Denis Eduardo Serio, especial
para GE.Net
Aos 18 anos, Thiago Pereira se tornou um dos nomes mais promissores
de uma das modalidades de melhor perspectiva do esporte brasileiro.
O nadador, que tem como especialidade as provas de medley, nas
quais são nadados os quatro estilos (borboleta, costas, peito
e livre), foi quinto colocado na distância de 200m nas Olimpíadas
de Atenas e, pouco mais de um mês depois, sagrou-se campeão
mundial de piscina curta da mesma prova.
Ainda novo, Pereira carrega a responsabilidade de ser o
substituto de Gustavo Borges e Fernando Scherer na natação
brasileira. Além disso, tem de tomar uma decisão que vai influenciar
diretamente na sua vida e carreira: aceitar, ou não, as propostas
de bolsa de estudo para treinar e competir por universidades
norte-americanas.
Apesar de o atleta de Volta Redonda dizer que ainda não
decidiu qual será seu destino, Pereira não consegue esconder
a vontade de conhecer o estilo de treinamento dos Estados
Unidos. Nesta entrevista exclusiva para a Gazeta Esportiva.Net,
o nadador revela que irá visitar as três instituições que
lhe fizeram propostas efetivas e conta como se desenvolveu
sua carreira nesta temporada, quando conseguiu os melhores
resultados e se consolidou como uma esperança olímpica.
Gazeta Esportiva Net: Agora, depois do Mundial, quais
os seus planos para as férias? Vai viajar para algum lugar?
Thiago Pereira: Ainda não vi nada para fazer, não. Nem
sequer pensei nisso, porque cheguei aqui em casa hoje (sexta-feira).
GE.Net: Como pretende manter a forma nesse período?
TP: Não vou fazer nada, não, ficarei parado. O próximo
campeonato importante é só no ano que vem. Agora posso relaxar.
GE.Net: Seu ano foi muito bom, mas você acha que cometeu
algum erro? Ou foi uma temporada praticamente só de acertos?
TP: Ao fazer um balanço do ano creio que nesta temporada
não fiz nada de errado. Meus resultados vieram em virtude
do forte treinamento que fiz. Minha performance aumentou porque
chegou a hora de aumentar.
GE.Net: Em relação a outros nadadores, você ainda tem
pouca massa muscular. Você pretende intensificar essa parte
de seu treinamento?
TP: Talvez tenha chegado a hora, mas não posso falar nada
no momento porque não estou trabalhando. Quando voltar aos
treinos, vou pensar melhor.
GE.Net: E isso vai ser no Brasil ou nos Estados Unidos?
TP: (risadas) Ainda não sei mesmo. Nem sequer conversei
com a minha mãe ainda.
GE.Net: Sua mãe disse que apoiava sua ida para os Estados
Unidos...
TP: Na verdade, ela disse que apoiava a minha decisão,
seja ela qual for. No momento, ainda não tenho certeza do
que vou fazer. Diria que está meio a meio (as chances de permanecer
no Brasil ou morar nos Estados Unidos).
GE.Net: Alguns treinadores disseram que seria melhor
você ficar, pois seria tratado como o melhor do país, enquanto
nos Estados Unidos seria tratado como mais um. O que acha
disso?
TP: Por esse lado, pode ser uma vantagem permanecer aqui,
mas existem desvantagens também. Lá, vou ter que treinar mais,
porque haverá muita gente boa do meu lado e vai haver mais
disputa. Prefiro enfrentar essa disputa nos treinamentos a
ter a atenção só para mim.
GE.Net: Você levará em consideração apenas fatores técnicos
para tomar a decisão ou também contará motivos pessoais, como
a experiência de morar em outro país?
TP: Tudo será levado em consideração: a experiência de
morar em outro país, o treinamento, a chance de fazer uma
faculdade fora. No Brasil, isso é complicado. Não recebi nenhuma
proposta de faculdade aqui, pois não há um esquema parecido
com o dos Estados Unidos.
GE.Net: Você acha que, na natação, a estrutura de lá
é muito melhor que a do Brasil?
TP: Não sei. É uma coisa que só vou descobrir quando eu
for. É difícil falar sem ter ido, mas creio que a diferença
não seja muito grande, não.
GE.Net: Você tem convite basicamente de três universidades:
da Flórida, de Michigan e de Auburn. Correto?
TP: Sim. As propostas são praticamente iguais. Vou visitar
todos os lugares para decidir. Na Flórida, o técnico é o Greg
Troy, que já treinou o Gustavo Borges. Em Michigan tem o Bob
Bowman, que é o treinador do Michael Phelps. Em qualquer uma
estarei bem, pelo nível delas. Todas têm grandes nadadores.
GE.Net: Você se imagina treinando ao lado do Phelps?
TP: Agora não me imagino, não. É difícil pensar nisso.
Quando eu for lá visitar a Universidade talvez eu sinta como
seria.
GE.Net: Em Atenas, nos 200m medley, você piorou em aproximadamente
meio segundo (2min00s11) seu tempo obtido na mesma piscina
meses antes, na ocasião do Evento-teste dos Jogos (1min59s48).
Por que isso aconteceu? Você sentiu muita pressão neste ano?
TP: Teve um pouco de pressão nas Olimpíadas, mas isso
foi para todos. Na verdade, não sei por que não repeti meu
tempo. Pode ter sido porque os Jogos Olímpicos eram uma novidade
para mim e fiquei um pouco nervoso. Mas se eu tivesse repetido
minha marca não adiantaria nada, pois os medalhistas fizeram
na casa de 1min58s.
GE.Net: Em Atenas e até nas provas nas quais você bateu
o recorde sul-americano, você cansava muito no nado livre,
o último da prova. No Mundial de Piscina Curta de Indianápolis,
quando ganhou o ouro, conseguiu até abrir vantagem nessa parte
da prova. Foi alguma mudança na tática?
TP: Não. Eu nem consegui conversar direito com meu técnico
depois das Olimpíadas. A prova do Mundial foi simplesmente
diferente. Não deu para fazer muita coisa específica para
essa competição, porque foi praticamente um mês depois das
Olimpíadas.
GE.Net: Recentemente, o Phelps te elogiou. Você esperava
isso?
TP: Achei bem legal, mas era algo que eu realmente não
esperava.
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