Voltar para a home Terça, 02 de Dezembro de 2008 Home Fale conosco. Receba o boletim   Ir para a Gazeta Press
 
20/12/2007
Montagem sobre foto Djalma Vassão/Gazeta Press

Por Paulo Amaral, enviado a Brasília (DF)*

A torcida brasileira pode começar a se preparar para o aparecimento de um novo ídolo no esporte: Nelsinho Piquet. Filho do ex-tricampeão mundial de Fórmula 1 nos anos 80, o novo piloto da Renault fará dupla com Fernando Alonso na principal categoria do automobilismo mundial em 2008. E garante ter potencial para ocupar o lugar aberto no coração dos fãs com a aposentadoria do pai e com a morte de Ayrton Senna.

Apresentado oficialmente pela escuderia Renault em evento realizado em Brasília, o jovem piloto, que se consagrou na base do automobilismo conquistando títulos na Fórmula 3 Sul-americana, na Fórmula 3 Inglesa e na GP2, não se intimidou com a sombra do pai e projetou sucesso em sua nova empreitada.

O piloto chega à categoria escoltado também pela benção de Flavio Briatore, chefe da equipe Renault F-1 e responsável pelo impulso nas carreiras do heptacampeão Michael Schummacher na Benetton, depois de uma passagem rápida pela Mercedes, e do espanhol Fernando Alonso, companheiro de equipe de Nelsinho para 2008.

Em conversa com a reportagem da Gazeta Esportiva.Net, o jovem piloto abordou diversos assuntos, como a expectativa de estrear bem na principal categoria do automobilismo mundial, os pontos positivos e negativos de conviver com a “sombra” do pai, sobre seu estilo de pilotar e sobre a confiança de Briatore. Revelou também um lado pouco divulgado da imprensa, mas também herdado de seu pai, o de "acertador de carros". Otimista, o novo piloto não mediu palavras quando questionado sobre o que espera do futuro: “Se fui contratado, é porque tenho condições de ser campeão mundial”.

GE.Net – O Flavio Briatore traz consigo o estigma de ter impulsionado a carreira do Michael Schummacher na Benetton em 1991 e criado o próprio Alonso em 2005. Você acha que pode ser a nova estrela descoberta pelo Briatore?
Nelsinho Piquet –
Espero que sim. Estou aqui para tentar ganhar e, se fui contratado, é porque sou capaz de ser campeão mundial.

GE.Net – Chegar à Fórmula 1 com a sombra do seu pai traz mais pontos positivos ou negativos?
Nelsinho Piquet -
Para mim, só positivos. Começo a carreira já com nome e com os outros pilotos tendo um pouquinho de receio. Terei ele ao meu lado para ajudar sempre e não vejo nada de negativo nisso.

GE.Net – Mas você não teme que as comparações possam prejudicá-lo?
Nelsinho Piquet -
Não tenho com o que me preocupar. Até hoje, ganhei todas as categorias. Chego a uma equipe boa, com um bicampeão do mundo como companheiro. Será uma ótima oportunidade para mostrar o meu talento.

GE.Net – Você, assim como seu pai, pretende confirmar na F-1 o trabalho que desenvolveu como “acertador de carros”. Com toda a tecnologia da categoria, esse seu lado será esquecido?
Nelsinho Piquet -
Mesmo com uma tecnologia infinitamente maior na Fórmula 1, o piloto continua fazendo toda a diferença. Tenho que passar as informações de tudo o que sentir sobre o carro na pista, independentemente da telemetria.

GE.Net – Alguns pilotos chegaram à Fórmula 1 cercados de expectativas e acabaram não tendo sucesso. Você teme que isso possa acontecer com você?
Nelsinho Piquet -
Não tem motivo para eu não me dar bem. Alguns pilotos acabaram entrando na equipe errada e na hora errada. Não encaixaram. Eu fiz testes com a equipe o ano inteiro e estou entrando onde mais queria entrar.

GE.Net – Qual a vantagem de acertar com a Renault depois de ter sido piloto de testes da equipe durante um ano?
Nelsinho Piquet –
É uma oportunidade única, não poderia ser melhor. Foi um sonho ter trabalhado com a equipe o ano inteiro, criar um relacionamento e receber a notícia que continuaria correndo. Adoro a equipe toda e ela está se empenhando em fazer o carro melhorar para 2008.

GE.Net – Como será trabalhar ao lado de Fernando Alonso, bicampeão do mundo?
Nelsinho Piquet -
Vai ser bom, ótimo. Será um exemplo para mim, uma referência para melhorar a velocidade, amadurecer. Para mim, não poderia ter sido melhor. Vou procurar aprender o máximo que eu puder, com muita calma nesse meu primeiro ano, pois terei um exemplo ao meu lado, um bicampeão do mundo. Mas estou lá para ganhar e fazer o melhor possível.

GE.Net – No Grande Prêmio da Áustria, em 2002, o Rubinho (Barrichello) escandalizou o meio ao praticamente parar seu carro quase na linha de chegada para deixar seu companheiro, Michael Schummacher, passar e vencer a prova. Como você agirá se a Renault pedir para que faça o mesmo com Fernando Alonso?
Nelsinho Piquet –
Vai depender muito da situação em que ocorrer. Tenho que saber como o relacionamento estará andando, se será começo ou fim de campeonato. Vai depender de várias coisas e é muito relativo isso.

GE.Net – Qual sua expectativa em termos de resultados: dá para repetir o desempenho do Lewis Hamilton, que estreou e terminou como vice-campeão em 2007?
Nelsinho Piquet -
Todo mundo entra na pista para ganhar, mas vou ter que iniciar com muita calma, pois há muitas pistas que não conheço. Precisarei tomar cuidado para não cometer erros, mas, no final do ano, estarei mais rápido e vai chegar a minha vez de ganhar. Se eu tiver um carro tão competitivo e vencedor como o do Hamilton, também poderei fazer uma temporada boa logo de cara.

GE.Net – Quem você vê como os principais concorrentes na temporada?
Nelsinho Piquet -
As melhores equipes tem sido Williams, McLaren e Ferrari. Não deve fugir disso, mas a gente quer bater todo mundo.

* o repórter viajou à convite da equipe Renault


anuncie seu carro
Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net