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Por Marcelo Cazavia
Depois de uma temporada conturbada, em que desistiu de seguir
treinando nos Estados Unidos e viu seu rendimento piorar após
a excelente participação nas Olimpíadas
de 2004, a pernambucana Joanna Maranhão começa
a se preparar para voltar a ser a principal nadadora do país.
Em entrevista à Gazeta Esportiva.Net, a atleta
de apenas 18 anos conta que sofreu muito nos últimos
meses com a responsabilidade de ter de ser a estrela da natação
feminina do Brasil e que passa pelos questionamentos comuns
a uma garota da sua idade. Mas, às vezes, as
pessoas esquecem que a Joanna é um ser humano,
diz.
Os principais objetivos para 2006 é ter um bom desempenho
no Mundial de Piscina Curta de Xangai (para o qual já
tem índice nos 200m e 400m medley) e na seletiva para
os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro-2007.
O primeiro passo foi trocar o Esporte Clube Pinheiros, de
São Paulo, pelo Nikita/Sesi, de Pernambuco. Lá,
ficará perto da família e voltará a trabalhar
com João Reynaldo, técnico com quem rompeu em
abril de 2004.
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Nome completo: Joanna
de Albuquerque Maranhão Bezerra de Melo
Data de nascimento: 29/04/1987
Altura: 1,74 m
Peso: 60 kg
Residência: Recife (PE)
Principais conquistas: bronze nos 400m
medley no Pan de Santo Domingo-2003 Campanha em
Atenas: 5º nos 400m medley, 11º nos
200m medley e 7º no 4x200 m livre
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Gazeta Esportiva.Net - Que avaliação você
faz da sua performance em 2005?
Joanna Maranhão - Esse ano não foi muito
bom para mim. Fui para os Estados Unidos, mas acabei não
me adaptando, fiquei com saudades da família, dos amigos,
e voltei. Isso acabou mexendo um pouco com a minha cabeça.
Mas os resultados também mexeram. Estou precisando
recuperar minha confiança, acreditar mais em mim como
eu costumava acreditar antes. Quando você tem uma seqüência
de competições ruins, você começa
a se questionar. Eu passei por essa fase e estou passando
ainda, mas eu espero que nesse ano de 2006 eu venha a ter
grandes resultados.
GE.Net - A que você credita essa queda de rendimento?
JM - Eu acho que foi um pouco daquela crise pós-olímpica,
depois de conseguir aquele quinto lugar (nos 400m medley)
em Atenas. É muito difícil você se manter
bem. Eu passei a me questionar e acabei caindo de produção.
GE.Net - Se questionar por quê?
JM - Medo de fracassar. Eu sou humana, tenho os mesmos
pensamentos que as meninas da minha idade têm, os mesmos
questionamentos, mas graças a Deus estou passando por
cima disso.
GE.Net - A pressão que você sentiu foi mais
externa ou consigo mesma?
JM - A pressão não foi externa, foi minha
mesmo. Ficava pensando: Ai, caramba, o que eu vou fazer
agora, será que vou conseguir melhorar. Foi uma
fase difícil.
GE.Net - Após anos sem um ídolo na natação
feminina, você acabou chamando a atenção
de todos. Isso também atrapalhou?
JM - Pois é, acabou sendo Joanna Maranhão
a única representante, mas não é bem
assim. Tem a Flávia (Delaroli), tem a Rebeca (Gusmão),
tem a Mariana (Brochado), enfim, e todas estão em um
mesmo nível. A responsabilidade não é
só minha e acho que meus resultados acabaram caindo
este ano também por causa disso.
GE.Net - O Mundial de Xangai é logo no primeiro
semestre de 2006, em maio. Como espera chegar para a competição?
JM - Eu estou voltando a treinar com o meu técnico
de dois anos atrás, do Nikita, e estou me readaptando
ao treino dele. Hoje eu estou longe da minha melhor forma,
estou um pouco atrás das minhas adversárias.
