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15/02/2007

Montagem sobre foto de Djalma Vassão/Gazeta Press

Por Marta Teixeira

A 149 dias dos Jogos Pan-americanos, a administração do Rio de Janeiro demonstra otimismo em ralação às conquistas da cidade na preparação para o evento. De olho nos Jogos Olímpicos de 2016, o responsável pelo acompanhamento da Prefeitura, o secretário-especial para o Pan, Ruy Cezar Miranda Reis, assume a proposta carioca de se tornar a capital esportiva da América Latina e rebate as críticas à preocupação esportiva do Governo em detrimento ao cuidado social.

Nesta entrevista à Gazeta Esportiva.Net, ele diz que o Município já investiu R$ 1,5 bilhão no evento, mesmo enfrentando o que chama de postura política de alguns setores para prejudicar o projeto. Responsabilizando estes agentes pelo enxugamento das benfeitorias urbanas que ficariam como legado, Cezar faz questão de garantir que o Pan será um grande negócio para a evolução econômica e social do Rio.

Gazeta Esportiva.Net - Qual o balanço que a Prefeitura do Rio faz sobre a preparação para o Pan até o momento?
Ruy Cesar -
Altamente positivo. Entre os legados que os Jogos deixarão para a Cidade, o planejamento e preparação para os Jogos é um deles. Além dos megaeventos organizados na cidade, como o Reveillon e o Carnaval, agora estaremos aptos a organizar também megaeventos esportivos que envolvem diversos setores de Governo e da sociedade na sua estruturação.

GE.Net - Economicamente, qual o impacto esperado pela Prefeitura para a cidade com o Pan? E para a imagem do Rio?
Ruy Cezar -
Apenas na região do Engenho Novo, a construção do Estádio João Havelange está tirando o bairro de uma estagnação de décadas, provocando uma dinamização de diversas atividades, entre elas a construção civil, que começa a se desenvolver na região. Isto terá um efeito contaminador para os bairros vizinhos, trazendo novos investimentos e desenvolvimento.
Além disto, o legado dos Jogos de 2007 se estende por vários outros setores socioeconômicos e culturais da cidade e do país. Passa, entre outras vertentes, pelo incremento do setor turístico, através da exposição do Rio e do Brasil na mídia exterior; pela incorporação de modernas tecnologias de comunicação e de resultados colocados à disposição das competições; pelas novas oportunidades de empregos e negócios vinculados ao esporte; pela integração cultural com os demais países participantes da competição e, sobretudo, pelo incentivo da inclusão social pelo esporte, trabalho este já iniciado pela Prefeitura através das vilas olímpicas.

GE.Net - O Pan vai atrair turistas com um perfil diferente do tradicional na cidade. O Rio tenta mudar sua imagem ou é apenas uma estratégia de diversificação?
Ruy Cezar -
Um pouco de cada. O Rio de Janeiro é um grande centro esportivo a céu aberto. A qualquer hora do dia ou da noite há pessoas pedalando, correndo ou caminhando. Nas montanhas, escaladas e vôos maravilhosos de asa delta. As quadras públicas de basquete, vôlei e futsal, entre outros esportes, reúnem atletas, apreciadores, cariocas, enfim. A cidade do Rio assumiu desde seus primórdios, com o maior orgulho, o perfil de cidade acolhedora.
Aí cabe a pergunta: existe cidade mais apropriada para a realização festiva de um megaevento esportivo? Com a infra-estrutura esportiva em construção e em reforma na cidade, o Rio de Janeiro se firmará, definitivamente, como a capital esportiva da América Latina e esta imagem atrairá para a cidade toda uma cadeia produtiva vinculada ao esporte. O esporte, hoje, é o principal setor da indústria do entretenimento, portanto a cidade deve tirar todo o partido desta sua vocação.

GE.Net - Inicialmente, esperava-se uma participação maior da iniciativa privada no evento. Com o tempo, o aporte financeiro de todos os níveis de Governo aumentou. Qual o impacto disso nos planos originais da Prefeitura para os Jogos?
Ruy Cezar -
Já avançamos bastante na captação de investimentos privados como na Vila Pan-americana, no Riocentro e na Marina da Glória. Só nestes três equipamentos, foram mais de 300 milhões de investimentos privados, desonerando o poder público destes valores. Está nos nossos planos a concessão dos equipamentos esportivos da Cidade dos Esportes e do Estádio Olímpico João Havelange. Desta forma, restituiremos aos cofres públicos parte dos investimentos realizados.

 
Fernando Pilatos/Gazeta Press
Secretário especial do Pan valoriza revitalização impulsiona no entorno das sedes dos Jogos

GE.Net - Quanto a Prefeitura está investindo para realizar o evento? Todo o recurso necessário já está garantido?
Ruy Cezar -
Aproximadamente R$ 1,5 bilhão. Estamos aguardando a aprovação do orçamento de 2007 pela Câmara de Vereadores, com previsão de cerca de mais R$ 405 milhões. De nossa parte, está tudo garantido.

