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02/01/2006
Montagem sobre foto de Fernando Pilatos/Gazeta Press

Por Marcelo Cazavia

Depois de uma temporada conturbada, em que desistiu de seguir treinando nos Estados Unidos e viu seu rendimento piorar após a excelente participação nas Olimpíadas de 2004, a pernambucana Joanna Maranhão começa a se preparar para voltar a ser a principal nadadora do país.

Em entrevista à Gazeta Esportiva.Net, a atleta de apenas 18 anos conta que sofreu muito nos últimos meses com a responsabilidade de ter de ser a estrela da natação feminina do Brasil e que passa pelos questionamentos comuns a uma garota da sua idade. “Mas, às vezes, as pessoas esquecem que a Joanna é um ser humano”, diz.

Os principais objetivos para 2006 é ter um bom desempenho no Mundial de Piscina Curta de Xangai (para o qual já tem índice nos 200m e 400m medley) e na seletiva para os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro-2007.

O primeiro passo foi trocar o Esporte Clube Pinheiros, de São Paulo, pelo Nikita/Sesi, de Pernambuco. Lá, ficará perto da família e voltará a trabalhar com João Reynaldo, técnico com quem rompeu em abril de 2004.

Nome completo: Joanna de Albuquerque Maranhão Bezerra de Melo Data de nascimento: 29/04/1987
Altura: 1,74 m
Peso: 60 kg
Residência: Recife (PE)
Principais conquistas: bronze nos 400m medley no Pan de Santo Domingo-2003 Campanha em Atenas: 5º nos 400m medley, 11º nos 200m medley e 7º no 4x200 m livre

Gazeta Esportiva.Net - Que avaliação você faz da sua performance em 2005?
Joanna Maranhão
- Esse ano não foi muito bom para mim. Fui para os Estados Unidos, mas acabei não me adaptando, fiquei com saudades da família, dos amigos, e voltei. Isso acabou mexendo um pouco com a minha cabeça. Mas os resultados também mexeram. Estou precisando recuperar minha confiança, acreditar mais em mim como eu costumava acreditar antes. Quando você tem uma seqüência de competições ruins, você começa a se questionar. Eu passei por essa fase e estou passando ainda, mas eu espero que nesse ano de 2006 eu venha a ter grandes resultados.

GE.Net - A que você credita essa queda de rendimento?
JM
- Eu acho que foi um pouco daquela crise pós-olímpica, depois de conseguir aquele quinto lugar (nos 400m medley) em Atenas. É muito difícil você se manter bem. Eu passei a me questionar e acabei caindo de produção.

GE.Net - Se questionar por quê?
JM
- Medo de fracassar. Eu sou humana, tenho os mesmos pensamentos que as meninas da minha idade têm, os mesmos questionamentos, mas graças a Deus estou passando por cima disso.

GE.Net - A pressão que você sentiu foi mais externa ou consigo mesma?
JM
- A pressão não foi externa, foi minha mesmo. Ficava pensando: “Ai, caramba, o que eu vou fazer agora, será que vou conseguir melhorar”. Foi uma fase difícil.

GE.Net - Após anos sem um ídolo na natação feminina, você acabou chamando a atenção de todos. Isso também atrapalhou?
JM
- Pois é, acabou sendo Joanna Maranhão a única representante, mas não é bem assim. Tem a Flávia (Delaroli), tem a Rebeca (Gusmão), tem a Mariana (Brochado), enfim, e todas estão em um mesmo nível. A responsabilidade não é só minha e acho que meus resultados acabaram caindo este ano também por causa disso.

GE.Net - O Mundial de Xangai é logo no primeiro semestre de 2006, em maio. Como espera chegar para a competição?
JM
- Eu estou voltando a treinar com o meu técnico de dois anos atrás, do Nikita, e estou me readaptando ao treino dele. Hoje eu estou longe da minha melhor forma, estou um pouco atrás das minhas adversárias. Elas continuaram melhorando e eu caí um pouco. Vou começar a fazer um trabalho mais duro a partir de agora. Talvez em Xangai eu não esteja na minha melhor forma, mas eu espero chegar bem, nadando próximo dos meus melhores tempos.

GE.Net - Você acredita que os nadadores brasileiros podem conseguir bons resultados na China?
JM
- A seleção tem um costume de nadar muito melhor em piscina curta do que piscina longa e acho que a gente está em um cenário bem positivo em relação a este Mundial. Acho que tem muita gente com chance de conquistar medalha lá.

GE.Net - Os brasileiros têm mais facilidade em piscina curta por treinarem mais nesse tipo de piscina?
JM
- Eu não sei dizer o porquê. A gente deveria dar uma importância maior à piscina longa, que é a piscina olímpica. Mas, já que estamos bem em curta, vamos tentar fazer alguma coisa de grande nesse Mundial

GE.Net - E para o Pan, qual a expectativa?
JM
- Se eu fizer o índice para o Pan, vou entrar com o pensamento de fazer o melhor possível. Mas tenho que esperar fazer o índice antes.

GE.Net - Qual a importância do Pan para atletas de ponta?
JM
- O Pan não chega a ser um Mundial, mas é onde os brasileiros aparecem mais. Para a mídia e para o próprio atleta acaba sendo melhor. O Mundial é do nível de uma Olimpíada, às vezes a gente faz uma final e não consegue medalha e as pessoas não valorizam. Chegar a uma final de Olimpíada e de um Mundial e ganhar medalha no Pan acaba sendo a mesma coisa, mas as pessoas não percebem isso. E acabam valorizando mais o Pan. Eu dou muito mais valor a um Mundial, embora tente fazer bonito no Pan. Mas Mundial é uma coisa muito maior, é uma realização pessoal, é muito melhor fazer uma final de Mundial do que subir no pódio do Pan.

GE.Net - Como você avalia o atual nível de evolução da natação brasileira?
JM
- A gente está evoluindo bem comparando com o que a gente era antes, mas ainda não está na hora de querer se comparar com os países grandes. Estamos muito bem representados, temos muitas promessas, mas medalhas olímpicas em si nós não temos nenhuma depois do Gustavo Borges e do Xuxa (Fernando Scherer). Então, tem muito para ser feito ainda, principalmente com as próximas gerações. Trabalho de base é o mais importante. Lógico que você tem que valorizar quem já está na elite da natação, porque nós também precisamos de apoio, mas o foco principal tem que ser as categorias de base. O pessoal daqui tem de sair mais para os campeonatos júnior de alto nível.

GE.Net - A natação feminina de hoje já pode ser comparada à masculina?
JM
- A CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) vem fazendo o que pode para equilibrar a natação feminina à masculina, mas mulher não pode ser comparada com homem porque mulher tem aquele aspecto psicológico que pesa muito mais do que nos homens. Mulher se cobra muito mais. Pelo menos para mim, o fato de as pessoas ficarem em cima acabou pesando. Isso me assustou um pouco.

GE.Net - E a questão do patrocínio para os nadadores, como está?
JM
- Eu vou estar com uma base bem legal para treinar. Vou ter o aoio do Nikita/Sesi, da confederação e de mais dois patrocinadores. Infelizmente, você precisa mostrar resultados para daí, talvez, aparecer alguma coisa. É preciso dar apoio às categorias de base, aliando o esporte ao estudo, porque tem muita gente que decide parar de estudar e diz que volta depois. Lá fora, todo mundo treina e estuda ao mesmo tempo. Então, os colégios precisam apoiar, as faculdades também.

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