que estão lá,
você começa a competir contra eles e não
contra um país. Você tenta vencer você
mesmo. Depois, quando você sai é representando
o país, mas para os pilotos não faz muita diferença.
É bom para o público torcer para um país
e não para um piloto.
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