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20/04/2007
Montagem sobre fotos Divulgação

Emanuel Colombari, especial para a GE.Net

Popó Bueno tinha tudo para ser um piloto que não precisa provar nada a ninguém. Campeão carioca de kart aos 11 anos, prometia ser mais um bom nome a representar o Brasil no automobilismo internacional, mas a carreira teve que ser abreviada por um motivo até certo ponto incomum entre os outros pilotos: notas ruins na escola.

De volta ao mundo automobilístico em 97, Popó disputou a extinta Fórmula Rio e a Fórmula Chevrolet, onde conquistou o título na temporada de 2000. As portas do mundo das corridas estavam novamente abertas para Popó, que garantiu o acesso à Fórmula Renault européia em 2001. No ano seguinte, contudo, o carioca sofreu um grave acidente em Monza e cogitou dar novamente adeus prematuro ao capacete.

Não conseguiu, mas não deixaria de enfrentar dificuldade. Em 2003, apareceu a oportunidade de correr na Stock Car, onde Paulo Eduardo Ferro Costa Galvão Bueno teria que driblar mais percalços do que nunca: a começar pelo sobrenome, que não esconde a origem nobre do piloto, filho do locutor esportivo Galvão Bueno. No primeiro momento, sua chegada foi recebida com desconfiança, especialmente pela atenção que a Rede Globo dava à categoria e pelo ‘apreço’ que a torcida costuma demonstrar por seu pai em determinadas ocasiões.

Para ‘piorar’, Popó ainda contaria com a presença do irmão Cacá Bueno, que lutaria pelo título nas temporadas de 2004 e 2005, sagrando-se campeão em 2006. Ruim para ele, que foi 21º na temporada de estréia? Não. Popó ainda foi 15º na classificação de 2004 e 14º em 2006, mas acredita que chegou a hora de provar que não está na Stock apenas por ser da família. Está na hora de Popó mostrar que também tem talento.

Louco por futebol, este flamenguista de 28 anos garante que a temporada de 2007 pode ser a sua grande chance de mostrar serviço. Em entrevista à Gazeta Esportiva.Net, o piloto da equipe Hot Car comemora a evolução da categoria nos últimos anos, mas acredita que nem mesmo o regulamento neste ano atrapalhará os planos de equipe de se classificar para os playoffs decisivos do título.

Gazeta Esportiva.Net - É complicado ser irmão do Cacá?
Popó Bueno -
É engraçado que me fazem essa pergunta: se é complicado ser o filho do Galvão, se é complicado ser irmão do Cacá... Eu respondo sempre que eu tenho muito orgulho de ser filho do Galvão, por tudo que ele representa, pelo profissional que ele é e por tudo que ele conseguiu. Tenho muito orgulho de ser irmão do Cacá também, por tudo que ele vem conseguindo no automobilismo. Ele sempre foi um piloto dedicado aos carros de turismo, sempre correu nesse tipo de carro e tem muita experiência por ter corrido fora do Brasil... Tenho muito orgulho de tê-lo como irmão. Pra mim não atrapalha em nada: a cobrança é normal, vai existir sempre.

GE.Net - Quais são as expectativas para essa temporada? Chegar ao playoff é uma delas?
Popó -
O campeonato está mais competitivo do que em 2006, quando a gente não entrou no playoff por muito pouco – na última corrida em Brasília faltaram dois pontos. Foram alguns problemas que aconteceram, então a gente aprendeu com esses erros e não vai cometê-los este ano. É lógico que eu quero ser campeão da Stock Car, como todos os 50 carros que aqui estão, mas a minha meta é estar no playoff. No final do ano, naquelas últimas quatro corridas, o destaque vai estar nos dez primeiros, então a gente tem que estar ali de qualquer jeito.

GE.Net - Como tem sido a adaptação aos novos pneus e à entrada do nitro na categoria?
Popó -
O primeiro contato que eu tive aos novos pneus foi no treino coletivo de terça-feira. Posso dizer que são diferentes. Se você for comparar em termos de competitividade, de performance, o pneu é pior – nós perdemos cerca de três segundos (por volta) em nosso tempo. Acho que não vai fazer tanta diferença para o público se o carro for três segundos mais lento ou mais rápido. As disputas serão as mesmas. O nitro deve ser colocado em prática em corrida, então poderei dizer ao certo como será a resposta. Mas eu acho que qualquer coisa que seja benéfica para a categoria e para deixar as disputas mais acirradas será melhor para todos os pilotos.

