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Atleta está grávida
de seis meses, mas não desiste do sonho da medalha
olímpica
Por Leila Araújo, correspondente na Espanha
Atual campeã espanhola no salto em distância
(6,78m), a atleta de origem cubana Niurka Montalvo se sente
aliviada com o ano que terminou. Apesar de ter vencido duas
competições (o Meeting de Sevilha e o Meeting
de Madrid), Montalvo não esteve na sua melhor fase.
Em ambas disputas, a atleta saltou abaixo dos 7 metros, marca
que ela atingiu em provas anteriores.
Uma lesão no pé direito ocorrida no início
de 2002 praticamente paralisou a atleta durante todo o ano.
Em maio, não disputou o Europeu de Pista Coberta, em
Viena, e no segundo semestre queimou os três saltos
classificatórios no Europeu de Munique. "Foi um
ano terrível. Tive uma fratura no pé de impulso
que não me deixou competir", conta.
A boa notícia, porém, chegou quase ao mesmo
tempo. Niurka está grávida de um menino, que
deverá nascer em abril. A maternidade que se aproxima
estimula ainda mais o desejo da atleta de conquistar uma medalha
olímpica, sonho que não pôde realizar
em Sydney 2000 porque foi impedida de competir. Para quem
acha que maternidade e esporte não combinam, Montalvo
responde: "Não serei a única mulher a competir
depois de ter tido um filho", diz a atleta de 34 anos.
Em entrevista à Gazeta Esportiva Net, Montalvo,
que mora em Valencia, falou sobre a carreira e o bebê
que vai chegar. Leia a entrevista:
Gazeta Esportiva Net: Como foi o ano que terminou?
Campeã espanhola no salto em distância, mas sem
conseguir a classificação para o Europeu de
Munique...
Niurka Montalvo: Foi um ano péssimo por causa
da lesão no meu pé direito, o pé de impulso,
não pude treinar direito, apesar da vontade. Por mais
que eu quisesse, não havia maneira.
GE Net: Foi tão grave assim?
NM: Sentia tanta dor que não dava para continuar,
então, não pude saltar nada, estava totalmente
manca.
GE Net: O que ocorreu na Alemanha, quando você
queimou os três saltos para a classificatória?
NM: Os terapeutas haviam colocado uma faixa no meu
pé e fui para o aquecimento, mas me doía tanto
que tirei a faixa. Voltei e não consegui.
GE Net: Mas houve algo de bom...você está
grávida.
NM: Tenho uma vontade enorme de ser mãe, já
desejo ter meu filho nos braços. Sei que é uma
grande responsabilidade, mas também me dará
uma grande alegria. Toda mulher deveria passar pela experiência.
GE Net: Como seu corpo está reagindo às
mudanças que a gravidez provoca?
NM: Bem. Tenho treinado leve porque meu médico
me disse que não seria bom parar totalmente. Controlo
o ritmo cardíaco para que se matenha estável.
Engordei 5 quilos, estou com 63 kg, mas não notei nenhuma
mudança grande. Parece que tudo o que como vai para
o bebê.
GE Net: Quando tempo você estará longe
das pistas?
NM: Não muito. Competir será mais difícil,
mas das pistas, ficarei pouco tempo afastada. Voltarei a treinar
no primeiro mês, só para a manutenção.
A vida sedentária me traz mais malefícios que
benefícios.
GE Net: Você acredita que após o nascimento
do seu filho vai conseguir ser a mesma atleta que venceu o
Mundial de Sevilha em 1999?
NM: Vou tentar. Tenho muita vontade de disputar os
Jogos Olímpicos de Atenas. Não serei a primeira
atleta a retornar à carreira depois de um parto.
GE Net: Porque você decidiu ter um filho neste
momento?
NM: Por causa da lesão, eu teria de ficar muitos
meses parada para me recuperar. Não basta que o osso
que se rompeu volte ao normal, é preciso que esteja
tão rígido como antigamente porque é
o pé que bate contra o chão. Tinha muita vontade
de ser mãe e achei melhor aproveitar o momento.
GE Net: Além do filho, o que você planeja
para o futuro?
NM: Sem dúvida, ainda sonho com as Olimpíadas
e vou trabalhar para estar em Atenas.
GE Net: Passado um ano do episódio em que encontraram
seu nome numa lista de objetivos do grupo terrorista ETA você
se sente mais à vontade para comentar?
NM: Ah, prefiro não falar do assunto. Na época
eu não dei importância. Não recebi nenhuma
ameça e não gostaria de comentar para me tornar
um objetivo real.
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