Elas continuaram melhorando e eu caí um pouco. Vou
começar a fazer um trabalho mais duro a partir de agora.
Talvez em Xangai eu não esteja na minha melhor forma,
mas eu espero chegar bem, nadando próximo dos meus
melhores tempos.
GE.Net - Você acredita que os nadadores brasileiros
podem conseguir bons resultados na China?
JM - A seleção tem um costume de nadar muito
melhor em piscina curta do que piscina longa e acho que a
gente está em um cenário bem positivo em relação
a este Mundial. Acho que tem muita gente com chance de conquistar
medalha lá.
GE.Net - Os brasileiros têm mais facilidade em piscina
curta por treinarem mais nesse tipo de piscina?
JM - Eu não sei dizer o porquê. A gente deveria
dar uma importância maior à piscina longa, que
é a piscina olímpica. Mas, já que estamos
bem em curta, vamos tentar fazer alguma coisa de grande nesse
Mundial
GE.Net - E para o Pan, qual a expectativa?
JM - Se eu fizer o índice para o Pan, vou entrar
com o pensamento de fazer o melhor possível. Mas tenho
que esperar fazer o índice antes.
GE.Net - Qual a importância do Pan para atletas
de ponta?
JM - O Pan não chega a ser um Mundial, mas é
onde os brasileiros aparecem mais. Para a mídia e para
o próprio atleta acaba sendo melhor. O Mundial é
do nível de uma Olimpíada, às vezes a
gente faz uma final e não consegue medalha e as pessoas
não valorizam. Chegar a uma final de Olimpíada
e de um Mundial e ganhar medalha no Pan acaba sendo a mesma
coisa, mas as pessoas não percebem isso. E acabam valorizando
mais o Pan. Eu dou muito mais valor a um Mundial, embora tente
fazer bonito no Pan. Mas Mundial é uma coisa muito
maior, é uma realização pessoal, é
muito melhor fazer uma final de Mundial do que subir no pódio
do Pan.
GE.Net - Como você avalia o atual nível de
evolução da natação brasileira?
JM - A gente está evoluindo bem comparando com
o que a gente era antes, mas ainda não está
na hora de querer se comparar com os países grandes.
Estamos muito bem representados, temos muitas promessas, mas
medalhas olímpicas em si nós não temos
nenhuma depois do Gustavo Borges e do Xuxa (Fernando Scherer).
Então, tem muito para ser feito ainda, principalmente
com as próximas gerações. Trabalho de
base é o mais importante. Lógico que você
tem que valorizar quem já está na elite da natação,
porque nós também precisamos de apoio, mas o
foco principal tem que ser as categorias de base. O pessoal
daqui tem de sair mais para os campeonatos júnior de
alto nível.
GE.Net - A natação feminina de hoje já
pode ser comparada à masculina?
JM - A CBDA (Confederação Brasileira de
Desportos Aquáticos) vem fazendo o que pode para equilibrar
a natação feminina à masculina, mas mulher
não pode ser comparada com homem porque mulher tem
aquele aspecto psicológico que pesa muito mais do que
nos homens. Mulher se cobra muito mais. Pelo menos para mim,
o fato de as pessoas ficarem em cima acabou pesando. Isso
me assustou um pouco.
GE.Net - E a questão do patrocínio para
os nadadores, como está?
JM - Eu vou estar com uma base bem legal para treinar.
Vou ter o aoio do Nikita/Sesi, da confederação
e de mais dois patrocinadores. Infelizmente, você precisa
mostrar resultados para daí, talvez, aparecer alguma
coisa. É preciso dar apoio às categorias de
base, aliando o esporte ao estudo, porque tem muita gente
que decide parar de estudar e diz que volta depois. Lá
fora, todo mundo treina e estuda ao mesmo tempo. Então,
os colégios precisam apoiar, as faculdades também.
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