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06/01/2002

Atleta está grávida de seis meses, mas não desiste do sonho da medalha olímpica

Por Leila Araújo, correspondente na Espanha

Atual campeã espanhola no salto em distância (6,78m), a atleta de origem cubana Niurka Montalvo se sente aliviada com o ano que terminou. Apesar de ter vencido duas competições (o Meeting de Sevilha e o Meeting de Madrid), Montalvo não esteve na sua melhor fase. Em ambas disputas, a atleta saltou abaixo dos 7 metros, marca que ela atingiu em provas anteriores.

Uma lesão no pé direito ocorrida no início de 2002 praticamente paralisou a atleta durante todo o ano. Em maio, não disputou o Europeu de Pista Coberta, em Viena, e no segundo semestre queimou os três saltos classificatórios no Europeu de Munique. "Foi um ano terrível. Tive uma fratura no pé de impulso que não me deixou competir", conta.

A boa notícia, porém, chegou quase ao mesmo tempo. Niurka está grávida de um menino, que deverá nascer em abril. A maternidade que se aproxima estimula ainda mais o desejo da atleta de conquistar uma medalha olímpica, sonho que não pôde realizar em Sydney 2000 porque foi impedida de competir. Para quem acha que maternidade e esporte não combinam, Montalvo responde: "Não serei a única mulher a competir depois de ter tido um filho", diz a atleta de 34 anos. Em entrevista à Gazeta Esportiva Net, Montalvo, que mora em Valencia, falou sobre a carreira e o bebê que vai chegar. Leia a entrevista:

Gazeta Esportiva Net: Como foi o ano que terminou? Campeã espanhola no salto em distância, mas sem conseguir a classificação para o Europeu de Munique...
Niurka Montalvo: Foi um ano péssimo por causa da lesão no meu pé direito, o pé de impulso, não pude treinar direito, apesar da vontade. Por mais que eu quisesse, não havia maneira.

GE Net: Foi tão grave assim?
NM: Sentia tanta dor que não dava para continuar, então, não pude saltar nada, estava totalmente manca.

GE Net: O que ocorreu na Alemanha, quando você queimou os três saltos para a classificatória?
NM: Os terapeutas haviam colocado uma faixa no meu pé e fui para o aquecimento, mas me doía tanto que tirei a faixa. Voltei e não consegui.

GE Net: Mas houve algo de bom...você está grávida.
NM: Tenho uma vontade enorme de ser mãe, já desejo ter meu filho nos braços. Sei que é uma grande responsabilidade, mas também me dará uma grande alegria. Toda mulher deveria passar pela experiência.

GE Net: Como seu corpo está reagindo às mudanças que a gravidez provoca?
NM: Bem. Tenho treinado leve porque meu médico me disse que não seria bom parar totalmente. Controlo o ritmo cardíaco para que se matenha estável. Engordei 5 quilos, estou com 63 kg, mas não notei nenhuma mudança grande. Parece que tudo o que como vai para o bebê.

GE Net: Quando tempo você estará longe das pistas?
NM: Não muito. Competir será mais difícil, mas das pistas, ficarei pouco tempo afastada. Voltarei a treinar no primeiro mês, só para a manutenção. A vida sedentária me traz mais malefícios que benefícios.

GE Net: Você acredita que após o nascimento do seu filho vai conseguir ser a mesma atleta que venceu o Mundial de Sevilha em 1999?
NM: Vou tentar. Tenho muita vontade de disputar os Jogos Olímpicos de Atenas. Não serei a primeira atleta a retornar à carreira depois de um parto.

GE Net: Porque você decidiu ter um filho neste momento?
NM: Por causa da lesão, eu teria de ficar muitos meses parada para me recuperar. Não basta que o osso que se rompeu volte ao normal, é preciso que esteja tão rígido como antigamente porque é o pé que bate contra o chão. Tinha muita vontade de ser mãe e achei melhor aproveitar o momento.

GE Net: Além do filho, o que você planeja para o futuro?
NM: Sem dúvida, ainda sonho com as Olimpíadas e vou trabalhar para estar em Atenas.

GE Net: Passado um ano do episódio em que encontraram seu nome numa lista de objetivos do grupo terrorista ETA você se sente mais à vontade para comentar?
NM: Ah, prefiro não falar do assunto. Na época eu não dei importância. Não recebi nenhuma ameça e não gostaria de comentar para me tornar um objetivo real.

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