GE.Net - O Rio foi buscar exemplo em alguma outra cidade para definir que o Pan seria um bom investimento? Qual experiência serviu de motivação?
Ruy Cezar -
Na verdade, estudamos várias cidades e os impactos positivos e negativos dos Jogos, tanto Pan-americanos quanto Olímpicos. Nossas maiores preocupações foram não construir “elefantes brancos”, construir arenas esportivas multiusos, ampliar, através destas novas instalações, o programa municipal de inclusão social através dos esportes e, também, estabelecer parcerias com a iniciativa privada para desonerar os investimentos públicos. Visitamos Barcelona, Seul, Santo Domingo, além das assessorias internacionais que a Prefeitura contratou para a organização do evento e para a área de segurança.

GE.Net - Durante este período de preparação, qual tem sido o principal desafio para a Prefeitura na organização do evento?
Ruy Cezar -
Superar as ações políticas impostas por embargos de pessoas e grupos não interessados que os Jogos se realizem na cidade. Procuraram partidarizar o evento.

GE.net - A cidade ficará com vários equipamentos de alto nível para receber muitas outras competições importantes, mas nem tudo o que foi planejado no projeto original pode ser mantido. As obras no entorno de algumas instalações, por exemplo, foram canceladas ou ganharam versões mais simples. Isso foi resultado apenas da não obtenção de recursos junto ao BNDES? De que maneira isto afeta o legado social do evento?
Ruy Cezar -
Um evento deste porte, por sua importância estratégica, extrapola os limites da cidade. É um evento nacional, do país. Entendemos que a participação do Governo Federal deveria ser ampliada dentro deste conceito, através da participação das intervenções da melhoria da infra-estrutura urbana. Solicitamos um empréstimo ao BNDES. Empréstimo! Uma decisão meramente política indeferiu o que tinha o parecer favorável do corpo técnico do banco.

GE.Net - Como a Prefeitura recebeu as negativas do BNDES?
Ruy Cezar -
O empréstimo foi aprovado pelo BNDES e, posteriormente, negado pelo Ministério da Fazenda. Ainda estamos em entendimentos com o Governo Federal tentando obter recursos para as obras de infra-estrutura urbana.

GE.Net - Qual outro legado de infra-estrutura a Prefeitura espera deixar com o Pan?
Ruy Cezar -
A região do Engenho de Dentro, vizinha ao estádio deixou de ser uma zona industrial estagnada, para se consolidar como uma área de usos múltiplos com atividades comerciais e residenciais multifamiliares em franco desenvolvimento. O entorno da cidade dos esportes no autódromo e da Vila Pan-americana também está se desenvolvendo rapidamente. A ligação com corredor exclusivo de ônibus entre a Penha e a Barra, conhecida como corredor T5, começa a sair do papel, a partir destas novas demandas. Estes são alguns dos legados que já se consolidam antes mesmos de os Jogos começarem.

GE.Net - A questão do transporte é uma preocupação em qualquer grande cidade. Qual o plano elaborado para evitar problemas durante os Jogos?
Ruy Cezar -
Estamos desenvolvendo um plano geral de circulação da família pan-americana em faixas exclusivas, com o cuidado de não sobrecarregar ainda mais o trânsito da cidade. A realização dos Jogos se dará no mês das férias escolares, o que já ajuda a reduzir em 18% a circulação de veículos pela cidade. Mas precisamos reduzir mais. Estamos estudando diversas alternativas. Em fevereiro estaremos divulgando o plano de transportes para a cidade e para o entorno de cada um dos locais de competição. Todos serão informados da melhor maneira de se dirigir para os locais de competição e como se dará a rotina da cidade.

GE.Net - O Rio apresentou uma nova candidatura para Jogos Olímpicos. Qual o peso do Pan-americano como garoto-propaganda para o sucesso deste novo projeto olímpico ambicionado pelo Brasil?
Ruy Cezar -
A capacidade de organização de um megaevento esportivo é o principal item numa disputa à sede olímpica. O Pan de 2007 será o grande vestibular da cidade para as pretensões olímpicas. Se fizermos bem nosso dever de casa, estaremos em condições de disputar em condições reais a sede dos Jogos de 2016.

GE.Net - Algumas pessoas criticam a iniciativa brasileira de tentar receber eventos como Pan, Olimpíadas ou mesmo a Copa do Mundo, alegando que o país enfrenta problemas sociais graves (violência, pobreza etc) e que a solução destas questões deveria ser a prioridade. O Rio, assim como São Paulo e outros grandes centros urbanos, tem de lidar com estes problemas. Por que priorizar o esporte e não as questões sociais nos investimentos deste momento?
Ruy Cezar -
Temos que ter a visão mais abrangente. É preciso entender os Jogos Pan-americanos como uma janela de oportunidades tangíveis e intangíveis que deixarão um grande legado para a cidade em várias áreas, principalmente na social: empregos, renda, valorização patrimonial dos moradores das áreas que anteriormente estavam degradadas; a oportunidade de oferecer aos jovens o esporte, em complementação à escola, tirando-o da rua; a modernização de quatro hospitais da rede municipal, entre outros.

Além dos já mencionados nesta entrevista, a cidade ganhará uma estrutura de segurança pública mais articulada e com mais inteligência, através do Comando Único de Segurança dos Jogos sob coordenação da Secretaria Nacional de Segurança Pública – SENASP. A inclusão social através dos esportes também dará um salto quantitativo e qualitativo com as novas instalações esportivas, dinamizando ainda mais os programas da Prefeitura realizada nas Vilas Olímpicas.

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