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A ginasta Daniele Hypólito não esconde o sorriso nem a satisfação pela fase que vem passando na modalidade. Se a conquista da medalha de prata no solo, no Mundial de Ghent, na Bélgica, no ano passado, foi uma grande surpresa para o País, ela trata de provar, a cada competição, que não conta apenas com a sorte. Talento, treino e dedicação compõem a fórmula que está levando o Brasil - e o nome da brasileira - para outros cantos, como a Alemanha, de onde Daniele acaba de retornar, com a medalha de ouro no exercício de trave, conquistada na primeira etapa da Copa do Mundo de Ginástica Olímpica. Mesmo cansada pelas horas de vôo, Daniele falou aos jornalistas nesta terça-feira, no aeroporto internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro.

GE.Net Antes da viagem para Alemanha, você teria recebido algumas críticas quanto a sua forma física e de que você estaria acima do peso. A medalha de ouro conquistada na trave foi uma resposta?
Daniele Eu não sei se foi uma resposta porque eu não me envolvo com essa parte, minha função é treinar. E quanto ao peso eu estava muito preocupada sim. Só que estava acontecendo algumas coisas que eu não conseguia perder peso. Mas graças a Deus, eu consegui perdê-los na Alemanha, entrei em forma lá e fiquei com a medalha de ouro.

GE.Net - Foi exagero da imprensa ao publicar de que você estaria 5 kg acima do seu peso normal?
Daniele - Foi exagero sim. Eu não tenho idéia de quantos quilos estou acima do meu peso ideal, mas cinco quilos eu posso afirmar que não estou.

GE.Net - Durante o treino na Alemanha você conseguiu um exercício perfeito na trave. Na hora da competição, você achou que poderia repetir a façanha ou ficou com medo?
Daniele - Sempre rola aquela dúvida, porque na trave uma falha pode ser fatal. Por isso, você tem quer estar muito concentrada.

GE.Net - O que significa para uma atleta brasileira como você ter chegado a essa brilhante conquista?
Daniele - O Brasil está crescendo na ginástica e mostrando o seu papel. Não só a minha participação com a conquista da medalha de ouro, mas a excelente participação da minha companheira de Flamengo Heine Araújo, e que foi finalista na prova de salto são grandes avanços para esse esporte.

GE.Net - O Brasil já tinha sido convidado para uma competição tão importante como esta?
Daniele - O Brasil nunca tinha sido convidado. É uma competição muito importante porque é a Copa do Mundo da ginástica.

GE.Net - Você conseguiu superar a melhor ginasta da Holanda, da Rússia, da Ucrânia na trave. Você imaginava que sairia tão bem assim nesse aparelho?
Daniele - Procuro investir em todos os aparelhos. Confesso que tenho uma certa dificuldade no salto e na paralela dei uma relaxada. Mas na trave e no solo eu já venho investindo há muito tempo. A medalha de ouro na trave foi algo incrível porque eu não imaginava conquistá-la em uma Copa do Mundo.

GE.Net - E agora para a segunda fase em agosto, também na Alemanha, em Berlim, você vai se preparar para algum aparelho específico ou vai continuar batalhando nos três aparelhos?
Daniele - Vou continuar me dedicando aos três aparelhos (solo, trave e paralelas).

GE.Net - Quais são as outras competições importantes neste ano?
Daniele - Além do Mundial, eu irei disputar as duas outras fase da Copa e o Sul-americano em abril.

GE.Net - Mudou muita coisa desde a conquista do vice-campeonato mundial no solo, no ano passado?
Daniele - A ginástica sem treino não funciona. Depois da medalha de prata obtida na Bélgica eu estava tendo muitas entrevistas e treinei muito pouco, perto do que estava treinando para o Mundial. Vou deixar essa parte em aberto e me centralizar nos treinamentos e no meu estudo, já que este ano estarei prestando vestibular para educação física.


GE.Net - Daqui para frente as cobranças serão cada vez maiores depois das conquistas de ouro, prata...Você está preparada para isso?
Daniele -
A atleta tem que estar preparada para obter resultados bons e ruins. Você sai do país sem saber o que realmente vai acontecer.

GE.Net - Que portas que se abrem com estes resultados tão significativos?
Daniele - Abrem portas enormes no exterior, porque dentro do Brasil eu tive apenas um ajuda de custo de uma rede de computadores para fazer duas apresentações, mas patrocínio fixo que nós precisamos mesmo eu ainda não tenho. As minhas companheiras de equipe do Flamengo são ajudadas financeiramente da Xuxa Produções e eu ainda estou buscando patrocínio.

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