Voltar para a home Terça, 02 de Dezembro de 2008 Home Fale conosco. Receba o boletim   Ir para a Gazeta Press
 
24/09/2005
RAIO X
Nome: Alessandro Rosa Vieira
Data de Nascimento: 8 de junho de 1977
Naturalidade: São Paulo, SP
Posição: Ala
Altura: 1,77m
Peso: 74kg
Calçado: 41
Estado civil: casado (tem um filho de dois anos)
Site: www.falcao12.com

Equipes em que atuou*:
Corinthians: 1992 a 96
GM/Chevrolet: 1997 e 1998
Altético-MG: 1999
Rio de Janeiro: 1999
São Paulo: 2000
Banespa: 2000 a 2002
Malwee/Jaraguá: 2003 a 2005

*Jogou futebol de campo pelo São Paulo no primeiro semestre de 2005.

Títulos (clubes)*:
Campeonato Mundial de Clubes: 2000
Campeonato Sul-Americano: 2001 e 2004
Liga Futsal: 2005
Liga Nacional: 1999
Taça Brasil de Clubes: 1998, 2003 e 2004
Taça Cidade de São Paulo:
1995, 1998 e 2002
Campeonato Paulista: 1995, 1997, 2000 e 2001
Campeonato Mineiro: 1999
Campeonato Catarinense: 2003
Campeonato Metropolitano: 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001
Copa Topper São Paulo: 1997 e 2001

* No campo, sagrou-se campeão paulista e da Copa Toyota Libertadores em 2005.

Títulos (seleção brasileira):
Mundialito de Futsal: 2001
Copa das Nações: 2001
Copa Internacional do RJ: 1998
Copa América: 1998 e 1999
Campeonato Sul-Americano: 2000
Copa Latina: 2003
Tigers 5 – Cingapura: 1999
Torneio do Egito: 2002
Torneio da Tailândia: 2003
Grand Prix de futsal: 2005

 
CURIOSIDADES

O apelido do jogador vem da semelhança física
com seu pai, que atuava em campos de várzea
e também era chamado de Falcão

Falcão utiliza sempre a camisa 12 porque essa
foi a camisa que usou em sua primeira convocação
para a seleção brasileira, em 1998.

Por Marcelo Cazavia

Falcão está de volta ao seu habitat natural. Depois de se aventurar no futebol de campo no início deste ano, o jogador retornou ao futsal em abril e, cinco meses depois, faturou seu segundo título de campeão nacional. Neste sábado, conquistou ao lado da seleção brasileira o título do Grand Prix de futsal, reunindo seleções da América do sul em Brusque (SC).

Eleito o melhor jogador do mundo em 2004, quando recebeu o prêmio da Fifa ao lado de Ronaldinho Gaúcho, Falcão sonhava em brilhar também nos gramados. Mas “a falta de uma seqüência de jogos e de confiança do treinador”, além do “preconceito que existe contra quem vem do salão”, impediram que ele seguisse carreira no São Paulo.

Recontratado pelo Malwee/Jaraguá (SC), o ala mostrou na última Liga Futsal que valeu o investimento da equipe. Foi um dos responsáveis pelo título inédito dos catarinenses e ainda terminou a competição como artilheiro, mesmo tendo chegado com o campeonato em andamento.

De volta à seleção brasileira, que derrotou a Colômbia por 7 a 3 na decisão do Grand Prix, espera se sagrar campeão mundial pela primeira vez – foi terceiro colocado e artilheiro na última edição, em 2004. “Tenho esse compromisso com o Brasil”, diz ele, que atendeu a reportagem da Gazeta Esportiva.Net.

Qual a importância desse título nacional após seu retorno às quadras?
É sempre importante conquistar títulos. Além disso, o Malwee fez de tudo para a minha volta e eu me sentia na responsabilidade de retribuir o investimento feito pela equipe na minha contratação. Tive a felicidade de ser campeão paulista com o São Paulo e de participar da campanha da Libertadores, então está sendo um ano bastante vitorioso para mim. Estou satisfeito. (Falcão entrou durante a vitória do São Paulo por 4 a 2 sobre a Universidad do Chile, no Morumbi, pela segunda rodada da primeira fase da Copa Toyota Libertadores. Após a conquista do título, foi convidado pela diretoria tricolor para participar da foto oficial de campeão sul-americano, mas não pôde comparecer).

E além de campeão, você também foi o goleador da Liga
É verdade, eu não esperava ser o artilheiro. Quando voltei, o campeonato estava em andamento e ao artilheiro já tinha 15 gols. Para mim era algo impossível chegar à artilharia, ainda mais que eu tive a infelicidade de me contundir e ficar alguns jogos afastado. Poder ser campeão e artilheiro é maravilhoso. (Índio, da Ulbra, que era o artilheiro da Liga Futsal até a chegada de Falcão, terminou como o segundo goleador do campeonato com 23 gols, contra 25 do ala do Malwee).

Como foi a readaptação ao futsal?
Foi normal. Eu até tinha alguma preocupação, mas acabou sendo tranqüilo. Tive a felicidade de fazer uma estréia muito boa e isso me deu confiança.

Qual avaliação você faz da sua passagem pelo futebol de campo?
Foi uma experiência muito boa, uma passagem vitoriosa. Fiz amigos e deixei as portas abertas para voltar ao São Paulo. O que acabou pegando foi a parte pessoal. Percebi que meu espaço no grupo estava muito pequeno e aquilo abriu meus olhos para pensar em retornar ao futsal. Afinal, sei que no salão ainda posso jogar em alto nível por um bom tempo, enquanto se eu continuasse no futebol não sei como estaria daqui a uns três anos, por exemplo.

