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18/11/2005
RAIO X

Nome: Lais da Silva Souza,
Naturalidade: Ribeirão Preto (SP),
Nascimento:13/12/88
Altura: 1,51m

Peso: 45kg

Resultados em Copas do Mundo em 2005: ouro no salto e prata no solo, em Cottbus, Alemanha; prata no salto, em São Paulo, Brasil; prata no salto e bronze no solo, em Paris, França.

Por Marta Teixeira

O objetivo era inicial para domar a energia em excesso da menina, que não conseguia ficar quieta. Mas aos oito anos, Laís da Silva Souza já dava mostras de que seu destino estava traçado. Aos 11 anos despertou o interesse da seleção brasileira e, apesar de ficar com o coração na mão, os pais deixaram que a menina de Ribeirão Preto fosse para Curitiba (PR) descobrir seu caminho.

No início eram seis amigas, depois o grupo se resumia a duas até ficar apenas Laís. “Na ginástica você começa cedo e também termina cedo a carreira. Nesse sentido, não houve indecisão”, explica o pai Antonio Luiz de Souza Filho. “Acredito na possibilidade dela viver independente”.

A saudade é grande, mas driblada com ligações freqüentes e algumas visitas esporádicas ao Paraná, principalmente da mãe e da irmã. Mas o sacrifício tem valido à pena.

Aos 16 anos, Laís já é apontada como um dos principais nomes da modalidade no país, dividindo as atenções com as veteranas Daniele Hypólito e Daiane dos Santos. Este ano, ela já conquistou cinco medalhas em etapas da Copa do Mundo.

Prestes a disputar seu segundo Mundial fala de sua expectativa para a competição, das metas para o futuro e dos desafios de ser uma ginasta. Aluna do ensino médio, ela concilia a rotina puxada dos treinamentos à vida comum de uma adolescente, que aprendeu cedo a cuidar de seus próprios interesses e, mesmo apontada como ‘peixinho’ do técnico Oleg Ostapenko, deixa claro que conquista é resultado de trabalho e dedicação.

GE.Net – Você despontou na última temporada e agora há muita expectativa em torno de seu nome. Como você lida com essa pressão?
Laís
– Todos esses resultados são uma recompensa porque estou sempre me dedicando nos treinos. Esta é a parte que a gente mais sofre. Mas não tem cobrança nem pressão. A cobrança é sempre de si mesmo. Você vai treinar para você para o seu proveito pessoal.

GE.Net – Além de você, Daiane também desperta um interesse grande em cada nova competição. É bom ter mais alguém para compartilhar isso?
Laís
– É sempre bom ter mais destaques na equipe. Mas se você vai competir e é conhecida, as pessoas sempre te olham com outros olhos e a gente está sempre tentando melhorar.

GE.Net – Em 2003 você integrou a equipe brasileira que competiu no Mundial de Anaheim e terminou em oitavo. Depois dessa experiência, como fica a expectativa para Melbourne?
Laís
– Cada competição tem seu friozinho diferente. Você nunca está igual nem os adversários. Assim, não deixa de ser uma competição para pegar experiência. Também, da outra vez fui só pela equipe, esta é a primeira vez que vou competir mesmo por aparelhos (Laís e Daniele são as únicas ginastas da seleção que irão se apresentar nos quatro aparelhos).

GE.Net – E quanto a resultados, o que você espera e o que consideraria um bom resultado na Austrália?
Laís
– O que eu conseguir lá vai ser lucro, porque por aparelho vai ser meu primeiro Mundial. Quero ficar entre as dez melhores no geral e chegar a uma final no salto também não é impossível.

GE.Net – Na Austrália não vai ter coreografia nova, não é?
Laís
– Não, montei mesmo para a apresentação no teatro Guaíba. Dá para aproveitar bastante coisa, mas algumas coisinhas têm que ser ajustadas.

GE.Net – Inicialmente você ficaria com Vassourinhas, mas acabou mudando, não?
Laís
– É, mas esta música (Aquarela do Brasil) está bem legal. É bem animada, só não tem sambinha porque eu sou meio dura para isso. Deixa o samba para a Daiane, que é coisa dela. (risos)

GE.Net – Mundial ou Olimpíada, o que é mais difícil?
Laís
– Ninguém vai para participar nesses eventos, vai para competir mesmo, mas o Mundial acaba mesmo sendo mais difícil. Tem mais atletas, mais países... Mas Olimpíada também é difícil.

GE.Net – Você imaginava chegar aonde está nesta idade? Isso fez diferença no seu amadurecimento?
Laís
– Antes não pensava muito nisso, mas a partir do momento que você chega aqui (na seleção) começa a ter mais noção. Sua visão muda, mas é sempre com muito trabalho, muito esforço. A partir do momento que sai de casa fiquei mais independente. Você tem que aprender a cuidar de tudo. Sou mais madura que outras pessoas da minha idade, sempre noto isso. Mas é o mesmo com todos os esportes.

GE.Net – O que é mais difícil para se manter na ginástica?
Laís
– Não tem uma coisa que seja fácil, no que você faz também há dificuldades. É difícil destacar uma coisa apenas. Você tem que controlar o peso, se concentrar nas competições e, quando está treinando forte, agüentar qualquer tipo de dor.

GE.Net – Qual seu grande desafio agora?
Laís
– O desafio sempre é estar na seleção e, depois que conquista uma medalha, se manter aonde chegou. Pode acontecer de alguém conquistar uma medalha, o problema é na outra competição. Todo mundo espera que você consiga outra. Aumenta a responsabilidade, com certeza.

Ge.Net – Atleta também precisa de metas, depois de Olimpíadas e Mundiais quais seus objetivos?
Laís
– Até hoje o que sonhei consegui: Olimpíada, Copa do Mundo também. Para mim, já aconteceu muita coisa. Mas eu sonho com outra Olimpíada e em chegar na final da Copa do Mundo.

Ge.Net – A Superfinal, ainda este ano?
Laís
– Sim, já nesta temporada. Espero conseguir uma boa colocação e no Mundial também, é claro.

GE.Net – Quando você olha o já te aconteceu, qual o momento que mais te emociona?
Laís
– Ah, tem muitos momentos. Mas acho que o que mais me marcou foi a medalha da Daiane no Mundial. Foi nossa primeira conquista.

GE.Net – Interessante você lembrar da conquista de outra pessoa como seu momento mais emocionante...
Laís
– Foi de outra pessoa, mas na verdade foi de todas nós. Atrás tinha muita gente ajudando, trabalhando junto.

GE.Net – Mas e nos seus resultados pessoais, tem algum com significado especial?
Laís
– Acho que meu desempenho na França, em Paris, este ano. Principalmente no salto. (Laís ficou com a medalha de prata no aparelho, atrás apenas da norte-americana Alicia Sacramone. Ela ainda foi bronze no solo e quinta colocada na trave de equilíbrio). O salto é onde eu mais me destaco, mas acho que sou completa nos outros também. O piorzinho é a paralela.

GE.Net – Tudo pronto para o Mundial, algum ritual secreto para boa sorte?
Laís
– Não tem nada especial, só que, para tudo o que vou fazer tenho sempre que entrar com o pé direito... e parece que está funcionando...

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