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22/06/2006
Montagem sobre foto de Djalma Vassão/Gazeta Press

Por Marta Teixeira

Quatro vezes campeão mundial, duas na categoria leve (2006 e 2004) pela Organização Mundial de Boxe (OMB) e outras duas na superpenas (2002) pela Associação Mundial de Boxe (AMB) e 1999 pela OMB, o baiano Acelino Popó Freitas estava há quase dois anos sem patrocinador. Entretanto, ainda neste mês esta situação pode mudar. Graças a uma conversa ao pé do ouvido com o presidente Luiz Inácio da Silva.

Lula recebeu Popó em Brasília no mês passado, prometendo encontrar uma solução para o problema do pugilista e a palavra parece que será cumprida. Dia 28, Popó reúne-se com a diretoria da Petrobras para ver se o patrocínio finalmente sai.

Defensor da tradição brasileira no pugilismo, o baiano está em São Paulo desde o início desta semana, mas desempenhando uma função diferente. Acostumado à luta para ficar em forma e vencer os adversários no ringue, ele enfrentou uma batalha diferente para exercitar seu outro lado profissional: o de promotor de combates.

Neste sábado, Popó promove o duelo entre Carlinhos Furacão e o argentino Pastor Humberto Maurin, conhecido como Vaca Loca, e válido pelo título sul-americano dos supergalos do Conselho Mundial de Boxe. Nesta entrevista à Gazeta Esportiva.Net, Popó fala sobre a expectativa de voltar a contar com um apoio, sobre sua próxima luta e seus projetos nos bastidores do esporte.

Gazeta Esportiva.Net - Como foi o encontro com o presidente e o que você conseguiu dessa conversa?
Popó –
Primeiro teve o convite para levar o cinturão (reconquistado em 30 de abril, após a vitória sobre o norte-americano Zahir Raheem, nos Estados Unidos). Eu prometi a ele que seria campeão de novo e levaria o cinturão para ele ver. Segundo, fui pedir um apoio, uma ajuda para ele. Fui pedir um patrocínio. Ele me prometeu um da Petrobras e dia 28 terei uma reunião para ver se fechamos este acordo.

GENet – Você tem quatro títulos mundiais, mas estava há um bom tempo sem patrocinador...
Popó –
É, eu estava sem patrocínio há quase dois anos. Mas, estou fazendo meu trabalho. O mais importante é eu fazer o meu trabalho, mostrar a potência do boxe no mundo. Este foi meu quarto título mundial e sempre divulgando o nome do Brasil e da Bahia para o mundo todo. O importante é tentar colocar o esporte como cultura. Quero ver se transformo o boxe em esporte cultural.

GENet – Por que é tão difícil conseguir patrocínio? Você tem quatro títulos mundiais e foi preciso falar com o presidente para que uma empresa se dispusesse a apoiá-lo...
Popó -
Eu não sei. Sei que minha parte eu sempre fiz. Fiz bem feito e sem cobrança, sem nada, esperando só o reconhecimento. E ver o reconhecimento do presidente, que me convidou para mostrar o cinturão para ele, para mim foi muito legal. Foi uma emoção muito grande porque é aquela história, só de você estar com ele, ser chamado pelo presidente para receber uma homenagem foi muito bom, uma satisfação muito grande.

GENet – Como é tentar conciliar a carreira de boxeador com a de promotor de lutas?
Popó -
Só tenho luta no final do ano e estou tranqüilo, ainda dá tempo para promover mais um evento no mês que vem. Vamos ver se fazemos em Santos, São Vicente ou até Guarujá ou Praia Grande. Estamos aí abertos, será um evento ao vivo para todo o Brasil pela Rede TV!

GENet – E sábado você já tem um evento...
Popó -
Vamos divulgar a cidade de Cubatão. O ingresso é um quilo de alimento ou um agasalho. Os portões estarão abertos a partir das 6 da tarde. Vamos ter Carlinhos Furacão e o título sul-americano, o Rogério Sapo e John Anderson disputando o título brasileiro. E tenho certeza que será um espetáculo, com oito lutas que antecedem o evento principal.

GENet – E o que é mais difícil, lutar ou ser promotor?
Popó -
Promover. Porque é toda uma produção, você tem que fazer as lutas todas bem casadas, estar com equipe médica boa, segurança. Tudo isso para que não ocorra nada, nem com o público nem com os lutadores. Mas a nossa idéia é fazer um espetáculo, é estar 100%. Agora mesmo vou ao ginásio ver a lona que tem que pintar. Na minha luta não, só faço treinar, descansar e lutar. Essa parte dos bastidores é muito trabalho. Estou aqui há uma semana já e todo dia é trabalho.

GENet – E sobre sua próxima luta, o que já está definido? Adversário, data, valerá unificação?
Popó -
Nada ainda, só a data mesmo. Será em novembro, mas não sei o dia. Também não sei se será unificação. Estou esperando lá o recado dos Estados Unidos para saber o que fazemos.

Programação de sábado

Local: Ginásio Castelão, em Cubatão (SP)
Ingresso: um quilo de alimento ou um agasalho
Horário: a partir das 19h30
Até 66kg – 4 assaltos
Gilberto “Urubá” x João Pereira
até 69kg – 6 assaltos
Daniel Sabóia x Aldair Teodoro
Até 59kg – 4 assaltos
Evandro “Pitbull” Lima x Renato Pedro
Até 61,2kg – 4 assaltos
Carmelito “Binho” de Jesus x Antonio Rosário
Até 63,5kg – 4 assaltos
João “Blackout” Vitor x Nelson Porfírio
Até 63,2kg – 6 assaltos
Luciano “Olho de Tigre” Silva x Osmar Bobô
Até 69kg – 10 assaltos, valendo o título brasileiro da Confederação Brasileira
John Anderson (atual campeão) x Rogério “Sapo”
Até 55 kg – 12 assaltos, valendo o título sul-americano do Conselho Mundial
Pastor Humberto “Vaca Loca” Maurin (atual campeão) x Carlos “Furacão” Oliveira

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