Quais foram as principais dificuldades que você teve para se adaptar ao campo?
Sinceramente, não tive muitas dificuldades não. Quem sabe jogar bola, sabe jogar onde quer que seja. O que faltou foi uma seqüência de jogos para que eu pudesse me firmar. Com cinco dias de São Paulo eu entrei no final de uma partida e fui bem. Mas aí fui cada vez mais sendo colocado de lado, por questões extra-campo.

Quais questões?
Basicamente, preconceito. As pessoas olham diferente para quem chega do futsal, ainda mais eu, que vim como uma estrela, e isso acabava incomodando alguns. Uma vez eu estava em um programa de televisão no qual participava também o Giba, técnico da Portuguesa. O entrevistador perguntou se ele gostaria de ter o Falcão no time dele e a resposta foi que eu primeiro teria de me adaptar e tal. Pô, o cara nem via como eu estava treinando, mas só por vir do futsal já demonstrou desconfiança. Esse negócio de adaptação é lenda. O que eu precisava é o que todo jogador precisa. Uma seqüência de jogos e a confiança do treinador.

Por falar em confiança em treinador, o Émerson Leão, em princípio, elogiou sua contratação. Mas com o tempo ele foi te colocando cada vez menos nos jogos, ao contrário do que pedia a torcida. Por que ele agiu desta maneira?
No começo eu também não entendia, já que ele tinha me elogiado bastante quando eu cheguei. Depois acabei percebendo que ele agiu daquela maneira para fazer a política da boa vizinhança com o (presidente do São Paulo) Marcelo Portugal Gouvêa, pois eu vim com aquele rótulo de “contratação do presidente”. O Leão tem de ser a estrela principal sempre e ele não esperava o assédio sobre mim por parte da imprensa e da torcida. Muitos jogadores experientes do São Paulo falavam que nunca tinham visto um carinho como aquele dos são-paulinos, que muitas vezes antes das partidas gritavam o nome dos 11 titulares e depois gritava o meu nome. (Falcão acertou sua saída do São Paulo e a volta para o Malwee dias antes de Leão rescindir o contrato com o Tricolor para trabalhar no futebol japonês).

O que te faria voltar ao futebol de campo?
Nada. Senão eu teria continuado no São Paulo. O presidente me fez uma contraproposta depois que recebi o convite do Malwee para voltar e mesmo assim não aceitei. Sei que posso voltar ao Morumbi quando quiser, pois tanto o Marcelo quanto o (supervisor de futebol do São Paulo) Marco Aurélio Cunha me ligaram para me parabenizar pelo título da Liga, mas estou decidido a seguir minha carreira no futsal. No campo, 99% das coisas foram perfeitas, mas agora é passado. Até financeiramente está sendo melhor para mim no futsal.

E quais são seus próximos objetivos agora?
Primeiramente, vencer os Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio, já que será a primeira participação do futsal na competição. Depois, quero ser campeão mundial em 2008. Eu nunca consegui um título mundial e tenho esse compromisso com o Brasil.

O que o futsal precisa para se tornar um esporte de massa no Brasil?
Aqui em Santa Catarina, o futsal já é praticamente o esporte número um. Os ginásios estão sempre lotados e tem gente que fica sem ingresso para os jogos. A Malwee é uma marca estadual hoje, e todo mundo acompanha a equipe. Nesta fase final, tivemos de jogar em Brusque por causa do regulamento (o ginásio de Jaraguá do Sul, sede do Malwee, não tinha capacidade mínima de cinco mil pessoas para receber jogos das fases finais) e a prefeitura da cidade exigiu que pelo menos 50% dos ingressos fossem reservados para os moradores de Brusque, para você ver como é o interesse do povo de Santa Catarina pelo futsal. Nos outros Estados do Sul também é tão popular quanto o futebol. Quem está em São Paulo e no Rio de Janeiro não tem noção da paixão que o pessoal daqui tem. Para que a modalidade crescesse também nos grandes centros era preciso se adaptar às peculiaridades de uma metrópole, como o trânsito, por exemplo. Não adianta marcar os jogos em um horário no qual as pessoas não vão conseguir chegar a tempo para estacionar, comprar ingresso e assistir à partida. Enquanto não organizarem essas pequenas coisas, não tem como o futsal se tornar um esporte de massa em São Paulo ou no Rio, pois não haverá público e as empresas não vão investir porque não terão retorno.

Como você vê a nova geração do futsal brasileiro?
É uma geração vitoriosa, que não está sentindo o peso da camisa. Como sou o mais experiente do grupo, tento passar essa experiência e também tranqüilidade para que os mais jovens possam mostrar na seleção a mesma qualidade que mostram em suas equipes. Foi importante também a renovação da comissão técnica. Hoje o treinador leva consigo o preparador físico, o fisioterapeuta e os demais integrantes da comissão. Essa mudança de mentalidade na confederação também ajuda bastante para que a seleção continue crescendo.

No cenário mundial, quais são os principais rivais do Brasil?
Os países da Europa, em geral, evoluíram demais. Além da Espanha, atual bicampeã mundial, e da Itália, que está cheia de brasileiros naturalizados, dá para apontar também Portugal, Bélgica e Rússia como as principais forças da atualidade. A Rússia, aliás, tem investido bastante, chegam a pagar US$ 30 mil, US$ 40 mil para os jogadores. A Ucrânia, que nós enfrentamos recentemente, também tem uma equipe muito boa. Apesar de termos ganho os dois amistosos que fizemos com os ucranianos, é preciso levar em consideração que eles vieram para o Brasil sem o time completo e que sentiram a viagem e o clima. E a Argentina também é um adversário bastante complicado.

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