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18/10/2004
Denis Eduardo Serio, especial para GE.Net

Aos 18 anos, Thiago Pereira se tornou um dos nomes mais promissores de uma das modalidades de melhor perspectiva do esporte brasileiro. O nadador, que tem como especialidade as provas de medley, nas quais são nadados os quatro estilos (borboleta, costas, peito e livre), foi quinto colocado na distância de 200m nas Olimpíadas de Atenas e, pouco mais de um mês depois, sagrou-se campeão mundial de piscina curta da mesma prova.

Ainda novo, Pereira carrega a responsabilidade de ser o substituto de Gustavo Borges e Fernando Scherer na natação brasileira. Além disso, tem de tomar uma decisão que vai influenciar diretamente na sua vida e carreira: aceitar, ou não, as propostas de bolsa de estudo para treinar e competir por universidades norte-americanas.

Apesar de o atleta de Volta Redonda dizer que ainda não decidiu qual será seu destino, Pereira não consegue esconder a vontade de conhecer o estilo de treinamento dos Estados Unidos. Nesta entrevista exclusiva para a Gazeta Esportiva.Net, o nadador revela que irá visitar as três instituições que lhe fizeram propostas efetivas e conta como se desenvolveu sua carreira nesta temporada, quando conseguiu os melhores resultados e se consolidou como uma esperança olímpica.

Gazeta Esportiva Net: Agora, depois do Mundial, quais os seus planos para as férias? Vai viajar para algum lugar?
Thiago Pereira
: Ainda não vi nada para fazer, não. Nem sequer pensei nisso, porque cheguei aqui em casa hoje (sexta-feira).

GE.Net: Como pretende manter a forma nesse período?
TP:
Não vou fazer nada, não, ficarei parado. O próximo campeonato importante é só no ano que vem. Agora posso relaxar.

GE.Net: Seu ano foi muito bom, mas você acha que cometeu algum erro? Ou foi uma temporada praticamente só de acertos?
TP:
Ao fazer um balanço do ano creio que nesta temporada não fiz nada de errado. Meus resultados vieram em virtude do forte treinamento que fiz. Minha performance aumentou porque chegou a hora de aumentar.

GE.Net: Em relação a outros nadadores, você ainda tem pouca massa muscular. Você pretende intensificar essa parte de seu treinamento?
TP:
Talvez tenha chegado a hora, mas não posso falar nada no momento porque não estou trabalhando. Quando voltar aos treinos, vou pensar melhor.

GE.Net: E isso vai ser no Brasil ou nos Estados Unidos?
TP:
(risadas) Ainda não sei mesmo. Nem sequer conversei com a minha mãe ainda.

GE.Net: Sua mãe disse que apoiava sua ida para os Estados Unidos...
TP
: Na verdade, ela disse que apoiava a minha decisão, seja ela qual for. No momento, ainda não tenho certeza do que vou fazer. Diria que está meio a meio (as chances de permanecer no Brasil ou morar nos Estados Unidos).

GE.Net: Alguns treinadores disseram que seria melhor você ficar, pois seria tratado como o melhor do país, enquanto nos Estados Unidos seria tratado como mais um. O que acha disso?
TP:
Por esse lado, pode ser uma vantagem permanecer aqui, mas existem desvantagens também. Lá, vou ter que treinar mais, porque haverá muita gente boa do meu lado e vai haver mais disputa. Prefiro enfrentar essa disputa nos treinamentos a ter a atenção só para mim.

GE.Net: Você levará em consideração apenas fatores técnicos para tomar a decisão ou também contará motivos pessoais, como a experiência de morar em outro país?
TP:
Tudo será levado em consideração: a experiência de morar em outro país, o treinamento, a chance de fazer uma faculdade fora. No Brasil, isso é complicado. Não recebi nenhuma proposta de faculdade aqui, pois não há um esquema parecido com o dos Estados Unidos.

GE.Net: Você acha que, na natação, a estrutura de lá é muito melhor que a do Brasil?
TP:
Não sei. É uma coisa que só vou descobrir quando eu for. É difícil falar sem ter ido, mas creio que a diferença não seja muito grande, não.

GE.Net: Você tem convite basicamente de três universidades: da Flórida, de Michigan e de Auburn. Correto?
TP:
Sim. As propostas são praticamente iguais. Vou visitar todos os lugares para decidir. Na Flórida, o técnico é o Greg Troy, que já treinou o Gustavo Borges. Em Michigan tem o Bob Bowman, que é o treinador do Michael Phelps. Em qualquer uma estarei bem, pelo nível delas. Todas têm grandes nadadores.

GE.Net: Você se imagina treinando ao lado do Phelps?
TP:
Agora não me imagino, não. É difícil pensar nisso. Quando eu for lá visitar a Universidade talvez eu sinta como seria.

GE.Net: Em Atenas, nos 200m medley, você piorou em aproximadamente meio segundo (2min00s11) seu tempo obtido na mesma piscina meses antes, na ocasião do Evento-teste dos Jogos (1min59s48). Por que isso aconteceu? Você sentiu muita pressão neste ano?
TP:
Teve um pouco de pressão nas Olimpíadas, mas isso foi para todos. Na verdade, não sei por que não repeti meu tempo. Pode ter sido porque os Jogos Olímpicos eram uma novidade para mim e fiquei um pouco nervoso. Mas se eu tivesse repetido minha marca não adiantaria nada, pois os medalhistas fizeram na casa de 1min58s.

GE.Net: Em Atenas e até nas provas nas quais você bateu o recorde sul-americano, você cansava muito no nado livre, o último da prova. No Mundial de Piscina Curta de Indianápolis, quando ganhou o ouro, conseguiu até abrir vantagem nessa parte da prova. Foi alguma mudança na tática?
TP:
Não. Eu nem consegui conversar direito com meu técnico depois das Olimpíadas. A prova do Mundial foi simplesmente diferente. Não deu para fazer muita coisa específica para essa competição, porque foi praticamente um mês depois das Olimpíadas.

GE.Net: Recentemente, o Phelps te elogiou. Você esperava isso?
TP:
Achei bem legal, mas era algo que eu realmente não esperava.

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