GE.Net - O que aconteceu que deixou o pneu tão mais lento?
Popó -
O pneu que a gente usava era italiano e participava de competições lá fora. Em performance, era melhor do que esse, que é nacional e mais barato. O custo é das equipes e isso não chega a atingir diretamente o piloto, mas o mais importante é que ele é igual para todo mundo. Você tem que começar o acerto do zero, porque você muda o composto do pneu e o carro exige um acerto completamente diferente. Não tem nada a ver com o que tínhamos no ano passado. Essa primeira corrida vai depender muito da competência das equipes na questão da adaptação: é um pneu que é muito diferente, e quem conseguir se adaptar... Tenho certeza que, na próxima corrida em São Paulo (no encerramento da temporada), já estaremos virando mais rápido do que agora. É uma evolução.

Ge.Net - A gente tem acompanhado a entrada de muitos patrocinadores e de outras marcas na categoria. Como os pilotos têm recebido o crescimento da Stock?
Popó -
É natural, né? A Stock vem crescendo desde a entrada da televisão, em um crescimento muito grande. Atrai mais a atenção do público, atrai a atenção da mídia e, conseqüentemente, vai atrair a atenção dos patrocinadores. O custo também vem crescendo. São feitas melhorias tecnológicas nos carros, então está cada vez mais caro para se correr na Stock Car. Mas é um crescimento natural: entrando mais patrocínio, fica mais fácil para se arrumar verba.

Ge.Net - O grid terá no máximo 38 carros, sendo que há quase 50 pilotos inscritos. Existe a preocupação de ficar de fora da prova? A classificação vai se tornar mais ‘pesada’ por conta disso?
Popó -
Acho que dá medo para os outros. Eu tenho a classificação garantida por uma regra do campeonato, que assegura os 25 primeiros da temporada passada entre os 38. Segundo os números que eu vi, serão 23 pilotos que vão disputar 11 vagas (na verdade, 24 para 13). Para esses pilotos, existe um peso maior na classificação. Ficar de fora de uma corrida é uma coisa que não dá nem pra pensar: chegar no seu patrocinador e explicar que ele pagou, mas não vai correr e a marca não vai aparecer na TV...

GE.Net - Você acredita que as equipes que não conseguirem se classificar tendem a deixar a categoria ou vão conseguir se manter?
Popó -
Não sei se é uma desistência, mas tende a haver uma seleção natural. Se o grid for definido em 38 (pilotos), tenho certeza que, daqui um ou dois anos, vai ficar a nata, apenas os melhores. Na regra ficarão apenas as 16 melhores equipes no ano que vem, e as que ficarem para trás vão ter que sair da categoria. Precisa ser feito isso. Nós estamos atraindo mais gente, mais dinheiro, mais equipes e mais pilotos com grana para participar, mas aqui é uma categoria profissional e feita para pilotos profissionais. Existem outras categorias para pilotos amadores, que querem se divertir e que querem isso como hobby.

GE.Net - Como tem sido a competição dos últimos anos, do pessoal mais novo que tem entrado, como o Giuliano Losacco e o Cacá, com pessoal mais experiente, como o Ingo Hoffmann?
Popó -
O Ingo é um ícone, um ídolo de todos os pilotos. Todo mundo se espelha nele, porque ele tem mais de 50 anos e consegue ser tão rápido quando a molecada que está entrando. Eu estou com 28 anos, tem ainda um pessoal com 20 ou 21 anos, mas o Ingo foi o primeiro no treino (livre) da terça-feira e ganhou corrida no playoff do final do ano passado. Isso prova que ele ainda é muito rápido e que não vai parar tão cedo. Quando colocamos o capacete e o carro está na pista, é claro que o nome do Ingo Hoffmann tem peso. Mas se você for mais rápido que o cara, você vai tentar passar, seja quem for. Pra mim, pode ser o Cacá ou qualquer um, que eu vou tentar ultrapassar.


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