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Por Paulo Amaral, enviado a Brasília (DF)*
A torcida brasileira pode começar a se preparar para
o aparecimento de um novo ídolo no esporte: Nelsinho
Piquet. Filho do ex-tricampeão mundial de Fórmula
1 nos anos 80, o novo piloto da Renault fará dupla
com Fernando Alonso na principal categoria do automobilismo
mundial em 2008. E garante ter potencial para ocupar o lugar
aberto no coração dos fãs com a aposentadoria
do pai e com a morte de Ayrton Senna.
Apresentado oficialmente pela escuderia Renault em evento
realizado em Brasília, o jovem piloto, que se consagrou
na base do automobilismo conquistando títulos na Fórmula
3 Sul-americana, na Fórmula 3 Inglesa e na GP2,
não se intimidou com a sombra do pai e projetou sucesso
em sua nova empreitada.
O piloto chega à categoria escoltado também
pela benção de Flavio Briatore, chefe da equipe
Renault F-1 e responsável pelo impulso nas carreiras
do heptacampeão Michael Schummacher na Benetton, depois de uma passagem rápida pela Mercedes, e do espanhol Fernando Alonso,
companheiro de equipe de Nelsinho para 2008.
Em conversa com a reportagem da Gazeta Esportiva.Net, o jovem piloto abordou diversos assuntos, como a expectativa de estrear bem na principal categoria do automobilismo mundial, os pontos positivos e negativos de conviver com a “sombra” do pai, sobre seu estilo de pilotar e sobre a confiança de Briatore. Revelou também um lado pouco divulgado da imprensa, mas também herdado de seu pai, o de "acertador de carros". Otimista, o novo piloto não mediu palavras quando questionado sobre o que espera do futuro: “Se fui contratado, é porque tenho condições de ser campeão mundial”.
GE.Net – O Flavio Briatore traz consigo o estigma
de ter impulsionado a carreira do Michael Schummacher na Benetton
em 1991 e criado o próprio Alonso em 2005. Você acha
que pode ser a nova estrela descoberta pelo Briatore?
Nelsinho Piquet – Espero que sim. Estou aqui
para tentar ganhar e, se fui contratado, é porque sou capaz de ser campeão mundial.
GE.Net – Chegar à Fórmula 1 com
a sombra do seu pai traz mais pontos positivos ou negativos?
Nelsinho Piquet - Para mim, só positivos.
Começo a carreira já com nome e com os outros
pilotos tendo um pouquinho de receio. Terei ele ao meu lado
para ajudar sempre e não vejo nada de negativo nisso.
GE.Net – Mas você não teme que
as comparações possam prejudicá-lo?
Nelsinho Piquet - Não tenho com o que me preocupar.
Até hoje, ganhei todas as categorias. Chego a uma
equipe boa, com um bicampeão do mundo como companheiro.
Será uma ótima oportunidade para mostrar o meu
talento.
GE.Net – Você, assim como seu pai, pretende confirmar na F-1 o trabalho que desenvolveu como “acertador de carros”.
Com toda a tecnologia da categoria, esse seu lado será
esquecido?
Nelsinho Piquet - Mesmo com uma tecnologia infinitamente
maior na Fórmula 1, o piloto continua fazendo toda
a diferença. Tenho que passar as informações
de tudo o que sentir sobre o carro na pista, independentemente
da telemetria.
GE.Net – Alguns pilotos chegaram à Fórmula
1 cercados de expectativas e acabaram não tendo sucesso.
Você teme que isso possa acontecer com você?
Nelsinho Piquet -Não tem motivo para
eu não me dar bem. Alguns pilotos acabaram entrando na
equipe errada e na hora errada. Não encaixaram. Eu
fiz testes com a equipe o ano inteiro e estou entrando onde
mais queria entrar.
GE.Net – Qual a vantagem de acertar com a Renault
depois de ter sido piloto de testes da equipe durante um ano?
Nelsinho Piquet – É uma oportunidade
única, não poderia ser melhor. Foi um sonho
ter trabalhado com a equipe o ano inteiro, criar um relacionamento
e receber a notícia que continuaria correndo. Adoro
a equipe toda e ela está se empenhando em fazer o carro
melhorar para 2008.
GE.Net – Como será trabalhar ao lado
de Fernando Alonso, bicampeão do mundo?
Nelsinho Piquet - Vai ser bom, ótimo. Será
um exemplo para mim, uma referência para melhorar a
velocidade, amadurecer. Para mim, não poderia ter sido
melhor. Vou procurar aprender o máximo que eu puder,
com muita calma nesse meu primeiro ano, pois terei um exemplo
ao meu lado, um bicampeão do mundo. Mas estou lá
para ganhar e fazer o melhor possível.
GE.Net – No Grande Prêmio da Áustria,
em 2002, o Rubinho (Barrichello) escandalizou o meio ao praticamente
parar seu carro quase na linha de chegada para deixar seu
companheiro, Michael Schummacher, passar e vencer a prova.
Como você agirá se a Renault pedir para que faça
o mesmo com Fernando Alonso?
Nelsinho Piquet – Vai depender muito da situação
em que ocorrer. Tenho que saber como o relacionamento estará
andando, se será começo ou fim de campeonato.
Vai depender de várias coisas e é muito relativo
isso.
GE.Net – Qual sua expectativa em termos de
resultados: dá para repetir o desempenho do Lewis Hamilton,
que estreou e terminou como vice-campeão em 2007?
Nelsinho Piquet - Todo mundo entra na pista
para ganhar, mas vou ter que iniciar com muita calma, pois há muitas pistas que não conheço. Precisarei
tomar cuidado para não cometer erros, mas, no final
do ano, estarei mais rápido e vai chegar a minha vez
de ganhar. Se eu tiver um carro tão competitivo e vencedor
como o do Hamilton, também poderei fazer uma temporada
boa logo de cara.
GE.Net – Quem você vê como os principais
concorrentes na temporada?
Nelsinho Piquet - As melhores equipes tem
sido Williams, McLaren e Ferrari. Não deve fugir disso,
mas a gente quer bater todo mundo.
* o repórter viajou à convite da equipe Renault
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